19 dezembro 2014

Resenha Crítica: "Birdman"

 Elogio e reflexão sobre a arte cinematográfica e teatral, "Birdman" transporta-nos para os bastidores e interior de uma peça de teatro, explora com uma vivacidade e mordacidade magníficas o trabalho do actor e supera toda e qualquer expectativa que pensamos ter sobre o filme, com Alejandro González Iñárritu a realizar aquela que é uma das grandes estreias de 2015 (em Portugal). Não gosto de utilizar o termo obra-prima para filmes acabados de estrear. No entanto, o tempo passa e "Birdman" cada vez mais me faz pensar nos momentos de enorme brilhantismo que nos proporciona. A começar pelos seus magníficos planos-sequência, prontos a dar a ideia de que acompanhamos os episódios da narrativa em tempo real, enquanto assistimos aos conturbados bastidores de uma peça de teatro, sempre com um misto de realismo, fantasia, humor negro e loucura, onde os egos dos actores flutuam com uma enorme facilidade. Alejandro González Iñárritu contribui para que Michael Keaton e Edward Norton voltem finalmente a ter a oportunidade de explanarem o seu talento, ao mesmo tempo que nos deixa perante uma surpreendente Emma Stone, já para não falar numa sempre assertiva Naomi Watts e um contido Zach Galifianakis. É um filme de grandes interpretações e magníficos momentos, onde um actor desacreditado que apenas é conhecido por ter interpretado o super-herói Birdman em três filmes procura finalmente ganhar o respeito do público e da crítica. O último filme de Birdman que protagonizou foi em 1994, mas o público continua a recordar-se desses trabalhos, apesar de já se terem passado mais de vinte anos, confundindo-o e associando-o ao mesmo. Este actor é Riggan Thomson (Michael Keaton), um indivíduo divorciado, que conta com Sam (Stone), a sua filha, uma ex-toxicodependente, como assistente, investindo todo o seu dinheiro e empenho numa peça de teatro baseada na obra "What We Talk About When We Talk About Love" de Raymond Carver. A escolha desta obra é simples: Carver elogiara o actor no início da carreira deste, com o personagem interpretado por Michael Keaton a procurar provar o seu valor na Broadway, embora quase todos o vejam apenas como uma vedeta que utiliza o seu nome para chegar ao topo da Meca do teatro. Riggan espera finalmente livrar-se da imagem de Birdman, embora este personagem o continue a afectar, com o protagonista a ter visões e comunicar com o mesmo, enquanto o super-herói surge de forma física no ecrã. Birdman surge quase como uma consciência destravada de Riggan, expondo os seus falhanços, exibindo o que poderia ter alcançado se tivesse feito mais filmes do super-herói, ao mesmo tempo que o incita a regressar salientando que os sessenta anos são os novos trinta, ao mesmo tempo que expõe o facto do grande público pretender é obras deste género. Iñarritu expõe aqui o seu comentário sobre a arte, estabelecendo a dicotomia entre os blockbusters que dão popularidade aos actores com as obras que lhes dão prestígio e permitem explanar o seu talento. Alexander Dilenaris, um dos argumentistas, reforçou essa crítica aos filmes de super-heróis ao Deadline: "Those movies are so black and white. Whatever side of it you are on, Gaza is grey. Abortion is grey, and so is the death penalty. You can have a side and think that side is right, but the problem is when, whatever side you take, you’re either right or wrong. These movies tend to be myopic in their view of, this is right, this is wrong, the hero does this and the bad guys…it all comes down the manufacturing line and you know what is going to happen". No caso, "Birdman" parece fazer a defesa da originalidade criativa, da fruição artística que permite aos actores sobressaírem nesta obra cinematográfica onde não falta um gag hilariante sobre os profissionais a contratar para a peça. Quando Ralph (Jeremy Shamos), um actor incompetente, se lesiona devido a um holofote lhe ter caído em cima (um acidente provocado pelo protagonista), Riggan pensa em vários actores mas nenhum está disponível: Michael Fassbender está comprometido com os X-Men; Jeremy Renner com a saga "The Avengers", enquanto na TV o trabalho de Robert Downey Jr. como Iron Man é realçado com pompa e circunstância. Ou seja, temos actores de talento comprometidos a longo prazo com grandes franchises que lhes dão dinheiro e popularidade mas coartam as possibilidades de integrarem outro tipo de trabalhos como... "Birdman".

