22 novembro 2015

Resenha Crítica: "Young Sherlock Holmes" (1985)

 Em "Mr. Holmes", a mais recente adaptação cinematográfica do famoso detective criado por Sir Arthur Conan Doyle, encontramos o personagem do título em idade avançada, com noventa e dois anos de idade, a procurar manter e recuperar as memórias do passado. "Mr. Holmes" surge como uma das várias adaptações revisionistas que acrescentam elementos ao cânone do famoso detective, algo que acontecera em obras cinematográficas como "The Private Life of Sherlock Holmes", onde o espectador era colocado diante da distinção entre os mitos criados em volta do icónico personagem e a "realidade", ou "Young Sherlock Holmes", um filme realizado por Barry Levinson que nos apresenta a alguns episódios relevantes da juventude do protagonista. Barry Levinson incute elementos que são regularmente associados às obras de Sherlock Holmes, tais como as célebres investigações e o mistério, para além de nos colocar diante de temáticas ligadas à adolescência e ao primeiro amor, com "Young Sherlock Holmes" a contar ainda com ingredientes de filmes de aventuras como "The Goonies". Diga-se que o argumento é da autoria de Chris Columbus, o argumentista de obras como "Gremlins" e "The Goonies", tendo ainda realizado filmes como "Home Alone" e as primeiras duas adaptações cinematográficas da saga "Harry Potter", algo revelador de que estamos diante de alguém relativamente competente a construir histórias que envolvam entretenimento para "toda a família". Nesse sentido, "Young Sherlock Holmes" surge como uma obra cinematográfica que tenta chegar a um público alargado ao mesmo tempo que procura explorar elementos associados ao icónico detective, enquanto este último forma a sua personalidade e a amizade com John Watson. É em "Young Sherlock Holmes" que encontramos o detective a utilizar pela primeira vez o seu famoso chapéu, mas também o cachimbo, iniciando o filme como uma figura que não pretende viver de forma solitária, embora termine a querer o contrário. Curiosamente, em "Mr. Holmes", encontramos o famoso detective, já em idade avançada, a lidar exactamente com essa solidão, tendo no jovem Roger, o filho da sua governanta, a sua melhor companhia. No caso de "Young Sherlock Holmes", encontramos o personagem do título a estudar na Brompton, uma escola pública inglesa, destinada apenas para rapazes. Sherlock Holmes (Nicholas Rowe) apresenta já algumas qualidades para a dedução e uma arrogância muito própria, embora ainda se deixe muitas das vezes guiar pelos seus ímpetos, algo que promete trazer alguns problemas ao protagonista. O início do filme marca a entrada de John Watson (Alan Cox) em cena, um jovem algo rechonchudo, pouco confiante e afável, que pretende ser médico e forma amizade com Sherlock. A juntar a este duo temos ainda Elizabeth Hardy (Sophie Ward), a sobrinha de Rupert T. Waxflatter (Nigel Stock), um inventor e professor aposentado que vive no espaço da escola, uma situação que explica a presença constante da jovem junto dos rapazes.

