14 outubro 2018

Crítica: "Nelyubov" (Loveless - Sem Amor)

 Angustiante, emocionalmente devastador e extremamente preciso na abordagem das suas temáticas, "Nelyubov" envolve-nos pelo interior de um matrimónio a conhecer o seu ocaso e de um desaparecimento que traz ao de cima uma série de especificidades da sociedade russa. Diga-se que essas particularidades são reunidas no interior de uma miríade de temas amplamente universais. Um desses assuntos é a alienação no espaço urbano, o isolamento a que estamos sujeitos e ao qual nos sujeitamos, enquanto aceitamos a frivolidade como algo banal e deixamos os sentimentos calorosos à deriva num mar de incertezas. Outro desses temas é a dicotomia entre o ser e o parecer, com a apetência que vários personagens demonstram para captarem uma felicidade artificial ou lampejos de alegria para colocarem nas redes sociais e assim criarem uma imagem radiante das suas pessoas a contrastar com um quotidiano mais cinzento e desprovido de emoção. Uma dessas personagens é Zhenya (Maryana Spivak), uma mulher que se encontra prestes a divorciar de Boris (Aleksey Rozin), de quem tem um filho, Alyosha (Matvey Novikov), um jovem de doze anos de idade.

O ressentimento, a frustração e a aspereza marcam uma fatia considerável das falas trocadas por Zhenya e Boris, com ambos a tentarem livrar-se da responsabilidade de cuidar de Alyosha. Tanto ele como ela encaram o rapaz como um fardo, como um símbolo de uma relação falhada e uma recordação viva de anos que consideram irremediavelmente perdidos, algo que expressam através dos gestos e das palavras. O casal encontra-se ainda a tentar vender a casa, com estes dois personagens a demonstrarem por diversas vezes que não convivem bem com as marcas que produziram durante o tempo em que estiveram juntos. A certa altura do filme, encontramos os dois cônjuges a discutirem, a colocarem em palavras o quanto estão afastados e a exibirem uma notória falta de vontade em permanecerem com a guarda do filho. Se estes fazem questão de se esquecer do rapaz, já a câmara de filmar segue o caminho diametralmente oposto e efectua um desvio que resulta num dos momentos mais poderosos do filme, em que um choro compulsivo é silenciado e abafado, quase que a remeter para a invisibilidade de Alyosha junto dos pais. Matvey Novikov transmite a dor do seu personagem e a falta de calor humano que recebe dos progenitores, com os poucos trechos em que está presente a permitirem expor o efeito que os comportamentos dos pais provocam nos filhos.

13 outubro 2018

Crítica: "Como Fernando Pessoa Salvou Portugal" (2018)

 Com um sentido de humor muito peculiar, uma elegância notória na composição dos planos e um cuidado no figurino que permite transportar-nos para o Portugal do final da década de 20, "Como Fernando Pessoa Salvou Portugal" coloca-nos perante o episódio em que o poeta do título é designado para elaborar um slogan para a Coca-Louca. Nesta fase, o escritor trabalhava numa agência de publicidade e criou o célebre slogan para a Coca-Cola que perdurou no tempo e ainda é recordado, em particular, "Primeiro estranha-se, depois entranha-se". Provavelmente impedido de utilizar o nome da Coca-Cola devido a uma questão de direitos, o realizador e argumentista Eugène Green altera a nomenclatura do produto, mas mantém o seu visual e essência, enquanto aborda, sempre com algum humor à mistura, os motivos que levaram o poeta a criar o slogan, o impacto que este provocou e a procura do Estado em impedir que a bebida chegasse a Portugal. O cineasta expõe estes episódios de forma concisa e leve, enquanto despe praticamente os intérpretes de emoções, coloca-os no centro dos planos (um recurso semelhante ao utilizado em "A Religiosa Portuguesa") e permite que estes sobressaiam, sobretudo Carloto Cotta.

