A espaços parece que "Sisters" conta com uma duração excessiva para aquilo que tem para apresentar, com o argumento de Paula Pell a depender em demasia das dinâmicas entre Tina Fey e Amy Poehler para "agarrar" uma narrativa demasiado simples e previsível. Fey e Poehler são relativamente bem auxiliadas por um elenco secundário que consegue surpreender ou simplesmente exacerbar os trechos absurdos que marcam o enredo. Um desses personagens secundários que se destacam, para além dos citados, é Alex (Bobby Moynihan), um indivíduo solitário, que passa grande parte do seu tempo a efectuar piadas falhadas que, gradualmente, acabam por despertar o riso do espectador. Veja-se quando procura imitar Al Pacino em "Scarface", embora poucos consigam compreender o seu número, ou quando abusa do consumo de drogas na festa que decorre na casa das protagonistas. Diga-se que, tal como Amy Poehler e Tina Fey, também Bobby Moynihan conta com o selo "Saturday Night Live" no currículo, com o argumento a saber explorar a capacidade do elenco para os momentos de humor. Temos ainda figuras como Pazuzu (John Cena), um traficante de droga lacónico e musculado, que desperta a atenção de Kate, com John Cena a exibir alguma capacidade para a comédia. Kate é a irmã mais extrovertida e irresponsável, enquanto Maura parece ainda não ter ultrapassado o processo de divórcio. A chegada a Orlando promete colocar as duas irmãs a reflectirem sobre as suas vidas, a descobrirem alguns segredos e a explanarem as suas frustrações, com a organização da festa na casa dos seus pais a surgir como um evento que permite simultaneamente despedirem-se da habitação, exorcizarem algumas das desilusões e frustrações recentes e recuperarem a auto-estima. A preparação da festa conta com alguns trechos de humor que resultam praticamente na perfeição, algo notório quando encontramos Tina Fey e Amy Poehler a testarem roupas demasiado apertadas para os seus corpos, enquanto parecem atravessar uma crise típica dos quarenta e poucos anos de idade. As responsabilidades são distintas, os amigos mudaram de comportamento, enquanto Maura e Kate também vão ser obrigadas a repensar algumas das opções que tomaram para a vida, embora pareçam ter parado no tempo. Kate tarda em ganhar maturidade para perceber que tem de conseguir um emprego, adquirir ou alugar uma casa e tomar conta da filha. Maura apresenta inseguranças notórias que dificultam a sua capacidade para iniciar uma nova relação ou comunicar de forma fluída com outros seres humanos, algo latente quando se procura envolver com James. Este é um dos vários convidados da festa, bem como as amigas coreanas de Hae Won (Greta Lee), uma funcionária do salão de beleza local, para além de figuras como Alex e Dave, com o evento a contar até com penetras como Brinda. O evento conta inicialmente com um ambiente próximo de um velório, embora Maura e Kate consigam aquecer o mesmo, com a festa a sair completamente fora de controlo, enquanto ocorrem uma miríade de episódios que incluem consumo de álcool em excesso, drogas, muita música e destruição. Kate tinha combinado tomar conta dos acontecimentos da festa, algo que incluía não beber álcool, enquanto Maura estava autorizada a divertir-se e largar temporariamente a sua faceta mais responsável em relação à primeira, embora o evento descambe com facilidade, uma situação que promete colocar a integridade da casa em perigo.
A habitação é uma vivenda com uma piscina e uma dimensão assinalável, embora pareça ser pequena para o extravasar dos sentimentos da miríade de personagens que se reúne neste espaço, ou não estivéssemos diante de um conjunto de quarentões e quarentonas que não conseguem desfrutar de muitos momentos como aqueles que são proporcionados nesta festa. Kate tinha inicialmente a ideia de ir morar com os pais, com a decisão da venda da casa a mudar os seus planos. Por sua vez, Maura parece apresentar uma preocupação genuína em relação à irmã, algo latente quando pensa que Kate arranjou um emprego, embora a dupla ainda protagonize um ou outro momento mais tenso. Ambas parecem regressar aos tempos da adolescência, embora facilmente percebam que essa época já passou e as responsabilidades que contam no presente são muito maiores do que aquelas com que contavam no passado. "Sisters" aborda temáticas como o insucesso profissional (Kate) ou social (Maura), bem como o sentimento de nostalgia inerente às mudanças de casa (parece que todos os objectos ganham outro valor, mesmo quando não ligávamos aos mesmos) e a relação complicada entre uma mãe solteira e a sua filha (Kate e Haley), para além de explorar situações como a necessidade do ser humano encontrar um meio de se divertir e escapar aos problemas do dia a dia. O argumento explora estas temáticas de forma simples, encontrando-se longe de contar com uma enorme profundidade, ou subtileza, enquanto aproveita as dinâmicas entre Amy Poehler e Tina Fey, com ambas a exibirem um talento latente para o humor (seja na troca de diálogos ou nos momentos mais físicos), mesmo nas situações mais estapafúrdias ou inconsequentes. Não faltam piadas de cariz sexual, outras que usam e abusam da suposta infantilidade das protagonistas embora, no cômputo geral, os momentos de humor acabem por funcionar. Por vezes parece que existe algum improviso pelo meio, enquanto Amy Poehler e Tina Fey se divertem imenso e contagiam o espectador pelo caminho. Diga-se que as dinâmicas entre estas e alguns elementos do elenco secundário resultam. Veja-se o caso da relação peculiar entre Maura e James, duas figuras algo atrapalhadas que contaram com problemas no passado recente. Temos ainda James Brolin e Dianne Wiest como os pais das protagonistas, uma dupla que parece ter pouca paciência para aturar as infantilidades de Maura e Kate, embora procurem ajudar esta última a refazer a sua vida. A relação entre Kate e a filha não sai dos lugares comuns, com "Sisters" a não surpreender no seu desenvolvimento e desfecho (sempre muito previsível, com o argumento a falhar quando procura incutir alguma carga dramática), procurando acima de tudo jogar as suas fichas na faceta peculiar da dupla de protagonistas. Com uma dinâmica assinalável entre Amy Poehler e Tina Fey, um elenco secundário capaz de perceber aquilo que lhe é pedido e sobressair em alguns momentos, "Sisters" está longe de ser uma comédia marcante, embora proporcione alguns risos e doses consideráveis de escapismo. Não chega para Jason Moore criar um filme memorável, bem pelo contrário, mas é o suficiente para contarmos com cerca de duas horas bem agradáveis, enquanto desfrutamos do talento de humoristas como Tina Fey e Amy Poehler.
Título original: "Sisters".
Título em Portugal: "Só Podiam Ser Irmãs".
Realizador: Jason Moore.
Argumento: Paula Pell.
Elenco: Tina Fey, Amy Poehler, John Leguizamo, James Brolin, Maya Rudolph, Bobby Moynihan, Dianne Wiest, Ike Barinholtz, John Cena.



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