Foi divulgado um poster internacional de "The Nice Guys", um filme realizado por Shane Black ("Iron Man 3"). O argumento do filme foi escrito por Shane Black e Anthony Bagarozzi. "The Nice Guys" conta no elenco com Kim Basinger, Beau Knapp, Yvonne Zima, Russell Crowe, Ryan Gosling,
Margaret Qually, Matt Bomer, entre outros. Poster via IMP Awards.
O
enredo de "The Nice Guys" tem como pano de fundo a cidade de Los
Angeles durante os anos 70. A história centra-se em Jackson Healy (um
indivíduo que faz todo o tipo de trabalhos) e Holland March (um
detective privado). Jackson encontra-se a recuperar do seu vício pelo
álcool, enquanto que Holland é um alcoólico assumido. Jackson e Holland
acabam por ver os seus destinos unidos devido a uma investigação
relacionada com o possível suicídio de uma estrela de filmes pornográficos.
"The Nice Guys" estreia a 20 de Maio de 2016 nos EUA.
03 dezembro 2015
Novo trailer de "Batman v Superman: Dawn of Justice"
Foi divulgado um novo trailer (recheado de spoilers) de "Batman v Superman: Dawn of Justice". O filme é realizado por Zack Snyder ("Man
of Steel"), através do argumento deste e David S. Goyer.
"Batman v Superman: Dawn of Justice" conta no elenco com Gal Gadot, Henry Cavill, Ben Affleck, Amy Adams, Diane Lane, Laurence Fishburne, Jesse Eisenberg, Jeremy Irons, Holly Hunter, Callan Mulvey, Tao Okamoto, Scoot McNairy, entre outros.
"Batman v Superman: Dawn of Justice" estreia a 25 de Março de 2016 nos EUA.
"Batman v Superman: Dawn of Justice" conta no elenco com Gal Gadot, Henry Cavill, Ben Affleck, Amy Adams, Diane Lane, Laurence Fishburne, Jesse Eisenberg, Jeremy Irons, Holly Hunter, Callan Mulvey, Tao Okamoto, Scoot McNairy, entre outros.
"Batman v Superman: Dawn of Justice" estreia a 25 de Março de 2016 nos EUA.
Resenha Crítica: "Les Amants" (Os Amantes)
"Les Amants" coloca-nos diante de uma figura feminina complexa, cujo
casamento já conheceu melhores dias, que procura na cidade de Paris e
nos amantes alguns dos condimentos que faltam no seu matrimónio. A protagonista é
Jeanne Tournier (Jeanne Moreau), uma mulher que nos é apresentada
logo no início do filme como alguém que nasceu e foi educada no
interior, longe dos espaços urbanos, que tem em Maggy (Judith Magre)
a sua melhor amiga. Maggy e Jeanne cresceram juntas, mas a primeira
partiu para Paris onde desfruta de algumas das vantagens deste espaço
citadino que lhe permite levar um estilo de vida superficial. Jeanne
ficou a viver em Dijon e casou com Henri Tournier (Alain Cuny),
o editor do The Burgundy Monitor, tendo uma filha deste indivíduo, a jovem Catherine.
Nos momentos iniciais de "Les Amants" a narradora traça-nos
logo o plano geral da relação entre Jeanne e Henri: "Henri
ama a esposa, mas dedica mais tempo ao jornal. Ela passou
vários anos a viver desta maneira. Encorajada pelo marido, tem visitado
Maggy duas vezes por mês em Paris. (...) Com Maggy, Jeanne conheceu
Raoul Flores". É nos momentos iniciais de "Les Amants"
que encontramos Jeanne, acompanhada por Maggy, a assistir a um
torneio de polo, onde participa Raoul (José Luis de Vilallonga), um
dos melhores atletas. Raoul é o amante de Jeanne, proporcionando-lhe
os momentos calorosos que esta não encontra no casamento, seja num
passeio que efectuam a um parque de diversões, ou em situações mais tórridas, com o personagem interpretado por José Luis de Vilallonga a não ter problemas em efectuar demonstrações efectivas de amor. Maggy salienta que o amor fez bem a Jeanne, considerando que esta se encontra irreconhecível, algo que leva a personagem interpretada por Moreau a
temer que o marido descubra a relação extra-matrimonial. Henri despreza o estilo de vida de Maggy, tendo ainda alguma dificuldade em compreender os motivos para a esposa se aperaltar quando viaja para Paris. Diga-se que a relação entre Jeanne e Henri já conheceu melhores dias. Veja-se quando Jeanne vai ter com o esposo ao
trabalho para tentar uma aproximação e salvar o casamento, após um arrufo entre ambos, embora receba apenas indiferença. As visitas a Paris aumentam após este episódio no jornal, bem como o
tempo que Jeanne disponibiliza para Raoul, embora a protagonista pareça ter algum receio em
avançar definitivamente para a relação com o amante e terminar com um casamento
de oito anos. Farto das idas da Jeanne a Paris e de ouvir falar de
Maggy e Raoul, o esposo da protagonista
decide convidar ambos os elementos para um jantar a quatro. Jeanne
não acha piada à ideia e até tem razões plausíveis para isso, temendo um
possível confronto entre Raoul e Henri. A estes quatro personagens
junta-se um elemento inesperado: Bernard (Jean-Marc Bory), um
arqueólogo que vai ter um papel surpreendente no enredo. Jeanne
viajou de Paris para Dijon de carro, sozinha, enquanto Raoul e Maggy
foram noutro veículo, algo que se revela complicado para a
protagonista, sobretudo quando o seu bólide tem uma avaria. No caminho, o único
que lhe deu boleia foi Bernard, um indivíduo que esta desconhecia, que
a irrita quando demora demasiado tempo na casa de um amigo. A chegada
aos arredores de Dijon e à casa de Jeanne e Henri, já com a presença de Maggy e
Raoul, surge assim antecedida de alguns contratempos, embora
estes não possam atingir o nível das reviravoltas do último terço, com Louis Malle a colocar-nos diante de alguns momentos emocionalmente intensos, onde os sentimentos surgem de forma inesperada e são expostos de forma bem viva.
A casa de Henri e Jeanne é praticamente uma mansão, contando com um jardim, dois andares, uma sala composta por várias estantes com livros e discos de música, um largo espaço embora, no último terço, até pareça pequena para os sentimentos da protagonista. O jantar é desastroso. Falta tema para conversa, para além de existir sempre alguma tensão entre Henri e Raoul, com o primeiro a nunca dar totalmente a entender se sabe ou não do caso da esposa. Se falta conversa no jantar, o mesmo não acontecerá quando Bernard e Jeanne se reunirem inesperadamente durante a noite no jardim que rodeia a mansão. Aos poucos passam das palavras aos actos, beijando-se e envolvendo-se numa cena de sexo considerada ousada para a época por exibir os seios da protagonista, enquanto esta parece finalmente ter encontrado alguém que a complemente. Jeanne trai Henri, trai Raoul e parece desejar fervorosamente Bernard, com a narradora a expor com frequência o estado de espírito da protagonista. A narradora surge como um importante elo de ligação entre o espectador e a protagonista, embora tire algum mistério aos seus pensamentos. Jeanne Moreau volta a interpretar uma mulher infiel numa obra de Louis Malle após o sucesso de "Ascenseur pour l'échafaud", a primeira longa-metragem de ficção do cineasta e um dos primeiros papéis de sucesso da actriz. Tal como Florence Carala, a personagem interpretada por Moreau em "Ascenseur pour l'échafaud", também Jeanne é uma mulher infiel e elegante, embora não incite nenhum dos amantes a eliminar o seu esposo, com a actriz a conseguir transmitir a inquietação da protagonista em encontrar alguém que a valorize e satisfaça os seus prazeres sexuais. Esta entedia-se com facilidade, procurando desfazer a monotonia através de prazeres momentâneos como fumar cigarros, tomar um banho relaxante, efectuar viagens a Paris, vestir-se de forma luxuosa, fazer sexo, entre outros. Henri gosta da esposa mas parece demasiado absorto no trabalho, mantendo um casamento pontuado por alguma frieza. Alain Cuny consegue deixar-nos quase sempre na dúvida em relação ao conhecimento que Henri tem ou não dos affairs da esposa, embora em alguns momentos deixe implícito que desconfia de algo. No final acaba por ser Bernard a viver os momentos mais tórridos com esta mulher dada aos prazeres que facilmente se entedia em relação aos homens. A relação entre Jeanne e a filha nem sempre é explorada ao longo do enredo, parecendo quase sempre um elemento pouco relevante da vida desta mulher. Diga-se que esta parece pouco preocupada com os assuntos da casa, pelo que a sua atitude final não surpreende totalmente o espectador, com "Les Amants" a colocar-nos diante de uma reviravolta meio surreal que valoriza e muito a narrativa. Louis Malle constrói um drama competente em volta da procura desta mulher em escapar às rotinas, sejam inerentes à vida de casada, ou de um caso extra-conjugal que também não a consegue satisfazer na totalidade, com o jantar na sua casa a parecer ser o ponto final para duas relações que fracassaram. Jeanne mantém uma relação de amizade com Maggy, uma mulher dada às superficialidades e à vida cosmopolita de Paris, com "Les Amants" a efectuar uma divisão notória entre a vida na "Cidade Luz" e em Dijon. A habitação de Maggy é marcada por paredes decoradas com elementos floridos e móveis comprados em antiquários, com esta a procurar estar na moda, embora pareça relativamente vazia de ideias. Já a casa da protagonista e do esposo, nos arredores de Dijon, é marcada pelo afastamento de tudo e de todos, algo que não acontece quando Jeanne está em Paris, onde conta quase sempre com companhia, com o argumento de Louise de Vilmorin a explorar com sucesso estas dicotomias.
