30 junho 2015

Resenha Crítica: "L'homme qu'on aimait trop" (O Homem Demasiado Amado)

 André Techiné anda aos solavancos em "O Homem Demasiado Amado", deambulando entre géneros, por vezes sem estabelecer a tensão que seria expectável numa narrativa com traços de drama familiar e passional, thriller e filme de tribunal, surgindo ainda pelo meio traições, disputas de poder pelo controlo de um casino à beira da falência e a intromissão de elementos mafiosos, parecendo que o cineasta não tem engenho para controlar os ritmos deste enredo ambicioso ou pelo menos sustentar de forma orgânica as dinâmicas distintas de uma obra cinematográfica que, apesar de algumas das limitações na exposição e desenvolvimento que lhe possamos apontar, nem por isso deixa de se exibir como um trabalho digno de algum interesse e a espaços capaz de conter uma elevada carga dramática. Ter intérpretes como Catherine Deneuve, Adèle Haenel e Guillaume Canet ajuda imenso a tarefa a qualquer cineasta, uma situação comprovada pelo experiente André Téchiné, que conta ainda com todo um cuidado a nível da cinematografia e decoração dos cenários nesta obra cinematográfica inspirada no livro de memórias "Une femme face à la mafia" de Jean-Charles e Renée Le Roux, que teve como base o caso verídico do misterioso desaparecimento de Agnès Le Roux. "L'Homme qu'on aimait trop" procura explorar os acontecimentos que antecederam este desaparecimento, aventurando-se pelos bastidores das disputas pelo controlo do casino Palais de la Méditerranée, um estabelecimento que pertencera ao falecido marido de Renée Le Roux (Catherine Deneuve). Esta procura manter o controlo do casino, tendo o apoio de Maurice Agnelet (Guillaume Canet), um advogado misterioso, que parece ter um enorme poder e influência junto da personagem interpretada por Catherine Deneuve, ou pelo menos é isso que este indivíduo ambicioso pensa. Renée é a maior accionista e membro do Conselho de Administração, sendo vice-presidente e relações públicas do Palais, um casino luxuoso, decorado de forma requintada, situado na Côte d'Azur, um local marcado pela presença de praias belíssimas e um vasto conjunto de habitantes financeiramente abonados, incluindo Fratoni (Jean Corso), um italiano ligado à máfia que pretende adquirir este espaço dedicado ao jogo para posteriormente declarar bancarrota e vender o terreno para um empreendimento de condomínios de luxo. Catherine Deneuve, um dos nomes maiores da História do Cinema francês, contribui para conceder uma enorme credibilidade a Renée, uma mulher que procura zelar pelos interesses do Palais, com convicções fortes apesar de em alguns momentos ser influenciada, tendo uma relação complicada e algo conflituosa com Agnès (Adèle Haenel), a sua filha. Agnès deverá estar perto dos trinta anos ou a caminhar para tal idade, encontrando-se a tratar do processo de divórcio do esposo (uma figura que apenas encontramos numa fotografia pertencente à personagem interpretada por Adèle Haenel), sendo recebida em Nice por Maurice, tendo regressado de um país em África, onde se encontrava a viver. Inicialmente esta parece pouco impressionada por este homem que provoca um estranho efeito sobre as mulheres, com Guillaume Canet a explorar o lado persuasivo e manipulador do personagem que interpreta, embora Maurice muitas das vezes nem tenha de fazer grande esforço para conseguir os seus intentos.