Elizabeth desperta o interesse amoroso de Sherlock, algo que é recíproco, com o protagonista a formar ainda uma enorme rivalidade com Dudley (Earl Rhodes), um jovem pedante que também corteja a primeira. A inimizade entre Dudley e Sherlock promete trazer consequências pouco agradáveis para este último, enquanto assistimos a estranhos casos de suicídios provocados por alucinações. Logo no início de "Young Sherlock Holmes" somos colocados diante de um indivíduo que é atingido por um espinho ou uma espécie de pequeno dardo envenenado, lançado por uma pessoa anónima a partir de um artefacto egípcio. O dardo contém uma substância que provoca fortes alucinações, algo que conduz as vítimas a cometerem suicídio. Sherlock Holmes decide começar a investigar estes estranhos suicídios, com a morte de Waxflatter a surgir como o gatilho para este se interessar ainda mais em resolver o caso, contando com o apoio de Watson e Elizabeth. Nicholas Rowe tem uma interpretação convincente como Sherlock Holmes, com o actor a saber incutir alguns elementos associados ao famoso detective ao mesmo tempo que deixa transparecer alguma da infantilidade desta figura que ainda se encontra longe de ser um mestre na arte da dedução. Rowe apresenta uma dinâmica convincente com Alan Cox, com a relação entre Holmes e Watson a ser um dos elementos essenciais do filme, com o segundo a surgir mais uma vez como um apoio relevante embora não tenha a mesma inteligência e astúcia do protagonista, uma figura que admira. Holmes tem ainda uma relação de alguma proximidade e respeito com o Professor Rathe (Anthony Higgins), um indivíduo que esconde uns quantos segredos. Diga-se que Sherlock, Watson e Elizabeth vão envolver-se em alguns perigos, enquanto transgridem regras, deambulam pelas ruas de Londres e deparam-se com o Rame Tep, um grupo que pratica um culto transviado ao Deus Osíris. A descoberta deste grupo leva a uma mudança na narrativa, com "Young Sherlock Holmes" a assumir uma faceta de aventura, com o próprio local de culto a remeter para "Indiana Jones and the Temple of Doom", ainda que num tom mais leve. Barry Levinson consegue explorar com alguma assertividade as diferentes facetas do filme, mesclando "ingredientes" de aventura, mistério e investigação, com "Young Sherlock Holmes" a surgir como uma obra cinematográfica que apresenta uma versão revisionista do célebre detective. No caso de "Young Sherlock Holmes", o personagem do título ainda nem é um detective, com Barry Levinson a procurar distanciar-se das obras de Sir Arthur Conan Doyle no início e no final do filme, através de duas mensagens deixadas aos espectadores, algo revelador de alguma falta de confiança por parte do cineasta.

Este Sherlock que nos é apresentado ainda comete falhas (tal como aquele que nos é exposto em "The Private Life of Sherlock Holmes"), é impetuoso, gosta de praticar esgrima, tem uma capacidade de dedução acima da média e forma uma amizade latente com Watson. Já a relação amorosa com Elizabeth é típica de um envolvimento entre dois jovens a conhecerem o primeiro amor, com a personagem interpretada por Sophie Ward a deixar marca no protagonista. Os momentos mais apolíneos são contrastados com a tensão que rodeia as alucinações sentidas por aqueles que são sujeitos à substância que se encontra no interior dos dardos, com os elementos infectados a acabarem muitas das vezes por serem compelidos a cometerem suicídio, enquanto Barry Levinson aproveita estes trechos para explorar o "arsenal" de efeitos especiais que tem à disposição. Temos ainda as explosivas cenas no templo no último terço, com a banda sonora a contribuir para a inquietação ao longo de uma obra cinematográfica que conta com algumas reviravoltas e uma história que, longe de ter uma grande profundidade ou deixar uma marcar indelével, consegue cumprir no quesito de prender toda a nossa atenção. O filme conta ainda com uma série de personagens secundários que sobressaem: o professor Rathe, uma figura que esconde uma enorme malícia; Lestrade (Roger Ashton-Griffiths), um elemento da Scotland Yard que inicialmente não liga às teorias de Sherlock Holmes em relação aos suicídios e ao grupo do culto relacionado com o Antigo Egipto; Mrs. Dribb (Susan Fleetwood), uma funcionária da escola com uma agenda muito própria; Chester Cragwitch (Freddie Jones), um homem misterioso que sabe mais sobre as mortes e o culto do que poderíamos esperar; Rupert T. Waxflatter, o mentor de Sherlock, um indivíduo que é admirado pelo protagonista, com este ex-professor a apresentar uma personalidade excêntrica, enquanto procura colocar em prática as suas engenhocas que permitem a locomoção no ar, entre outros personagens. O argumento de Chris Columbus atribui alguma atenção e importância a esta miríade de personagens, enquanto a investigação consegue despertar a nossa curiosidade, apesar de alguns exageros no último terço onde o filme deambula entre os géneros da acção e aventura, tendo como pano de fundo a Era Vitoriana. "Young Sherlock Holmes" apresenta alguns pormenores interessantes relacionados com a formação da personalidade do famoso detective, com Barry Levinson a colocar-nos diante da primeira grande investigação protagonizada por Sherlock Holmes e John Watson, enquanto nos torna cúmplices da dupla e nos compele a seguir um enredo relativamente agradável de acompanhar.

Título original: "Young Sherlock Holmes".
Título em Portugal: "O Enigma da Pirâmide".
Realizador: Barry Levinson.
Argumento: Chris Columbus.
Elenco: Nicholas Rowe, Alan Cox, Anthony Higgins, Sophie Ward, Roger Ashton-Griffiths, Freddie Jones, Nigel Stock, Brian Oulton, Susan Fleetwood.