Existe uma certa crítica ao quotidiano vazio deste grupo aburguesado, com os valores morais dos elementos que povoam a narrativa a nem sempre serem os mais elevados e os desejos a falarem mais alto do que o bom senso. Jeanne até conta com empregados, uma filha, uma casa espaçosa, um marido com um cargo importante mas falta algo que apimente o seu quotidiano, com este estilo de vida a parecer agrilhoar os seus sentimentos. É em Bernard que esta vai encontrar o condimento proibido, com Louis Malle a apresentar mais uma vez uma versão algo cínica do casamento e dos relacionamentos humanos, algo que já tinha efectuado na sua longa-metragem anterior ao mesmo tempo que explora a sexualidade feminina. Os intérpretes masculinos cumprem a dar vida aos respectivos personagens, embora o maior destaque do elenco seja Jeanne Moreau como esta mulher insaciável que procura fugir ao tédio e às rotinas. Moreau tem aqui um dos papéis fundamentais da sua carreira, enquanto Louis Malle volta a fazer uso da banda sonora com enorme acerto, sobretudo na sensual cena do último terço entre Bernard e a protagonista no jardim, onde existe alguma poesia e erotismo à mistura. Louis Malle deixa que pensemos durante quase todo o filme que Jeanne se encontra dividida entre Henri e Raoul, mas o romance com Bernard surge como algo que fulmina as nossas expectativas. Este é um arqueólogo aparentemente simples, mas inteligente, que encontra a protagonista num acaso, quando o carro desta estava tão avariado como as suas ideias. O jantar poderia ou não colocar o casamento em perigo, mas Henri insistiu tanto na ideia que seria demasiadamente suspeito não convidar Maggy e Raoul. Henri despreza Paris e os valores da alta sociedade, embora viva rodeado de condições acima da média, surgindo como um homem culto e prático que tem no jornal a sua grande paixão. Por sua vez, Raoul representa a crítica a uma sociedade pontuada pela superficialidade, surgindo como um praticante de polo que conta com várias amizades e desperta a atenção das mulheres mas pouco tem no seu discurso para conseguir mais do que um affair, com Jeanne a duvidar daquilo que sente em relação a este homem. Entre traições e paixões, sexo e amores perdidos nas memórias do passado, planos compostos com cuidado e uma banda sonora belíssima, "Les Amants" não poderia ser o título mais indicado para esta obra cinematográfica, com Louis Malle a deixar-nos perante uma protagonista com dois casos extra-conjugais que prometem atomizar de vez o seu casamento marcado por rotinas devastadoras.
Título original: "Les Amants".
Título em Portugal: "Os Amantes".
Realizador: Louis Malle.
Argumento: Louise de Vilmorin (inspirado no livro "Point de Lendemain").
Elenco: Jeanne Moreau, Alain Cuny, Jean-Marc Bory, José Luis de Vilallonga, Judith Magre.
A casa de Henri e Jeanne é praticamente uma mansão, contando com um jardim, dois andares, uma sala composta por várias estantes com livros e discos de música, um largo espaço embora, no último terço, até pareça pequena para os sentimentos da protagonista. O jantar é desastroso. Falta tema para conversa, para além de existir sempre alguma tensão entre Henri e Raoul, com o primeiro a nunca dar totalmente a entender se sabe ou não do caso da esposa. Se falta conversa no jantar, o mesmo não acontecerá quando Bernard e Jeanne se reunirem inesperadamente durante a noite no jardim que rodeia a mansão. Aos poucos passam das palavras aos actos, beijando-se e envolvendo-se numa cena de sexo considerada ousada para a época por exibir os seios da protagonista, enquanto esta parece finalmente ter encontrado alguém que a complemente. Jeanne trai Henri, trai Raoul e parece desejar fervorosamente Bernard, com a narradora a expor com frequência o estado de espírito da protagonista. A narradora surge como um importante elo de ligação entre o espectador e a protagonista, embora tire algum mistério aos seus pensamentos. Jeanne Moreau volta a interpretar uma mulher infiel numa obra de Louis Malle após o sucesso de "Ascenseur pour l'échafaud", a primeira longa-metragem de ficção do cineasta e um dos primeiros papéis de sucesso da actriz. Tal como Florence Carala, a personagem interpretada por Moreau em "Ascenseur pour l'échafaud", também Jeanne é uma mulher infiel e elegante, embora não incite nenhum dos amantes a eliminar o seu esposo, com a actriz a conseguir transmitir a inquietação da protagonista em encontrar alguém que a valorize e satisfaça os seus prazeres sexuais. Esta entedia-se com facilidade, procurando desfazer a monotonia através de prazeres momentâneos como fumar cigarros, tomar um banho relaxante, efectuar viagens a Paris, vestir-se de forma luxuosa, fazer sexo, entre outros. Henri gosta da esposa mas parece demasiado absorto no trabalho, mantendo um casamento pontuado por alguma frieza. Alain Cuny consegue deixar-nos quase sempre na dúvida em relação ao conhecimento que Henri tem ou não dos affairs da esposa, embora em alguns momentos deixe implícito que desconfia de algo. No final acaba por ser Bernard a viver os momentos mais tórridos com esta mulher dada aos prazeres que facilmente se entedia em relação aos homens. A relação entre Jeanne e a filha nem sempre é explorada ao longo do enredo, parecendo quase sempre um elemento pouco relevante da vida desta mulher. Diga-se que esta parece pouco preocupada com os assuntos da casa, pelo que a sua atitude final não surpreende totalmente o espectador, com "Les Amants" a colocar-nos diante de uma reviravolta meio surreal que valoriza e muito a narrativa. Louis Malle constrói um drama competente em volta da procura desta mulher em escapar às rotinas, sejam inerentes à vida de casada, ou de um caso extra-conjugal que também não a consegue satisfazer na totalidade, com o jantar na sua casa a parecer ser o ponto final para duas relações que fracassaram. Jeanne mantém uma relação de amizade com Maggy, uma mulher dada às superficialidades e à vida cosmopolita de Paris, com "Les Amants" a efectuar uma divisão notória entre a vida na "Cidade Luz" e em Dijon. A habitação de Maggy é marcada por paredes decoradas com elementos floridos e móveis comprados em antiquários, com esta a procurar estar na moda, embora pareça relativamente vazia de ideias. Já a casa da protagonista e do esposo, nos arredores de Dijon, é marcada pelo afastamento de tudo e de todos, algo que não acontece quando Jeanne está em Paris, onde conta quase sempre com companhia, com o argumento de Louise de Vilmorin a explorar com sucesso estas dicotomias.