 Agnès procura receber aquilo que lhe é de direito da sua herança, em particular o valor da parte das suas acções do Palais, uma situação que inicialmente é negada por Renée, com esta a procurar sensibilizar a filha para o delicado estado das finanças do casino. Diga-se que as reservas de Renée derivam da procura de ser a própria a adquirir estas acções, tendo em vista a permanecer no controlo do casino, um espaço que considera fazer parte da sua vida, embora não tenha divisas suficientes para satisfazer os anseios da filha. No entanto, Renée concede uma quantia para Agnès abrir uma pequena livraria em Nice que reúne ainda no seu interior tecidos oriundos de países asiáticos e artefactos de proveniência do continente africano, com esta jovem aos poucos a formar uma ligação de amizade com Maurice, algo que se vai traduzir em momentos sexualmente mais calorosos mas também numa relação que gradualmente ganha uma faceta doentia, com a personagem interpretada por Adèle Haenel a entrar numa espiral descendente ao aperceber-se que o seu amor não é correspondido de igual maneira, acabando em alguns momentos por ser manipulada pelo advogado. Maurice é um elemento que domina a oratória, sagaz, perspicaz e inteligente, que prefere locomover-se de mota ao invés de utilizar um carro, com Guillaume Canet a expor de forma competente um certo distanciamento emocional por parte deste personagem, algo que de forma amiúde faz com que raramente desperte a nossa simpatia. Este é um homem divorciado, tendo um filho e um caso com Françoise (Judith Chemla), uma mulher que procura desde logo avisar Agnès para a personalidade mulherenga de Maurice, embora a personagem interpretada por Adèle Haenel não pareça levar totalmente a sério os indicadores que a deveriam conduzir a desconfiar do advogado. Nos momentos iniciais, Agnès demonstra alguma confiança de que Maurice não a vai atrair, mas aos poucos começa a sentir um enorme desejo pelo advogado, com a relação entre ambos a ser desenvolvida com acerto. É este que a recebe no aeroporto, mas também que encontra o apartamento onde a mesma vai morar, com ambos a partilharem alguns momentos de intimidade, quer na loja onde Agnès dá um livro da "Odisseia" para Maurice ler ao filho, quer na habitação da protagonista, onde esta dança uma música africana, num momento em que parece libertar o seu corpo e sentimentos. A dança africana, solta de movimentos, contrasta com a rigidez do ballet que esta era obrigada a praticar durante a infância, com Agnès a exibir sempre algumas mostras de distanciamento em relação ao estilo de vida que Renée procura e procurava impor-lhe. Esta deixa-se ainda apaixonar por este indivíduo que sabe jogar com a relação problemática de Agnès com a progenitora, embora a própria mantenha desde o início o desejo de vender as acções, acabando por aceitar uma verba correspondente às mesmas e, por conseguinte, derrubar a mãe do poder. Maurice é um indivíduo calculista e ponderado, que procura gravar todas as conversas que mantém ao telefone, dominando as leis embora não tenha grandes problemas em transgredir as mesmas ou pelo menos apresentar uma imoralidade inerente à sua procura de ascensão social. O personagem interpretado por Guillaume Canet procura inicialmente que Renée assuma a presidência do Palais após a demissão de Maurice Guérin (Pascal Mercier), uma situação que foi despoletada por um conjunto de clientes ter conseguido ganhar cinco milhões de francos em pouco tempo no casino, com Maurice a colocar em causa o trabalho do anterior líder do local. Renée é eleita, em parte devido a Maurice encontrar uma brecha nos estatutos, embora esta logo estrague os planos de ascensão deste homem com ligações perigosas a elementos como Fratoni. Dá-se a ruptura entre ambos, com Maurice a utilizar Agnès para conseguir retirar Renée do poder, iniciando com esta jovem uma relação que promete ter resultados desastrosos para a personagem interpretada por Adèle Haenel, uma situação que esta deveria ter previsto já que o advogado deixa quase sempre claro que não se pretende comprometer de forma séria. Esta é um espírito livre, irreverente, problemática e algo ingénua, que se parece deixar levar muitas das vezes pelas emoções, tendo no acto de nadar, seja na piscina ou na praia, um meio de escapismo, com a actriz, um enorme talento que cada vez mais se confirma, a conseguir expressar com enorme facilidade os diferentes estados de espírito desta jovem complexa. Haenel consegue mesclar uma certa estranheza e frieza de Agnès com uma fragilidade e calor humano como poucas actrizes, algo já demonstrado no magnífico "Les Combattants", com a francesa a deixar cada vez mais a ideia de que, se não se perder num mar de más escolhas, e digamos que "L'Homme qu'on aimait trop" não é de uma grande colheita ao ficar muitas das vezes na mediania, é um nome que vai deixar marca no cinema. No caso de "O Homem Demasiado Amado", Adèle Haenel contracena com um dos "monstros sagrados" do Cinema Francês, Catherine Deneuve, com ambas a explorarem a relação complicada e conturbada entre esta mãe e filha, algo paradigmaticamente demonstrado quando Renée vota contra a progenitora numa reunião da administração, naquele que é um dos vários jogos de poder que decorrem ao longo do enredo.

