16 outubro 2014

MGM - Passado, Presente e Futuro

 "Ars gratia artis" - "Arte pela Arte". Este é o lema da Metro-Goldwyn-Mayer, um dos históricos estúdios de Hollywood. Em 2014, o estúdio comemora noventa anos de vida. Noventa anos de História e de histórias, de grandes momentos e alguns fracassos, contribuindo de forma inolvidável para a sétima arte e proporcionando alguns grandes momentos a quem gosta de cinema. Neste artigo, procuramos efectuar uma breve exposição sobre o passado, presente e futuro da MGM, um estúdio que um dia primou por ter "mais estrelas do que aquelas que estão no céu". Estava longe de ser uma expressão exagerada: Greta Garbo, John Gilbert, Joan Crawford, Fred Astaire, Grace Kelly, James Stewart, Katharine Hepburn, Clark Gable, Ava Gardner, Lillian Gish, entre muitas outras estrelas de cinema estiveram sob contrato da MGM, encantando espectadores, deliciando os executivos do estúdio, quais Deuses do Monte Olimpo prontos a cumprir grandes proezas. Mas como foram criadas as condições para ter uma constelação de estrelas desta envergadura? Em Janeiro de 1920, Marcus Loew, um magnata conhecido por ter investido numa cadeia de cinemas, a Loew's Theatres, adquiriu todo o stock da Metro Pictures Corporation, uma empresa de produção e distribuição que tinha sido fundada em 1916. Esta aquisição permitiu um êxito de bilheteira com números bem sonoros, a adaptação cinematográfica de The Four Horseman of the Apocalypse. Realizado por Rex Ingram, calcula-se que o filme tenha ultrapassado os quatro milhões de dólares em receitas de bilheteira. A 16 de Maio de 1924, Loew reúne sob a sua alçada a Goldwyn Pictures, que tinha sido criada em 1917 e conhecia um período de menor fulgor, após Samuel Goldwyn ter saído da direcção. Esta compra conduziu a mais um conjunto de filmes a passarem para a alçada da empresa de Loew, mas também instalações, realizadores e actores sob contrato. Marcus Loew adquiriu ainda a Louis B. Mayer Productions a 17 de Abril de 1924, tendo em vista a integrar Louis B. Mayer na sua empresa e oferecer-lhe um cargo de enorme relevância.

 Com o génio de Louis B. Mayer, alçado a vice-presidente e chefe de operações do estúdio na Califórnia por Marcus Loew, e a contratação do produtor Irvin Thalberg, oriundo da Universal Pictures como chefe de produção, o estúdio, agora com o nome Metro-Goldwyn-Mayer, preparava-se para conhecer um dos seus períodos dourados, daqueles que certamente não serão esquecidos por quem gosta de cinema. Mayer tinha de reportar a Nicholas Schenck, o homem de confiança de Marcus Loew e futuro presidente da Loew's, após a morte do líder. Schenck e Mayer tinham uma relação algo problemática, adensada pelo facto do primeiro ter procurado vender a Loew's e a MGM a William Fox, algo que o segundo conseguiu adiar devido às suas ligações em posições influentes, uma situação que a juntar ao chamado "Crash da Bolsa de 1929" e à "Grande Depressão" conduziu a um travar do negócio. Mas deixemos as negociatas da MGM e avancemos para as produções do estúdio que conta com o leão Leo como símbolo (que pertencia à Goldwyn Pictures Corporation), enquanto este ruge antes do iniciar dos filmes. Um dos projectos em desenvolvimento pela Metro que foi aproveitado pela MGM foi Ben-Hur, um filme que se encontrava a ser realizado por Charles Brabin. O cineasta foi subsistido por Fred Niblo após várias filmagens estarem efectuadas, algo que conduziu a uma derrapagem enorme no orçamento, com Ben-Hur a ser o filme mudo mais caro de sempre (sem contarmos com obras recentes como The Artist), tendo atingido valores quase a chegarem aos 4 milhões de dólares e sido o paradigma para Thalberg não pretender produções no estrangeiro, onde poderiam facilmente descontrolar-se. Ben-Hur foi protagonizado por Ramón Novarro, tendo alcançado uma receita superior a 10 milhões de dólares e contribuído para a imagem de prestígio da MGM, associando ainda a mesma à produção de épicos. No entanto, o primeiro filme a ser desenvolvido pela MGM foi He Who Gets Slapped, uma obra realizada por Victor Sjöström, que contava no elenco principal com Lon Chaney, John Gilbert (uma das grandes vedetas da MGM durante os anos 20) e Norma Shearer. O filme teve como base a peça escrita por Leonid Andreyev, tendo alcançado um sucesso considerável junto do público (orçamento a rondar os 170 mil dólares e uma receita avaliada em 881 mil dólares), embora não tenha sido a primeira obra cinematográfica da MGM a estrear nas salas de cinema, devido a ter sido adiada para uma data mais próxima do Natal, de forma a alcançar um maior número de espectadores. 

 O primeiro filme da MGM (produzido pelo estúdio) a estrear nas salas de cinema foi Mademoiselle Midnight, uma obra realizada por Robert Z. Leonard e protagonizada por Mae Murray. O filme foi lançado a 14 de Abril de 1924, um ano no qual o estúdio lançou cerca de trinta filmes, entre os quais Sherlock, Jr., uma obra protagonizada pelo inimitável Buster Keaton (produzida ainda pela Metro Pictures Corporation). O ano de 1925 traz a estreia de Ben-Hur, mas também The Big Parade, uma das obras marcantes do estúdio, tendo sido realizada por King Vidor e protagonizada por John Gilbert, Renée Adorée, entre outros. The Big Parade acompanhava John Gilbert como James "Jim" Apperson, um indivíduo dos EUA, oriundo de famílias com posses financeiras, que se decide alistar no exército, na Rainbow Division, tendo em vista a participar na I Guerra Mundial. Em 1926 temos não só a estreia de Greta Garbo na MGM com Torrent, realizado por Monta Bell, mas também mais dois filmes protagonizados pela lendária "esfinge sueca", The Temptress (de Fred Niblo) e The Flesh and the Devil (de Clarence Brown), com estes dois últimos a vincarem a fama de tentadora de Garbo. The Flesh and the Devil marca ainda a primeira colaboração entre Garbo e John Gilbert, um casal que "incendiou" o grande ecrã com as suas tórridas cenas de amor (para a época), mas também pelo caso que tiveram fora do grande ecrã. Nesse mesmo ano estreava também The Scarlett Letter, realizado por Victor Sjöström e protagonizado por Lillian Gish e Lars Hanson, bem como La Bohème, que contava com o par formado por John Gilbert e Gish, nomes de peso da Metro-Goldwyn-Mayer. Diga-se que impressiona verificar a quantidade de estrelas que a MGM conseguiu reunir e criar num curto espaço de tempo, com John Gilbert, Lillian Gish, Greta Garbo, Lionel Barrymore, Joan Crawford, Lon Chaney, Renée Adorée, entre outros, um luxo de que poucos se podiam gabar. A completar este ano muito positivo, a MGM contaria ainda com a distribuição Faust, de F.W. Murnau, uma das obras-primas deste cineasta.

 A 6 de Outubro de 1927 estreia um filme que viria a marcar a história do cinema: The Jazz Singer. Realizado por Alan Crosland, The Jazz Singer é considerado como a primeira longa-metragem a contar com falas e canto sincronizado com um disco de acetato. O filme foi produzido e distribuído pela Warner Bros., marcando um ponto de viragem em Hollywood e no cinema mundial, tendo sido um sucesso a nível de público. Vários actores até então bem sucedidos viriam a ter uma dura transição para os talkies, veja-se o caso de John Gilbert (que juntava ainda os problemas com Louis B. Mayer), bem como de Douglas Fairbanks, Mary Pickford, Lillian Gish, entre outros exemplos. No entanto, a MGM ainda estrearia várias obras mudas, tais como Love (1927) uma adaptação de Anna Karenina realizada por Edmund Goulding e protagonizado pelo casal maravilha formado por Greta Garbo e John Gilbert, London After Midnight (1927) de Tod Browning, entre outros. A 16 de Novembro de 1929 estreava The Kiss, o último filme mudo da MGM, bem como o último filme mudo protagonizado por um dos símbolos do estúdio do leão, Greta Garbo. Dava início a uma nova era da MGM, com White Shadows in the South Sea (estreado a 10 de Novembro de 1928) a surgir como o primeiro filme do estúdio com uma banda sonora e efeitos sonoros pré-gravados, não sendo um talkie per se, tendo até começado a ser desenvolvido como um filme mudo. A 15 de Novembro de 1928 estreava a nova versão de Alias Jimmy Valentine, um filme protagonizado por Lionel Barrymore e William Haines, que era parcialmente falado, revelando-se mais um marco do estúdio. A chegada dos talkies permitiu ainda a popularização de um género que viria a ser bastante "querido" pela MGM, os musicais, com The Broadway Melody (1929) a ser considerado o primeiro musical (talkie) do estúdio.