11 outubro 2018

Entrevista a F.J. Ossang sobre "9 Doigts"

 Escritor, músico e cineasta, F.J. Ossang conta com uma série de obras de respeito, tais como "9 Doigts", a sua nova longa-metragem, um noir com ingredientes de aventura marítima. O realizador esteve em Portugal para promover o filme, algo que foi encarado pelo Rick's Cinema como uma oportunidade única para entrevistá-lo. A entrevista decorreu no interior dos escritórios da O Som e a Fúria, a co-produtora da fita, tendo sido marcada pela disponibilidade, simpatia e expressividade desta figura singular do cinema francês. Ossang começou por salientar que fala francês, inglês e espanhol. Ainda sabia falar um pouco da nossa língua, ainda que, como salientou, "em Madrid e sobretudo na América do Sul perdi o meu português" (risos). No entanto a presença nos Açores não foi esquecida, "Fui pela primeira primeira vez aos Açores em 1988. Em 1989 filmei 'Le trésor des îles chiennes', em Cinemascope, a preto e branco. O filme vai ser restaurado. Sou fascinado pelos Açores. A reunião entre os três continentes. Nesses tempos era muito mais difícil do que agora, nomeadamente, do ponto de vista material. Mas fui muito feliz. Então, voltei para os Açores para filmar o meu primeiro filme neste espaço, 'Dharma Guns', também em preto e branco".

Outro dos territórios onde "9 Doigts" foi filmado é Biarritz. Em entrevista ao canal do International Film Festival Rotterdam, F.J. Ossang realçou o clima tempestuoso deste lugar, algo que nos levou a querer saber um pouco mais. De acordo com o cineasta, "Já estava presente no argumento que precisávamos de temperatura de inverno. Por acaso filmámos em Biarritz. O filme entrou em produção e tivemos de começar a filmar rapidamente. Não podíamos perder dinheiro. Nós filmámos duas semanas em França. O tempo era terrível. Para ires de carro de Paris a Biarritz tinhas de fazer três ou quatro quilómetros a mais. As inundações eram imensas. No entanto, a tempestade foi muito boa para o filme". Ainda no campo dos líquidos e da Sétima Arte, decidimos colocar o realizador perante o célebre comentário que efectuou ao À Pala de Walsh, em particular, "o verdadeiro cinema é como gin tónico" e questioná-lo sobre a preparação desta bebida noir com ecos de aventura marítima: "Para mim o bom cinema, aquele que eu gosto, é como um psicotrópico. Coloca-te em outro estado, um pouco como o álcool. Eu gosto bastante de cinema. Algumas boas ideias dos meus filmes resultam frequentemente de beber duas noites. E, depois, começo a escrever (enquanto isso, simula de forma bem viva o processo de escrever). Por vezes, é bom. Desta vez tinha de me apressar, pois tinha uma semana para terminar. Saiu do fundo do coração, da minha alma. Decidi fazer um filme sobre barcos porque sempre fui fascinado pelas histórias do capitão Frederick Marryat e de Joseph Conrad, então no '9 Doigts' existe quase sempre um grande fantasma a um canto, o Marryat".

10 outubro 2018

Crítica: "9 Doigts" (9 Dedos)

 "É preciso uma autoridade! Algo que mande no Tempo, senão o tempo estende-se! Nós é que temos de nos impor a ele!" comenta Ferrante (Pascal Greggory) num estado visivelmente alterado quer pelos revezes de uma viagem que adensa a paranóia, quer pelo álcool que consumiu em excesso. Se este gangster anseia por algo que controle o tempo, já F. J. Ossang demonstra ser exímio nesta tarefa. Hábil a transmitir a rapidez e a intensidade com que os personagens sentem tudo o que ocorre no primeiro acto de "9 Doigts", o realizador é igualmente competente a explanar a lentidão com que as figuras que percorrem o enredo vivem os episódios do segundo e terceiro acto. Essa sensação de tempo está indubitavelmente associada ao espaço. Note-se como no segundo e terceiro acto a presença prolongada de uma parte considerável dos personagens no interior de um barco contribui para exponenciar todo um ambiente de imobilidade e incerteza. Fora do veículo marítimo, em particular, no primeiro acto, tudo decorre com mais ritmo, seja pelas perseguições e fugas, ou pelo contacto de Magloire (Paul Hamy), o protagonista, com o gang liderado por Kurtz (Damien Bonnard). Mais do que tomar a iniciativa dos acontecimentos, Magloire depara-se com uma série de eventos que mexem com o seu quotidiano sem rumo, sobretudo a partir do momento em que encontra um indivíduo prestes a falecer.

O moribundo entrega vinte mil dólares ao protagonista e logo o avisa para fugir. Com mais dinheiro no bolso, Magloire começa a correr desenfreadamente, enquanto é perseguido por um grupo de criminosos. São trechos pontuados por alguma tensão e uma utilização sublime do contraste entre luz e sombras ao serviço do enredo, ou não estivéssemos diante de uma obra marcada por uma série de ingredientes associados aos filmes noir. Não faltam as sombras salientes e vincadas, dignas herdeiras do expressionismo e capazes de adensarem a inquietação e a sensação de malaise, os personagens de moral ambígua, a insegurança no espaço citadino, os ângulos de câmara que acentuam a inquietação, o fumo dos cigarros que exacerba a fugacidade e a transitoriedade da vida. Diga-se que a influência dos noir é notória em diversas situações que parecem surgir como referências a outras fitas, sejam estas menções propositadas ou casuais. Observe-se o aquário que cedo traz "The Lady From Shanghai" à memória, ou uma fuga à "The Third Man", ou uma ameaça atómica que muito tem de "Kiss Me Deadly". Temos ainda um assalto e um grupo de criminosos que faz recordar ao de leve alguns noir franceses, tais como "Rififi", ou diversas fitas de Jean-Pierre Melville. No entanto, pese a miríade de referências que já foram inseridas no texto, "9 Doigts" é filme com vida própria. E que vida estranha e inebriante tem esta obra.

06 outubro 2018

Crítica: "Joaquim" (2017)

 O que leva alguém a desafiar o sistema? Como surge a tomada de consciência de alguém em relação ao mundo que o rodeia? Estas são perguntas a que "Joaquim" procura responder através da figura do título, com Marcelo Gomes a deixar-nos perante um filme sobre o passado e o presente do Brasil. O enredo tem lugar em pleno Século XVIII. No entanto, a sociedade que é apresentada permite que encontremos traços de problemas e especificidades que marcam esta Nação nos dias de hoje, algo particularmente notório quando somos confrontados com a corrupção e as desigualdades promovidas pela Coroa de Portugal no interior do território canarinho. O realizador e argumentista Marcelo Gomes foge aos caminhos fáceis e previsíveis. Não temos uma obra de pendor biográfico que abarca um período alargado da vida de Tiradentes, ou uma representação do mesmo como uma figura messiânica, ou o culminar do enredo com o auge da conhecida Inconfidência Mineira. Marcelo Gomes prefere concentrar as suas atenções num período específico da existência de Joaquim José da Silva Xavier, em particular, os momentos que antecederam a sua tomada de consciência, enquanto efectua um retrato complexo desta personalidade histórica.

Júlio Machado consegue expressar as dúvidas, defeitos, virtudes e contradições do seu Joaquim, um dentista e alferes que tem como principal função capturar contrabandistas de ouro em Minas Gerais. Com longos e descuidados cabelos compridos, muitos deles recheados de piolhos, Joaquim diz que é filho de portugueses, mas sabe que não tem os mesmos benefícios dos mesmos. Essas discrepâncias são desde logo visíveis a partir da figura de Manoel (Miguel Pinheiro), um alferes corrupto que acompanha o protagonista na caça aos contrabandistas e demonstra uma certa sobranceria e desprezo para com este e os locais, tendo mais hipóteses de ser promovido do que o segundo devido a ser português. É um exemplo paradigmático de uma sociedade estratificada e recheada de assimetrias, que promove as desigualdades e parece esquecer-se que contém no seu interior uma enorme diversidade. No topo dos cargos de poder e chefia encontramos os portugueses, sendo seguidos dos brasileiros, enquanto os mestiços ocupam uma posição mais baixa que estes últimos. Por sua vez, os escravos negros e os indígenas são tratados quase como mercadoria, com o argumento a explorar o quanto esta estrutura delineada pelos colonizadores contribui para fomentar as desigualdades e o racismo, algo que, em certa medida, permite efectuar um diálogo com as assimetrias do Brasil de hoje.