21 novembro 2015

Kenneth Branagh vai realizar e protagonizar "Murder on the Orient Express"

 O Deadline noticiou que Kenneth Branagh ("Cinderella") vai realizar e protagonizar a nova adaptação cinematográfica de "Murder on the Orient Express". O argumento está a cargo de Michael Green (Blade Runner 2). Branagh vai interpretar Hercule Poirot.

Uma das adaptações mais famosas do livro de Agatha Christie foi realizada por Sidney Lumet. O filme realizado por Lumet conta com um elenco composto por nomes como Ingrid Bergman, Lauren Baccall, Sean Connery, Anthony Perkins, Jean-Pierre Cassel, Jacqueline Bisset, Vanessa Redgrave, Albert Finney, Martin Balsam, Richard Widmark, entre outros.

"Murder on the Orient Express" foi publicado em Portugal com o título "Um Crime no Expresso do Oriente". O livro conta com a seguinte sinopse (via Wook): Pouco depois das doze batidas da meia-noite, um nevão obriga o Expresso do Oriente a parar. Para aquela época do ano, o luxuoso comboio estava surpreendentemente cheio de passageiros. Só que pela manhã havia, vivo, um passageiro a menos. Um homem de negócios americano jazia no seu compartimento, apunhalado até à morte.
Poirot aceita o caso, aparentemente fácil, que acaba por se revelar um dos mais surpreendentes de toda a sua carreira. É que existem pistas (muitas!), existem suspeitos (muitos!), sendo que todos eles estão circunscritos ao universo dos passageiros da carruagem. Para ajudar às investigações, o morto é reconhecido como sendo o autor de um dos crimes mais hediondos do século. Com a tensão a aumentar perigosamente, Poirot acaba por esclarecer o caso…de uma maneira a todos os títulos surpreendente!

A nova adaptação de "Murder on the Orient Express" ainda não tem uma data de estreia definida. 

Críticas publicadas em 2015: Parte 7 (241-280)

241 -

242 -

243 -

244 -

245 -

246 -

247 -

248 -

249 -

250 -

251 -

252 -

253 -

254 -

255 -

256 -

257 -

258 -

259 -

260 -

261 -

262 -

263 -

264 -

265 -

266 -

267 -

268 -

269 -

270 - 

271 -

272 -

273 -

274 -

275 -

276 -

277 -

278 -

279 -

280 -


Parte 1 - http://bogiecinema.blogspot.pt/2015/09/criticas-publicadas-em-2015-parte-1-1-40.html
Parte 2 - http://bogiecinema.blogspot.pt/2015/06/criticas-publicadas-em-2015-parte-2-41.html
Parte 3 - http://bogiecinema.blogspot.pt/2015/06/criticas-publicadas-em-2015-parte-3-81.html
Parte 4 - http://bogiecinema.blogspot.pt/2015/07/criticas-publicadas-em-2015-parte-4-121.html
Parte 5 - http://bogiecinema.blogspot.pt/2015/08/criticas-publicadas-em-2015-parte-5-161.html
Parte 6 - http://bogiecinema.blogspot.pt/2015/10/criticas-publicadas-em-2015-parte-6-201.html

20 novembro 2015

Trailer final de "Carol"

 Foi divulgado o trailer final de "Carol". O filme é realizado por Todd Haynes ("Velvet Goldmine"), através do argumento de Phillys Nagy. "Carol" conta no elenco com Sarah Paulson, Rooney Mara, Cate Blanchett, Kyle Chandler, entre outros.

O argumento de "Carol" foi baseado no livro "The Price of Salt", da autoria de Patricia Highsmith. O livro foi publicado em Portugal com o título "O Preço do Sal" e tem a seguinte sinopse (via Europa-América): O Preço do Sal é um comovente romance de amor, a história de duas mulheres que escolheram pagar o preço de uma vida à margem das regras convencionais. O preço a pagar por um amor proibido…

"Carol" estreia a 20 de Novembro de 2015 nos EUA. Podem acompanhar o Rick's Cinema no Facebook em: https://www.facebook.com/RicksCinema 

"The Hateful Eight" ganha um novo poster

 Foi divulgado mais um poster de "The Hateful Eight", um filme realizado por Quentin Tarantino, através do argumento do próprio. Poster via The Playlist.