 Este também foi um dos primeiros musicais a contar com uma sequência em technicolor e o primeiro filme do género a vencer um Oscar, tendo recebido o galardão de Melhor Filme na segunda edição da cerimónia. O filme rendeu cerca de 1,6 milhões de dólares à Metro-Goldwyn-Mayer, tendo sido o filme que mais receitas alcançou em 1929 (calcula-se que cerca de 3 milhões de dólares), contando no seu elenco com Anita Page, uma das estrelas de sucesso do estúdio, embora tenha acabado praticamente a carreira em 1933 (protagonizaria um filme em 1936). Consta que apenas Greta Garbo recebia mais correio dos fãs do que Page, comprovando o apelo que as estrelas da MGM tinham junto do grande público. O contexto do Crash da Bolsa de 1929 e a Grande Depressão favoreciam estes filmes dedicados ao escapismo, algo visível pelo sucesso do segundo musical da MGM, The Hollywood Revue of 1929, um precursor daquilo que o estúdio faria com Grand Hotel, ou seja, reunir as estrelas da casa. O filme produzido por Irving Thalberg e Harry Rapf foi promovido como "All-Star Musical Extravaganza", contando nos seus segmentos com Joan Crawford (na época uma estrela em ascensão), John Gilbert, Buster Keaton, Conrad Nagel, Anita Page, Lionel Barrymore, entre muitos outros, embora a sua coerência narrativa e argumento sejam claramente descurados, algo que conduz a obra a destacar-se mais pelo seu valor histórico do que propriamente pelo seu enredo. Apesar de todas as suas limitações, The Hollywood Revue of 1929 foi nomeado para a categoria de Melhor Filme na segunda edição dos Oscars, perdendo, como já foi sugerido, para The Broadway Melody. A MGM vivia um período de grande fulgor. Veja-se que, logo na edição seguinte dos prémios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, The Big House (um dos primeiros dramas prisionais de sucesso) e The Divorcee, ambos lançados em 1930, também estariam nomeados para a categoria de Melhor Filme, comprovando a força da MGM.

 1930 também foi o ano de Anna Christie, o primeiro talkie protagonizado por Greta Garbo, cuja carreira de sucesso na MGM foi marcada por obras como Susan Lenox (1931), Mata Hari (1931), Grand Hotel (1932), Queen Christina (1933), Anna Karenina (1935), Camille (1936), Ninotchka (1939), entre outras, tendo terminado em 1941 com Two-Faced Woman, um dos poucos fracassos da sua carreira. Garbo não foi a única estrela a brilhar ao longo dos anos 30 e 40 na MGM. Veja-se o caso das curtas e das longas-metragens protagonizadas por Laurel e Hardy (os célebres Bucha e Estica), a estreia de Johnny Weissmuller como Tarzan em Tarzan the Ape Man (1932), mas também o aparecimento de astros como Clark Gable, que teve em The Painted Desert (1931) a sua estreia num talkie, começando desde logo a gerar uma base de fãs considerável. Este viria a trabalhar com estrelas como Greta Garbo (Susan Lenox, naquele que foi o primeiro e último filme em que os dois estiveram juntos), Joan Crawford (trabalhou com esta em oito filmes, entre os quais Dance, Fools, Dance, 1931; Possessed, 1932), Norma Shearer e Leslie Howard (A Free Soul, 1931), Myrna Loy (sete filmes), tendo sido nomeado por três vezes para o Oscar de Melhor Actor, nomeadamente em It Happened One Night (1934), Mutiny on the Bounty (1935) e aquele que seria um dos maiores sucessos da sua carreira e da MGM, Gone With the Wind (1939), tendo vencido o galardão pelo primeiro. Diga-se que Gable não foi o único nome a vencer o Oscar de Melhor Actor em filmes da MGM na década de 30, também Lionel Barrymore o conseguira por A Free Soul (1931), mas também Wallace Beery por The Champ (1932, ex-aequo com Fredric March por Dr.Jekyll and Mr.Hyde). Não nos podemos esquecer ainda da "dobradinha" de Spencer Tracy por Captain Courageous (1937) e no ano seguinte por Boys Town (1938) e da vitória de Robert Donat por Goodbye Mr. Chips. Esta tendência dos actores da MGM vencerem o Oscar de Melhor Actor não teve grande repercussão na década de 40, visível apenas na vitória de James Stewart por The Philadelphia Story (1940), a única do estúdio nesta categoria.

 As vitórias não sorriam apenas aos actores. Veja-se a vitória de Norma Shearer por The Divorcee (1930, 3ª edição), Marie Dressler por Min & Bill (1930, 4ª edição), Helen Hays por The Sin of Madelon Claudet (1931), Luise Raner por The Great Ziegfield (1936) e no ano seguinte por The Good Earth, Viven Leigh por Gone With the Wind (1939). A tendência seria esbatida na década de 40, com Greer Garson a vencer por Mrs. Miniver (1942) e Ingrid Bergman por Gaslight (1944). Poderíamos ainda falar dos restantes nomeados por filmes da MGM que não venceram (veja-se Greta Garbo que apenas recebeu um Oscar de carreira), exibindo bem o poder do estúdio neste período. Falar de MGM entre os anos 20 a 50 é falar de um estúdio onde as estrelas brilharam bem alto, nesse sentido, torna-se impossível não abordar Grand Hotel, um ambicioso projecto produzido por Irving Thalberg (quem mais poderia ser), que juntava no elenco Greta Garbo, Joan Crawford, Wallace Beery, os irmãos Lionel e John Barrymore, Lewis Stone, contando na realização com o sólido Edmund Goulding. O filme viria a conhecer um lucro bastante elevado para o estúdio (custou 750 mil dólares e rendeu 2,25 milhões de dólares só em receitas internas), venceu o Oscar de Melhor Filme (o único vencedor a só ser nomeado para uma única categoria) e continua a ser um exemplo paradigmático da política de estrelas da MGM, mas também do génio de Irving Thalberg. Este assumira a produção de um conjunto elevado de obras entre 1924 e 1936, falecendo neste último ano aos 37 anos de idade, deixando um vazio que nunca mais seria devidamente ocupado.

 Thalberg teve um papel importante, mas também Mayer com a sua política de ter várias das estrelas de cinema no estúdio, embora ambos chocassem um pouco em relação às visões que tinham para as produções. Louis B. Mayer pretendia investir em obras que agradassem ao público e gerassem lucros proveitosos, enquanto que Thalberg pretendia alguns investimentos de prestigio, incluindo o investimento em adaptações de obras literárias e peças de teatro. Este teve também um papel importante no lançamento de várias estrelas do estúdio (Garbo, Crawford, Ramon Novarro, entre outras), no desenvolvimento do Código de Produção (mais conhecido como "Código Hays") para além de ser conhecido pelas suas ideias inovadoras, procurando evitar que as produções fossem rodadas no estrangeiro e ficassem fora do controlo do estúdio como Ben-Hur de Fred Niblo. O produtor supervisionou cerca de 400 obras cinematográficas na MGM, com o estúdio a ser um dos poucos a ter resultados positivos em plena Grande Depressão e mostrando um vigor produtivo invulgar, enquanto este procurava inovar até a nível do tratamento dado à imprensa e ao público, ao mesmo tempo que não se importava de correr alguns riscos. Veja-se o caso de Hallelujah! de King Vidor, um dos primeiros filmes a ser protagonizado por afro-americanos, para além de ser o primeiro filme sonoro realizado pelo cineasta, que até investiu o seu próprio salário para o filme sair do papel. A junção das estrelas de cinema, como já foi salientado na referência a Gable, surgiu também como uma procura de Thalberg em enfrentar alguns filmes menos bem sucedidos das suas estrelas.

 É nestas junções que encontramos também a dupla formada por Myrna Loy e William Powell, que protagonizariam catorze filmes juntos, entre os quais os da famosa saga The Thin Man, iniciada em 1934, com o filme homónimo. Tendo como base o livro com o mesmo título de Dashiell Hammett, um autor conhecido pelas suas obras noir, The Thin Man centrava-se em Nick Charles (William Powell), um detective privado retirado do seu ofício, que passa parte dos seus dias a festejar com caras bebidas alcoólicas o estatuto que granjeou e o facto de viver ao lado de Nora Charles (Myrna Loy), uma mulher abastada devido às posses da sua família. Este é forçado a regressar ao activo para uma investigação complexa, enquanto a dupla de actores revela uma enorme química. O filme foi nomeado para quatro Oscars (Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Argumento, Melhor Actor), tendo contado ainda com cinco sequelas. A produção estava a cargo de Hunt Stromberg, o mesmo de The Great Ziegfeld (1936), também protagonizado por Loy e Powell, tendo sido na época o talkie com maior duração (a rondar as três horas). A MGM inovava, colhia os lucros e ganhava prémios, bem como os seus actores, algo visível com Spencer Tracy, que em 1935 juntou-se ao estúdio, onde conheceria alguns grandes êxitos da sua carreira, entre os quais a vitória em duas cerimónias consecutivas na categoria de Melhor Actor nos Oscars, nomeadamente Captain Courageous (1937) e Boys Town (1938). Quem também assinou em 1935 pela MGM foi Judy Garland, eternamente conhecida pelo seu papel em The Wizard of Oz (1939), que revelou outra nova tendência dos estúdios que passava pelo desenvolvimento de filmes a cores. Em 1939 estreava também Ninotchka, uma obra nomeada para o Oscar de Melhor Filme, naquele que foi um dos anos mais fortes da categoria. Ninotchka foi realizado por Ernst Lubitsch, um cineasta de origem alemã, que foi trabalhar para Hollywood em 1922, sendo um exemplo paradigmático da relevância de alguns dos realizadores estrangeiros que foram trabalhar para Hollywood. Diga-se que nesta fase a MGM já não contava com Tahlberg, entretanto falecido, mas sim com Louis B. Mayer a acumular as funções de director de produção e chefe dos estúdio, recebendo um vencimento chorudo para a época.   