Existe uma certa crítica ao quotidiano vazio deste grupo aburguesado, com os valores morais dos elementos que povoam a narrativa a nem sempre serem os mais elevados e os desejos a falarem mais alto do que o bom senso. Jeanne até conta com empregados, uma filha, uma casa espaçosa, um marido com um cargo importante mas falta algo que apimente o seu quotidiano, com este estilo de vida a parecer agrilhoar os seus sentimentos. É em Bernard que esta vai encontrar o condimento proibido, com Louis Malle a apresentar mais uma vez uma versão algo cínica do casamento e dos relacionamentos humanos, algo que já tinha efectuado na sua longa-metragem anterior ao mesmo tempo que explora a sexualidade feminina. Os intérpretes masculinos cumprem a dar vida aos respectivos personagens, embora o maior destaque do elenco seja Jeanne Moreau como esta mulher insaciável que procura fugir ao tédio e às rotinas. Moreau tem aqui um dos papéis fundamentais da sua carreira, enquanto Louis Malle volta a fazer uso da banda sonora com enorme acerto, sobretudo na sensual cena do último terço entre Bernard e a protagonista no jardim, onde existe alguma poesia e erotismo à mistura. Louis Malle deixa que pensemos durante quase todo o filme que Jeanne se encontra dividida entre Henri e Raoul, mas o romance com Bernard surge como algo que fulmina as nossas expectativas. Este é um arqueólogo aparentemente simples, mas inteligente, que encontra a protagonista num acaso, quando o carro desta estava tão avariado como as suas ideias. O jantar poderia ou não colocar o casamento em perigo, mas Henri insistiu tanto na ideia que seria demasiadamente suspeito não convidar Maggy e Raoul. Henri despreza Paris e os valores da alta sociedade, embora viva rodeado de condições acima da média, surgindo como um homem culto e prático que tem no jornal a sua grande paixão. Por sua vez, Raoul representa a crítica a uma sociedade pontuada pela superficialidade, surgindo como um praticante de polo que conta com várias amizades e desperta a atenção das mulheres mas pouco tem no seu discurso para conseguir mais do que um affair, com Jeanne a duvidar daquilo que sente em relação a este homem. Entre traições e paixões, sexo e amores perdidos nas memórias do passado, planos compostos com cuidado e uma banda sonora belíssima, "Les Amants" não poderia ser o título mais indicado para esta obra cinematográfica, com Louis Malle a deixar-nos perante uma protagonista com dois casos extra-conjugais que prometem atomizar de vez o seu casamento marcado por rotinas devastadoras.
Título original: "Les Amants".
Título em Portugal: "Os Amantes".
Realizador: Louis Malle.
Argumento: Louise de Vilmorin (inspirado no livro "Point de Lendemain").
Elenco: Jeanne Moreau, Alain Cuny, Jean-Marc Bory, José Luis de Vilallonga, Judith Magre.
02 dezembro 2015
Novo trailer internacional de "Carol"
Foi divulgado mais um trailer internacional de "Carol". O filme é realizado por
Todd Haynes ("Velvet Goldmine"), através do argumento de Phillys Nagy. "Carol" conta no elenco
com Sarah
Paulson, Rooney Mara, Cate Blanchett, Kyle Chandler, entre outros.
O argumento de "Carol" foi baseado no livro "The Price of Salt", da autoria de Patricia Highsmith. O livro foi publicado em Portugal com o título "O Preço do Sal" e tem a seguinte sinopse (via Europa-América): O Preço do Sal é um comovente romance de amor, a história de duas mulheres que escolheram pagar o preço de uma vida à margem das regras convencionais. O preço a pagar por um amor proibido…
"Carol" estreia a 20 de Novembro de 2015 nos EUA. Podem acompanhar o Rick's Cinema no Facebook em: https://www.facebook.com/RicksCinema
O argumento de "Carol" foi baseado no livro "The Price of Salt", da autoria de Patricia Highsmith. O livro foi publicado em Portugal com o título "O Preço do Sal" e tem a seguinte sinopse (via Europa-América): O Preço do Sal é um comovente romance de amor, a história de duas mulheres que escolheram pagar o preço de uma vida à margem das regras convencionais. O preço a pagar por um amor proibido…
"Carol" estreia a 20 de Novembro de 2015 nos EUA. Podem acompanhar o Rick's Cinema no Facebook em: https://www.facebook.com/RicksCinema
Resenha Crítica: "The Seventh Victim" (1943)
Entre um grupo satanista, um criminoso que ataca durante a noite, uma mulher que desaparece misteriosamente, uma investigação que promete trazer algumas descobertas nem sempre agradáveis, uma ingénua que se prepara para conhecer todo um lado mais complexo da humanidade, um poeta com faceta de detective e algumas mortes, "The Seventh Victim" surge como uma obra cinematográfica onde os sustos avulsos são substituídos por uma atmosfera pontuada pelo mistério e o medo, naquela que é a primeira parceria entre o realizador Mark Robson e o produtor Val Lewton, com o traço deste último a encontrar-se muito presente. Estes traços de Lewton são visíveis em diversas situações que marcam "The Seventh Victim". Não falta a atmosfera inquietante e misteriosa a sobrepor-se aos sustos avulsos, a capacidade de deixar implícito alguns actos relevantes ao invés de exibi-los de forma declarada, uma utilização engenhosa dos cenários apesar do parco orçamento, a narrativa exposta de forma concisa, enquanto a cinematografia e a sonoplastia permitem ampliar a faceta enigmática que envolve o enredo. A cinematografia ficou a cargo de Nicholas Musuraca, o mesmo profissional da área que trabalhou em "Cat People", com este a exibir mais uma vez um trabalho sublime na utilização do contraste entre luz e sombras, com estas últimas a dominarem e inquietarem. O argumento, pese alguns excessos melodramáticos, consegue manter o mistério em volta do desaparecimento de Jacqueline (Jean Brooks), a irmã de Mary Gibson (Kim Hunter), uma jovem relativamente ingénua que recebe a notícia de que a familiar não tem enviado as verbas para pagar a sua mensalidade escolar. Mary recebe uma proposta para ficar a ensinar os mais jovens, de maneira a poder pagar as despesas na escola, algo que a protagonista rejeita. A jovem decide investigar aquilo que aconteceu a Jacqueline, uma decisão que promete colocá-la diante de uma série de descobertas sobre a irmã. A primeira surpresa acontece quando descobre que a irmã vendeu o negócio relacionado com cosméticos à Sra. Redi (Mary Newton), uma mulher soturna que parece esconder informações sobre Jacqueline. No entanto, Frances, uma antiga funcionária da irmã de Mary, revela que encontrou a personagem interpretada por Jean Brooks, há uma semana, num restaurante chamado "O Dante" (a referência a Dante não parece ser ao acaso), localizado em Greenwich Village. É neste local que Mary se depara não só com Jason Hoag (Erford Gage), um poeta em crise criativa que apresenta uma visão muito própria do mundo que o rodeia, mas também com o casal que gere o restaurante. Este casal alugara recentemente um quarto a Jacqueline, um espaço que nos surpreende ao contar com uma corda como se fosse uma espécie de forca, algo indicador da possibilidade desta mulher cogitar cometer suicídio. Mary depara-se ainda com Gregory Ward (Hugh Beaumont), um advogado que é casado com Jacqueline, para além de encontrar Irving August (Lou Lubin), um detective privado que contacta com a personagem interpretada por Kim Hunter quando esta se dirige à esquadra. Temos ainda Louis Judd (Tom Conway), um psiquiatra que encontráramos em "Cat People", embora o seu destino não tivesse sido o mais simpático no filme em questão.