"The Hateful Eight" conta no elenco com Samuel L. Jackson, Kurt Russell, Jennifer Jason Leigh, Walton Goggins, Tim Roth, Michael Madsen, Bruce Dern, entre outros.

Sinopse: Após a Guerra Civil, no Wyoming, um grupo de caçadores de recompensas procura encontrar abrigo durante uma nevasca, acabando por se envolver numa teia de vinganças e traições. Será que vão sobreviver?

"The Hateful Eight" estreia a 25 de Dezembro de 2015 nos EUA.

Poster nacional de "Brooklyn"

 Foi divulgado o poster nacional da adaptação cinematográfica de "Brooklyn", um livro escrito por Colm Tóibín. O filme é realizado por John Crowley ("Closed Circuit"), através do argumento de Nick Hornby. "Brooklyn" conta no elenco com Saoirse Ronan, Domhnall Gleeson, Emory Cohen, Jim Broadbent, Julie Walters, Sarah Gadon, entre outros.

O livro tem a seguinte sinopse (via Bertrand): Numa pequena vila irlandesa dos anos cinquenta, Eilis é uma das muitas pessoas da sua geração que não consegue arranjar trabalho. Quando surge uma oportunidade na América, é-lhe evidente que tem de partir. Jovem, sozinha e saudosa, Eilis começa uma nova vida em Brooklyn e a sua tristeza vai sendo gradualmente apaziguada. Quando notícias trágicas a obrigam a regressar à Irlanda, vê-se confrontada com uma escolha terrível: entre o amor e a felicidade na terra a que pertence e as promessas que tem de manter do outro lado do oceano. Uma história de partida e regresso, de amor e perda, da escolha entre a liberdade pessoal e o dever.

"Brooklyn" estreia a 6 de Novembro de 2015 nos EUA. "Brooklyn" estreia em Portugal a 7 de Janeiro de 2016. Podem acompanhar o Rick's Cinema no Facebook em: https://www.facebook.com/RicksCinema 

Resenha Crítica: "The Private Life of Sherlock Holmes" (A Vida Íntima de Sherlock Holmes)

 Sem ter problemas em expor Sherlock Holmes como um indivíduo capaz de errar, algo neurótico quando não tem um caso para investigar, ou até de ironizar com a relação próxima entre o famoso detective e Dr. Watson, "The Private Life of Sherlock Holmes" mescla sátira, aventura e mistério, com Billy Wilder a apresentar alguma irreverência, ainda que não deixe cair por completo as convenções associadas ao icónico personagem criado por Sir Arthur Conan Doyle. Billy Wilder coloca o protagonista como se fosse uma figura real, que embirra com as liberdades tomadas por Dr. Watson nas crónicas escritas para a Strand Magazine. Estas crónicas contribuíram para aumentar a popularidade de Sherlock Holmes e criar uma mitologia em volta do famoso detective, com Billy Wilder a colocar o Dr.Watson como um dos culpados para os exageros criados em volta dos feitos do protagonista, enquanto aproveita para destrinçar alguns elementos associados ao personagem criado por Sir Arthur Conan Doyle. Robert Stephens incute um estilo algo confiante e mordaz a Sherlock Holmes, um detective que não aprecia casos pouco desafiadores, viciado em cocaína, fumador de cachimbo, excêntrico, arrogante e pouco dado a confiar em mulheres. O protagonista irrita-se com a roupa que tem de utilizar devido às histórias criadas por Watson, não gosta dos convites para tocar violino quando se considera um amador, tem uma altura menor do que aquela que é apresentada nos textos escritos pelo personagem interpretado por Colin Blakely, com "The Private Life of Sherlock Holmes" a colocar-nos, sobretudo durante os momentos iniciais, perante a vida privada do protagonista. Os diálogos entre Watson e Holmes são marcados por alguns momentos hilariantes, seja quando discutem a quantidade de cocaína consumida pelo segundo, ou quando o protagonista ironiza com as deduções falhadas do seu fiel companheiro de aventuras. O filme conta com dois casos distintos, com o primeiro a surgir dotado de alguns momentos de humor, enquanto o segundo coloca o famoso detective a ter de se superar, ainda que cometa alguns erros pelo caminho, com "The Private Life of Sherlock Holmes" a não ter problemas em desconstruir a lenda em volta do personagem do título ao mesmo tempo que explana algumas das suas qualidades. O primeiro caso relaciona-se com a chamada de Madame Petrova (Tamara Toumanova), uma bailarina russa que pretende engravidar do protagonista. Não faltam piadas sobre a orientação sexual de Tchaikovsky e diversas situações caricatas, com Sherlock Holmes a aproveitar para fugir de cena ao fingir que o seu interesse amoroso é o Dr. Watson, algo que enfurece este último, sobretudo quando se andava a divertir alegremente com bailarinas russas, até o rumor se espalhar e passar a ser alvo do interesse dos bailarinos. Este é um momento de maior leveza que, acima de tudo, efectua justiça ao título da obra cinematográfica ao procurar desconstruir e satirizar as convenções associadas a Sherlock Holmes e Dr. Watson. O segundo caso promete colocar o espectador diante de uma investigação mais associada às histórias de Sherlock Holmes, com este a ter inicialmente de descobrir o paradeiro do esposo de Gabrielle Valladon (Geneviève Page). Esta mulher de origem belga esconde uns quantos segredos, sendo inicialmente transportada para o apartamento e escritório de Holmes e Watson, na Baker Street, após ter sido encontrada no Rio Tamisa, prestes a afogar-se.