Os momentos iniciais servem desde logo para estabelecer algumas divergências e maneiras de pensar entre mãe e filha, com o guarda-roupa a ser fundamental para a tarefa: Renée utiliza inicialmente cores mais vistosas e roupas mais caras e femininas, pretendendo que a filha conclua os estudos universitários e se vista de forma mais vivaz; Agnès veste-se de tonalidades escuras, pretende trabalhar por conta própria e procura vender as suas acções do casino, um local que pouco aprecia, com as diferenças entre ambas a serem latentes embora mãe e filha contem com as suas excentricidades. Agnès inicia um relacionamento "venenoso" com Maurice, a ponto de começar a gerar alguma obsessão pelo mesmo e a perder algum do seu amor próprio, apesar de alguns dos episódios que protagoniza parecerem também inerentes ao seu carácter. Inicialmente esta até parece apresentar um domínio sobre este homem, quer na forma como se desvia da rota para ir dar um mergulho na praia antes de ir ter com a mãe, quer quando lhe retira um cigarro da mão, embora aos poucos os jogos de poder pareçam inverter-se. A dinâmica entre Guillaume Canet e Adèle Haenel é convincente, quer na fase de maior aproximação entre os personagens que interpretam, com André Téchiné a deixar que a mesma se desenvolva de forma natural, quer nos momentos mais negativos e emocionalmente arrasadores, com a dupla a sobressair num filme que tem no seu elenco principal um dos seus baluartes fundamentais. O relacionamento entre Maurice e Agnès surge um pouco como aquela que geramos com "O Homem Demasiado Amado", ou seja, queremos sempre mais gostar daquilo que nos é oferecido, do que aquilo que o filme tem para retribuir. É certo que as interpretações de Adèle Haenel, Catherine Deneuve e Guillaume Canet elevam este filme, mas existe por vezes a sensação que André Téchiné apresenta demasiada ambição em abordar um conjunto excessivo de episódios que nem sempre são explorados de forma conclusiva, algo notório no último terço, quando o filme avança no tempo e tem o tribunal como cenário primordial, com as peripécias intrincadas do processo a surgirem resumidas ao máximo, embora Catherine Deneuve tenha mais uma vez espaço para brilhar. Deneuve é uma presença forte que transmite o seu carisma para a personagem que interpreta, com Renée a procurar manter aquilo que considera ser a sua propriedade, envolvendo-se numa disputa de poderes que a vai colocar a embater de frente com antigos aliados, com a filha e até com a máfia. O enredo começa em 1976, passa para 1977 e avança mais de trinta anos, com "L'Homme qu'on aimait trop" a procurar explorar alguma das peripécias deste caso que envolveu o desaparecimento da personagem interpretada por Adèle Haenel, sempre com o foco nos relacionamento entre Renée, Maurice e Agnès. A relação inicial de Renée e Maurice parece ser de total confiança, ao ponto de ficar a ideia de que poderá existir algo mais do que um envolvimento profissional, embora a personagem interpretada por Catherine Deneuve revele uma firmeza que vai chocar com a ambição do advogado e conselheiro, com este a procurar um papel preponderante e sair "das sombras", um desejo que esta mulher não parece estar disposta a conceder. Esta situação conduz Maurice a utilizar Agnès como um peão do seu jogo para retirar o poder a Renée, ao mesmo tempo que assistimos a Fratoni a procurar imiscuir-se nas sombras. As disputas e relacionamentos entre estes três personagens são fulcrais ao longo do enredo, com Téchiné a procurar não só abordar estas relações mas também a "guerra" pelo poder, algo salientado no press kit: "This is a war film. But on a human level. I was determined not to remove the events that drive the plot. I wanted to show the process of a takeover of power, the methods used to bring down a casino, the workings of a business in this very shady environment with all the elements of cruelty and servitude". Diga-se que começamos como uma obra onde existem disputas de poder no interior de um casino, passamos a ter pelo meio o drama familiar (entre Renée e Agnès) e passional (entre Maurice e Agnès), são inseridas algumas subtramas e personagens secundários de pouco relevo ou unidimensionais, até tudo desembocar numa procura de Renée em defender a memória da filha em tribunal.