O personagem interpretado por Tom Conway é um dos poucos elementos que tem mantido contacto com Jacqueline, embora guarde diversos segredos, tal como a maioria das figuras que rodeiam o enredo de "The Seventh Victim". Uma das figuras que guardam uma série de segredos é Jacqueline, com esta a ter quebrado as regras dos Paladistas, uma sociedade secreta ligada aos cultos e rituais satânicos. Jacqueline não poderia ter revelado a existência dos Paladistas, embora tenha quebrado esta regra ao consultar Louis Judd. Esta é a sétima pessoa que quebrou as regras do grupo, sendo a primeira a rejeitar o acto de cometer suicídio como punição por transgredir as leis internas dos Paladistas. Jacqueline pondera cometer suicídio mas não consegue, enquanto "The Sevent Victim" surpreende-nos ao colocar-nos diante de um grupo satânico aparentemente pacifista, com Mark Robson a desafiar as nossas expectativas em relação àquilo que esperamos ver e aquilo que encontramos na realidade. A sala onde se reúnem tanto tem de sombria e requintada como de opressora, com os momentos em que Jacqueline se encontra com os membros do grupo a serem pontuados por uma atmosfera inquietante, incrementada pela banda sonora e o trabalho de câmara. O suspense é adensado pela presença de um copo com veneno que é colocado em frente a Jacqueline. Ficamos na dúvida se Jacqueline vai ingerir o veneno ou desobedecer às regras, enquanto Jean Brooks exprime no seu rosto a incerteza que paira pela alma da personagem que interpreta, com o eficaz trabalho de montagem a permitir que fiquemos diante das faces observadoras das figuras que rodeiam a protagonista. Brooks não compromete como Jacqueline, uma mulher de longos cabelos negros, com a sua face a raramente denotar alguma alegria, parecendo claramente arrependida por outrora ter aderido a esta seita, contendo na sua alma o desejo de se suicidar, apesar de não ter coragem para cometer tal acto. A iluminação é utilizada de forma exímia, numa obra que conta com uma cinematografia refinada (vale a pena recordar o trabalho sublime de Musuraca em "Out of the Past"). Veja-se quando Jacqueline se encontra a circular pela rua, durante a noite, sendo abordada por um indivíduo com uma faca, com os planos, o trabalho de montagem e o contraste entre a luz e as sombras a permitirem incrementar a tensão. A eficácia a nível do trabalho com a câmara é ainda visível quando encontramos Jacqueline a expor junto da irmã, do esposo, do poeta e do psiquiatra, aquilo que a seita pretende da sua pessoa, com a câmara a aproximar-se do rosto da personagem interpretada por Jean Brooks, incutindo um enorme impacto ao discurso desta mulher, com "The Seventh Victim" a exibir paradigmaticamente o poder que um close-up pode ter junto do espectador. O próprio trabalho a nível de som é importantíssimo para a criação da atmosfera misteriosa em volta dos episódios apresentados, algo notório quando encontramos Mary e Irving a aventurarem-se durante a noite por um espaço que se encontra trancado no interior do estabelecimento que agora pertence a Redi. O som do relógio é audível, a pouca iluminação incrementa o receio, até algo de inesperado e violento acontecer. Kim Hunter interpreta com acerto esta personagem algo ingénua que procura encontrar a irmã, deparando-se pelo caminho com uma seita, ao mesmo tempo que desperta o interesse amoroso de Gregory e Jason. Gregory também se encontra interessado em Mary, gerando-se uma situação complicada ou este não fosse casado com Jacqueline, com "The Seventh Victim" a aventurar-se por vezes pelos meandros do melodrama, ainda que de forma algo desnecessária. O personagem interpretado por Hugh Beaumont é um indivíduo que apresenta um tom mais sério, algo que contrasta com Jason, um poeta que tenta colaborar na investigação, numa obra que mescla alguns salpicos de melodrama a um enredo pontuado maioritariamente por momentos de mistério e suspense.
De uma obra produzida por Val Lewton esperamos que a narrativa não esteja totalmente dependente de sustos avulsos para mexer com o espectador, com este a ter em Mark Robson, um elemento responsável pela montagem de "Cat People", "I Walked With a Zombie" e "The Leopard Man" (as três obras produzidas por Lewton), um colaborador que soube interpretar o pretendido, com a relação profissional entre ambos a revelar-se profícua, algo comprovado pela repetição da parceria em "The Ghost Ship", "Isle of the Dead" e "Bedlam". Mark Robson domina relativamente bem os ritmos da narrativa, uma situação notória pela forma como este consegue que o enredo não se esvazie a partir do momento em que Jacqueline é introduzida na história. O suspense mantém-se, bem como o mistério, embora associados aos elementos que procuram que Jacqueline cometa suicídio, enquanto o elenco consegue cumprir nos respectivos papéis, com o destaque natural a ir para Kim Hunter. Esta interpreta de forma credível uma mulher relativamente ingénua, que se depara com uma série de personagens que contam com diversos segredos, incluindo a irmã, a Sr.ª Redi, Frances, entre outros. Também "The Seventh Victim" procura não exibir tudo declaradamente, com Mark Robson a denotar uma coragem assinalável quando, no último terço, opta pela subtileza de um som oriundo do fora de campo ao invés de expor aquilo que aconteceu, uma situação que, muito provavelmente, desperta mais impacto do que se tudo tivesse sido exibido de forma declarada. Os momentos finais representam aquilo que esperamos de uma obra de Val Lewton, onde muito é deixado implícito, não faltando pelo caminho o som de um veículo que é exacerbado, para o caso de sentirmos a falta da célebre técnica denominada de Lewton Bus. Não falta ainda um momento inquietante no duche que poderá ter servido de inspiração para uma cena icónica de "Psycho", bem como uma ida a uma biblioteca em busca de informação que nos remete para "Seven", duas películas posteriores a "The Seventh Victim", com Mark Robson a realizar uma obra cinematográfica que a espaços não tem problemas em avançar pelos meandros do terror, ou a narrativa não contasse com alguns seres humanos adoradores do Diabo. Estes surgem representados como figuras aparentemente comuns que habitam em Nova Iorque, uma pouco a fazer recordar aquilo que Roman Polanski efectuaria em "Rosemary's Baby", com "The Seventh Victim" a desafiar constantemente o Código Hays (a própria abordagem ao suicídio é polémica para a época). "The Seventh Victim" surge ainda como um filme que foge às catalogações que lhe queiramos colocar. É certo que se situa maioritariamente no suspense e mistério, embora conte com salpicos de terror e melodrama, tendo ainda traços de filme noir (a própria Jacqueline assume uma faceta de femme fatale), numa obra cinematográfica muito mais sumarenta do que aquilo que poderíamos inicialmente pensar de um trabalho de série b de baixo orçamento. Com uma cinematografia e trabalho de som capazes de incrementarem o suspense e os enigmas que envolvem o enredo, um argumento simples e enxuto, "The Seventh Victim" cumpre na maioria daquilo a que se propõe, surgindo como uma obra cinematográfica com uma influência inegável, que se destaca quase sempre pela atmosfera pontuada pelo mistério, com Mark Robson a contar com uma estreia bastante interessante na realização de longas-metragens.
Título original: "The Seventh Victim".
Realizador: Mark Robson.
Argumento: DeWitt Bodeen e Charles O'Neal.
Elenco: Tom Conway, Jean Brooks, Isabel Jewell, Kim Hunter.