Geneviève Page incute um estilo misterioso a Gabrielle, uma mulher que inicialmente surge sem memória, obrigando Sherlock a utilizar algumas das suas qualidades para a investigação, até esta recuperar e convencer a dupla a procurar por Emile, o seu esposo. Sherlock e Watson envolvem-se numa investigação que conduz a dupla a lidar com figuras tão distintas como abades, Mycroft Holmes (Christopher Lee), o arrogante irmão do protagonista, a Rainha Victoria (Mollie Maureen), entre outros, com uma ida à Escócia a proporcionar uma série de revelações que envolvem o fabrico de um submarino, a rivalidade entre ingleses e alemães, anões desaparecidos, identidades falsas e algumas reviravoltas. Se a narrativa relacionada com a Madame Petrova serve acima de tudo para expor um lado mais leve de Sherlock Holmes, já o caso iniciado com a chegada de Gabrielle evidencia que as investigações do famoso detective nem sempre são tão fáceis como parecem, com este a cometer alguns erros pelo caminho. A relação entre Sherlock e Watson é um dos vários elementos que incrementam o filme, com o primeiro a não ter problemas em ironizar com as deduções do segundo e a forma como este romantiza os casos que resolvem, enquanto o personagem interpretado por Colin Blakely mantém uma enorme lealdade para com o detective. Colin Blakely apresenta quase sempre um tom mais atrapalhado e caricato como Watson, com este a apresentar um poder para a dedução inferior ao famoso detective, algo latente quando parece acreditar na lenda associada ao Monstro do Lago Ness. Diga-se que estas lendas, ainda que falsas, remetem para uma tradição de adaptações como "The Hound of the Baskervilles" e "The Adventures of Sherlock Holmes", que aproveitavam situações ligadas ao misticismo e sobrenatural para incrementar o mistério em volta das investigações protagonizadas por Sherlock Holmes e Dr. Watson. A juntar a esta dupla temos ainda uma série de personagens secundários que aos poucos sobressaem na narrativa, tais como Gabrielle, com esta mulher a contribuir para o facto de Sherlock não confiar nas figuras femininas, parecendo estar praticamente à altura do intelecto do famoso detective, tal a forma como o consegue ludibriar. Outra das figuras em destaque é o pedante Mycroft, com Christopher Lee a voltar a integrar um filme inspirado em Sherlock Holmes (após ter interpretado o detective em "Sherlock Holmes and the Deadly Necklace"), para além de contarmos com a presença de Mrs. Hudson (Irene Handl), a célebre senhoria do personagem do título. É um universo narrativo marcado por alguma leveza, algo que tira algum peso à investigação protagonizada por Sherlock Holmes, embora permita subverter algumas das expectativas que podemos formar antecipadamente em relação ao protagonista e aos casos que este procura desvendar. Diga-se que o primeiro terço surge marcado por enorme inspiração, com o argumento de Billy Wilder e I. A. L. Diamond a não ter problemas em entrar por caminhos mais arriscados ao mesmo tempo que nos diverte imenso, sobretudo quando Sherlock se procura livrar da Madame Petrova.

