09 outubro 2014

Estreias da semana - 9 de Outubro de 2014

Boa-tarde, caros leitores, e bem-vindos a mais um post das estreias.

A partir de hoje, dia 9 de Outubro, estreiam nove novos filmes nas salas de cinema portuguesas, alguns mais recomendáveis do que outros, e de vários géneros e nacionalidades. Debitarei, brevemente, sobre alguns deles.

Destaco antes de mais a estreia de dois filmes de Alain Resnais, começando por "Amar, Beber e Cantar", a última obra do cineasta, de quem o Aníbal é um grande admirador. O Aníbal já a viu, apreciou-a deveras, e eis um excerto da crítica que ele lhe escreveu: «Existe alguma melancolia e nostalgia a rodear o enredo, onde por vezes parecendo por vezes que não nos estamos a despedir de George mas sim de Alain Resnais. Diga-se que esta nem é a primeira obra onde este aborda a morte, provavelmente a sua, bastando recuar a "Vous n'avez encore rien vu", onde Antoine d’Anthac, um argumentista de peças de teatro, reúne depois da sua morte vários elementos para darem a sua opinião sobre o trabalho de um grupo que pretende ensaiar a peça “Eurídice”. O vídeo dessa peça permite aos actores e actrizes recordarem de forma bem viva as memórias do passado a interpretarem os respectivos personagens, numa obra marcada por alguma melancolia e uma procura notória de reunir elementos de teatro e cinema. "Aimer, boire et chanter" é um pedaço delirante de cinema, onde os cenários parecem saídos de um palco de teatro e os personagens são figuras cheias de vida cujas dinâmicas permitem-nos despertar os mais diversificados sentimentos. Estes personagens amam, bebem, representam, erram, têm dúvidas, mostram que o maior palco é o da vida, aquele onde as emoções nem sempre são controláveis e fiáveis, com "Aimer, boire et chanter" a exibir a enorme incapacidade de controlarmos a passagem do tempo e evitarmos a morte. Por isso mesmo o melhor é aproveitar a vida, e ver "Aimer, boire et chanter" é exactamente isso, aproveitar alguns deliciosos pedaços de arte que o cinema tem para nos oferecer e fazer apreciar. Quanto a Alain Resnais, o mínimo que podemos fazer em sua memória é agradecer e procurar que as suas obras nunca caiam no esquecimento

Para além de realizar, Alain Resnais também co-escreveu o argumento da obra, em parceria com Laurent Herbiet.

O elenco do filme é composto por Sabine Azéma, Hippolyte Girardot, Caroline Sihol, Michel Vuillermoz, André Dussollier, entre outros.

Sinopse (Sapo): Na província de Yorkshire, da Primavera ao Outono, a vida de três casais é transtornada durante alguns meses, pelo comportamento enigmático do amigo comum George Riley. Quando o médico Colin conta à sua esposa Kathryn que o seu paciente George Riley corre o risco de ter os dias contados, ignora que este último tinha sido o primeiro namorado de Kathryn. O casal que ensaia uma peça de teatro com o grupo local, convence George a juntar-se ao grupo. George acaba por ter as cenas amorosas com Tamara, a esposa do seu melhor amigo Jack, homem de negócios rico e muito infiel. Jack, triste, tenta persuadir Mónica a esposa de George que o deixou para viver com Simeon, para voltar para o marido e acompanhá-lo nos últimos meses de vida. Para surpresa dos homens com quem estas mulheres partilham as vidas, George exerce uma estranha sedução sobre as 3 mulheres: Mónica, Tamara e Kathryn.