O personagem interpretado por Tom Conway é um dos poucos elementos que tem mantido contacto com Jacqueline, embora guarde diversos segredos, tal como a maioria das figuras que rodeiam o enredo de "The Seventh Victim". Uma das figuras que guardam uma série de segredos é Jacqueline, com esta a ter quebrado as regras dos Paladistas, uma sociedade secreta ligada aos cultos e rituais satânicos. Jacqueline não poderia ter revelado a existência dos Paladistas, embora tenha quebrado esta regra ao consultar Louis Judd. Esta é a sétima pessoa que quebrou as regras do grupo, sendo a primeira a rejeitar o acto de cometer suicídio como punição por transgredir as leis internas dos Paladistas. Jacqueline pondera cometer suicídio mas não consegue, enquanto "The Sevent Victim" surpreende-nos ao colocar-nos diante de um grupo satânico aparentemente pacifista, com Mark Robson a desafiar as nossas expectativas em relação àquilo que esperamos ver e aquilo que encontramos na realidade. A sala onde se reúnem tanto tem de sombria e requintada como de opressora, com os momentos em que Jacqueline se encontra com os membros do grupo a serem pontuados por uma atmosfera inquietante, incrementada pela banda sonora e o trabalho de câmara. O suspense é adensado pela presença de um copo com veneno que é colocado em frente a Jacqueline. Ficamos na dúvida se Jacqueline vai ingerir o veneno ou desobedecer às regras, enquanto Jean Brooks exprime no seu rosto a incerteza que paira pela alma da personagem que interpreta, com o eficaz trabalho de montagem a permitir que fiquemos diante das faces observadoras das figuras que rodeiam a protagonista. Brooks não compromete como Jacqueline, uma mulher de longos cabelos negros, com a sua face a raramente denotar alguma alegria, parecendo claramente arrependida por outrora ter aderido a esta seita, contendo na sua alma o desejo de se suicidar, apesar de não ter coragem para cometer tal acto. A iluminação é utilizada de forma exímia, numa obra que conta com uma cinematografia refinada (vale a pena recordar o trabalho sublime de Musuraca em "Out of the Past"). Veja-se quando Jacqueline se encontra a circular pela rua, durante a noite, sendo abordada por um indivíduo com uma faca, com os planos, o trabalho de montagem e o contraste entre a luz e as sombras a permitirem incrementar a tensão. A eficácia a nível do trabalho com a câmara é ainda visível quando encontramos Jacqueline a expor junto da irmã, do esposo, do poeta e do psiquiatra, aquilo que a seita pretende da sua pessoa, com a câmara a aproximar-se do rosto da personagem interpretada por Jean Brooks, incutindo um enorme impacto ao discurso desta mulher, com "The Seventh Victim" a exibir paradigmaticamente o poder que um close-up pode ter junto do espectador. O próprio trabalho a nível de som é importantíssimo para a criação da atmosfera misteriosa em volta dos episódios apresentados, algo notório quando encontramos Mary e Irving a aventurarem-se durante a noite por um espaço que se encontra trancado no interior do estabelecimento que agora pertence a Redi. O som do relógio é audível, a pouca iluminação incrementa o receio, até algo de inesperado e violento acontecer. Kim Hunter interpreta com acerto esta personagem algo ingénua que procura encontrar a irmã, deparando-se pelo caminho com uma seita, ao mesmo tempo que desperta o interesse amoroso de Gregory e Jason. Gregory também se encontra interessado em Mary, gerando-se uma situação complicada ou este não fosse casado com Jacqueline, com "The Seventh Victim" a aventurar-se por vezes pelos meandros do melodrama, ainda que de forma algo desnecessária. O personagem interpretado por Hugh Beaumont é um indivíduo que apresenta um tom mais sério, algo que contrasta com Jason, um poeta que tenta colaborar na investigação, numa obra que mescla alguns salpicos de melodrama a um enredo pontuado maioritariamente por momentos de mistério e suspense.
De uma obra produzida por Val Lewton esperamos que a narrativa não esteja totalmente dependente de sustos avulsos para mexer com o espectador, com este a ter em Mark Robson, um elemento responsável pela montagem de "Cat People", "I Walked With a Zombie" e "The Leopard Man" (as três obras produzidas por Lewton), um colaborador que soube interpretar o pretendido, com a relação profissional entre ambos a revelar-se profícua, algo comprovado pela repetição da parceria em "The Ghost Ship", "Isle of the Dead" e "Bedlam". Mark Robson domina relativamente bem os ritmos da narrativa, uma situação notória pela forma como este consegue que o enredo não se esvazie a partir do momento em que Jacqueline é introduzida na história. O suspense mantém-se, bem como o mistério, embora associados aos elementos que procuram que Jacqueline cometa suicídio, enquanto o elenco consegue cumprir nos respectivos papéis, com o destaque natural a ir para Kim Hunter. Esta interpreta de forma credível uma mulher relativamente ingénua, que se depara com uma série de personagens que contam com diversos segredos, incluindo a irmã, a Sr.ª Redi, Frances, entre outros. Também "The Seventh Victim" procura não exibir tudo declaradamente, com Mark Robson a denotar uma coragem assinalável quando, no último terço, opta pela subtileza de um som oriundo do fora de campo ao invés de expor aquilo que aconteceu, uma situação que, muito provavelmente, desperta mais impacto do que se tudo tivesse sido exibido de forma declarada. Os momentos finais representam aquilo que esperamos de uma obra de Val Lewton, onde muito é deixado implícito, não faltando pelo caminho o som de um veículo que é exacerbado, para o caso de sentirmos a falta da célebre técnica denominada de Lewton Bus. Não falta ainda um momento inquietante no duche que poderá ter servido de inspiração para uma cena icónica de "Psycho", bem como uma ida a uma biblioteca em busca de informação que nos remete para "Seven", duas películas posteriores a "The Seventh Victim", com Mark Robson a realizar uma obra cinematográfica que a espaços não tem problemas em avançar pelos meandros do terror, ou a narrativa não contasse com alguns seres humanos adoradores do Diabo. Estes surgem representados como figuras aparentemente comuns que habitam em Nova Iorque, uma pouco a fazer recordar aquilo que Roman Polanski efectuaria em "Rosemary's Baby", com "The Seventh Victim" a desafiar constantemente o Código Hays (a própria abordagem ao suicídio é polémica para a época). "The Seventh Victim" surge ainda como um filme que foge às catalogações que lhe queiramos colocar. É certo que se situa maioritariamente no suspense e mistério, embora conte com salpicos de terror e melodrama, tendo ainda traços de filme noir (a própria Jacqueline assume uma faceta de femme fatale), numa obra cinematográfica muito mais sumarenta do que aquilo que poderíamos inicialmente pensar de um trabalho de série b de baixo orçamento. Com uma cinematografia e trabalho de som capazes de incrementarem o suspense e os enigmas que envolvem o enredo, um argumento simples e enxuto, "The Seventh Victim" cumpre na maioria daquilo a que se propõe, surgindo como uma obra cinematográfica com uma influência inegável, que se destaca quase sempre pela atmosfera pontuada pelo mistério, com Mark Robson a contar com uma estreia bastante interessante na realização de longas-metragens.
Título original: "The Seventh Victim".
Realizador: Mark Robson.
Argumento: DeWitt Bodeen e Charles O'Neal.
Elenco: Tom Conway, Jean Brooks, Isabel Jewell, Kim Hunter.
01 dezembro 2015
Novo poster internacional de "Deadpool"
Foi divulgado mais um poster internacional de "Deadpool", um filme
realizado por Tim Miller, através do argumento de Paul Wernick e Rhett
Reese. O filme conta no elenco com Ryan Reynolds, Morena Baccarin,
Ed
Skrein, T.J. Miller, Gina Carano, Brianna Hildebrand, entre outros. Poster via Coming Soon.
Sinopse: Baseado no mais inconvencional anti-herói da Marvel Comics, DEADPOOL conta-nos a história da origem de um ex-operacional das Forças Especiais que se torna no mercenário Wade Wilson. Depois de ter sido sujeito a uma experiência clandestina que o deixa com o poder de cicatrização acelerada, Wade Wilson adopta o alter ego Deadpool. Armado com as suas novas habilidades, além dum negro e retorcido sentido de humor, Deadpool persegue o homem que quase destruiu a sua vida.
"Deadpool" estreia a 12 de Fevereiro de 2016 nos EUA.
Sinopse: Baseado no mais inconvencional anti-herói da Marvel Comics, DEADPOOL conta-nos a história da origem de um ex-operacional das Forças Especiais que se torna no mercenário Wade Wilson. Depois de ter sido sujeito a uma experiência clandestina que o deixa com o poder de cicatrização acelerada, Wade Wilson adopta o alter ego Deadpool. Armado com as suas novas habilidades, além dum negro e retorcido sentido de humor, Deadpool persegue o homem que quase destruiu a sua vida.
"Deadpool" estreia a 12 de Fevereiro de 2016 nos EUA.
Trailer de "I Saw the Light"
Foi divulgado o trailer de "I Saw the Light", um filme biográfico sobre a lenda da música
country Hank Williams. O filme é realizado por Marc Abraham, através do argumento do próprio. "I Saw the Light" conta no elenco com Tom Hiddleston, Bradley
Whitford e Cherry Jones, David Krumholtz, Josh Pais,
James Dumont, Wrenn Schmid, Elizabeth Olsen, entre outros.
O argumento de "I Saw the Light" foi baseado no livro biográfico "Hank Williams: The Biography", escrito por Colin Escott. O enredo do filme vai acompanhar a ascensão meteórica de Hank Williams no mundo da música. Williams faleceu aos vinte e nove anos de idade devido a um ataque cardíaco. Hiddleston vai cantar músicas como “Your Cheatin’ Heart”, “I’m So Lonesome I Could Cry” e “Hey Good Lookin.
"I Saw the Light" estreia a 25 de Março de 2016 nos EUA.