03 outubro 2018

Crítica: "Thelma" (2017)

 Drama poderoso e inquietante, que se embrenha pelo terror e a fantasia, "Thelma" deixa-nos perante uma jovem adulta que se encontra a descobrir a sua sexualidade e o seu corpo, a lidar com uma série de sentimentos e sensações contraditórias, bem como a enfrentar o despertar de poderes que se encontravam adormecidos e aparecem ao sabor do desejo, da liberdade e da culpa. O prólogo é fulcral para Joachim Trier marcar o tom enigmático e tenso do filme, com o cineasta a colocar-nos diante de um episódio da infância da personagem do título. No trecho mencionado, encontramos Thelma (Grethe Eltervåg) e o pai no interior de uma floresta recheada de neve, enquanto este se prepara para caçar um cervo. A presença da neve e a profusão de tonalidades frias tanto reforçam a hostilidade do cenário como transmitem uma certa sensação de pureza, algo que contrasta com o casaco vermelho da protagonista, uma cor forte e exacerbadora do perigo, com esta discrepância tonal entre a frieza e o calor a sublinhar o mistério e a sensação de ameaça que rodeiam os momentos iniciais do filme.

Essa ameaça é reforçada quando Trond muda de alvo. Inicialmente focado no cervo, o pai da protagonista desloca o olhar e a espingarda na direcção da filha, um acto que explana de forma paradigmática o desejo de eliminar a petiz. O que leva um pai a ponderar assassinar o seu rebento? É uma pergunta que colocamos e é respondida com o avançar do enredo, sobretudo a partir de uma fase em que ficamos na posse de mais elementos sobre os personagens e o seu passado. O trabalho de Jakob Ihre na cinematografia é essencial para exacerbar a inquietação e mistério que percorrem o prólogo e o restante enredo. Note-se o plano geral que nos deixa diante de Trond, Thelma, o cervo, a neve e a tentação, ou a eficácia com que o director de fotografia realça as cores frias que adensam a hostilidade do território onde se desenrola o trecho inicial do filme. A tonalidade vermelha da roupa de Thelma aparece como um elo de ligação entre o prólogo e o episódio seguinte da fita, nomeadamente, quando ficamos diante da protagonista a deslocar-se até à universidade, onde se prepara para assistir a uma aula.

01 outubro 2018

Entrevista a Guilherme Daniel sobre "A Estranha Casa na Bruma"

 "A Estranha Casa na Bruma" venceu o Prémio de Melhor Curta de Terror Portuguesa/Méliès d'Argent na edição de 2018 do MOTELx. A curta-metragem vai estrear em circuito comercial ao lado de "Thelma", a nova longa-metragem de Joachim Trier. O Rick's Cinema aproveitou a ocasião proporcionada por este lançamento Cinema Bold para entrevistar o realizador da curta, Guilherme Daniel. Ao longo da entrevista foram abordados assuntos relacionados com a escolha dos cenários, o que foi mantido e alterado do conto "The Strange High House in the Mist", entre outros temas.  

Rick's Cinema: O quanto é que existe de "The Strange High House in the Mist" e de H.P. Lovecraft no interior de "A Estranha Casa na Bruma"? O que o atraiu no conto?