A câmara de filmar capta os acontecimentos e os movimentos dos personagens com um olhar atento, com "L'Homme qu'on aimait trop" a ser dotado de diversos planos de longa duração, bem elaborados, para além de todo um cuidado no guarda roupa e caracterização (existe ainda uma procura em respeitar o tom das épocas representadas). Veja-se a personagem interpretada por Catherine Deneuve, quase sempre pomposa e vestida de forma cuidada, até surgir em tribunal de roupas escuras, discreta, com uma dor latente no seu rosto, um cansaço pelo caso da filha ainda não ter sido resolvido mas uma força para descobrir a verdade que a tornam numa protagonista que sobressai com facilidade. O filme é baseado num caso real, embora com algumas liberdades, para além de ser preciso salientar que Jean-Charles Le Roux, o filho de Renée na vida real, é um dos argumentistas, ao lado de Cédric Anger e André Téchiné. Diga-se que a participação de Cédric Anger insere-se neste contexto, com André Techiné a comentar: "I started out writing the screenplay with Jean-Charles Le Roux, who had all the facts to hand. We wrote a treatment, outlining a detailed sequence of events to give the film a clear structure. Jean-Charles Le Roux was involved alongside his mother in the struggle to get Maurice Agnelet convicted. He was convinced that Agnelet had murdered Agnes. I made it clear to Le Roux that I was not going to make a film that incriminated Agnelet. This remained a very sensitive issue during our time spent working together. Then I worked with the filmmaker Cedric Anger on a second version of the film to help flesh out the scenes". O argumento por vezes perde-se na procura em abordar uma miríade de situações ligadas ao trio de protagonistas, ao mesmo tempo que nos deixa perante as disputas de poder de um conjunto de personagens com algum estatuto social. Renée procura manter a sua posição no topo e o seu casino. Agnès é a herdeira irreverente, com uma educação aparentemente rígida como pode indicar a foto desta vestida de bailarina, algo que contrasta no presente com a sua personalidade errática que promete trazer estragos, com o seu desaparecimento a ser um mistério quer na ficção, quer na vida real. Maurice procura o dinheiro e o estatuto que a sua profissão por si só não consegue trazer. A relação de Maurice com o filho pouco é explorada, tal como a sua ligação com Fratoni poderia e deveria ser mais desenvolvida, ou melhor, pelo menos o mafioso poderia evoluir um pouco mais na narrativa ao invés de surgir praticamente como o estereótipo do criminoso sem escrúpulos. A própria demora em exibir este personagem, sem criar grande tensão em sua volta, apesar de um ou outro evento que coloca a vida de Renée em perigo, algo que esta expõe numa conferência de imprensa onde exibe as ligações do mafioso nos negócios de tráfico de dinheiro através dos casinos da Côte d'Azur, demonstra a dificuldade do filme em saber aquilo que pretende ser, bem como algumas das dificuldades de André Téchiné em criar tensão em volta de alguns acontecimentos. Coloca Renée aparentemente em perigo mas nunca sentimos insegurança em relação ao seu futuro, para além de existir um conjunto de cortes abruptos entre sequências que muitas das vezes não ligam. Veja-se quando temos Agnès a efectuar uma dança africana num momento de alguma irreverência, loucura e sensualidade, com André Téchiné a cortar abruptamente