 O substituto de Ralph é Mike (Norton), um actor problemático, conhecido por viver de forma bem real os seus papéis, tendo interpretações muito próprias sobre os mesmos, ou seja, Edward Norton está a interpretar uma versão exagerada (ou talvez não) de si próprio. Diga-se que Michael Keaton e Edward Norton parecem ter muito em comum com os personagens que interpretam, preparando-se para um hilariante e por vezes tenso duelo de egos. Michael Keaton foi durante muito tempo conhecido por ter interpretado Batman, tendo entretanto caído no esquecimento, enquanto Norton tem a fama de incontrolável, uma situação que explica a sua vida curta como Hulk no grande ecrã. Em "Birdman", Iñarritu faz algo de maravilhoso para qualquer cinéfilo que aprecie o talento dos dois actores: deixa-os exporem o seu talento e criatividade, enquanto estes se entregam de corpo e alma aos personagens. Edward Norton como um actor que se está aparentemente a lixar para o que pensam de si, que diz o que pensa e faz o que lhe apetece. Ora elogia o traseiro de Sam, ora procura ter sexo a sério na peça de teatro, ora aparece de cuecas com uma erecção a abordar as suas falas para espanto do público e dos colegas, ora quer beber gin a sério durante a interpretação. Mike é aparentemente incontrolável no palco e na vida, embora demonstre as suas fragilidades quando não tem um argumento para seguir. Isso não o impede de procurar ter o destaque da peça, roubando a história de Riggan sobre os motivos para participar no espectáculo, aproveitando-se do seu estatuto mais credível junto da crítica especializada e do público. Este considera os filmes de super-heróis de "genocídio cultural", algo que serve para mandar "uma facadinha" no protagonista, naquela que é uma ideia partilhada por Iñarritu em entrevista ao Deadline: "They have been poison, this cultural genocide, because the audience is so overexposed to plot and explosions and shit that doesn’t mean nothing about the experience of being human". Os momentos que Mike partilha com Sam no terraço a jogar verdade ou consequência são exemplo de alguma da sua humanidade e irreverência, com ambos a terem um pequeno affair após Lesley (Watts) ter abandonado o actor devido à célebre tentativa deste ter sexo em palco consigo para tornar tudo mais real. Lesley sempre sonhou chegar à Broadway, procurando fazer de tudo para ser bem sucedida nesta iniciativa, não escondendo os seus nervos nos bastidores. Naomi Watts aparece competente como esta mulher algo insegura que finalmente cumpre o seu sonho de criança mas teme falhar, recomendando Mike, embora saiba que o seu feitio irascível pode arrasar a peça. A completar o quarteto principal da peça encontra-se Andrea Riseborough como Laura, a namorada de Riggan na vida real, que surge em cena num momento mais místico do espectáculo teatral. Aos poucos assistimos aos ensaios e às desastrosas pré-estreias da peça mas também ao ambiente que a envolve. Um pouco como em "Opening Night" de John Cassavetes, assistimos não só aos bastidores da peça mas também à representação junto do público e a forma como este trabalho afecta os actores e actrizes. Diga-se que Inãrritu recupera também algo de Alain Resnais de reunir teatro e cinema, mas também do recente "Clouds of Sils Maria" de Oliver Assayas. Tal como em "Clouds of Sils Maria", uma das grandes forças de "Birdman" é a qualidade dos seus diálogos e a capacidade de colocar um número restrito de actores a conversarem entre si, proporcionando momentos que permitem explorar as personalidades dos personagens que interpretam e deixar-nos diante de alguns momentos memoráveis. Veja-se quando Edward Norton e Michael Keaton estão juntos, com o primeiro a desprezar o trabalho do segundo em Hollywood, apresentando um ego enorme e uma capacidade única para desvalorizar o protagonista, com ambos a irritarem-se muitas das vezes, algo que proporciona momentos que variam entre o hilariante e o intenso, tais como Riggan a combater Mike, enquanto este último se encontra apenas de cuecas. Riggan encena, escreve o argumento e protagoniza a peça mas não parece ter a mão em Mike, tendo ainda inicialmente de lidar com a possível gravidez de Laura, uma mulher algo frágil que protagoniza um momento surpreendente com Lesley, uma colega com quem confidencia em alguns momentos.

