21 fevereiro 2018

FESTin 2018 - Entrevista a Maria Galant sobre "Mulher do Pai"

 Estreia de Cristiane Oliveira na realização de longas-metragens, "Mulher do Pai" embrenha-se pelas fronteiras territoriais e humanas, enquanto aborda com sensibilidade uma série de assuntos que envolvem a relação entre um pai e a sua filha, o luto, a perda da memória visual, a solidão e a adolescência, sempre sem descurar as especificidades do território em que se desenrola o enredo e o modo como este influência os personagens. "Mulher do Pai" é um dos grandes filmes da edição de 2018 do FESTin, onde integra a Competição de Longas-Metragens.

O Rick's Cinema teve o enorme prazer de entrevistar online a actriz Maria Galant, a intérprete de Nalu, uma das protagonistas do filme. Galant é uma agradável surpresa. A actriz consegue incutir uma mescla de maturidade e ingenuidade à sua personagem, uma jovem que se encontra a efectuar uma série de descobertas, tem de tomar algumas decisões relevantes e conta com uma curiosidade muito típica da idade. O resultado final da entrevista é deveras interessante, algo que se deve à enorme disponibilidade e simpatia de Maria Galant a responder às perguntas. Ao longo da entrevista foram abordados assuntos relacionados com a dinâmica entre a actriz e Marat Descartes, o trabalho com Cristiane Oliveira, a influência do território onde a obra foi filmada, os principais desafios que Maria Galant encontrou a compor Nalu, entre outros temas.


Rick's Cinema: Li no seu site que estuda Artes Visuais, teatro, circo, desenho e fotografia. Como surgiu o seu interesse nestas áreas? O quanto esta mistura de experiências enriquece o seu trabalho como actriz de cinema?

Maria Galant: Essas coisas todas surgiram na minha vida de maneira muito diferente. Meu pai é fotógrafo amador, então fotografia sempre foi algo muito recorrente aqui em casa, e muito valorizado. Desde pequena meus pais me colocaram em cursos de arte e teatro, então acho que o gosto pelas várias áreas relacionadas à arte vem desde que eu me conheço por gente. Eu comecei a fotografar quando ainda estava no colégio, gostava muito de explorar fotografia analógica e processos fotográficos antigos, então meus pais reativaram um laboratório de revelação preto-e-branco que tinham guardado, na nossa lavandaria. A partir daí eu tive a possibilidade de explorar em casa e nos cursos que fazia todas as áreas da foto - fotografar, revelar, experimentar nelas, tenho alguns trabalhos de fotografias pintadas à mão, como antigamente, com aquarela e até com canetinha.

 A fotografia foi uma das coisas que me fez decidir pelo curso que estudo. Por muito tempo estive em dúvida entre estudar cinema e psicologia também, mas quando assisti ao filme brasileiro Bicho de Sete Cabeças, da Laís Bodanzky (que está no FESTIN com o longa novo dela, Como Nossos Pais), eu me dei conta que existem outras maneiras de ajudar as pessoas sem ser da forma ortodoxa. Por isso faço licenciatura, acredito muito no poder de transformação da arte - que o cinema, por ser acessível, tem um papel muito importante de transformação social. Por exemplo, onde eu estudo, fui bolsista voluntária de um projeto de oficina de cerâmica para pessoas diagnosticadas esquizofrênicas, e é muito lindo ver como a arte de fato ajuda. Isso tudo faz parte de quem eu sou, e acredito que como atriz, quando a gente “pega” algum personagem, a gente não faz de conta que é alguém, ou empresta coisas nossas para essa nova pessoa, a gente de fato é um pouco dessa outro ser, enquanto esse outro ser é um pouco a gente. Sinto que que todas as personagens que fiz até agora me mudaram muito. A Nalu, do Mulher do Pai me provou que eu tenho condições de ser independente, de tomar minhas próprias decisões, e que não tem problema querer se priorizar, mesmo que eu tenha a mesma dificuldade que ela de me descolar da minha família.