  A entrada em cena de Mayer, após ter procurado que nomes como David O. Selznick tentassem substituir Irving Thalberg, algo que não aconteceu, com o possível substituto a aventurar-se por conta própria, não se revelou tão brilhante como este certamente esperava. No entanto, ainda vamos assistir a vários êxitos do estúdio após a sua morte, mantendo-se também as adaptações de livros e peças de teatro. Veja-se The Citadel (1938), adaptado da obra literária homónima de A. J. Cronin (realizado por King Vidor e produzido por Victor Saville); The Wizard of Oz que adaptava o livro de L. Frank Baum; Pride and Prejudice (1940) de Robert Z. Leonard foi baseado na obra homónima de Jane Austen; The Philadelphia Story foi baseado numa peça de teatro; The Three Musketeers (1948) de George Sidney (baseado na obra de Alexandre Dumas); Little Women (1949) de Mervyn LeRoy (baseado no livro de Louisa May Alcott); Madame Bovary (1949) de Vincente Minnelli (baseado no livro de Gustave Flaubert), ou seja, existiu uma procura em continuar o trabalho de Thalberg, embora nem sempre com o mesmo sucesso. A perda de Thalberg foi enorme para o estúdio, tanto que, em 1948, Dore Schary foi contratado para director de produção, cargo que ocupou até 1953, data em que substituiria Louis B. Mayer, após o estúdio ter demitido o último do cargo devido a um declínio dos lucros. Mayer viria a falecer em 1957 de leucemia, curiosamente, no primeiro ano em que o estúdio daria prejuízo. Até lá teríamos vários musicais, a entrada em cena de nomes como Frank Sinatra no estúdio, com o cantor a integrar o elenco principal de It Happened in Brooklyn (1947), The Kissing Bandit (1948), Take Me Out to the Ball Game (1949), On the Town (1949), Guys and Dolls (1955), entre outros.

 Os anos 40 foram também marcados pela II Guerra Mundial e pelos filmes com temáticas relacionadas com o conflito, sendo que o próprio Governo dos EUA fomentava as obras favoráveis à política vigente, a ponto de ter sido criado o United States Office of War Information (OWI) em 1942, um organismo que iria perdurar até 1945 (sendo que durante a Guerra Fria assistiu-se também a uma influência promiscua entre a cultura e política). Um dos poucos exemplos dos filmes de pendor anti-Nazi antes dos EUA entrarem no conflito é The Mortal Storm (1940) de Frank Borzage, protagonizado por James Stewart e Margaret Sullavan, com o protagonista a interpretar um indivíduo que se recusa a juntar aos nazis, apaixonando-se por uma não ariana. Outro desses exemplos no interior da MGM é Song of Russia, um filme realizado por Gregory Rattoff e lançado originalmente a 10 de Fevereiro de 1944, que representava a Rússia como um local associado à liberdade, tendo como protagonista um maestro dos EUA (Robert Taylor) que vai à Rússia em trabalho e acaba por se apaixonar por Nadya Stepanova (Susan Peters), uma bailarina soviética. Esta obra foi mais tarde utilizada como um exemplo da influência comunista em Hollywood, embora também espelhe uma procura em mostrar uma rivalidade distinta de um aliado no conflito. Neste contexto encontramos também Nazi Agent (1942), realizado por Jules Dassin e protagonizado por Conrad Veidt, que interpretava dois gémeos, um leal aos EUA, outro leal à Alemanha Nazi. Outro dos filmes reveladores desse esforço de Guerra foi Mrs. Miniver, realizado por William Wyller que procurava apresentar uma versão menos luxuosa do quotidiano dos britânicos, procurando sensibilizar o público para os sacrifícios efectuados durante a II Guerra Mundial. Temos ainda casos como o de Above Suspicion (1943) de Richard Thorpe, protagonizado por Joan Crawford e Fred MacMurray, com estes a interpretarem um casal que espia para os Serviços Secretos Britânicos quando viaja em Lua de Mel para a Europa, procurando descobrir informações sobre os nazis. 

 Nos anos 40 (na MGM), temos ainda outras obras que lidam com temáticas relacionadas com a Guerra, tais como The Bugle Sounds (1942) de S. Sylvan Simon (sobre um sargento que se recusava a trocar os cavalos pelos tanques), The Man From Down Under (1943) de Robert Z. Leonard (no caso, sobre os órfãos de Guerra), Salute to the Marines (1943) de S. Sylvan Simon, See Here, Private Hargrove (1944) de Wesley Ruggles e Tay Garnett, What Next, Corporal Hargrove? (1945) de Richard Thorpe, Cry "Havoc" (1943) de Richard Thorpe (sobre as enfermeiras de Guerra), The Cross of Lorraine (1943) de Tay Garnett, Thirty Seconds Over Tokyo (1944) de Melvyn LeRoy, entre outros. Vale ainda a pena realçar They Were Expendable, um filme realizado por John Ford para a MGM, tendo como protagonistas os actores John Wayne e Robert Montgomery. O enredo desenrola-se em 1941 e acompanha os tenentes John Brickley e Rusty Ryan, dois indivíduos que dão instrução às equipas dos novos torpedeiros da Marinha dos Estados Unidos da América estacionados no Pacífico. Quando chega a notícia do ataque japonês a Pearl Harbour, John e Rusty recebem ordens para rumar às Filipinas. O filme é visto como um tributo à Marinha, sendo bastante fruto do seu tempo, ou não tivesse sido lançado a 19 de Dezembro de 1945. Os anos 40 foram também pródigos nos filmes de comédia, tais como Woman of the Year (1942), realizado por George Stevens, sendo o primeiro filme (em nove colaborações) protagonizado pelo casal Katharine Hepburn e Spencer Tracy, uma comédia de sucesso, tal como seria o sexto filme estrelado por ambos, Adam's Rib, realizado por George Cukor e lançado em 1949. Tracy protagonizaria ainda obras como Dr. Jekyll & Mr. Hyde (1941), ao lado de Ingrid Bergman (que protagonizaria ainda nestes anos, na MGM, obras como Gaslight, ao lado de Charles Boyer).

 A década de 40 foi ainda marcada pelo continuar da saga dos filmes de "Andy Hardy", protagonizada por Mickey Rooney, um dos actores em destaque neste período. A história acompanhava a família Hardy, que vivia na cidade ficcional de Carvel, em Idaho, representando um conjunto de ideais de tolerância e fraternidade que representavam a visão idealizada que Louis B. Mayer tinha dos EUA. De salientar que Judy Garland entrou em três filmes da série, nomeadamente Love Finds Andy Hardy (1938), Andy Hardy Meets Debutante (1940) e Life Begins for Andy Hardy (1941). Outra das comédias de sucesso do estúdio foi The Philadelphia Story estreada em 1940, o mesmo ano de The Shop Around the Corner de Ernst Lubitsch, que contava com James Stewart e Margaret Sullivan como protagonistas. Nesta mesma década, o estúdio lançou também Go West (1940) e The Big Store (1941), ambos protagonizados pelos lendários irmãos Marx (que já tinham contado na MGM com A Night at the Opera em 1935, A Day at the Races em 1937, e At the Circus em 1939). Os anos 40 trazem também os únicos três filmes dos comediantes Abbot e Costello na MGM, nomeadamente Rio Rita (1942), Lost in a Harem (1944), Abott and Costello in Hollywood (1945). Temos ainda os westerns, tais como Wyoming (1940) de Richard Thorpe, Billy the Kid (1941) de David Miller, entre outros. Nesta década assistimos também a outras estrelas a sobressaírem na MGM, tais como Walter Pidgeon, Van Johnson, Hedy Lamarr, Mickey Rooney, Van Heflin, embora no pós-Guerra o estúdio vá perdendo algum destaque. Vários factores contribuíram para este decréscimo do estúdio, tais como alguma falta de criatividade e a libertação de algumas estrelas, a difusão e popularidade da televisão e até o caso United States vs. Paramount Pictures, Inc. (1948), com este último a resultar numa das maiores pancadas no studio system. Este terminava com a possibilidade de os estúdios possuírem cadeias de cinema, algo que limitava as obras exibidas e provocava concorrência desleal, visto que não permitia a ascensão de pequenos estúdios. Ao mesmo tempo, esta medida transformava cada filme num investimento de risco, quer para o estúdio, quer para o exibidor, não existindo uma solidariedade e procura de apostar na exibição de projectos quando estes prometiam ser mal sucedidos.