 Temos ainda os momentos em que Michael Keaton se encontra com Emma Stone, com a dupla a interpretar pai e filha. Riggan tem noção que foi um pai ausente, enquanto Sam ressente-se disso. Os dois nem sempre vivem momentos pacíficos embora gostem um do outro, partilhando a mesma personalidade difícil. Sam tem uma personalidade mordaz, sempre pronta a utilizar o sarcasmo, interessando-se por Mike, com ambos a parecerem ter em comum o facto de se estarem a lixar para a opinião dos outros. Veja-se os momentos em que passam no terraço, onde não falta tanto o romantismo de um beijo trocado como o hilariante escarro de Sam num careca que se encontra a passar na rua. "Birdman" é também um filme marcado por muito humor, sobretudo negro e de situação. Veja-se os momentos da pré-estreia em que Mike resolve beber mesmo gin a sério para assumir o espírito do personagem, a luta entre este e o protagonista, mas também quando Riggan fica com o roupão preso na porta das traseiras do teatro quando se preparava para fumar e é obrigado a dar a volta ao mesmo de cuecas. Escusado será dizer que Riggan é filmado por um conjunto de pessoas, algo que se torna viral nas redes sociais e gera um enorme burburinho em volta do seu nome, com este a voltar a ser falado ainda que pelas razões não pretendidas. É o tipo de publicidade que este procura evitar, já que tenta acima de tudo ganhar o reconhecimento do público e da crítica em relação ao seu talento e não à sua popularidade, daí a sua aposta na peça de teatro. No teatro encontra toda uma realidade recheada de dificuldades e condições que tinha nos seus tempos de vedeta de blockbuster. O seu camarim é desorganizado e pouco aprazível, ou, como salienta Birdman, "cheira a testículos", ter mão nos actores e actrizes é tarefa assaz difícil, para além de contar com as reticências da imprensa especializada, incluindo Tabitha Dickinson (Lindsay Duncan), uma influente crítica de teatro que, um dia antes da abertura, salienta que vai desfazer a peça por não gostar de celebridades de Hollywood e daquilo que Riggan representa. Riggan fica enfurecido com a atitude de Tabitha, ao mesmo tempo que aproveita para ler o rascunho de uma crítica desta e criticar os lugares-comuns e ideias pré-feitas e conceitos já estabelecidos que esta utiliza ao invés de procurar analisar de forma pessoal os trabalhos teatrais. Mais uma vez Alejandro González Iñárritu aproveita para deixar o seu comentário pessoal, com Riggan a parecer o seu duplo ao reagir de forma enfurecida, embora no caso de "Birdman", ao contrário de muito crítico da nossa praça, Tabitha até não tem problemas em assumir um mudar de posição a certa altura do filme. Iñarritu procura claramente expor a diferença entre aquele que critica e aquele que cria arte, sem esquecer a relevância dos primeiros mas também a crueldade que pode ser apresentada pelos mesmos. É um interessante debate que o filme lança sobre a crítica que pode ser transportada do teatro para o cinema, embora a julgar por "Birdman" esta seja mais tida em conta pelo público no meio teatral do que no meio cinéfilo, onde um desfasamento por vezes  demasiado acentuado entre as audiências e o crítico conduziram a um desligar das mesmas. De salientar ainda que Iñarritu dá alguns motivos válidos para Tabitha desprezar o protagonista, explorando a ideia de várias vedetas de Hollywood que procuram utilizar a sua fama para se mostrarem na Broadway embora em alguns casos não tenham talento nem conhecimento para representarem num palco (curiosamente, Emma Stone teve recentemente um enorme sucesso numa peça da Broadway). Diga-se que "Birdman" faria um díptico interessante com "Clouds of Sils Maria", com ambos a abordarem questões ligadas com o teatro e o cinema, o trabalho do actor e como estes são afectados pelos mesmos e pela passagem do tempo, para além dos comentários sobre os media na actualidade e a criação de celebridades através de questões que nada estão ligadas ao seu talento. Ao contrário de "Clouds of Sils Maria" não estamos perante uma actriz no seu auge que pode seleccionar os papéis que pretende, mas sim diante de um actor caído em desgraça que apenas é conhecido pelo papel de Birdman.