 Para o Mulher do Pai, o fato de eu ser estudante de artes me ajudou muito a entender o filme que estávamos fazendo. A Cristiane Oliveira é uma pessoa extremamente sensível e cuidadosa com cada detalhe do filme dela, e durante o nosso tempo de pré-produção, ela fez um trabalho de sensibilização muito importante para mim. No primeiro momento, nos falávamos por Skype a cada 15 dias. Conforme a proximidade das filmagens, passámos a ensaiar presencialmente. Porém, nesse primeiro momento, ela sempre me passava referências de filmes, livros, obras de arte, pinturas, fotógrafos que ela gostaria que eu conhecesse e me relacionasse para entender o universo da Nalu, a linguagem que seria usada no filme e o tipo de discurso sobre juventude que apresentaríamos.


RC: A Cristiane Oliveira apresenta um trabalho extremamente seguro em "Mulher do Pai", sendo capaz de extrair o melhor do elenco. Como é a relação da Cristiane Oliveira com os actores? Como avalia o trabalho que efectuaram durante as filmagens de "Mulher do Pai"?

MG: A Cristiane é uma pessoa extremamente sensível, batalhadora e cuidadosa. Quando conversei com ela pela primeira vez sobre a história do filme, eu tive duas reações instantâneas. A primeira foi ficar encantada com a historia, eu queria demais fazer parte disso. A nossa conversa foi tão boa, que eu saí querendo ser amiga dela, mesmo que não conseguisse o papel; mas ao mesmo tempo, eu tive muito medo de não dar conta, disse para ela que a minha vida era muito fácil, minha família é estável, e que eu de fato não sabia se tinha carga emocional o suficiente para assumir a Nalu. Ainda assim, a Cris viu em mim potencial para contar essa história que eu mesma não tinha visto.

Por ser meu primeiro longametragem e também já minha primeira protagonista em um filme, a Cris foi muito cuidadosa com a construção da personagem. Eu só fui pegar o roteiro em mãos na hora de filmar, até lá, ela me contava cena por cena e nós conversávamos sobre como achávamos que a Nalu falaria cada uma das coisas. Para as cenas dos telefonemas, por exemplo, ela deu para mim e para a Fabiana Amorim (que faz a Elisa, melhor amiga da Nalu no filme) um gravador e cinco minutos para cada em um quartinho separado para contamos ou inventarmos histórias de primeiros beijos e coisas assim, para que ela pudesse ter um repertório de vocabulário que meninas da idade das personagens usariam para descrever as situações para uma amiga. Mesmo eu só tendo o roteiro na hora da filmagem, a diretora sempre cuidou para que eu estivesse muito segura sobre a personagem e seus conflitos. Trabalhar com a Cris foi como ter sempre uma amiga por perto. Filmámos em uma região bem isolada e com pouco contato com quem estava fora. Eu tentava ligar para os meus pais toda noite antes de dormir, mas nem sempre conseguia, fiquei sem contato com meus amigos e alguns dias eu ficava bem para baixo, a Cris sempre me chamava para conversar, foi ótimo ter tido essa primeira experiência guiada justamente por ela.

Acho que as palavras-chave para o trabalho de direção da Cristiane no Mulher do Pai foi confiança e respeito. Em nenhum momento me senti menor por ser meu primeiro trabalho, que era algo que eu tinha medo quando entrei no projeto, dividir cena com atores como o Marat Descartes e a Veronica Perrotta - que eu já conheci e admirava o trabalho - logo de estreia, só de pensar já me dá frio na barriga de novo, mas a direção sempre respeitou os meus limites - inclusive físicos -, e confiou muito em mim para viver a Nalu. Sou imensamente grata pela chance que me foi dada para contar essa história, mesmo que eu faça 500 outros filmes, o Mulher do Pai, a equipe, o elenco e a Nalu vão ter sempre ocupar um espaço muito importante dentro de mim.



 RC: A Maria Galant conseguiu incutir uma mescla de maturidade e ingenuidade à sua personagem, uma jovem que é compelida a tornar-se na mulher da casa. Quais foram os principais desafios que encontrou a compor a Nalu? O quanto trouxe de si para a personagem?