O argumento de "I Saw the Light" foi baseado no livro biográfico "Hank Williams: The Biography", escrito por Colin Escott. O enredo do filme vai acompanhar a ascensão meteórica de Hank Williams no mundo da música. Williams faleceu aos vinte e nove anos de idade devido a um ataque cardíaco. Hiddleston vai cantar músicas como “Your Cheatin’ Heart”, “I’m So Lonesome I Could Cry” e “Hey Good Lookin.
"I Saw the Light" estreia a 25 de Março de 2016 nos EUA.
Novo trailer de "Zoolander 2"
Foi divulgado um novo trailer internacional de "Zoolander 2". O filme é realizado por Ben Stiller, através do argumento de
Justin Theroux.
"Zoolander 2" conta no elenco com Ben Stiller, Owen Wilson, Will Ferrell, Kristen Wiig, Olivia Munn, Penélope Cruz, entre outros.
"Zoolander 2" estreia a 12 de Fevereiro de 2016 nos EUA.
"Zoolander 2" conta no elenco com Ben Stiller, Owen Wilson, Will Ferrell, Kristen Wiig, Olivia Munn, Penélope Cruz, entre outros.
"Zoolander 2" estreia a 12 de Fevereiro de 2016 nos EUA.
Resenha Crítica: "Le feu follet" (Fogo Fátuo)
“Le Feu Follet”, a quinta longa-metragem de ficção realizada por Louis Malle, coloca-nos perante Alain Leroy (Maurice Ronet), um indivíduo
desencantado com a sua existência, que apresenta tendências suicidas e uma incapacidade notória para seguir em frente com a vida. É um tipo pessimista, atolado em dívidas, ex-alcoólico, que procura encontrar um sentido para a sua existência, embora tarde em encontrar justificações suficientemente fortes para largar a ideia de cometer suicídio. Alain guarda na
sua alma as mágoas dos erros que cometeu, parecendo incapaz de
enfrentar a realidade, incluindo as mudanças daqueles que o rodeiam. É uma obra
negra e algo pessimista, com Louis Malle a colocar-nos diante dos efeitos perigosos do isolamento do ser humano perante tudo e
todos. Não é que o protagonista não tenha amigos, bem pelo
contrário, mas entra numa espiral descendente que o leva a
afastar-se e afastar todos aqueles que outrora lhe pareciam dizer
algo. A própria história que serviu de base para a criação do
protagonista não deixa de ser macabramente curiosa, com o argumento
a ter sido inspirado em "Le feu follet", um livro baseado
na vida de Jacques Rigaut, um indivíduo que se suicidou aos trinta
anos de idade, com a obra a ter sido escrita por Pierre Drieu La
Rochelle, um escritor que se suicidou. Ou seja, o suicídio acaba por
acompanhar não só as ideias do personagem principal de "Le feu follet", mas também por atravessar a história de alguns
elementos que inspiraram a sua criação. O suicídio é um acto que Alain Leroy considera de forma
demasiado séria. O seu passado foi marcado por longas bebedeiras e
festas, bem como por um casamento que se encontra no ocaso com
Dorothy, uma mulher que vive actualmente em Nova Iorque. Alain
encontra-se internado há quatro meses numa clínica de recuperação
em Versalhes, onde recebe a visita de Lydia (Léna Skerla), uma amiga
de Dorothy. O início de "Le feu follet" é marcado por uma
característica presente em filmes realizados por Louis Malle como
"Les Amants", com o narrador a descrever o que está a
acontecer e a estabelecer o ponto da situação, revelando-nos que
Lydia, a amante de Alain, chegara há três dias. Estes parecem
partilhar momentos de intimidade, embora Alain revele uma enorme
melancolia. Lydia salienta que vai dizer a Dorothy que este se encontra
curado, uma opinião que é partilhada pelo Dr. La Barbinais
(Jean-Paul Moulinot), algo que é corroborado pelo facto do protagonista não ter ingerido bebidas alcoólicas quando saiu com a primeira. Alain não é dessa
opinião. Este é um homem deprimido que procura encontrar razões
para viver, embora tarde em encontrar argumentos para se manter neste
mundo, sentindo-se assustado com um possível regresso a Paris. O
regresso de Lydia a Nova Iorque promete piorar tudo, uma situação
de que esta se encontra consciente, algo notório quando salienta que
vai deixar Alain com o seu pior inimigo, ou seja, ele próprio. O quarto de Alain encontra-se decorado com retratos, incluindo de
Dorothy e Lydia, mas também recortes de notícias de óbitos, algo
revelador de todo o cuidado colocado no design dos cenários para
explorar e expor o estado de espírito depressivo do protagonista.
O médico aconselha Alain a sair da clínica e procurar uma reconciliação com a esposa mas o protagonista parece ter outros planos: a 23 de Julho irá cometer suicídio. Antes de pegar na pistola e arrasar com a sua vida, Alain decide partir para Paris onde tenta encontrar algumas figuras ligadas ao passado, com Louis Malle a apresentar-nos uma série de homens e mulheres que marcaram a vida do protagonista. O primeiro local que visita é o hotel de Florence, onde procura por Bernard, embora o antigo amigo já não habite no espaço hoteleiro. Perante este fracasso, Alain decide efectuar uma série de telefonemas para conhecidos, a partir do telefone do bar do hotel, encontrando Leroy, o bartender que o servia nos seus tempos de bebedeiras e grandes farras. Estas dicotomias relacionadas com o homem que Alain foi no passado e aquele que é no presente são exacerbadas pelas figuras que o protagonista contacta, com quase todas a conhecerem-no como alguém alegre, vivaço e dado a consumir álcool em excesso. Diga-se que alguns personagens vão fazer questão de realçar que Alain se encontra uma sombra daquilo que era no passado. O próprio sabe disso, com a sua existência a encontrar-se num limbo de indecisões, más opções e uma letargia que aos poucos parece ter contribuído para destruir a sua vontade de viver. Após uma série de telefonemas, na sua maioria mal sucedidos, Alain decide visitar Dubourg (Bernard Noël), um indivíduo que decidiu assentar a sua vida. Dubourg é casado, tem duas filhas, investiu na actividade de egiptólogo, sendo visto pelo protagonista como um burguês resignado. Depois de tomarem uma refeição juntos, estes deambulam pelas ruas enquanto conversam. Dubourg parece aceitar aquilo que o destino lhe deu e o comodismo de uma vida em família. Alain parece um eterno inconformado que se recusa a aceitar o avançar da idade, embora tarde em tomar opções que preencham o sentimento de vazio que assola a sua alma. Dubourg e Alain deixam a ideia que partilharam bons momentos no passado, embora se encontrem bastante mudados, parecendo praticamente impossível que a amizade se mantenha no presente. Diga-se que esta vai ser uma situação transversal às deambulações de Alain, com este a perceber que mudou, bem como boa parte do mundo à sua volta, com exceção do grupo de Solange (Alexandra Stewart), uma mulher da alta sociedade que continua a viver um estilo de vida fútil e dedicado aos luxos. Pelo caminho, Alain encontra-se com Eva (Jeanne Moreau), uma pintora e consumidora de drogas que perdeu recentemente a companhia de Carla, uma das suas melhores amigas. A casa de Eva é marcada por obras de arte, encontrando-se habitada por estranhas figuras com as quais Alain entra em confronto de ideias e ideais. A personagem interpretada por Jeanne Moreau exibe algum receio em relação aos comportamentos destrutivos do protagonista, com a actriz a surgir como uma das várias integrantes do elenco secundário que conseguem sobressair ao longo do filme. Alain ainda encontra os irmãos Minville, dois indivíduos para quem a guerra na Argélia ainda não acabou, com a dupla a apresentar ideais políticos algo extremistas. Escusado será dizer que Alain também vai expor as suas diferenças em relação a estes dois indivíduos. Alain cumpriu o serviço militar e participou na Guerra da Argélia, embora as maiores cicatrizes que tenha por sarar não se encontrem no seu corpo. As cicatrizes que se encontram por sarar estão localizadas no interior da alma de Alain, com as feridas a terem sido abertas com o avançar do tempo, sendo adensadas pelos momentos de solidão e depressão que parecem fazer parte do seu quotidiano. Num jantar que conta com a presença de elementos como Solange e Brancion (Tony Taffin), o esposo desta, mais uma série de convidados, Alain não parece conseguir resistir à pressão e à vacuidade da atmosfera que o rodeia e bebe desalmadamente. Está completamente destroçado. A idade avançou e este não consegue travar a passagem do tempo, entrando numa espiral descendente onde apenas o álcool consegue entorpecer os seus sentimentos e soltá-lo das agruras. Parte um copo, abre uma ferida na mão, daquelas bem visíveis já que aquela que lhe vai na alma apenas é exposta pelos seus actos, enfurece-se, demonstra o seu desejo por Solange mas o tempo para se amarem já passou. Na festa, Solange parece demonstrar que ainda mantém algum afecto pelo protagonista. Diga-se que Alain não é desprezado por tudo e todos, parecendo antes alguém que se encontra demasiado deprimido e mal consigo próprio, com o filme a explorar questões complexas ligadas com as depressões através da figura do protagonista, enquanto aqueles que o rodeiam não parecem perceber o quão mal este se encontra do ponto de vista mental.