 Nos anos 30 e 40, assistíamos a este domínio do studio system, em particular, dos Big Five (20th Century Fox, MGM, Paramount, Warner Bros, RKO Radio), sendo seguidos de (na época) três estúdios mais pequenos, a Columbia, Universal e United Artists, um panorama que mudou com esta decisão do tribunal, mas também com o contexto do final da II Guerra Mundial. Se o início do conflito trouxe aos estúdios o problema de vários mercados internacionais se fecharem, o seu final trouxe uma mudança de mentalidades e até de criatividade na MGM, um estúdio que até então tinha conseguido dominar o mercado norte-americano, quer pelas suas estrelas, quer pelas suas obras com notórios valores de produção. Hoje em dia é algo raro um actor ligar-se contratualmente a um estúdio, com rara excepção de franquias como os filmes de super-heróis, onde os actores assinam muitas das vezes contratos para mais do que uma obra, embora não exista um vínculo para apenas trabalharem num estúdio. Nos anos 20, 30 e 40 era bastante comum associarmos actores a estúdios. Veja-se por exemplo James Cagney, George Raft, Bette Davis e Humphrey Bogart na Warner Bros. No caso da MGM, o número de actores, actrizes e realizadores talentosos que tiveram contrato com o estúdio foi verdadeiramente impressionante, encontrando-se nesta lista nomes como Greta Garbo (toda a sua carreira nos EUA foi na MGM), Katharine Hepburn, James Stewart, Clark Gable, Joan Crawford, Myrna Loy, John Barrymore, Lionel Barrymore, os Irmãos Marx, entre muitos outros. Vários factores contribuiriam para o declínio que a MGM conheceria nos anos 50, o seu canto do cisne. 

 Não é que o estúdio tenha deixado de procurar inovar. Foi durante a presidência e a produção de Schary que estreou nas salas de cinema Arena (1953), o primeiro filme em 3D da MGM, um western realizado por Richard Fleischer e protagonizado por Gig Young. O estúdio continuaria ainda com as adaptações das obras literárias, tais como King Solomon's Mines (1950) de Compton Bennett e Andrew Morton, Quo Vadis (1951), um épico realizado por Melvyn LeRoy, Ivanhoe (1952) de Richard Thorpe, Julius Caesar (1953) que adapta a peça de William Shakespeare, Cat on a Hot Tin Roof (1958), entre outras. Temos ainda nos anos 50 o grande êxito dos musicais, tais como An American in Paris (1951) de Vincente Minnelli, Royal Wedding (1951) de Stanley Donen, Seven Brides for Seven Brothers (1954) de Stanley Donen, Singin' in the Rain (1952) de Gene Kelly e Stanley Donen, The Band Wagon (1953) de Vincente Minnelli, entre outros. Diga-se que não podemos descurar nestes musicais o papel de Arthur Freed, um produtor que liderou uma das unidades de produção MGM, tendo um papel fundamental em alguns dos musicais de sucesso do estúdio, entre os quais as obras já citadas na década de 50, mas também For Me and My Gal (1942) de Busby Berkeley, Best Foot Forward (1943) de Edward Buzzell, Meet Me in St. Louis (1944) de Vincente Minnelli, Easter Parade (1948) de Charles Walters (com a presença do mítico Fred Astaire), On the Town (1949) de Gene Kelly e Stanley Donen. No entanto, nem todos foram bem sucedidos nas bilheteiras, entre os quais, The Band Wagon (1953) de Vincente Minnelli, que custou $2,873,000 dólares e resultou num prejuízo de $1,147,000 dólares. Musicais como Brigadoon (1954), It's Always Fair Weather (1955), Silk Stocking (1957) deram todos prejuízo superior a 1,3 milhões de dólares, sendo que Invitation to the Dance (1957) teve um prejuízo a rondar os 2,5 milhões de dólares, algo que explica o declínio deste género no final dos anos 50 no estúdio. A 15 de Maio de 1958 estreava Gigi, realizado por Vincente Minnelli e produzido por Arthur Freed (quem mais poderia ser?), que se revelou um dos últimos grandes êxitos do género a nível de crítica e público na MGM.

 Em 1953 temos a estreia de Battle Circus, o único filme protagonizado por Humphrey Bogart na MGM, uma obra de menor impacto da carreira do actor, embora não deixe de ser mais uma estrela que passou pelo menos por um filme do estúdio. Desde gangsters a detectives dos filmes noir, a carreira de Bogart foi marcada por vários sucessos, sendo que a própria MGM também não ficou imune aos noir. A 23 de Maio de 1950 estreava The Asphalt Jungle, um dos filmes mais marcantes deste subgénero. Este conta com a realização John Huston, cineasta que não era estreante no subgénero, tendo realizado o magnífico The Maltese Falcon, um marcante noir protagonizado por Humphrey Bogart. Entre os filmes noir lançados pelo estúdio encontram-se obras como Force of Evil (1948), realizado por Abraham Polonsky e protagonizado por John Garfield, Bewitched (1945) de Arch Oboler, o marcante The Postman Always Ring Twice (1946) de Tay Garnett, Lady in the Lake (1947) de Robert Montgomery, High Wall (1947) de Curtis Bernhardt, Act of Violence (1948) de Fred Zinnemann, The Bribe (1949) de Robert Z. Leonard, entre outros que foram lançados ao longo da década de 50. Temos ainda os grandes épicos, espectáculos cinematográficos grandiosos prontos a combater a concorrência que a televisão estava (e continua) a efectuar ao grande ecrã. É nesse sentido que vemos estrearem filmes como Quo Vadis (1951), Ben-Hur (1959), King of Kings (1961), Doctor Zhivago (1965), entre outros, que acompanharam já uma fase algo descendente da MGM, que perdeu o fulgor da "era Tahlberg" e de Louis B. Mayer. Nestes anos 60, a MGM contou com alguns sucessos para além dos filmes citados, tais como The Dirty Dozen (1967) de Robert Aldrich, Point Blank (1967) de John Boorman, 2001: A Space Odyssey (1968) de Stanley Kubrick. Temos ainda alguns filmes que merecem ser realçados, tais como Cimarron (1960) um western realizado por Anthony Mann; Viva Las Vegas (1964) protagonizado por Elvis Presley; The Rounders (1965), uma comédia protagonizada por Henry Fonda e Glenn Ford; um dos clássicos sobre Fórmula 1, Grand Prix (1966) de John Frankenheimer; The Comedians que conta com um elenco de luxo onde não faltam Elizabeth Taylor, Richard Burton, Alec Guiness e Peter Ustinov; Where Eagles Dare de Brian G. Hutton (1969), um filme de guerra que contava no elenco com Richard Burton e Clint Eastwood, entre outros, embora o prestígio do estúdio e os seus sucessos marcantes não surgissem com a mesma intensidade de outrora.

  Não podemos ainda ficar alheios ao papel da televisão, algo notório pelo aumento brutal de canais televisivos na década de 50, mas também de televisores vendidos, calculando-se que entre 1950 e 1959 não houve um único ano no qual se vendesse menos de 5 milhões de televisores (7,3 milhões em 1950), uma situação reveladora dessa situação, conduzindo a que os estúdios procurassem também incrementar as suas receitas nas bilheteiras externas. Diga-se que a convulsão da MGM não nasceu nos anos 60/70, remetendo desde logo para os anos 50. Em 1954, em virtude da decisão do caso United States v. Paramount Pictures, Inc., a Loews, Inc. desistiu do controlo da MGM. Em 1956 Benny Thau substitui Dore Schary, tendo herdado uma situação algo caótica. Veja-se que, dos 20 filmes produzidos pela MGM em 1956-57, 19 perderam dinheiro, uma situação que foi alterada em 1957, com o estúdio a voltar a dar lucro. A 1956, Joseph Vogel substituiu Arthur Loew na presidência da Loew's. Entre 1958 e 1962, Sol C. Siegel assumiu os cargos de vice-presidente e de responsável pela produção da MGM, tendo em 1962 abandonado os mesmos. Ou seja, nota-se neste dançar de cadeiras alguma instabilidade, juntando-se ainda a entrada em cena de Kirk Kerkorian, um empresário ligado ao ramo da hotelaria e companhias aéreas, que adquiriu 40% das acções da MGM em 1969, procurando associar o prestígio do nome da Metro-Goldwyn-Mayer aos investimentos que pretendia efectuar. Nesse sentido, assistimos à chegada de James T. Aubrey Jr. para chefe de produção, algo que culmina numa redução a nível de produção cinematográfica e aumento da distribuição de filmes independentes. Aubrey Jr. cancelaria 15 projectos que se encontravam em andamento, tendo a alcunha pouco simpática de "the smiling Cobra", enquanto Kerkorian vendia bens associados ao estúdio e investia no MGM Grand Hotel e num casino em Las Vegas, associando a marca a outros ramos que não o cinema e a televisão. Esta situação é paradigmaticamente visível quando em 1979 o estúdio atinge 193 milhões de dólares em receitas de obras cinematográficas e 298 milhões de dólares oriundos dos negócios de hotelaria e jogo, algo revelador de onde estava o investimento e interesse de Kerkorian e companhia.