MG: Muito obrigada! Acho que o resultado da Nalu é só parcialmente responsabilidade minha. Acredito que a construção de um personagem começa no roteiro e termina na montagem do filme. Concretizar a Nalu seria extremamente diferente se a casa que ela morasse não fosse aquela locação, escolhida a dedo, se o lugar não fosse de fato frio. Os figurinos, luzes, enquadramento, por exemplo, foram essenciais para a personagem se relacionar daquela maneira com o ambiente. Acredito que, o que foi decisivo para que a minha atuação da Nalu funcionasse, foi o olhar atento da Cristiane Oliveira, e os meus colegas de cena. O Marat foi essencial para que eu fizesse um bom trabalho. Não houve uma cena sequer que ele não tenha me ajudado com alguma coisa, alguma dica de respiração, alguma sugestão para mudar a pausa de lugar durante uma fala. Fazer um primeiro trabalho, tão denso, protagonizando ao lado de um ator tão experiente e talentoso como o Marat foi um presente.

A maior dificuldade que eu tive com a Nalu foi exatamente de dosar as emoções dela. Para mim, a personagem era apática na maior parte do tempo. Ela vive dentro de uma bolha e tudo em volta dela, mesmo antes da avó falecer, é muito denso. São poucas as cenas que temos marcado ela rindo abertamente. Eu me lembro inclusive de apenas dois momentos, quando ela conversa com a amiga sobre a relação de cada uma com seus pais e Elisa conta sobre como as pessoas enxergam ela na capital, e na cena em que Nalu descreve para Rubens o filme Transformers. Aprender qual era o tom natural da Nalu, sem que ela ficasse chata para o espectador foi certamente o meu maior desafio, que o natural fosse algo “morno” para que os momentos mais felizes se destacassem.


 RC: O Marat Descartes e a Maria Galant protagonizam alguns dos momentos mais poderosos do filme. Por exemplo, o momento em que Ruben toca no rosto de Nalu, ou o trecho em que o primeiro pede para a filha descrever um filme. Pode falar-nos um pouco do trabalho que efectuou com o Marat Descartes para trabalhar as dinâmicas entre os personagens que interpretam? Como foi filmar esses dois episódios específicos?

MG: Aproximadamente um ano antes das filmagens do Mulher do Pai, antes mesmo da Cris definir que seria eu a fazer a Nalu, ela me convidou para ir a São Paulo (onde ela mora), para conhecer e fazer alguns testes com atores que eram opções para o personagem de Ruben. O meu primeiro teste junto com o Marat foi exatamente essa cena em que o Ruben toca o rosto da Nalu pela primeira vez. A gente ainda não tinha se visto. Ele estava vendado e havia uma outra atriz convidada para mediar a situação fazendo o papel da Rosário. Quando, já na improvisação em cima da cena, o Marat tocou no meu rosto, eu comecei a chorar, achei uma cena muito potente e emocionante. Quando nós dois chorámos a Cris encerrou o improviso. Depois disso improvisámos em cima de outras cenas, e a Cristiane havia decidido por nós dois como Ruben e Nalu. Então acho que posso dizer que desde o primeiro contato com o Marat, torci muito para que, se eu fosse a Nalu, ele fosse o Ruben. Já conhecia o trabalho dele como ator de outros filmes, mas ver a potência de atuação dele ao vivo é desestabilizador.

Essas duas cenas que tu citaste são, inclusive, as minhas preferidas do filme. Acho esse momento do toque entre os dois a cena mais forte do roteiro, lembro que quando fomos filmar ela que eu finalmente realizei “esse filme está mesmo acontecendo”. A equipe toda em silêncio enquanto filmavam aquele momento tão intimo e delicado entre pai e filha é um resumo do que foi o nosso processo. A cena descrevendo Transformers foi muito divertida de filmar. Apresentaram-me a cena antes para que eu conhecesse e soubesse o que teria que descrever, improvisámos um pouco em cima do que acontecia na cena do Transformers e a Cris reescreveu a cena a partir do que surgiu nesse improviso como “uma ponte em cima de outra ponte”, coisas que naturalmente foram ditas na correria de descrever aquele monte de coisas ao mesmo tempo; mas durante a filmagem foi bem tranquilo, eu tinha esse esqueleto escrito de palavras-chave e frases boas que seriam importantes de serem faladas enquanto eu descreveria o filme, mas como tudo acontecia muito rápido, eu poderia ficar bem livre, então as risadas foram bem naturais. Acho que o Marat se divertiu bastante fazendo essa cena também, porque era quase desesperador contar tudo que acontecia em uma cena de ação.