Depois de protagonizar "Ascenseur pour l'échafaud", a primeira longa-metragem de ficção realizada por Louis Malle, Maurice Ronet volta a trabalhar com o cineasta tendo um desempenho assinalável. Este consegue exprimir a depressão e isolamento de Alain, um homem que parece ser uma sombra daquilo que era no passado, com o actor a evidenciar essa situação através do aspecto físico cada vez mais frágil do protagonista. Alain procura razões para viver, embora esta jornada que protagoniza pareça contribuir para se desinteressar ainda mais pela vida. Nem é que seja desprezado por aqueles que o rodeiam, mas também não é propriamente compreendido, tal como este não compreende totalmente as figuras com quem contacta. Alain é mesmo o seu maior inimigo, procurando encontrar motivos para viver embora a determinação não pareça ser muita, tendo na clínica onde se encontra internado um ponto de refúgio que não parece querer abandonar. Os momentos na casa de Solange, onde não faltam jump-cuts e muita inquietação, permitem expor a depressão do protagonista e a sua queda definitiva em desgraça, parecendo que a partir daqui já não terá retorno. Este "gostaria de ter cativado as pessoas e retê-las. Mantê-las próximas para que nada mais se movesse ao meu redor", mas aquilo que mais consegue é afastar-se daqueles que poderia amar. Louis Malle deixa-nos perante um retrato desencantado da vida, com "Le feu follet" a abordar temáticas como a depressão, a futilidade da sociedade burguesa, os relacionamentos que falham, as mudanças dos seres humanos ao longo do tempo, numa França ainda a lidar com os traumas dos conflitos bélicos. O protagonista é um exemplo claro do pessimismo que rodeia "Le feu follet", uma obra onde Louis Malle volta a utilizar paradigmaticamente a banda sonora ao serviço do enredo, com o cineasta a repetir temáticas de filmes como “Ascenseur pour l'échafaud” e “Les Amants”: não falta uma exposição desencantada do casamento, a crítica à burguesia e à vacuidade dos valores de alguns dos personagens, entre outros elementos. Malle explora ainda com sucesso quer os espaços interiores como o centro onde o protagonista está instalado, a abastada casa de Solange e a habitação de Dubourg, quer os cenários exteriores como as ruas parisienses. Esta cidade surge associada à corrupção da alma do protagonista, com este a temer as tentações da mesma, tal como teme Nova Iorque, preferindo antes o conforto do centro de repouso. As deambulações pelos espaços citadinos surgem recheadas de tentações. Veja-se que o bartender serve-lhe logo uma bebida, algo que o protagonista rejeita, tal como dois estranhos pedem que Alain os acompanhe num "copo", para além da citada festa na casa de Solange. As complicações atravessam ainda a vida amorosa de Alain, com a relação matrimonial a encontrar-se por um fio e o envolvimento com Lydia a não avançar de forma mais séria por culpa do próprio. Louis Malle consegue transportar-nos para o interior da jornada do protagonista, "obriga-nos" a viver as suas dúvidas e agruras, com "Le feu follet" a surgir como mais uma obra cinematográfica bastante recomendável da autoria deste realizador que nunca se integrou de forma propriamente dita na Nouvelle Vague, embora apresente elementos por vezes presentes nos filmes dos cineastas associados a este movimento. Não faltam as filmagens nas ruas, a utilização da câmara na mão, a crítica à sociedade burguesa, os jump-cuts, entre muitos outros exemplos, ao mesmo tempo que Louis Malle exibe a sua versatilidade como cineasta. Veja-se que Malle realizou um filme noir na sua estreia a solo, um romance complexo em "Les Amants", tendo em "Le feu follet" uma introspecção poderosa e realista sobre um homem desencantado com a vida. Drama competente, capaz de explorar o lado negro, perigoso e inexplicável das depressões, "Le feu follet" coloca-nos diante de um dos grandes desempenhos de Maurice Ronet, com este a surgir acompanhado por um elenco secundário competente, enquanto Louis Malle nos compele a procurar perceber aquilo que vai no interior da alma do protagonista.
Título original: "Le feu follet".
Título em Portugal: "Fogo Fátuo".
Realizador: Louis Malle.
Argumento: Louis Malle.
Elenco: Maurice Ronet, Jeanne Moreau, Alexandra Stewart, Léna Skerla, Bernard Noël, Jean-Paul Moulinot.
O médico aconselha Alain a sair da clínica e procurar uma reconciliação com a esposa mas o protagonista parece ter outros planos: a 23 de Julho irá cometer suicídio. Antes de pegar na pistola e arrasar com a sua vida, Alain decide partir para Paris onde tenta encontrar algumas figuras ligadas ao passado, com Louis Malle a apresentar-nos uma série de homens e mulheres que marcaram a vida do protagonista. O primeiro local que visita é o hotel de Florence, onde procura por Bernard, embora o antigo amigo já não habite no espaço hoteleiro. Perante este fracasso, Alain decide efectuar uma série de telefonemas para conhecidos, a partir do telefone do bar do hotel, encontrando Leroy, o bartender que o servia nos seus tempos de bebedeiras e grandes farras. Estas dicotomias relacionadas com o homem que Alain foi no passado e aquele que é no presente são exacerbadas pelas figuras que o protagonista contacta, com quase todas a conhecerem-no como alguém alegre, vivaço e dado a consumir álcool em excesso. Diga-se que alguns personagens vão fazer questão de realçar que Alain se encontra uma sombra daquilo que era no passado. O próprio sabe disso, com a sua existência a encontrar-se num limbo de indecisões, más opções e uma letargia que aos poucos parece ter contribuído para destruir a sua vontade de viver. Após uma série de telefonemas, na sua maioria mal sucedidos, Alain decide visitar Dubourg (Bernard Noël), um indivíduo que decidiu assentar a sua vida. Dubourg é casado, tem duas filhas, investiu na actividade de egiptólogo, sendo visto pelo protagonista como um burguês resignado. Depois de tomarem uma refeição juntos, estes deambulam pelas ruas enquanto conversam. Dubourg parece aceitar aquilo que o destino lhe deu e o comodismo de uma vida em família. Alain parece um eterno inconformado que se recusa a aceitar o avançar da idade, embora tarde em tomar opções que preencham o sentimento de vazio que assola a sua alma. Dubourg e Alain deixam a ideia que partilharam bons momentos no passado, embora se encontrem bastante mudados, parecendo praticamente impossível que a amizade se mantenha no presente. Diga-se que esta vai ser uma situação transversal às deambulações de Alain, com este a perceber que mudou, bem como boa parte do mundo à sua volta, com exceção do grupo de Solange (Alexandra Stewart), uma mulher da alta sociedade que continua a viver um estilo de vida fútil e dedicado aos luxos. Pelo caminho, Alain encontra-se com Eva (Jeanne Moreau), uma pintora e consumidora de drogas que perdeu recentemente a companhia de Carla, uma das suas melhores amigas. A casa de Eva é marcada por obras de arte, encontrando-se habitada por estranhas figuras com as quais Alain entra em confronto de ideias e ideais. A personagem interpretada por Jeanne Moreau exibe algum receio em relação aos comportamentos destrutivos do protagonista, com a actriz a surgir como uma das várias integrantes do elenco secundário que conseguem sobressair ao longo do filme. Alain ainda encontra os irmãos Minville, dois indivíduos para quem a guerra na Argélia ainda não acabou, com a dupla a apresentar ideais políticos algo extremistas. Escusado será dizer que Alain também vai expor as suas diferenças em relação a estes dois indivíduos. Alain cumpriu o serviço militar e participou na Guerra da Argélia, embora as maiores cicatrizes que tenha por sarar não se encontrem no seu corpo. As cicatrizes que se encontram por sarar estão localizadas no interior da alma de Alain, com as feridas a terem sido abertas com o avançar do tempo, sendo adensadas pelos momentos de solidão e depressão que parecem fazer parte do seu quotidiano. Num jantar que conta com a presença de elementos como Solange e Brancion (Tony Taffin), o esposo desta, mais uma série de convidados, Alain não parece conseguir resistir à pressão e à vacuidade da atmosfera que o rodeia e bebe desalmadamente. Está completamente destroçado. A idade avançou e este não consegue travar a passagem do tempo, entrando numa espiral descendente onde apenas o álcool consegue entorpecer os seus sentimentos e soltá-lo das agruras. Parte um copo, abre uma ferida na mão, daquelas bem visíveis já que aquela que lhe vai na alma apenas é exposta pelos seus actos, enfurece-se, demonstra o seu desejo por Solange mas o tempo para se amarem já passou. Na festa, Solange parece demonstrar que ainda mantém algum afecto pelo protagonista. Diga-se que Alain não é desprezado por tudo e todos, parecendo antes alguém que se encontra demasiado deprimido e mal consigo próprio, com o filme a explorar questões complexas ligadas com as depressões através da figura do protagonista, enquanto aqueles que o rodeiam não parecem perceber o quão mal este se encontra do ponto de vista mental.