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A outra obra de Resnais a chegar às nossas salas, esta de 2012 e que portanto chega um bocado atrasada, é "Vocês Ainda Não Viram Nada". O nosso crítico também já a viu, gostou dela, e passo a citar a conclusão do texto que ele lhe escreveu: «A elegância permeia a obra, tal como a capacidade de Alain Resnais continuar a procurar desafiar-nos e a correr riscos ao longo da sua carreira, mesmo nesta fase bastante avançada onde já contava com oitenta e nove anos de idade. Não tem problemas em exibir a história de Orfeu e Eurídice trocando regularmente de actores e actrizes, variando entre os ensaios da peça que está a ser exibida e os vários elementos do elenco a darem de novo vida aos personagens, seja a repetirem as falas, seja a recordarem-se da peça, seja a ensaiarem momentos da mesma, apresentando-nos a uma história no interior da história que nos consegue agarrar com o desenrolar do enredo. Existe um certo sentimento de perda nestes elementos. O tempo passou, estes acabaram de perder um amigo e os momentos em que interpretaram a peça parecem apenas pequenos fragmentos que procuram recordar nas suas memórias, tal como Orfeu tem de lidar com o sentimento de perda da amada. Henri permite a Orfeu reencontrar-se com Eurídice, enquanto este ensaio do grupo amador permite aos veteranos reencontrarem-se com alguns dos melhores momentos das suas carreiras. No final ainda temos direito a algumas reviravoltas, ou não estivéssemos perante um grupo de actores e actrizes que se reúne para prestar uma última homenagem a um amigo de longa data, com as suas histórias e as dos personagens que interpretaram a mesclarem-se de forma gradual. "Vous n'avez encore rien vu" mescla de forma criativa elementos de teatro e cinema, colocando-nos perante diversos actores e actrizes que se recordam dos momentos marcantes de uma peça que interpretaram, enquanto Alain Resnais nos oferece mais uma obra onde consegue deixar a sua marca

Tal como no filme anterior, o argumento do filme foi escrito por Alain Resnais e por Laurent Herbiet.

Do seu elenco fazem parte Mathieu Amalric, Pierre Arditi, Sabine Azéma, Jean-Noël Brouté, Anne Consigny, Anny Duperey, Hippolyte Girardot, Gérard Lartigau, Michel Piccoli, entre outros.

Sinopse (Sapo): Antoine d'Anthac, célebre dramaturgo, convoca além-túmulo, todos os amigos que interpretaram a sua peça de teatro "Eurydice". Os actores têm por missão ver uma gravação da obra por parte da jovem Compagnie de la Colombe. Será que o amor, a vida, a morte e o amor depois da morte ainda têm lugar num palco de teatro? São eles que devem decidir.

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Dos Estados Unidos, e de um género e competência completamente distintos, chega-nos "O Caminho Entre o Bem e o Mal", um filme de ação protagonizado por Liam Neeson. O Aníbal também já o viu mas, desta vez, não ficou muito impressionado. Escreveu-lhe todavia uma crítica, e passo a citá-la: «Quanto a Liam Neeson, a continuar por este caminho não surpreenderá que num dia destes o encontremos a protagonizar filmes ao lado de Nicolas Cage e John Cusack, prontos para serem lançados longe das salas de cinema. Não queremos que Liam Neeson seja o novo Nicolas Cage e esperamos que o papel de relevo no novo filme de Martin Scorsese não seja uma excepção mas sim a regra. É que já cansa ver Liam Neeson a interpretar repetidamente o personagem de "Taken" com algumas variâncias nos restantes filmes de acção que integra. Sabemos que o Liam Neeson tem de ganhar a vida e estes filmes até parecem dinheiro fácil para o actor, mas se é para ir ver uma obra cinematográfica e já saber praticamente tudo o que esta vai contar antes do visionamento, então para isso o melhor mesmo é escolher outra opção que desafie e não seja mais do mesmo. Ou pelo menos que o mais do mesmo seja minimamente interessante de acompanhar

O filme foi realizado por Scott Frank ("The Lookout"), através do argumento do próprio.

"A Walk Among the Tombstones" conta no elenco com Ruth Wilson ("Luther"), Dan Stevens ("Downtown Abbey"), Liam Neeson ("Taken 2"), Boyd Holbrook ("Milk"), entre outros.

O argumento de "A Walk Among the Tombstones" é baseado no livro homónimo de Lawrence Block e centra-se em Matt Scudder (Liam Neeson), um antigo agente do departamento da polícia de Nova Iorque, agora um agente privado sem licença, que procura recuperar dos problemas relacionados com o álcool e ultrapassar os erros que cometeu no seu passado. Matt é contratado para encontrar a esposa de um traficante de droga, que é raptada e encontra-se em parte incerta. Este terá de agir fora da alçada da lei e conseguir descobrir aquilo que a polícia parece incapaz de fazer: descobrir os criminosos.