Quanto à nossa dinâmica em cena, não canso de dizer o quão bom foi trabalhar com o Marat, mesmo quando ele não tinha que filmar, ficava por perto para me ajudar com as minhas cenas. Ele é fisicamente muito parecido com o meu pai, e tem três filhas, por isso acho que foi rápido para nos identificarmos nos papéis um com o outro. Sou imensamente grata por ter tido a cena de dividir essa família ficcional com o Marat, não consigo pensar em ninguém melhor para estar naquele papel. Para além de ser uma pessoa extremamente amável, cuidadosa e divertida, ele é um ator excepcional.


 RC: O enredo de "Mulher do Pai" decorre num território de fronteira entre o Brasil e o Uruguai. Como foi filmar em Vila de São Sebastião? O quanto este território influência os personagens do filme e influenciou o trabalho dos actores?

MG: A minha família é toda de uma cidade interiorana também, da fronteira do Rio Grande do Sul com a Argentina, mas bem maior do que a vila em que filmámos. Por isso, eu já estava mais ou menos habituada com a distância da capital e o que isso causa na população. Cheguei na Vila de São Sebastião uma semana antes das filmagens começarem, mas a nossa super-diretora de produção, Gina O'Donnell estava morando na locação já há seis meses para organizar as coisas para nossa chegada e estadia. O trabalho dela foi tão cuidadoso, que quando nós do resto da equipe chegámos, a Vila toda estava nos esperando. Fomos incrivelmente bem recebidos, grande parte dos moradores estavam envolvidos na produção, entre figurantes, ajudantes da alimentação, pessoas que nos abriram as casas para ficarmos ou filmarmos. Existem mulheres que com o Mulher do Pai trabalharam pela primeira vez na vida recebendo pagamento.

O clima entre moradores e equipe na Vila era muito agradável, sinto que tivemos uma boa troca com os moradores, e isso facilitou muito nossa estadia. O nosso filme não poderia se passar em nenhum outro lugar da fronteira. Sei que a pesquisa de locação foi exaustiva e visitaram inúmeras cidades, mas que optaram pela nossa querida Vila de São Sebastião porque o roteiro parecia ter sido escrito para se passar ali mesmo, a vila tinha tudo que a gente queria mostrar. O meu trabalho como Nalu foi muito influenciado pelo clima e locações da Vila, a casa da família tinha um clima especialmente denso, enxergar a história acontecendo por todas as ruelas daquele lugar foi emocionante.


RC: O "Mulher do Pai" efectuou um percurso meritório em festivais de cinema. Muitas das vezes os filmes são interpretados com algumas nuances diferentes de país para país. Como é que o "Mulher do Pai" e o seu trabalho como Nalu têm sido abordados e encarados pelo público e a crítica destes certames? O que a surpreendeu mais neste percurso que o filme tem efectuado?

MG: O Mulher do Pai é um filme novo em cada lugar que é exibido. Quando apresentámos no Festival da Cinemateca Uruguaia o filme foi todo assistido em silêncio ao mesmo tempo que, ao ser exibido no Festival de Triunfo no sertão Pernambucano, arrancou gargalhadas da plateia. É surpreendente ver como as pessoas se relacionam de maneira diferente com a história. Fico muito feliz de saber que o filme causa sensações diferentes, e acredito que isso represente uma questão cultural forte, o humor e o drama da região sul da América Latina é muito parecido, enquanto o fato do filme visualmente apresentar do inverno gélido ao verão quente, surpreende os expectadores do nordeste brasileiro.

  Eu assisti o filme em todas as sessões que tive chance. Acho que a minha preferida foi uma das sessões debate com escolas públicas da minha cidade. É muito bom ver a reação dos jovens ao filme e depois conversar com eles sobre o que gostaram mais ou menos. Certamente o que mais me surpreendeu durante o percurso do filme foi ver como essas histórias são reais. Soube de meninas com ambos os pais cegos, meninas que cuidaram dos pais deficientes por diversos motivos, aconteceu até de eu vir a descobrir que a mãe de um ex-namorado meu que é nascida e criada na Vila de São Sebastião, e que só saiu de lá quando a estação de trem parou de funcionar.