Depois de protagonizar "Ascenseur pour l'échafaud", a primeira longa-metragem de ficção realizada por Louis Malle, Maurice Ronet volta a trabalhar com o cineasta tendo um desempenho assinalável. Este consegue exprimir a depressão e isolamento de Alain, um homem que parece ser uma sombra daquilo que era no passado, com o actor a evidenciar essa situação através do aspecto físico cada vez mais frágil do protagonista. Alain procura razões para viver, embora esta jornada que protagoniza pareça contribuir para se desinteressar ainda mais pela vida. Nem é que seja desprezado por aqueles que o rodeiam, mas também não é propriamente compreendido, tal como este não compreende totalmente as figuras com quem contacta. Alain é mesmo o seu maior inimigo, procurando encontrar motivos para viver embora a determinação não pareça ser muita, tendo na clínica onde se encontra internado um ponto de refúgio que não parece querer abandonar. Os momentos na casa de Solange, onde não faltam jump-cuts e muita inquietação, permitem expor a depressão do protagonista e a sua queda definitiva em desgraça, parecendo que a partir daqui já não terá retorno. Este "gostaria de ter cativado as pessoas e retê-las. Mantê-las próximas para que nada mais se movesse ao meu redor", mas aquilo que mais consegue é afastar-se daqueles que poderia amar. Louis Malle deixa-nos perante um retrato desencantado da vida, com "Le feu follet" a abordar temáticas como a depressão, a futilidade da sociedade burguesa, os relacionamentos que falham, as mudanças dos seres humanos ao longo do tempo, numa França ainda a lidar com os traumas dos conflitos bélicos. O protagonista é um exemplo claro do pessimismo que rodeia "Le feu follet", uma obra onde Louis Malle volta a utilizar paradigmaticamente a banda sonora ao serviço do enredo, com o cineasta a repetir temáticas de filmes como “Ascenseur pour l'échafaud” e “Les Amants”: não falta uma exposição desencantada do casamento, a crítica à burguesia e à vacuidade dos valores de alguns dos personagens, entre outros elementos. Malle explora ainda com sucesso quer os espaços interiores como o centro onde o protagonista está instalado, a abastada casa de Solange e a habitação de Dubourg, quer os cenários exteriores como as ruas parisienses. Esta cidade surge associada à corrupção da alma do protagonista, com este a temer as tentações da mesma, tal como teme Nova Iorque, preferindo antes o conforto do centro de repouso. As deambulações pelos espaços citadinos surgem recheadas de tentações. Veja-se que o bartender serve-lhe logo uma bebida, algo que o protagonista rejeita, tal como dois estranhos pedem que Alain os acompanhe num "copo", para além da citada festa na casa de Solange. As complicações atravessam ainda a vida amorosa de Alain, com a relação matrimonial a encontrar-se por um fio e o envolvimento com Lydia a não avançar de forma mais séria por culpa do próprio. Louis Malle consegue transportar-nos para o interior da jornada do protagonista, "obriga-nos" a viver as suas dúvidas e agruras, com "Le feu follet" a surgir como mais uma obra cinematográfica bastante recomendável da autoria deste realizador que nunca se integrou de forma propriamente dita na Nouvelle Vague, embora apresente elementos por vezes presentes nos filmes dos cineastas associados a este movimento. Não faltam as filmagens nas ruas, a utilização da câmara na mão, a crítica à sociedade burguesa, os jump-cuts, entre muitos outros exemplos, ao mesmo tempo que Louis Malle exibe a sua versatilidade como cineasta. Veja-se que Malle realizou um filme noir na sua estreia a solo, um romance complexo em "Les Amants", tendo em "Le feu follet" uma introspecção poderosa e realista sobre um homem desencantado com a vida. Drama competente, capaz de explorar o lado negro, perigoso e inexplicável das depressões, "Le feu follet" coloca-nos diante de um dos grandes desempenhos de Maurice Ronet, com este a surgir acompanhado por um elenco secundário competente, enquanto Louis Malle nos compele a procurar perceber aquilo que vai no interior da alma do protagonista.
Título original: "Le feu follet".
Título em Portugal: "Fogo Fátuo".
Realizador: Louis Malle.
Argumento: Louis Malle.
Elenco: Maurice Ronet, Jeanne Moreau, Alexandra Stewart, Léna Skerla, Bernard Noël, Jean-Paul Moulinot.
"Batman v Superman: Dawn of Justice" - Novo teaser trailer
Foi divulgado um novo teaser trailer de "Batman v Superman: Dawn of Justice". O filme é realizado por Zack Snyder ("Man
of Steel"), através do argumento deste e David S. Goyer.
"Batman v Superman: Dawn of Justice" conta no elenco com Gal Gadot, Henry Cavill, Ben Affleck, Amy Adams, Diane Lane, Laurence Fishburne, Jesse Eisenberg, Jeremy Irons, Holly Hunter, Callan Mulvey, Tao Okamoto, Scoot McNairy, entre outros.
"Batman v Superman: Dawn of Justice" estreia a 25 de Março de 2016 nos EUA.
"Batman v Superman: Dawn of Justice" conta no elenco com Gal Gadot, Henry Cavill, Ben Affleck, Amy Adams, Diane Lane, Laurence Fishburne, Jesse Eisenberg, Jeremy Irons, Holly Hunter, Callan Mulvey, Tao Okamoto, Scoot McNairy, entre outros.
"Batman v Superman: Dawn of Justice" estreia a 25 de Março de 2016 nos EUA.
Quatro críticas mais lidas - Novembro de 2015
Ao longo do mês de Novembro foram publicadas vinte e cinco resenhas
críticas no
Rick's Cinema, entre as quais a filmes como "Annie Hall", "SPECTRE", "Anatomy of a Murder", "Un homme et une femme", entre
outras
obras
cinematográficas. Nesse sentido, aproveitei o início de Dezembro de
2015
para
destacar as quatro
críticas mais lidas, entre os vários
textos de pendor crítico publicados em Novembro de 2015. As críticas
com maior aderência junto dos leitores/visitantes/pessoal que passou
aqui por engano foram as seguintes:
1º - Resenha Crítica: "Annie Hall" (1977)
2º - Resenha Crítica: "Murder on the Orient Express" (1974)
3º - Resenha Crítica: "Mia Madre" (Minha Mãe)
4º - Resenha Crítica: "SPECTRE" (2015)
1º - Resenha Crítica: "Annie Hall" (1977)
2º - Resenha Crítica: "Murder on the Orient Express" (1974)
3º - Resenha Crítica: "Mia Madre" (Minha Mãe)
4º - Resenha Crítica: "SPECTRE" (2015)
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