 Assistimos ainda a um reduzir da produção cinematográfica, deixando de lado a distribuição de filmes ao redor do Mundo, tendo na United Artists uma parceria estratégica. A 30 de Maio de 1980, a MGM é dividida: a parte cinematográfica é incorporada na Metro-Goldwyn-Mayer Co., enquanto a Metro-Goldwyn-Mayer Inc. é renomeada MGM Grand Hotels, Inc. Esta medida visava também uma nova aposta na produção cinematográfica, embora o estúdio contasse com problemas como a inflação, mas também uma certa desorganização na distribuição, algo que conduziu a um aumentar dos empréstimos para fazer frente aos problemas. Perante a falência da United Artists, após o desastre de Heaven's Gate, a MGM decidiu adquirir o estúdio, pedindo um empréstimo de 250 milhões de dólares. Esta situação permitiu à MGM ficar com uma empresa capaz de cuidar da distribuição, mas também um aumentar das dívidas e um incrementar do catálogo dos filmes. A United Artists é uma empresa conhecida como a "companhia criada pelas estrelas", tendo sido criada por Charlie Chaplin, Mary Pickford, Douglas Fairbanks e D.W. Griffith, tendo proporcionado à MGM os filmes da saga The Pink Panther, Rocky, James Bond, para além de obras como Annie Hall, The Apartment, The West Side Story, entre outras. Para termos bem uma noção de como foi este negócio para as finanças da MGM, vale a pena salientar que o estúdio em 1980 tinha uma dívida a longo termo de 60 milhões de dólares, sendo que em 1981 esta ascendia à módica quantia de 685 milhões de dólares.

 O investimento era de risco e fazia prever que o estúdio conseguiria lucrar com o investimento nessas produções e a longo prazo enfrentar a dívida, algo que não se iria verificar. Veja-se obras como Pennies from Heaven (1981), Whose Life Is It Anyway? (1981), Yes, Giorgio (1982), Brainstorm (1982), entre outras, que não tiveram os resultados esperados. Essa situação fica evidente em números como os apresentados entre Dezembro de 1980 e Setembro de 1981, onde a MGM lançaria 18 filmes que custariam 210 milhões de dólares e traria de receitas de bilheteira 115 milhões de dólares (números apresentados no livro History of the American Cinema Vol.10 - A New Pot of Gold; Hollywood Under the Electronic Rainbow, 1980-1989). Entre 1981 e 1986 as empresas passaram a utilizar a nomenclatura MGM/UA Entertainment Co., com obras como Rocky III (1982), WarGames (1983), Red Dawn (1984), Rain Man (1988), a serem desenvolvidas pela United Artists, mas a constarem no catálogo da MGM. Diga-se que a United Artists não foi caso único de produtoras adquiridas pela MGM. A 11 de Abril de 1997, a MGM adquiriu as subsidiárias da Metromedia, tais como a Orion Pictures, The Samuel Goldwyn Company e Motion Picture Corporation of America, por valores superiores a 570 milhões de dólares, aumentando ainda mais o seu pecúlio de filmes. Entre os filmes que passaram a constar no catálogo da MGM devido a estas aquisições encontram-se os filmes da saga James Bond, a saga The Pink Panther, a "Trilogia dos Dólares" de Sergio Leone, composta por A Fistful of Dollars (1964), For a Few Dollars More (1965) e The Good, the Bad and the Ugly (1966), The Magnificent Seven (1960), Dressed to Kill (1980), Valmont (1981), Runaway Train (1985), Platoon (1986), Dance With Wolves (1990), The Silence of the Lambs (1991), entre outros. Estas obras visavam aumentar o catálogo da MGM, embora o estúdio viesse posteriormente a conhecer tempos bem complicados, lutando nos dias de hoje para se reerguer.

 A United Artists ainda viria a conhecer alguns sucessos ao longo da década de 80, entre os quais Clash of the Titans (1981) de Desmond Davis, Tarzan, the Ape Man (1981) de John Derek, Poltergeist (1982) de Tobe Hooper, embora nenhum ocupasse os primeiros lugares do box office anual, com a MGM a ser o único estúdio a não conseguir ter um blockbuster de sucesso nos anos 80. Isso não implica que não tivessem existido alguns lançamentos dignos de nota, tais como Fame (1980) de Alan Parker, The Hunger (1983) de Tony Scott, Moonstruck (1987) de Norman Jewison, Spaceballs (1987) de Mel Brooks, entre outros. Os problemas internos do estúdio conduziram a que a MGM/UA não se conseguisse impor como o gigante que fora outrora, tendo muitas vezes as suas obras distribuídas em circuitos mais limitados, para além de ter perdido algum terreno no investimento nos canais por cabo. A 7 de Agosto de 1985, Ted Turner efectuou uma proposta de compra da MGM na ordem dos 1,5 mil milhões de dólares, um negócio que ficou concluído no ano seguinte, tendo sido mais uma "estaca" na MGM. Turner vendeu pouco depois a United Artists a Kerkorian, sendo que as dívidas das suas empresas conduziram a que este vendesse os activos de produção e distribuição da MGM para a United Artists, tendo vendido o terreno da MGM para Lorimar-Telepictures. No entanto, Turner manteve o arquivo da MGM pré-1986, um negócio lucrativo para as suas estações televisivas.

 Em 1990, Giancarlo Parretti, da Pathé Communications Corp., adquiriu a MGM, tendo o estúdio voltado às mãos de Kerkorian em 1996, sendo que este viria a vender as suas acções a um consórcio liderado pela Sony em 2006. É neste contexto que encontramos o estúdio a coleccionar fracassos de bilheteira nos anos 90 e 2000 (a ajudar ao aumentar da dívida) e êxitos a surgirem de forma moderada. Entre os sucessos encontramos Species (1995), The Thomas Crown Affair (1999), Stigmata (1999), Legally Blonde (2001), Red Dragon (2002), Rocky Balboa (2006, em co-produção com a Columbia Pictures, Revolution Studios e Chartoff/Winkler Productions), GoldenEye (1995), Tomorrow Never Dies (1997), The World is Not Enough (1999), Die Another Day (2002), Casino Royale (2006), Quantum of Solace (2008), sendo que os seis últimos casos foram produzidos pela Danjac, Inc., Eon Productions e United Artists. No meio de tanta atribulação, a MGM continuava a produzir filmes, mas se Louis B. Mayer fosse vivo provavelmente ficaria desolado pelo estado em que se transformou a empresa que serviu. As mudanças afectaram também outros estúdios, que atraíram investimentos estrangeiros e ligaram-se a outras empresas, mas o gigante não se conseguiu aguentar com tanto rombo. Com mais de quatro mil títulos no seu catálogo, a MGM é um dos grandes estúdios de Hollywood. No entanto, a sua história dourada de outrora nem sempre tem encontrado correspondência no Século XXI, algo visível quando a 3 de Novembro de 2010 a MGM declarou falência, com o tribunal a aprovar o pedido de concordata e plano de reorganização financeiro do estúdio, tendo em vista efectuar uma reestruturação da sua dívida, avaliada em valores superiores a 4 milhares de milhões de dólares.

 A 20 de Dezembro, Gary Barber e Roger Birnbaum da Spyglass assumiram as funções de co-directores e co-CEOs, terminando com uma indefinição que chegou a colocar em perigo o desenvolvimento de vários filmes, embora a estabilidade não seja propriamente a melhor expressão para caracterizar o estado em que o estúdio se encontra nos dias de hoje. Este período atribulado justifica um ano de 2009 com apenas três obras em co-produção, The Pink Panther 2, The Taking of Pelham 123 e Fame, uma em 2010, nomeadamente Hot Tub Time Machine, duas em 2011, como foram os casos de Zookeeper e The Girl With the Dragon Tattoo. Entre 2012 e 2013 estrearam mais oito filmes, todos em co-produção como tem sido a nova tendência do estúdio, destacando-se Skyfall e os dois mais recentes filmes da trilogia de The Hobbit. Curiosamente, ou talvez não, ambos os filmes fazem parte de sagas, sendo que a de Skyfall se insere numa franquia com grande tradição no estúdio, a de James Bond. É exactamente sobre as sagas populares da MGM que se vai centrar o próximo subcapítulo.

Agentes secretos, pouco secretos, detectives, pugilistas e canídeos - As Sagas Populares da MGM:

 Ao longo da sua história a MGM conseguiu criar um conjunto de sagas de sucesso. Algumas foram aproveitadas até ficarem desgastadas, outras continuam a mostrar uma enorme vitalidade como a saga de James Bond. Inspirado no clássico personagem criado por Ian Fleming, a saga de James Bond já conta com vinte e três filmes oficiais e mais um a caminho, com o herói a já ter sido interpretado ao longo da sua história por nomes como Sean Connery, Roger Moore, George Lazenby, Thimoty Dalton, Pierce Brosnan e Daniel Craig. Entre estes elementos, Connery protagonizou seis filmes da saga oficial, Roger Moore protagonizou sete, Pierce Brosnan protagonizou quatro, Daniel Craig também vai a caminho do quarto, Timothy Dalton protagonizou dois, enquanto George Lazenby ficou como "patinho feio" da saga, tendo protagonizado apenas um filme. A saga cinematográfica começou em 1962 com Dr. No, tendo sido realizado por Terence Young e protagonizado por Sean Connery, tendo granjeado um enorme sucesso. Para além de Young, passaram pela franquia realizadores como Guy Hamilton, Lewis Gilbert, Martin Campbell, Sam Mendes, entre outros. O mais recente filme da saga a estrear nas salas de cinema foi Skyfall, exactamente realizado por Mendes, que contou com um orçamento estrondoso (200 milhões de dólares) e lucros ainda mais elevados: cerca de 304,2 milhões de dólares nos EUA e c. 804,2 milhões de dólares no resto do Mundo, sendo um dos filmes mais lucrativos da saga (encontra-se em primeiro nos EUA na lista do Box Office Mojo, mas os valores são enganadores, pois filmes como Goldfinger conseguiram números superiores se ajustarmos os valores à realidade de hoje).