 A ideia inicial de Billy Wilder centrava-se numa obra cinematográfica com quatro casos, marcada por uma duração a rondar os cento e sessenta e cinco minutos, algo que não se concretizou com os produtores a cortarem a narrativa de forma a contarem com uma duração que potencialmente conseguisse atrair mais público às salas de cinema. Esta situação é abordada por Brian Cady no artigo para o TCM: "The Private Life of Sherlock Holmes was made during a period when Hollywood was sinking its money into road show movies running three hours or more with engagements only at exclusive theaters. Unfortunately, by the time of this film's release in 1970, the fad was long past and the producers insisted on an average-length film". Diga-se que Billy Wilder não terá ficado totalmente satisfeito com o resultado da montagem final efectuada pelo estúdio, embora "The Private Life of Sherlock Holmes" apresente uma interpretação interessante sobre o famoso detective, pontuada por alguns laivos de irreverência e genialidade. Não faltam algumas piadas de cariz sexual, com a orientação sexual de Holmes a ser inicialmente colocada em causa, embora este até se deixe convencer em demasia pela bela Gabrielle, uma mulher com uma agenda muito própria. Os momentos na Escócia, marcados por uma cena onde o forte nevoeiro adensa o mistério, contrastam com os irreverentes e coloridos momentos iniciais, enquanto a banda sonora de Miklós Rózsa surge como um dos muitos destaques desta obra cinematográfica. A proposta efectuada por Billy Wilder nem sempre se mantém ao longo do enredo, embora o cineasta tenha a capacidade de mesclar de forma harmoniosa a desconstrução de alguns mitos associados a Sherlock Holmes ao mesmo tempo que o coloca em acção, com o caso principal a contar com a descoberta de diversas pistas, algumas reviravoltas, traições, humor e explicações inesperadas, com "The Private Life of Sherlock Holmes" a surgir como uma obra cinematográfica que nos apresenta uma versão bastante recomendável do icónico detective criado por Sir Arthur Conan Doyle.

Título original: "The Private Life of Sherlock Holmes".
Título em Portugal: "A Vida Íntima de Sherlock Holmes".
Realizador: Billy Wilder.
Argumento: I. A. L. Diamond e Billy Wilder.
Elenco: Robert Stephens, Geneviève Page, Colin Blakely, Christopher Lee.

Resenha Crítica: "Hustle" (1975)

 Com um tom pessimista, alguma violência, uma narrativa pronta a expor as desigualdades no interior da sociedade e as diferenças no acesso à defesa, "Hustle" coloca-nos diante de um enredo marcado por uma atmosfera de malaise, onde a estranha relação entre um tenente da polícia e uma prostituta parece proporcionar os momentos de maior calor humano. O tenente é Phil Gaines (Burt Reynolds), um indivíduo que trabalha quase sempre em parceria com o sargento Louis Belgrave (Paul Winfield). Phil é um tipo duro, algo cínico e divorciado, que gosta de ingerir bebidas alcoólicas, mesmo quando se encontra em serviço. Este procura resolver os casos de forma rápida e eficaz, muitas das vezes sem levantar grandes questões, parecendo reverenciar diversos elementos associados ao passado. Burt Reynolds incute um estilo duro e sardónico a este personagem que coloca muitas das vezes a sua vida em risco, que inicialmente parece pouco interessado em enfrentar o sistema corrupto que o rodeia, tendo em Nicole Britton (Catherine Deneuve) a sua melhor companhia. Nicole é uma prostituta de origem francesa, que facilmente desperta a atenção pela sua enorme beleza, longos cabelos loiros, olhar misterioso e sedutor, com Catherine Deneuve a incutir uma certa delicadeza esta mulher que ganha a vida com o seu corpo. A personagem interpretada por Catherine Deneuve não parece ter grandes problemas com a sua profissão, embora também não seja um ofício que a entusiasma, uma situação que contribui para incutir alguma estranheza ao envolvimento entre Nicole e Phil. Ele defende a lei, apresenta uma personalidade vincada e uma brutalidade visível ao não ter problemas em pontapear um suspeito ou envolver-se em situações que podem colocar a sua vida em perigo. Ela transgride constantemente a lei com a sua profissão, embora mantenha uma relação relativamente estável com Phil. Catherine Deneuve e Burt Reynolds apresentam uma química relativamente convincente, com o personagem interpretado por este último a começar a demonstrar gradualmente alguma insatisfação e incómodo em relação à profissão de Nicole, parecendo querer levar a relação para um nível mais sério. Deneuve incute algum mistério, pragmatismo e delicadeza a Nicole, enquanto Reynolds exibe uma faceta dura e a espaços descontraída a Phil. O quotidiano deste homem e Louis é marcado pelo caso que envolveu a estranha morte de Gloria Hollinger (Colleen Brennan). Esta foi encontrada morta, na praia, com os relatórios médicos a indicarem que Gloria consumira drogas mas também que continha sémen em quantidade excessiva em diversos orifícios. Louis considera o caso estranho, bem como a presença de uma fotografia na carteira da jovem em que a vítima se encontra acompanhada por Leo Sellers (Eddie Albert), um advogado que conta com uma agenda muito própria. Sellers também é cliente de Nicole, surgindo como uma figura poderosa e influente, quase intocável, algo que inicialmente conduz o protagonista a deixar de lado esta pista, embora Louis considere que existem questões básicas que deveriam ter sido efectuadas antes de se encerrar o caso.