 O próprio Riggan parece já ter conhecido melhores dias, pensando ser capaz de mover objectos por telecinesia e voar em momentos meio surreais onde ficamos perante um homem que durante grande parte da sua vida se habituou a viver outra pessoa que não ele próprio. A vida familiar de Riggan é desastrosa. Ainda continua amigo de Sylvia (Amy Ryan), a sua ex-mulher, procura mostrar afecto por Laura embora faça muitas das vezes porcaria com o seu ego a estragar muito daquilo que cria. A relação de Riggan com a filha nem sempre é fácil, embora aos poucos procurem compreender-se de parte a parte, enquanto este prepara a peça onde interpreta um marido que descobre ter sido traído pela esposa. Esta é interpretada por Lesley, enquanto Mike dá vida ao amante desta, gerando-se alguns momentos intensos no palco, mas também de algum humor, sobretudo quando este último tem uma erecção durante uma cena onde deveria simular sexo. Norton atribui uma enorme excentricidade a este personagem, um actor prestigiado, mas com alguns problemas em impor-se fora dos palcos, algo que em parte justifica algumas das suas atitudes pouco recomendáveis. A rodear este universo narrativo encontra-se ainda Jake (Zach Galifianakis), o produtor e amigo pessoal do protagonista, um elemento sempre pronto para encontrar a melhor oportunidade de negócio que permite ao actor ter uma interpretação mais contida. Tudo gira praticamente em volta da preparação para a peça de teatro, com Alejandro González Iñárritu a explorar de forma competente os momentos de enorme intensidade emocional que rodeiam os actores e actrizes, bem como as diversas idiossincrasias dos elementos que compõem o espectáculo teatral. O elemento que mais se destaca é Riggan, com este a procurar a todo o custo ser reconhecido pelos seus feitos a nível da interpretação e não por ter interpretado Birdman. Este é um super-herói com asas, voz semelhante ao Batman de Christopher Nolan, que surge na mente do protagonista e bem visível no grande ecrã. Ao salientar que os sessenta anos são os novos trinta quase que nos faz automaticamente recordar da saga "The Expendables", das sequelas de "Die Hard" dos constantes regressos de Arnold Schwarzenegger, Sylvester Stallone e companhia ao género de acção. Alejandro González Iñárritu opõe o fogo de artifício destes filmes aos trabalhos cinematográficos que procuram fazer o espectador pensar, tendo em "Birdman" uma obra complexa, capaz de explorar e levantar questões sobre o trabalho dos actores, sobre o cinema e o teatro, sobre os gostos do público e até o papel por vezes mesquinho da crítica. Não da crítica construtiva que procura dar uma visão sobre um trabalho, mas sim a crítica pré-fabricada, já pensada por antecipação, por vezes feita mais para defender o estatuto do profissional da área do que a explanar o seu gosto pessoal sobre determinado trabalho artístico. A peça afecta a vida destes personagens, tal como o quotidiano destes afecta a mesma. Veja-se o resultado final de Riggan e a sua procura em ser amado como o seu personagem, ou as atitudes de Mike que não tem problemas em lixar uma pré-estreia só por lhe terem colocado água no lugar de gin, entre outros momentos. No meio de tudo temos um actor atormentado pelas memórias do passado que se procura reinventar, ao mesmo tempo que lida com o seu Birdman, uma criação que o atormenta e acompanha. A banda sonora contribui para muita da intensidade que rodeia alguns episódios que envolvem Riggan, não faltando sons de bateria mas também música clássica, ao mesmo tempo que assistimos ao protagonista a empenhar-se a fundo na sua carreira e vida pessoal.