Guilherme Daniel: O que me atraiu neste conto foi uma ambiência pesada de mistério e um sentido de suspense carregado, principalmente na aproximação da personagem principal à casa e aquando da visita inesperada. Nestes momentos tentamos ser bastante fieis ao conto. Onde ele se afasta é essencialmente na definição da personagem principal, que Lovecraft define como um homem de pensamento racional, e que a mim me interessava mais retratar como um homem de profunda crença religiosa. Esta mudança redefiniu o início e o fim da história, mas ao mesmo tempo penso que se mantêm fieis ao espírito original.
 
RC: Pontuado por cores frias, nevoeiro, árvores despidas e uma certa hostilidade, o território que rodeia a casa contribui para o ambiente enigmático e a espaços algo inquietante que permeia o filme, um pouco à imagem do interior da habitação. Como é que decorreu o processo de selecção e decoração dos cenários? O quanto é que a sua experiência como director de fotografia contribuiu para a eficiência com que expressa as particularidades destes espaços e cria o ambiente que marca "A Estranha Casa na Bruma"?

GD: A maior dificuldade na escolha dos cenários foi de uma questão prática - o local onde construiríamos a casa, que necessitávamos que oferecesse determinadas condições de segurança, para além de proporcionar o efeito de abismo desejado. A envolvência da casa também era importante, daí termos procurado uma floresta para a cena inicial que oferecesse essa hostilidade e ao mesmo tempo nos remetesse para um espaço irreal. Admito que tive algum conflito interno em filmar numa zona ardida do Pinhal de Leiria, como se de alguma forma me tivesse a "aproveitar" da tragédia, mas era de facto o ideal para o filme e em coordenação com as autoridades locais tudo correu pelo melhor.
Houve um trabalho conjunto entre a fotografia e a direcção de arte (Raquel Santos) de forma a criar uma palete para o filme com um jogo de cor que diferenciasse o mundo real e o que está para lá do que os olhos da personagem alcançam, e penso que é a partir deste trabalho que o filme cresce.

Crítica: "Mr Gay Syria" (2017)

 O título de "Mr Gay Syria" remete para um concurso organizado por Mahmoud Hassino, um jornalista e activista que fundou o movimento LGBTI da Síria. O vencedor tem de se deslocar a Malta e participar no Gay World, um evento que é encarado por Mahmoud como uma possibilidade única para despertar a atenção sobre a situação complicada em que se encontram os refugiados LGBTI sírios e defender a sua causa, algo exposto ao longo do documentário. Também ele um refugiado, o jornalista desloca-se da Alemanha, onde está instalado, para a Turquia, tendo em vista a reunir-se com alguns membros da comunidade síria que se encontram no local. Entre esses elementos encontra-se Husein, outra das figuras centrais do filme, um cabeleireiro de vinte e quatro anos de idade que fugiu da Guerra na Síria, embora tenha de enfrentar um conflito deveras intrincado. Como assumir a homossexualidade no interior de uma sociedade conservadora? É uma questão que apoquenta este indivíduo que é praticamente obrigado a protagonizar uma vida dupla.

Durante seis dias da semana, nomeadamente, aqueles em que se encontra a trabalhar, Husein lida com as limitações inerentes ao conservadorismo da sociedade turca, embora encontre algum conforto junto da comunidade LGBTQI síria, onde exprime as suas ansiedades, dúvidas, anseios e motivações. Na folga, tem de se deslocar para junto da esposa, da filha e dos progenitores, algo que o atormenta e inquieta. Coragem e desespero surgem como algumas das motivações de Husein para participar no Mr Gay Syria, tendo a companhia de diversos elementos que lhe são próximos. Note-se o caso de Omar, um cozinheiro que anseia reunir-se com o marido na Noruega, ou de Wissam, um indivíduo com uma barba farta e um talento peculiar para a dança. Uma parte considerável do primeiro terço do documentário centra-se na apresentação destas figuras, com especial incidência em Mahmoud e Husein, bem como nos preparativos para o concurso. O desenrolar do evento conta com música, dança e um momento emotivo protagonizado pelo barbeiro. Este vence o concurso, mas começa desde logo a temer as repercussões da vitória, em particular, a possibilidade dos pais descobrirem que é homossexual.