26 novembro 2014

Como apagar uma entrevista...

Em 46 entrevistas efectuadas ao longo dos anos nunca tivemos uma reclamação. Mais de dois anos depois da entrevista a Rita Azevedo Gomes sobre "A Vingança de Uma Mulher", a realizadora resolveu salientar com uma arrogância extrema que se sentia envergonhada pela edição da mesma. Depois de termos esperado quase uma hora pela realizadora para efectuarmos a entrevista e da cineasta não ter facilitado a mesma em um único momento (magnífica a forma como se afastava do microfone e magnífico o momento sobre os fantasmas), continuamos a manter o ficheiro de voz mas apagámos a entrevista, a crítica e tudo o que esteja ligado ao filme e ao nome da mesma senhora. Quanto à minha resposta ao email foi a seguinte:

"Cara Rita Azevedo Gomes,

A mim também me envergonha a sua atitude durante boa parte da entrevista que mantenho guardada em ficheiro de voz. No entanto, irei apagar, tal como o texto da crítica ao seu filme para não ter nada ligado a si. Parabéns pelo seu magnífico inglês. Em relação a erros, teria muito mais a apontar aos seus trabalhos.

Em quarenta e seis entrevistas elaboradas é a primeira reclamação. Ainda bem que os erros ficaram todos concentrados nesta entrevista.

Cumprimentos".

2 comentários:

Nuno disse...

Haverá sempre pessoas descontentes. Claro que uma coisa é sugerir edições, ou pedir corrigir uma resposta, outra é pedir que seja removida.
Sinto-me mal por muitas entrevistas que ainda não publiquei por ter roubado tempo ao entrevistado sem lhe dar a devida projecção O mesmo se aplica em sentido contrário quando fazes uma entrevista e a pessoa te diz que não a podes publicar. Foi só para perder tempo? Foi uma conversa de café?

Aníbal Santiago disse...

Eu fiquei espantado pela resposta, até por nunca ter encontrado problemas ao longo de todas as entrevistas que publiquei (e já tive um caso em que não publiquei uma entrevista devido a um problema com o gravador em que ainda hoje me sinto mal, no caso ao realizador do Paulette). Por acaso até foi a minha primeira entrevista presencial e é óbvio que numa entrevista com quatro páginas pode escapar uma ou outra gralha (e as que escaparam não são escandalosas, são lapsos, se não até os leitores tinham reclamado). No entanto, o conteúdo da entrevista não foi adulterado. Curiosamente, mais de dois anos depois é que a realizadora pede para retirar a entrevista (no seu mail da Cinemateca, deduzo eu que às 17:31 já estava fora do horário de trabalho e poderia enviar mails de foro pessoal). Durante a exibição do filme deu jeito a divulgação de borla. Poderia manter a entrevista e comprar uma guerra, ou estar completamente a lixar e apagar a mesma e terminar o assunto. Preferi a segunda opção. Curiosamente a entrevista foi feita numa altura em que ainda não estava desempregado e tive de procurar até mudar de horário para conseguir efectuar a mesma. No entanto, mais uma vez este tipo de atitudes corrobora a minha pouca vontade em apoiar o cinema português.

Quanto ao e-mail fica aqui reproduzido (não tenho que me envergonhar de nada do blog, mesmo dos momentos iniciais onde dei muita barracada):

"Caro Aníbal Santiago

Acabaram de me enviar um link com uma entrevista feita na altura em que A Vingança de Uma Mulher se estreou.

Eu nunca tinha lido a entrevista e, peço desculpa, mas fiquei bastante chocada com a edição da entrevista.

Não entendo como se pode lançar um texto assim tão mal redigido, com erros ortográficos e que me envergonha.

Diga-me por favor se haverá forma de rever e corrigir esse texto? Se não, penso que mais vale suprimi-lo.

Obrigada,

Rita Azevedo"