 Outra saga de sucesso da MGM foi The Thin Man. Tal como James Bond, também a saga The Thin Man foi inicialmente baseada numa série literária, no caso, escrita por Dashiell Hammett, tendo em William Powell e Myrna Loy uma dupla de protagonistas carismática e no cão Astra uma mascote de sucesso. Estes interpretam um casal meio boémio, com Powell a interpretar Nick Charles, um detective beberrão com enorme habilidade para a investigação, e Loy a dar vida à sua esposa Nora, que se envolve regularmente nos casos do marido. A saga contou com seis filmes, quatro deles realizados por W.S. Van Dyke, sendo que a primeira obra recebeu uma aceitação generalizada da crítica e do público, tendo sido nomeada para o Oscar de Melhor Filme em 1934, para além de constar na respeitável lista de Grandes Filmes do não menos respeitável Roger Ebert. Quem também promete transformar-se numa das sagas mais bem sucedidas do estúdio é The Hobbit, cujo primeiro e segundo volume da trilogia realizada por Peter Jackson alcançaram números bastante generosos nas bilheteiras, sendo que o terceiro volume, intitulado The Hobbit: The Battle of the Five Armies, promete dar bastante lucro à produtora. As sagas de sucesso da MGM não se ficam por James Bond e The Thin Man. Outra das sagas de sucesso foi a conhecida mundialmente Lassie, a famosa Rough Collie criada por Eric Knight, que contou com vários filmes, séries, programas de rádio, entre outros materiais. No caso da MGM, a cadela Lassie protagonizou sete longas-metragens entre as décadas de 40 e 50: falamos de Lassie Come Home (1943), Son of Lassie (1945), Courage of Lassie (1946), Hills of Home (1948), The Sun Comes Up (1949), Challenge to Lassie (1950), The Painted Hills (1951). Lassie fez sucesso, tal como a saga de Andy Hardy, um personagem interpretado por Mickey Rooney ao longo de 16 longas-metragens e uma curta-metragem, entre 1937 (A Family Affair) e 1958 (Andy Hardy Comes Home). Temos ainda a saga de Maisie Ravier, uma personagem interpretada por Ann Sothern ao longo de dez filmes lançados entre 1939 e 1947, contando ainda com um programa de rádio durante vários anos. As obras em questão são Maisie (1939), Congo Maisie (1940), Gold Rush Maisie (1940), Maisie Was a Lady (1941), Ringside Maisie (1941), Maisie Gets Her Man (1942), Swing Shift Maisie (1943), Maisie Goes to Reno (1944), Up Goes Maisie (1946) e Undercover Maisie (1947).

 As sagas de sucesso não se ficam por aqui, algo paradigmaticamente demonstrado por Rocky, que passou a pertencer ao catálogo da MGM após ter adquirido a United Artists (algo que aconteceu também com James Bond e The Pink Panther). Personagem marcante da carreira de Sylvester Stallone, Rocky contou com seis obras cinematográficas, o Oscar de Melhor Filme para a primeira obra da saga e uma legião de fãs. Quanto a The Pink Panther, outra das sagas da United Artists que passou para a alçada da MGM, conta com onze filmes, dos quais os mais bem sucedidos foram protagonizados pelo inimitável Peter Sellers e realizados por Blake Edwards. Vale ainda a pena realçar que os dois últimos filmes da saga, The Pink Panther (2006) e The Pink Panther 2 (2009), foram protagonizados por Steve Martin, resultando numa procura de fazer renascer a franquia, embora não tenha sido lá muito bem sucedida neste quesito. Esta franquia contou ainda com a primeira aparição da famosa Pantera Cor de Rosa, uma personagem de animação criada pela DePatie-Freleng Enterprises, que surgiu na sequência dos créditos iniciais de The Pink Panther. Esta viria a ter várias curtas-metragens produzidas pela United Artists e reunidas no The Pink Panther Show, para além de Pink Panther and Pals, uma série de animação de 2010 que não atingiu o sucesso das curtas. Vale a pena realçar que esta foi uma co-produção da MGM que conta com uma longa tradição no cinema de animação, tendo na criação de Tom & Jerry e Droopy alguns dos seus pontos altos, para além de nos finais dos anos 80 ter ficado com os direitos de All Dogs Go to the Heaven, tendo desenvolvido duas sequelas (uma para home video) e uma série de animação desta agradável franquia. É exactamente sobre estes personagens e filmes de animação que se vai debruçar o próximo capítulo, onde procuramos abordar um pouco da história de alguns destes icónicos personagens


Entre o Gato e o Rato, cães molengas e rafeiros que vão para o céu, MGM e o cinema de animação:

 Diz o ditado popular que ser criança e nunca ter visto os desenhos de Tom & Jerry é como ir a Roma e não ver o Papa. Não é bem assim. Diga-se que este ditado nem existe, mas Tom & Jerry, os icónicos personagens criados por William Hanna e Joseph Barbera, maravilha(ra)m milhares de miúdos e graúdos desde a sua criação, com as constantes repetições nos canais televisivos por cabo e a presença dos DVDs a contribuírem para essa situação. Tom é um gato com tons meio azulados, que procura constantemente caçar Jerry, um rato espertalhão, com boa parte das curtas a envolver este jogo entre o gato e o rato, com o segundo a conseguir levar quase sempre a melhor. Criados por William Hanna e Joseph Barbera, estes personagens protagonizaram mais de cem curtas, com sete a vencerem o Oscar para Melhor Curta-Metragem de Animação, entre as quais The Yankee Doodle Mouse (1943), "Mouse Trouble" (1944), Quiet Please! (1945), The Cat Concerto (1946), The Little Orphan (1948), The Two Mouseketeers (1952), Johann Mouse (1953). Por sua vez, Puss Gets the Boot (1940), The Night Before Christmas (1941), Dr. Jekyll and Mr. Mouse (1947), Hatch Up Your Troubles (1949), "Jerry's Cousin" (1950), "Touché, Pussy Cat!" (1954) foram nomeados para os Oscars na mesma categoria, mas não levaram para casa a famoso prémio. A série contava ainda com um conjunto de personagens populares, tais como o cão Spike e o seu filho Tyke; Nibbles, um pequeno rato cinzento que por vezes surge como sobrinho de Jerry; Muscles, o primo musculado de Jerry, entre outros. Entre 1940 e 1958, Tom & Jerry estiveram a cargo de William Hanna e Joseph Barbera, que faziam parte da unidade de Rudolf Ising da MGM Cartoon Studio, uma divisão fundada pelo lendário Fred Quinby e encerrada em 1957. William Hanna e Joseph Barbera seguiram caminhos separados, enquanto os personagens ganharam nova vida na Era Gene Deitch, um cineasta que realizou trinta curtas de Tom & Jerry que a MGM encomendou à Rembrandt Films. 
 Outro dos períodos mais profícuos dos personagens ocorreu entre 1963 a 1967, a era de Chuck Jones. Este tinha sido despedido da Warner Bros. após vários anos no estúdio, tendo decidido fundar a sua própria companhia ao lado de Les Goldman, a Sib Tower 12 Productions, integrada posteriormente pela MGM e renomeada MGM Animation/Visual Arts, uma divisão que funcionaria como substituta da Metro-Goldwyn-Mayer Cartoon Studio até 1970, data do seu encerramento. Ao todo Jones produziu mais trinta e quatro curtas de Tom & Jerry, imbuindo as mesmas de um estilo próprio. 

 Em 1986, Tom e Jerry conheceram uma mudança relevante que dita muito da sua produção nos dias de hoje. Em 1986, a MGM foi adquirida por Ted Turner, que posteriormente venderia a empresa, mas manteria os direitos de Tom & Jerry, que passariam nas estações de Turner, tais como TBS, TNT, Cartoon Network, Boomerang, entre outras. Esta nova fase, já fora da MGM, conduziria a um filme de animação e a várias obras directas para o mercado de home video, a última das quais Tom and Jerry's Giant Adventure (2013), para além de Tom and Jerry Tales, uma série de animação exibida originalmente na Warner Bros Animation, que contou com duas temporadas e 26 episódios (com 78 segmentos). Embora menos popular, mas nem por isso menos memorável, Droopy foi outro dos personagens animados que deixou marca na MGM. Criado pelo genial Tex Avery, um dos nomes distintos que trabalhou na MGM Cartoon Studio, Droopy surgiu pela primeira vez na curta-metragem Dumb-Hounded a 20 de Março de 1943. Este é um basset hound com forma algo antropomórfica, largas bochechas e aparentemente algo molengão, cujas primeiras falas junto dos espectadores foram "Hello all you happy people ... you know what? I'm the hero", num tom algo deprimido e longe de grande entusiasmo, enquanto procura capturar o seu antagonista, um evadido da prisão. Apesar da sua aparência algo frágil, Droopy tem uma enorme perspicácia e até força, quer seja como um cavaleiro, quer como agente da autoridade, este consegue desembaraçar-se das mais variadas situações. Este apareceu posteriormente numa série de curtas da Filmation, como parte do novo programa de Tom & Jerry, sendo que em 1993 contou com uma série a solo, Droopy, Master Detective, já sob a alçada da Turner Entertainment e da Hanna-Barbera.