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Estreia ainda a segunda parte de um filme que estreou na semana passada, neste caso "Heimat - Crónica de uma Nostalgia - Parte 2", que consiste na prequela de uma série de filmes, dividida em 32 episódios, escrita e realizada por Edgar Reitz, nas últimas décadas.

O filme foi realizado pelo já referido Edgar Reitz, e escrito pelo próprio em colaboração com Gert Heidenreich.

No seu elenco constam nomes como Antonia Bill, Jan Dieter Schneider, Marita Breuer, Maximilian Scheidt, Philine Lembeck e Rüdiger Kriese.

Sinopse: “Heimat” de Edgar Reitz era, com 53 horas e 25 minutos, a série mais longa da história do cinema. Agora, o realizador apresenta-nos uma prequela, de nome “Die Andere Heimat — Chronik einer Sehnsucht”, e aumentou a narrativa com a história de uma Alemanha fragilizada pelo rigor climatérico, pela escassez de alimentos e pelas investidas da Prússia. Considerado pelo Der Spiegel como um “magnífico completar de uma obra-prima”, a série mostra o recrutamento de jovens alemães por parte da Corte Portuguesa com vista à colonização do Brasil.
“Actualmente na Alemanha, é-nos difícil compreender o que significa emigração, uma vez que apenas conhecemos o outro lado do problema: tornámo-nos um país para o qual as pessoas emigram.” – Edgar Reitz

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Voltando aos Estados Unidos teremos a estreia de "A Boa Mentira", uma obra protagonizada por Reese Witherspoon que não convenceu plenamente o público ou a crítica lá fora.

O filme foi realizado por Philippe Falardeau ("Monsieur Lazhar"), através do argumento de Margaret Nagle ("Warm Springs").

"The Good Lie" conta no elenco com Corey Stoll, Sarah Baker, Reese Witherspoon, Brit Arnold Oceng, Ger Duany, entre outros.

O enredo de "The Good Lie" é baseado em eventos reais e acompanha um jovem refugiado da Guerra Civil Sudanesa que é transportado para os Estados Unidos da América ao lado de mais três rapazes. Estes deparam-se pela primeira vez com o Mundo moderno, indo desenvolver uma amizade única com uma assistente americana designada para cuidar do trio. No entanto, o protagonista sente bastantes dificuldades para se adaptar a esta nova realidade, mantendo sempre um sentimento de culpa por ter deixado o irmão para trás.

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Já agora refira-se a estreia do filme de terror, também norte-americano, "Annabelle", um spin-off do famoso "The Conjuring".

O filme foi realizado por John Leonetti (cinematógrafo de "The Conjuring"), e escrito por Gary Gauberman.

No seu elenco encontram-se Annabelle Wallis, Ward Horton, Tony Amendola, Alfre Woodard, Kerry O'Malley, entre outros.

Sinopse (Sapo): Ela assustou-nos a todos em "The Conjuring –A Evocação", mas este é o lugar onde tudo começou para Annabelle. Capaz de um mal indescritível, a boneca real existe e está fechada num museu oculto em Connecticut, recebendo apenas a visita de um padre que a abençoa duas vezes por mês. "Annabelle" o novo Thriller sobrenatural da New Line Cinema começa antes do mal ter sido libertado. John Form encontrou o presente perfeito para a sua esposa grávida, Mia, uma rara e bela boneca vintage com um vestido de casamento branco puro. Mas a alegria de Mia com Annabelle não dura muito tempo.
Numa noite horrível, a casa é invadida por membros de um culto satânico, que atacam violentamente o casal. Mas sangue derramado e um rasto de terror não é tudo o que deixaram para trás. Os membros do culto invocaram uma entidade tão maléfica que nada do que fizeram pode comparar-se à entidade maligna que é agora ... Annabelle.

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Vão ainda estrear, para além destes filmes, o norte-americano: "Aproveita a Vida Henry Altmann", uma "dramédia" com Robin Williams, Mila Kunis e Peter Dinklage que não parece estar muito recomendável, o britânico "O Clube de Elite" e o drama espanhol "Doce Amargo Amor", lançado originalmente em 2012.

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