o momento e lançar-se logo de seguida para o aniversário de Renée. Temos ainda personagens como Françoise, uma das amantes de Maurice, que pouco são desenvolvidas ao longo da narrativa, com André Téchiné a parecer focar-se sobretudo no trio de personagens principais. Não deixa de ser um interessante retrato de uma disputa intensa pelo poder, com o espaço do casino a ser representado com um cuidado digno de atenção, algo que vai desde os caros cortinados, passando pelos seus quadros e valioso mobiliário, ao mesmo tempo que sobressai a forma como muitas das vezes os figurantes são articulados no interior do cenário. Veja-se logo nos momentos iniciais quando encontramos Maurice a falar com Renée, com este a dar a notícia da chegada de Agnès: a câmara centra-se nestes personagens mas, em pano de fundo, encontramos quer os funcionários a trabalharem, quer os clientes a falarem, parecendo estarmos mesmo diante de um casino em funcionamento, com André Téchiné a exibir pequenos pormenores de classe num filme que não sai da mediania.

Temos ainda os tensos momentos das reuniões do conselho de administração, numa sala onde muitas das vezes as emoções fervilham, com a cinematografia a adensar esta inquietação, algo notório quando Renée assume o poder, com a câmara de filmar a deambular perante os rostos que se encontram em volta de uma mesa onde são tomadas muitas decisões. Os cenários interiores são aproveitados, bem como em alguns momentos os espaços exteriores, tais como as praias, com estas a surgirem como locais para Agnès nadar e libertar-se das amarras das quais se quer ver solta, com esta a parecer procurar alguma distância do casino, pelo menos até Maurice a envolver nas negociatas do mesmo, embora esta desde cedo tenha exposto a sua vontade em vender as acções que lhe pertenciam. Agnès é um mistério. Procura ser independente mas logo se demonstra dependente de Maurice a ponto de pretender deixar o mesmo com uma solidez financeira que o livre dos estigmas que o próprio criou sobre si, tal como exibe um conjunto de comportamentos que variam entre o irreverente e o doentio. Não parece habituada a lidar com a rejeição, algo que encontra em Maurice, com este homem a parecer, pelo menos inicialmente, demonstrar algum interesse em Agnès apesar de não a amar de forma efusiva. Este é um homem demasiado querido pelas mulheres, embora esteja longe de ser uma figura confiável, com André Téchiné a saber explorar a ambiguidade deste personagem. No entanto, falta mais mistério e tensão em relação ao desaparecimento de Agnès, com Téchiné a introduzir mais um corte abrupto e aparentemente apressado ao colocar-nos diante do julgamento de Maurice, retirando alguma emoção a um momento que deveria ser fervilhante (o abrupto avanço no tempo não ajuda). Ambicioso do ponto de vista narrativo e pontuado por interpretações com alguma classe de Catherine Deneuve, Adèle Haenel e Guillaume Canet, "L'Homme qu'on aimait trop" nem sempre traduz de forma prática as aspirações de André Téchiné, embora nem por isso seja algo de se deitar fora, bem pelo contrário.

Título em Portugal: "O Homem Demasiado Amado".
Título original:"L'homme qu'on aimait trop".
Realizador: André Téchiné.
Argumento: Cédric Anger, Jean-Charles Le Roux, André Téchiné.
Elenco: Catherine Deneuve, Guillaume Canet, Adèle Haenel, Judith Chemla, Jean Corso.

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