26 novembro 2014

Estreias da semana - 27 de Novembro de 2014

Boa-tarde, caros leitores, e bem-vindos a mais um post das estreias.

Esta semana vamos ter oito novos filmes nas nossas salas, sendo que, desta vez, temos críticas a metade deles.

Passarei, brevemente, a debitar sobre cada um dos filmes que merecem mais destaque da nossa parte.

Realçamos, e recomendamos, antes de mais, a estreia de "Boyhood - Momentos de uma Vida", a nova, ambiciosa, obra escrita e realizada por Richard Linklater, que o Aníbal já viu, e apreciou. Já lhe foi escrita uma crítica, publicada neste nosso espaço, que culmina do seguinte modo: «Richard Linklater incita-nos ainda a seguir a vida dos seus personagens, por vezes de forma quase voyeurista, ao mesmo tempo que nos faz reflectir sobre os mesmos e os seus relacionamentos, sempre com um ritmo fluido que faz com que as suas cerca de duas horas e quarenta minutos passem de rompante. O trabalho de montagem de Sandra Adair também é essencial para o filme funcionar, com tudo a avançar de forma perfeitamente natural, sem avisos do avançar de cada ano, com "Boyhood" a destacar-se por todos os elementos já citados em relação às várias histórias de transição para a idade adulta. Já na trilogia "Before...", Richard Linklater tinha-nos deixado perante a sua dupla de personagens em diferentes períodos de tempo da sua vida e maturidade, mas em "Boyhood" este concentra as alterações do seu protagonista e daqueles que o rodeiam num único filme, num estilo quase documental que parece e quase consegue captar a realidade. Ambicioso, terno, comovente, por vezes com alguns momentos de humor, "Boyhood" é uma longa-metragem fascinante e intensa do ponto de vista emocional, sendo capaz de nos fazer recordar a nossa própria juventude e apresentar a uma história surpreendentemente coesa tendo em conta a forma como a obra foi filmada

O elenco de "Boyhood" conta com Ellar Coltrane, Patricia Arquette, Ethan Hawke e Lorelei Linklater.

O enredo do filme acompanha uma família através do olhar de uma criança. Linklater registou o crescimento do jovem interpretado por Ellar Coltrane ao longo dos últimos 12 anos.

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Recomenda-se igualmente o drama "O Desaparecimento de Eleanor Rigby: Eles", uma obra que conta com uma excelente interpretação de Jessica Chastain, contracenada pelo sempre talentoso James McAvoy. Eu próprio já vi a obra em causa, não é uma obra-prima mas tem valor e entretém, e já lhe escrevi uma crítica que da qual passo a transcrever um excerto: «De facto, apesar de ter uma construção narrativa pouco complexa, o filme em análise alicerça-se na exposição de numerosas cenas intensas, causadoras de impacto. A carga dramática da história dá-lhes credibilidade e os seus atores aproveitam a liberdade de que dispõem para tirar interpretações que, mais do que competentes, conseguem agarrar a atenção do espetador e puxar pelo seu sentimentalismo. Jessica Chastain é sublime ao expor a sensação de perda e em retratar a depressão da sua personagem, causa pena no espetador através dos seus olhares vazios e da sua face soturna, e terá sido tanto pelo seu talento impressionante como pela sua presença que o filme se irá focar mais nela do que no seu co-protagonista; James McAvoy, por seu turno, transmite eficazmente a sua constante solitude e falta de rumo, apresentando, além disso, uma química visível com a personagem de Chastain; Isabelle Huppert não tem muito tempo de ecrã mas demonstra uma classe evidente e William Hurt sobressai pela intensidade que incute a uma das cenas finais; Viola Davis, por fim, retrata com facilidade uma mulher que, mesmo desiludida com a vida, nunca perdeu o sentido de humor, e com quem é fácil simpatizarmos. Ned Benson parece ter a perfeita noção do talento dos seus intérpretes e sabe potenciar os momentos por eles protagonizados. As cenas decorrem maioritariamente em locais escuros e pouco iluminados, e a banda sonora é silenciada na hora certa para que nos concentremos unicamente nas reações das personagens, evidenciadas eficazmente através de close ups

O filme foi escrito e realizado por Ned Benson, um estreante em longas-metragens. "The Disappearance Of Eleanor Rigby" conta no elenco com Jessica Chastain ("Lawless"), James McAvoy ("Welcome to the Punch"), Nina Arianda ("Joplin"), Isabelle Huppert ("Amour"), Viola Davis ("The Help"), William Hurt ("Late Bloomers"), Ciaran Hinds ("The Woman in Black"), Bill Hader ("Superbad"), e Jess Weixler ("Teeth").

O enredo de The Disappearance of Eleanor Rigby" acompanha Conor (McAvoy) e Eleanor (Chastain), um casal de Nova Iorque que vive uma fase complicada na sua relação. O filme explora a história de Conor e Eleanor, enquanto estes procuram recuperar a vida e o amor de outrora.

