13 agosto 2014

Lauren Bacall - (1924–2014)

Não é possível. Foram algumas das primeiras palavras que me ocorreram quando li as notícias sobre a morte de Lauren Bacall. Os anos passam mas continuo a ter o mau hábito de não conseguir conviver de forma fácil com o facto das pessoas que me são próximas mais cedo ou mais tarde irem partir. Eu não conhecia Lauren Bacall pessoalmente, nunca convivi com ela, mas os seus filmes, entrevistas e biografia fizeram com que me sentisse quase sempre perante alguém muito próximo. Não me esqueço de ter ouvido falar do nome de Lauren Bacall numa aula de Filosofia do 12º ano, em que o meu professor falou sobre a mesma num contexto que agora não consigo precisar de forma exacta. Mais tarde calhou deparar-me com DVDs em destaque numa estante da Fnac, onde "Dark Passage" se encontrava em promoção. Não percebia a ponta de nada sobre filmes a preto e branco, aliás, continuo a perceber muito pouco de cinema, mas lembro-me de ter escolhido o "Dark Passage" devido a ter curiosidade sobre a lenda em volta de Humphrey Bogart e por já ter ouvido falar do nome de Lauren Bacall. Vi o filme, apaixonei-me pela dinâmica e química entre Humphrey Bogart e Lauren Bacall. Mal sabia eu que posteriormente me haveria de cruzar com "To Have and Have Not" e amar esse filme, mesmo pelos seus defeitos e virtudes. Bacall estreava-se na representação cinematográfica e iniciara uma romance com Humphrey Bogart durante as filmagens. O meu choque pela morte de Lauren Bacall também está relacionada com a minha cinefilia. Sempre vi bastantes filmes ao longo da minha vida, mas era muito raro ver filmes a preto e branco quando era mais novo. Não era por ter algo contra, era mesmo por desconhecimento e perdoem-me os mais puristas pelos direitos de autor, mas os downloads grátis provavelmente teriam permitido ter colmatado essa lacuna mais cedo. Aquele momento em que comprei o "Dark Passage" foi fulcral para um despertar da minha curiosidade para outro tipo de filmes, mas também para gerar uma certa veneração por Lauren Bacall e por algumas das obras que esta protagonizou. Doía muito mais se fosse a minha mãe ou o meu pai, ou até o meu cão ou alguns amigos(as) próximos(as), mas a morte de Lauren Bacall dói por esta chegar a alguém que sempre vi como intocável. Para mim sempre pertenceu ao panteão de Deuses. Diga-se que sou ateu, para mim as divindades são Bacall, Humphrey Bogart, James Stewart, Marlene Dietrich, Greta Garbo, entre outros que aprendi a reverenciar pelo seu trabalho. Esta foi "Slim" em "To Have and Have Not", Vivian Rutledge em "The Big Sleep", Irene Jansen em "Dark Passage", Nora Temple em "Key Largo", Elaine Sampson em "Harper", Harriet Belinda Hubbard em "Murder on the Orient Express", Bond Rogers em "The Shootist", entre muitos outros papéis. Foi uma das grandes estrelas da era dourada de Hollywood, inesquecível pelos momentos que protagonizou no grande ecrã, mas também fora do mesmo. O seu romance com Humphrey Bogart encantou Hollywood e fascinou-me como poucas relações entre actrizes e actores conseguiram. O seu olhar era inesquecível, o seu talento era enorme e o seu carisma irradiava a aura das grandes lendas. Perdoem a lamechice no blogue. Raramente escrevo sobre mortes de actores e actrizes. Mas Lauren Bacall não era apenas uma actriz, foi alguém que me proporcionou enormes momentos de cinema, tendo sido uma figura fulcral para aumentar a minha paixão pelo cinema. Merecia melhor homenagem do que estas palavras de treta de alguém que neste momento treme por todos os lados, mas infelizmente é o que se arranja por estes lados. Obrigado Lauren Bacall.


Sem comentários: