27 maio 2015

Estreias da semana - 28 de Maio de 2015

Boa tarde, caros leitores, e bem-vindos a mais um post das estreias.

A partir de amanhã, dia 28 de Maio, estreiam nove filmes nas salas de cinema portuguesas, alguns mais recomendáveis do que outros, e que passarei a distinguir, numa primeira fase, pelo seu género e nacionalidade.

Assim, no que toca ao cinema europeu, temos o húngaro-sueco-alemão "Deus Branco", premiado no Festival de Cannes do ano passado; a comédia francesa "Há Sempre Uma Primeira Vez" e três obras portuguesas: os documentários "Fora da Vida" e "O Indispensável Treino de Vagueza" e o drama "Crime", que pretende adaptar ao cinema a história do assassinato de Carlos Castro.

Chegam-nos ainda dois filmes de ação e aventura, em concreto "Tomorrowland: Terra do Amanhã", espanhol e norte-americano, e "Big Game - Instinto Caçador", uma produção britânica, finlandesa e alemã.

Dos Estados Unidos teremos também o filme de terror "Poltergeist", e de bem longe, da França e da Mauritânia, o drama "Timbuktu".

De todo este conjunto de obras o que mais destaque merece, por agora, da nossa parte, é o drama "Deus Branco", que o Aníbal já viu e apreciou, tendo-lhe mesmo escrito uma crítica que termina da seguinte maneira: «Temos ainda a história de Lili e o progenitor, com "White God" a nunca descurar a sua faceta de drama humano, entre um pai e a sua filha, mas também de uma jovem que se encontra quase na adolescência para não dizer que já chegou mesmo a essa fase da sua vida. Esta tem no professor um indivíduo duro e inflexível, que por vezes procura hostilizar, um elemento que procura ter todos os artistas da banda a funcionarem na perfeição a tempo de um espectáculo que vai reunir diversos espectadores. A utilização da música diegética e não diegética (na maioria música clássica) é sublime ao longo do filme, embora o momento do espectáculo nunca atinja o poder das cenas finais de "White God". Os momentos finais são belíssimos, com tudo a parecer funcionar. A música, a disposição dos personagens no espaço, os sentimentos que despertam, com Kornél Mundruczó a ter um momento de enorme inspiração, numa obra cinematográfica intensa, inteligente e sublime, executada com uma precisão assinalável não deixando por má entregue a dedicatória inicial a Miklós Jancsó.»

O filme foi realizado e escrito por Kornél Mundruczó.

Zsófia Psotta, Sándor Zsótér, Lili Horváth e Szabolcs Thuróczy fazem parte do seu elenco.

Sinopse: Um conto premonitório sobre as relações entre uma espécie superior e o seu inferior caído em desgraça. Banido e traído, "o melhor amigo do homem" revolta-se contra o seu antigo mestre.

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Faço agora questão de realçar a estreia de "Timbuktu", que eu próprio já visionei e apreciei, achando-o um filme competente, e tendo-lhe escrito uma crítica da qual passo a transcrever um excerto: «Aliás, as ideias que eles transmitem não são particularmente novas ou originais – que os jihadistas são pessoas com ideias próprias e sentimentos já o ficáramos a saber em obras como “Paradise Now” ou “Esclavo de Dios”, e que uma ocupação pela via da força, por intermédio de um movimento armado, está destinada a destruir a paz e a democracia da sociedade nativa, penso que também não é segredo para ninguém. Assim sendo, a capacidade do filme em interessar este espetador acabou por residir acima de tudo no drama dos protagonistas que, apesar da simplicidade da sua conceção, é ainda assim envolvente, a espaços emocionante, e protagonizado por atores competentes. E se tal não me parece justificar o verdadeiro frenesi que foi suscitado no último ano à sua volta, é, não obstante, o suficiente para manter qualquer cinéfilo interessado numa história durante a sua hora e meia de duração, fazendo-o, com sorte, querer aprender algumas coisas sobre o que se tem andado a passar nas profundezas da África Ocidental.» 

O filme foi realizado por Abderrahmane Sissako, a partir de um argumento escrito pelo próprio e por Kessen Tall.

O elenco do filme é composto por Ibrahim Ahmed, Abel Jafri, Toulou Kiki, Layla Walet Mohamed, Mehdi A.G. Mohamed, entre outros.

Sinopse: Não muito longe de Timbuktu, agora governada por fundamentalistas religiosos, Kidane vive no deserto com a mulher Satima, a filha Toya e Issan, o pastor de doze anos. Na cidade, as pessoas sofrem com o regime de terror imposto pelos fundamentalistas. A música, o riso, os cigarros e o futebol foram banidos. As mulheres tornam-se sombras mas resistem com dignidade. Todos os dias, os tribunais improvisados decretam leis e sentenças absurdas e trágicas. Kidane e a família têm sido poupados ao caos que reina em Timbuktu. Mas o seu destino muda quando Kidane mata acidentalmente Amadou, o pescador que matou GPS, a vaca preferida da sua manada. Kidane terá então de enfrentar as leis dos ocupantes fundamentalistas.

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Em seguida destaque-se a estreia de "Tomorrowland - Terra do Amanhã", um filme da Disney que pode ter tido George Clooney e Hugh Laurie no elenco mas que, porém, não convenceu os críticos estrangeiros, e consta que o público também não tenha ficado muito impressionado.

O filme foi realizado por Brad Bird ("Mission: Impossible - Ghost Protocol"), através do argumento de Damon Lindelof ("Prometheus") e Jeff Jensen.

"Tomorrowland" conta no elenco com Britt Robertson ("Under the Dome"), Raffey Cassidy ("Snow White and the Huntsman"), Hugh Laurie ("House"), George Clooney ("The Descendants"), entre outros.

Sinopse: Ligados por um destino comum, Frank, um antigo menino prodígio, agora cansado de desilusões, e Casey, uma adolescente otimista e brilhante, cheia de curiosidade científica, embarcam numa missão perigosa para descobrir os segredos de um enigmático local, num tempo e lugar conhecidos como “Tomorrowland”. O que eles vão fazer vai mudar o mundo, e a eles, para sempre.

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Realço agora duas obras da década de 60 do século passado que vão começar a ser exibidas no Espaço Nimas, em concreto "Sou Curiosa" (1967) e "Continuo a Ser Curiosa" (1968), ambas realizadas pelo sueco Vilgot Sjöman.

Passo a transcrever parte da informação presente no site da Leopardo Filmes sobre os mesmos, pois a informação parece ser relevante:

«Objecto de enorme polémica na altura, SOU CURIOSA (1967) é um importante documento para caracterizar a sociedade sueca durante a década de 60, um período marcado pela revolução sexual no país. Enquanto está a fazer um filme, a jovem Lena (interpretada por Lena Nyman), mantém uma relação com o realizador do seu filme, Vilgot Sjöman, que se interpreta a si próprio. Lena é uma jovem activista, constantemente à procura de novas experiências e descobertas. Nesta busca incessante, Lena inicia um processo de descoberta sexual e de compreensão das questões políticas e sociais da Suécia na época.

Quando foi lançado, SOU CURIOSA foi objecto de grande controvérsia e chegou mesmo a ser proibido na Noruega. Nos Estados Unidos, o filme foi alvo de uma acesa batalha judicial, objecto de censura e proibido em várias cidades.

CONTINUO A SER CURIOSA vem complementar SOU CURIOSA, mantendo as mesmas personagens e actores, assim como o confronto com assuntos relacionados com religião, sexualidade e o sistema prisional, ao mesmo tempo que Lena, a personagem principal, explora as suas próprias relações pessoais.»

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