 Estes foram dois dos exemplos mais bem sucedidos da animação da MGM, que iniciou a sua incursão no género, ainda que inicialmente na distribuição com Flip the Frog, um sapo verde criado por Ub Iwerks, que teve a sua estreia a 16 de Agosto de 1930, com Fiddesticks, a primeira curta-metragem de animação sonora e desenvolvida no processo de technicolor de duas cores. Flip protagonizaria um conjunto avultado de curtas entre 1930 e 1933, tendo a produção das mesmas sido cancelada neste último ano devido ao seu fracasso junto do público. O projecto seguinte de animação de Ub Iwerks foi Willie Whopper, um personagem que protagonizou uma série de curtas entre 1933 e 1934. Com o final do contrato de distribuição dos projectos de Ub Iwerks, a Metro-Goldwyn-Mayer contratou a dupla Hugh Harman e Rudolf Ising, que tinha recentemente saído da Warner Bros. e trazia consigo Bosko, um personagem cujos direitos pertenciam à dupla, embora já tivesse aparecido em algumas curtas de ambos na Warner. A Harman-Ising Productions desenvolveu entre 1934 e 1937 (Little Ol' Bosko In Bagdad, a última das curtas, foi lançada em 1938) as Happy Melodies, para a MGM, uma espécie de concorrência para as Merrie Melodies da Warner Bros. Perante as constantes derrapagens no orçamento, a MGM decidiu prescindir dos serviços da Harman-Ising Productions, tendo fundado a Metro-Goldwyn-Mayer Cartoon Studio, colocando Fred Quimby, um indivíduo sem experiência em obras do género, como produtor e responsável pela criação do departamento de animação. Nomes como William Hanna e Bob Allen foram apontados como directores, sendo que Carmen Maxwell foi contratado como manager de produção. Sem matéria-prima nas suas fileiras, a MGM foi garimpar a outros lados e contratou Friz Freleng à Leon Schlesinger Productions, Joseph Barbera à Terrytoons, entre outros. Apesar do talento e da ambição, as primeiras curtas de animação desenvolvidas a solo pela MGM foram um fracasso, nomeadamente Captain and the Kids, inspirado nos personagens de Katzenjammer Kids, um conjunto de tiras de animação da autoria de Rudolph Dirks.

 Foram produzidas quinze curtas de Captain and the Kids (duas em technicolor e treze a preto e branco), sendo que este arranque em falso conduziu a que a MGM recontratasse os serviços de Hugh Harman e Rudolf Ising, que criaram um dos primeiros sucessos a nível de animação do estúdio, o personagem Barney Bear. Este urso estreou-se com The Bear That Couldn't Sleep, uma curta lançada a 10 de Junho de 1939, que colocava o protagonista como um urso com várias dificuldades para começar a hibernar devido ao barulho que o rodeava. Barney Bear contou com 26 curtas, exibidas entre 1939 e 1954, embora nunca tenha atingido o sucesso dos já citados Tom & Jerry, bem como Droopy. Em 1957, a MGM decidiu fechar o seu departamento de animação. Após a Metro-Goldwyn-Mayer Cartoon Studio e a MGM Animation/Visual Arts, a MGM criou a secção MGM Animation, onde ainda produziu All Dogs Go to the Heaven 2, bem como o terceiro filme da saga, ainda que directamente para o mercado home video, para além de uma série de televisão baseada nos personagens do filme. Entre as séries de animação, vale a pena realçar The Pink Panther e Robocop: Alpha Comando. No entanto, esta divisão nunca conheceu o fulgor produtivo da Metro-Goldwyn-Mayer Cartoon Studio, com o estúdio a não recuperar das constantes adversidades neste quesito. As adversidades não deixam de contar com alguns fracassos e é exactamente os revezes nas bilheteiras que vamos abordar no próximo capítulo.

 Flops para que não te quero:

 Hoje um filme admirado e até considerado como uma das obras maiores de Tod Browning, Freaks, foi um fracasso aquando da sua estreia, tendo sido banido durante bastante tempo do Reino Unido (um mercado importante, tendo apenas sido exibido em 1963) e visto a sua duração cortada em cerca de trinta minutos. O filme foi ainda devastado pela crítica da época (é sempre interessante verificar estes fenómenos em que o tempo altera por completa a visão sobre os filmes), algo visível em textos de pendor crítico como o de Richard Watts Jr. do New York Herald, que considerou o filme como an unhelty and generally disagreeable work. No Harrison's Reports a opinião do crítico de serviço também não foi nada meiga: "Not even the most morbidly inclined could possibly find this picture to their liking. Saying that it is horrible is putting it mildly: it is revolting to the extent of turning one's stomach, and only iron constitution could withstand its effects... Anyone who considers this entertainment should be placed in the pathological ward in some hospital". A nova leitura que o filme tem nos dias de hoje é bem visível quando encontramos as palavras de Geoff Andrew na Time Out "MGM never knew what hit them with this film; they virtually disowned it, and it remained unseen in Britain until the '60s. It has now achieved deserved recognition as a masterpiece". O filme mescla elementos de drama e terror, comprovando que Browning estava muito à frente do seu tempo. Outro dos fracassos da MGM foi Parnell (1937), um filme protagonizado por Clarke Gable e Myrna Loy, uma das duplas de peso do estúdio. O filme foi arrasado pela crítica, sendo considerado como o pior filme do duo, tendo resultado numa perda a rondar os 637 mil dólares para o estúdio. Se Freaks, Gable e Loy são conhecidos por boa parte dos cinéfilos e conheceram novas leituras ao longo dos tempos, já Yes, Giorgio (1982) continua tão escondido como aquando da sua estreia. Protagonizado por Luciano Pavarotti, como um tenor que perde a sua voz enquanto se encontra nos EUA e é tratado por uma especialista interpretada por Kathryn Harrold, por quem o personagem se apaixona, Yes, Giorgio recebeu um rotundo não do público: 1 milhão de dólares em receitas nos EUA, 1,4 milhões de dólares no resto do Mundo e um prejuízo de 17,6 milhões de dólares. O orçamento era de 19 milhões e o filme teve o condão de terminar com a carreira de Pavarotti como actor de cinema na sua estreia no grande ecrã.

 Pavarotti não foi o único elemento ligado ao mundo da música a espatifar-se por completo nas bilheteiras e a conhecer a doce solidão de ver o seu filme ser exibido em salas de cinema vazias. Veja-se Madonna com o seu Shanghai Surprise (1986), cuja maior surpresa foi para o estúdio, enquanto o realizador Jim Goddard teve de se contentar com seis nomeações para os razzies. Produzido pela MGM e pela United Artists, o filme protagonizado por Madonna e Sean Penn obteve 4,6 milhões de dólares globalmente, valores muito distantes dos 17 milhões de dólares do seu orçamento. Madonna cantou Don't cry for me Argentina em Evita, mas quem ficou a chorar com Shanghai Surprise foi a MGM. Pontos em comum entre Yes, Giorgio e Shanghai Surprise? A crítica e o público não apreciaram. Uma lista de desastres de bilheteira e críticas negativas não poderia ficar completa sem a presença de um mestre na área: Renny Harlin. Falamos de Cutthroat Island (1995), em Portugal A Ilha das Cabeças Cortadas, embora conste que o filme surgiu cerceado de criatividade e talento, tendo recolhido críticas negativas e revelando-se desastroso a nível de bilheteiras (e não terá contribuído de forma lá muito positiva para as carreiras dos seus protagonistas, Geena Davis e Matthew Modine). Vamos a números: cerca de 96,5 milhões de dólares de prejuízo. Quem também não colheu grandes elogios da parte da crítica e do público foi Showgirls, um filme realizado por Paul Verhoeven. Conhecido por filmes como RoboCop e Basic Instinct, Veroheven teve em Showgirls um percalço na sua carreira, embora o filme esteja longe de ser medíocre, tal como o seu resultado não foi dos mais desastrosos, com as bilheteiras internacionais a compensarem o falhanço interno. Calcula-se que o filme tenha um orçamento a rondar os 45 milhões de dólares, tendo alcançado 20,3 milhões de dólares nos EUA e 37,8 milhões de dólares no resto do Mundo. Não chegou para dar lucro (nem todas as receitas das bilheteiras vão para os estúdios), mas esteve longe de ser uma hecatombe, ao contrário de filmes como At First Sight (1999), The Mod Squad (1999) e Supernova (2000).

 Já em pleno ano 2000, a MGM conheceria outro fracasso estrondoso: Supernova. Realizado por Walter Hill e com um elenco onde constavam elementos como James Spader, Angela Bassett, Lou Diamond Phillips e Robert Forster, Supernova perdeu cerca de 75 milhões de dólares para o estúdio. Provavelmente se James Spader tivesse encarnado o seu papel de Alan Shore o resultado poderia ser diferente, ou talvez não. 2002 trouxe outro flop em termos de bilheteiras, quando o resultado esperado seria outro, falamos de Hart's War, um filme protagonizado por Bruce Willis e Colin Farrell, que contava com a realização de Gregory Hoblit. O prejuízo foi de 62,7 milhões de dólares. Os fracassos da MGM em 2002 não se ficam por Hart's War, também Rollerball de John McTiernen gerou um prejuízo avultado, cerca de 44 milhões de dólares. Ainda em 2002, tendo sido produzido pela Lion Rock Productions e a MGM, temos Windtalkers, um filme realizado por John Woo e protagonizado por Nicolas Cage, que perdeu uma verba a rondar os 67 milhões de dólares. Ficamos assim com alguns dos grandes fracassos da MGM, aqueles filmes que os estúdios procuram evitar, mas a imprevisibilidade do público e até da qualidade do resultado final assim o ditam. No entanto, a MGM é sobretudo conhecida por um passado de sucessos e de enorme glória, e como o melhor costuma muitas das vezes ficar para o fim, foi o que decidimos fazer com o próximo subcapítulo, "Os Maiores Êxitos da MGM".