Novo trailer de "Sisters"

 Foi divulgado um novo trailer de "Sisters" (Só Podiam Ser Irmãs). O filme é realizado por Jason Moore ("Pitch Perfect"), através do argumento de Paula Pell. "Sisters" conta no elenco com John Cena, James Brolin, Amy Poehler, Tina Fey, Maya Rudolph, John Leguizamo, Madison Davenport, entre outros.

O enredo de "Sisters" acompanha duas irmãs com cerca de trinta anos de idade que descobrem que a habitação dos pais, um local onde viveram durante a infância, foi colocada à venda. Estas decidem passar um fim de semana na casa, procurando organizar uma última festa no local, ao mesmo tempo que acabam por fortalecer laços, envolver-se em rixas e crescerem como seres humanos.

"Sisters" estreia a 18 de Dezembro de 2015 nos EUA. "Só Podiam Ser Irmãs" estreia em Portugal a 24 de Dezembro de 2015.

Novo trailer e clip de "The Danish Girl"

 Já se encontra online um novo trailer e um trecho de "The Danish Girl" (A Rapariga Dinamarquesa). O filme é realizado por Tom Hooper, através do argumento de Lucinda Coxon. "The Danish Girl" conta no elenco com Matthias Schoenaerts, Amber Heard, Eddie Redmayne, Alicia Vikander, entre outros. Redmayne interpreta Einar Wegener.

O argumento de "The Danish Girl" é baseado no livro homónimo de David Ebershoff. O livro foi publicado em Portugal com o título "A Rapariga Dinamarquesa" e tem a seguinte sinopse (via Wook): Inspirada na história verídica do pintor dinamarquês Einar Wegener e da sua esposa americana, A Rapariga Dinamarquesa traz-nos um retrato terno e comovente sobre um amor que desafia todos os limites. Tudo começa com um simples pedido. A modelo que Greta está a pintar cancelou a sessão agendada, na altura em que faltam apenas alguns pormenores para a conclusão do quadro. A pintora pergunta então ao marido se se importa de calçar umas meias e sapatos de senhora por alguns momentos, para ela poder finalizar os últimos detalhes. Este pequeno favor irá trazer consigo uma série de transformações à vida de Einar, que descobre em si uma identidade até então desconhecida. Com elas, começa uma das mais apaixonantes e invulgares histórias de amor do século XX.

"The Danish Girl" estreia a 27 de Novembro de 2015 nos EUA.



Trailer e poster de "The Boss"

  Já se encontram online o trailer e o poster da comédia "The Boss" (anteriormente "Michelle Darnell"). Poster via Coming Soon.

O filme é realizado por Ben Falcone, através do argumento do próprio, Melissa McCarthy e Steve Mallory. "The Boss" conta no elenco com Kristen Bell, Melissa McCarthy, Peter Dinklage, Kathy Bathes, Cecily Strong, entre outros.

O enredo de "The Boss" acompanha Michelle, uma empresária de sucesso que é detida devido à prática de inside trading. A protagonista procura limpar a sua imagem e regressar ao mundo dos negócios. No entanto, Michelle logo descobre que nem todos os elementos estão dispostos a perdoar os actos que cometeu no passado.

"The Boss" estreia a 8 de Abril de 2016 nos EUA.