 Michael Keaton é o nome maior do elenco, conseguindo finalmente regressar em grande estilo ao às salas de cinema. Seja nos momentos de maior intimidade do seu personagem com a filha, seja nos de maior raiva com a crítica de teatro, seja nos intensos ensaios, seja em cenas de maior introspecção, seja na loucura dos seus diálogos com Birdman, Michael Keaton dá uma enorme credibilidade a Riggan. Este é um actor que procura relançar a carreira mas parece algo inseguro, tendo em Birdman o seu contraponto confiante que procura dar-lhe conselhos nem sempre meritórios para a sua carreira. O cansaço por vezes é visível no rosto do actor, bem como a sua inquietação, conseguindo atribuir uma dimensão extra a um personagem construído com o apoio de Iñarritu e de um excelente argumento. Diga-se que a qualidade dos diálogos é surpreendente, bem como a assertividade nos close-ups nos momentos necessários para dar maior ênfase às expressões dos actores, enquanto estes trocam as falas com uma enorme naturalidade e à vontade. Ter um bom elenco nem sempre chega, que o diga Ridley Scott com o recente "Exodus: Gods and Kings", mas um dos maiores méritos de Alejandro González Iñárritu centra-se não só na construção de uma narrativa fluída, sempre capaz de manter a nossa atenção e interesse, mas também permitir aos seus actores e actrizes sobressaírem, dando "nova vida" a elementos como Edward Norton e Michael Keaton. "Birdman" sobressai ainda pelo seu ambicioso trabalho com a câmara, com a cinematografia de Emmanuel Lubezki a ter momentos de brilhantismo, enquanto a câmara de filmar segue de forma atenta os personagens e deixa-nos praticamente no interior do seu quotidiano, algo que contribui para o criar de uma maior ligação com o enredo ao mesmo tempo que tudo parece desenrolar-se em tempo quase real, com a montagem quase imaculada a dar muitas das vezes a ideia de que estamos perante um único plano sequência. Existe também um enorme sentido de ritmo e colocação dos actores e actrizes nos planos de forma a permitir que estes planos-sequência funcionem de forma orgânica, quer nos cenários interiores do teatro, quer nos cenários exteriores. Diga-se que "Birdman" não é um filme limitado de cenários e personagens, não faltando a exibição dos bastidores dos diferentes actores e actrizes (com o de Mike a contar com um solário), o palco e a plateia (boa parte do filme foi filmado no St. James Theatre), os corredores por onde se atravessa a câmara, a Times Square por onde o protagonista anda de cuecas, entre muitos outros. Temos ainda as cenas meio surreais, por onde encontramos Birdman a falar para Riggs, bem como o protagonista a pensar que se encontra a flutuar pelos céus e acabamos também por viajar com o mesmo ao longo deste magnífico filme. Por vezes até nos questionamos se este está mesmo a levitar e a voar, mas logo um momento de realidade entra filme adentro e tira-nos essa ideia, embora em nada retire a beleza dessas cenas. Entre o teatro e a realidade, a comédia negra e o drama, o cinema e a crítica, "Birdman" permite a Alejandro González Iñárritu exibir que o maior e mais imprevisível dos palcos é o da vida, criando uma obra cinematográfica marcada por grande brilhantismo, onde os actores e as actrizes deslumbram sob a sua batuta. Se em alguns momentos Riggs flutua pelos céus, já a imaginação e criatividade de Iñarritu não parecem ter limites com este a criar uma obra onde o cinema e o trabalho dos actores e actrizes são respeitados, tanto sendo capaz de nos fazer rir como de oferecer alguns momentos mais dramáticos, ao mesmo tempo que nos procura fazer reflectir sobre as temáticas abordadas.

Título original: "Birdman". 
Título em Portugal: "Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)".
Realizador: Alejandro González Iñárritu.
Argumento: Alejandro González Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris, Jr., Armando Bo.
Elenco: Michael Keaton, Zach Galifianakis, Edward Norton, Andrea Riseborough, Amy Ryan, Emma Stone, Naomi Watts.

1 comentário:

Anónimo disse...

Excelente crítica de cinema. "Birdman" é mesmo a não perder.