Tive o prazer de acompanhar o filme em diversos festivais, e me toca muito ver o filme emocionando as pessoas desde a sessão na Vila de São Sebastião até a plateia lotada do Berlinale, isso, muito mais do que as críticas positivas inclusive, é o que me faz ter cada vez mais vontade de seguir atuando e estudando para contar histórias como a do Mulher do Pai.


RC: O cinema brasileiro é cada vez mais respeitado nos festivais de cinema internacionais. Quais as razões desse sucesso? É algo que se reflecte no interesse do público brasileiro ou nesse quesito ainda existe um longo caminho a percorrer?

MG: O Brasil é um país continental, tão diverso quanto grande em extensão territorial e cultura. Com as leis de incentivo ao audiovisual criadas no governo nacional anterior que valorizaram o cinema autoral, houve uma grande leva de filmes lindos que foram feitos. Eu, particularmente, sou muito fã do cinema brasileiro, acho importante que as pessoas aprendam sobre o seu país, e acho o cinema uma forma muito popular de disseminar cultura e propor debater sobre questões sociais. Infelizmente, isso não é unânime por aqui. É muito difícil levar a população para assistir as obras cinematográficas no cinema, principalmente os filmes que independentes ou que não contam com atores da Rede Globo de Televisão.

Acho que o que falta são mais programas de alfabetização audiovisual, para que se crie público para o cinema nacional. Um exemplo que eu vi disso foi na mostra Generation do Berlinale, onde o Mulher do Pai foi exibido ano passado. Nas sessões do nosso filme haviam jovens a partir de 14 anos, que em sua grande maioria, acompanharam os filmes do festival desde pequenos, com as sessões de faixa etária indicativa livre. As perguntas feitas pelos jovens eram maravilhosas, houveram pontos que só foram tocados por esses jovens e tempos depois numa sessão debate para psicólogos e psicanalistas. Se criamos a cultura de levar as crianças ao cinema para assistir filme nacionais, vamos aumentando o repertório da população sobre nós mesmos, e também criando outras maneiras de nos enxergarmos, sem estereótipos.


RC: O que podemos esperar de si em "Irmã"? Para além de "Irmã", já conta com mais trabalhos relacionados com o cinema ou a televisão, ou mais alguma exposição relacionada com fotografia?

MG: Filmámos o Irmã no início de 2017, dirigido por Luciana Mazeto e Vinícius Lopes. O filme conta a história de duas meninas, uma de 16 e outra de 11 anos que viajam para o interior atrás do pai que fugiu quando a mais nova era ainda recém nascida. É um road movie híbrido de digital e analógico. Foi uma experiência muito diferente do Mulher do Pai, filmámos com uma equipe super reduzida e em esquema de cooperativa (em que todos trabalhamos de graça, mas os possíveis rendimentos do filme serão divididos entre a equipe). É um filme que dialoga com diversas idades, fala sobre a força do empoderamento feminino em diferentes gerações. Além do Irmã, eu fiz uma participação em uma série de televisão para um canal por assinatura, além de alguns curtas que começaram a circular por diferentes festivais, em especial um curta documental chamado Antes do Lembrar, também dirigido por Luciana Mazeto e Vinícius Lopes, que foi exibido à pouco tempo no Festival Internacional de Rotterdam.

 Atualmente estou ensaiando uma peça de teatro para o segundo semestre do ano, baseada no texto Um Equilíbrio Delicado, do Edward Albee. É muito desafiador fazer teatro depois de tanto tempo longe, e ultimamente vinha focando apenas no cinema. Retornar aos palcos com uma peça importante e realista é um desafio. Paralelamente estou desenvolvendo com um grupo de amigos o roteiro de um documentário sobre a situação dos profissionais responsáveis pela coleta e reciclagem dos detritos urbanos na cidade onde vivo, em que existem projetos de leis para criminalizar a profissão, porém não existe dialogo com a prefeitura ou solução para as situações das famílias que tiram seu sustento disso, ou do que será feito com os detritos urbanos.

RC: Muito obrigado pela disponibilidade.

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