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Vindo de Itália chega-nos "Viva a Liberdade", uma comédia sobre política que o Aníbal já viu e gostou. Ele próprio escreveu-lhe uma crítica, e eis um excerto da mesma: «Roberto Andò realiza o filme de forma eficaz, não procurando inventar, ao mesmo tempo que procura despertar consciências com sorrisos. Não estaremos nós a precisar de mais espontaneidade no mundo da política? Não estaremos a precisar de mais políticos com discursos francos, abertos e prontos a pensar no povo que os elege? "Viva a Liberdade" utiliza o humor, embora não descure os momentos mais sérios para nos colocar perante o mundo da política, quer nos jogos de bastidores, quer no discurso para o povo, explorando de forma muito viva a situação de Itália, que até pode entroncar com a portuguesa. Não teremos nós neste momento um Governo que conta com alguma contestação, cuja oposição não consegue apresentar alternativas que permitam trazer para junto de si o eleitorado? "Viva a Liberdade" apresenta assim um questionar da política, ainda que de forma leve, sempre com alguma acidez e mordacidade, enquanto dá espaço para Toni Servillo mostrar mais uma vez que é um actor de enorme qualidade

A obra foi realizada por Roberto Andò, e escrita pelo próprio em parceria com Angelo Pasquini.

Toni Servillo, Valerio Mastandrea, Valeria Bruni Tedeschi, Michela Cescon e Anna Bonaiuto compõem o seu elenco.

Sinopse (Sapo): O secretário do principal partido da oposição, Enrico Oliveri, está em crise - as sondagens para as próximas eleições não o favorecem. Uma noite, após um longo debate, Oliveri desaparece sem deixar pistas. O seu assessor, Andrea Bottini, e a sua mulher, Anna, começam a investigar a razão da fuga do secretário. A única solução que encontram para evitar a derrota política é substituí-lo pelo seu irmão gémeo, Giovanni Ernani – acabado de sair de uma clínica psiquiátrica. O secretário reaparece assim, sob a forma de um político poeta, detentor de uma linguagem lúcida, acutilante e supreendente.

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Estreia igualmente o francês "Saint Laurent", uma biopic sobre o estilista Yves Saint Laurent, que também visionei, não a achando particularmente recomendável apesar de ter algumas decisões corajosas. Também lhe escrevi um texto, e eis parte da sua conclusão: «Concluímos por nós próprios que construir uma história com um clímax a meio, seguido de acontecimentos repetitivos e desinteressantes, não faz o mínimo sentido, e ponderamos se as emoções que o realizador quer suscitar nos seus espetadores não devem ser geridas de modo a serem constantes ou progressivamente mais intensas. Infelizmente, Bertrand Bonello não chegou à mesma conclusão – é possível que tenha pensado que meia dúzia de cenas esteticamente eficazes compensariam uma narrativa frouxa e superficial, que não faz mais do que cambalear com muitos passos em falso até um final que só causa indiferença. E por mais que respeitemos a sua coragem para fugir aos convencionalismos dos filmes de género, é difícil deixar de pensar que, nas suas duas horas e meia de duração, “Saint Laurent” não nos leva a lado nenhum e não nos ensina o que quer que seja sobre esta figura incontornável do mundo da moda, a não ser que, no período retratado, gostava de acompanhar o seu álcool com uma boa dose de comprimidos

O filme foi realizado por Bertrand Bonello ("L'Apollonide (Souvenirs de la maison close)"), através do argumento do próprio e de Thomas Bidegain, e conta no elenco com Gaspard Ulliel, Jérémie Renier, Louis Garrel, Léa Seydoux, Amira Casar, Valeria Bruni Tedeschi, Jasmine Trinca, entre outros.

O enredo de "Saint Laurent" é baseado na vida de Yves Saint Laurent. A história vai centrar-se no período compreendido entre os anos 60 e 70.

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Teremos também "O Guia de Ideologia do Depravado", um documentário realizado por Sophie Fiennes (sim, é irmã de Ralph Fiennes), que tem sido bem recebido pela crítica lá fora.

O seu argumento foi escrito por Slavoj Zizek, voltando-se assim a repetir a parceria entre ambos depois de "O Guia de Cinema do Depravado", de 2006.

Sinopse (Sapo): Os criadores de «O Guia de Cinema do Depravado» regressam com «O Guia de Ideologia do Depravado». O filósofo Slavoj Žižek e a cineasta Sophie Fiennes recorrem à sua interpretação de um conjunto de filmes para apresentar uma fascinante viagem cinematográfica ao coração da ideologia – os sonhos que moldam as nossas crenças e as nossas práticas colectivas.





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Para além destas obras vão ainda estrear "Um Verão na Provença", um filme francês protagonizado por Jean Reno; "Jessabelle - A Revolta do Espírito", um thriller de terror norte-americano, e o português "Virados do Avesso", protagonizado por Diogo Morgado, Jorge Corrula e Nicolau Breyner.

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