Fama, fortuna e glória - Os Maiores Êxitos da MGM

 Falar de MGM ao longo da sua história é também falar de êxitos de bilheteira, muitos nomeados aos Oscars e a variados prémios. Nesse quesito a MGM sobressai desde logo com Gone With the Wind (1939), uma obra cujos valores, se forem ajustados à inflação dos dias de hoje, atinge o top de filmes com maior receita de bilheteira de sempre com os seus 1.687.072.600 dólares. Os valores obtidos pelo filme produzido por David O. Selznick foram inicialmente de 198,6 milhões de dólares. Tal como em relação a Gone with the Wind, todos os valores abordados ao longo deste subcapítulo contam com o dólar como moeda, pelo que nem sempre faremos referência ao mesmo. Se os valores forem ajustados pela inflação, a MGM tem ainda mais um elemento no top 10 de maiores receitas de sempre, o marcante Doctor Zhivago (1965). O filme realizado por David Lean, tendo como base o marcante livro de Boris Pasternak, alcançaria mais de um milhar de milhão nos dias de hoje (na época 111,7 milhões de dólares), valores estrondosos, com Doctor Zhivago a ter sido bem recebido por público e crítica. Outro filme que surpreende se tivermos em linha de conta os valores ajustados é Ben-Hur (1959) de William Wyler. Protagonizado por Charlton Heston, Ben-Hur alcançou 74 milhões de dólares nas receitas internas (superando largamente os 15 milhões do seu orçamento), valores que hoje seriam cerca de 818,3 milhões de dólares. Outro dos casos que pode passar despercebido é West Side Story, com o filme estreado em 1961 a ter alcançado na época 43,6 milhões de dólares (tinha um orçamento de 6 milhões), valores que hoje rondariam os 467,3 milhões de dólares. Ainda na MGM, It's a Mad, Mad, Mad, Mad World (1963) de Stanley Kramer, com um orçamento de 9,4 milhões, alcançou mais de 46,3 milhões de dólares em receitas internas. Hoje, It's a Mad, Mad, Mad, Mad World teria alcançado algo como 449,8 milhões de dólares, ocupando a 82ª posição ao redor do Mundo (o último filme da MGM a integrar o top 100 com os valores ajustados).

 Se analisarmos apenas os resultados internos do estúdio, sem ajustes pela inflacção, Gone With the Wind mantém o primeiro lugar do top 10, sendo que encontramos de seguida Rain Man, um filme realizado por Barry Levinson e protagonizado pela dupla formada por Tom Cruise e Dustin Hoffman. Este efectuou cerca de 172,8 milhões de dólares nos EUA e $182.000.000 ao redor do Mundo, valores que superaram largamente o orçamento de 25 milhões de dólares. Se os valores das receitas internas fossem ajustados aos dias de hoje, Rain Man teria alcançado 361,4 milhões de dólares. O terceiro lugar das receitas de bilheteiras dos filmes da MGM no território yankee encontra-se com Hannibal, com o filme realizado por Ridley Scott a alcançar 165 milhões de dólares ($351.692.268 globalmente, algo de positivo se tivermos em conta os 87 milhões do seu orçamento). O top 5 fica completo com Die Another Day (160,9 milhões de dólares internos) e Rocky IV com 127,8 milhões. Temos ainda vários outros êxitos do estúdio, veja-se obras como Rocky III (1982), com 270 milhões de dólares em receitas ao redor do Mundo (orçamento de 17 milhões), "Moonstruck" que obteve 80,6 milhões de dólares globalmente (15 milhões de orçamento), A Fish Called Wanda (1988), que alcançou 62,4 milhões de dólares (globalmente), valores que superam e muito os 7,5 milhões do seu orçamento, Red Dragon (2002) que superou os 209 milhões em receitas (orçamento de 78 milhões), entre vários outros sucessos a nível de bilheteira.

 Estes foram alguns filmes da MGM que mais proveitos financeiros trouxeram para o estúdio e permitiram uma grande fonte de receitas, mas em alguns dos casos, também trouxeram uma série de prémios. Ben-Hur é o filme do estúdio com mais vitórias nos Oscars, tendo sido nomeado para doze categorias e vencido onze galardões (apenas Titanic e The Lord of the Rings: Return of the King conquistaram tanta estatueta), entre os quais de Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Actor. Outro dos grandes vencedores da MGM foi Gone With the Wind, que na 12ª edição dos Oscars superou a sua forte concorrência (incluindo Ninotchka, Goodbye, Mr. Chips e The Wizard of Oz, os três da MGM) tendo vencido em dez categorias (oito competitivas e duas honorárias), incluindo as de Melhor Filme e Melhor Realizador. Vale a pena recordar que até aos anos 50 a MGM apresentou uma quantidade impressionante de nomeados para os Oscars, algo que não se repercute a partir dos anos 90. Até Ben-Hur, o último filme produzido exclusivamente pela MGM a ganhar o Oscar de Melhor Filme, é impressionante verificar o número de nomeações aos Oscars dos filmes da MGM. Vejamos apenas na categoria de Melhor Filme, onde logo na segunda edição contou com dois nomeados, The Broadway Melody e Hollywood Revue, com o primeiro a vencer numa categoria que contava com cinco nomeados. Na terceira edição, The Big House e The Divorcee estiveram entre os nomeados, tal como na quarta edição estaria Trade Horn. Na quinta edição (1932), o Leão da MGM voltou a rugir mais alto do que a concorrência e trazer para casa a estatueta de Melhor Filme por Grand Hotel, o filme realizado por Edmund Goulding que contava no elenco com estrelas como Greta Garbo, Joan Crawford, Lionel Barrymore, sendo resultado da primeira experiência do estúdio em reunir todas estas vedetas. 

 Para além de Grand Hotel, também The Champ esteve como representante da MGM (desta vez entre oito nomeados). A década de 30 foi particularmente proveitosa para o estúdio em termos de nomeações para os Oscars, visto que todos os anos contou com nomeados, sendo que em 1936 chegou a contar com 5 nomeados para Melhor Filme, entre os quais The Great Ziegfield, o vencedor (mais um êxito do estúdio também a nível de bilheteira). O estúdio contaria ainda com 4 nomeações para Melhor Filme em 1935 (vencedor por Mutiny on the Bounty), 1938 e 1939 (vencedor por Gone With the Wind). Na década de 40 do Século XX, os filmes da MGM também foram uma presença constante entre os nomeados para Melhor Filme, não contando com películas nesta categoria apenas em 1947 e 1948, tendo em Mrs. Miniver (1942) o único vencedor desta década.
Chegamos então aos anos 50 e voltamos a ter mais nomeados e vencedores da MGM, com excepção dos anos entre 1955 a 1957, onde não constou um único filme. Ao todo foram três vencedores na década de 50, An American in Paris (1951), Gigi (1958) e Ben-Hur (1959). Este foi o canto do cisne da MGM, que a partir dos anos 60 viu a sua relevância definhar, no que diz respeito a nomeações para os Oscars. O último nomeado para melhor filme da MGM (filme exclusivamente do estúdio) foi Moonstruck, realizado por Norman Jewison. Partindo deste ponto da relevância ou de falta dela da MGM, vamos agora abordar o presente e um pouco do futuro da companhia, efectuando algumas das antevisões dos próximos projectos dos estúdios e até analisando algumas das obras mais recentes da empresa.

O que nos traz a MGM?

 Até aos anos 50 com um passado para recordar, a MGM procura nos dias de hoje, ainda que em co-produções, recuperar um pouco do estatuto que foi perdendo com o passar dos anos, e diga-se que se é verdade que podemos colocar em causa o valor cinematográfico de algumas dessas obras, estas por sua vez nem se saíram mal de todo nas bilheteiras. 21 Jump Street (co-produzido com a Columbia Pictures, Relativity Media, Original Film e Cannell Studios) obteve 201,5 milhões de dólares ao redor do Mundo (tinha um orçamento de 42 milhões), Skyfall (orçamento de 200 milhões de dólares) e The Hobbit: An Unexpected Journey (orçamento a rondar os 300 milhões de dólares) ultrapassaram a casa dos mil milhões de dólares. Por sua vez, filmes como Hope Springs (2012), Hansel & Gretel: Witch Hunters (2013), G. I. Joe: Retaliation (2013), o remake de Carrie e The Hobbit: The Desolation of Smaug apresentaram resultados globais bem superiores ao seu orçamento. Em 2014 a MGM estreou RoboCop, um filme co-produzido com a Columbia Pictures e Strike Entertainment, tendo a realização de José Padilha. Este foi um dos grandes desafios do estúdio, efectuando um remake a uma obra com enorme culto, cujos fãs mais conservadores julgaram e criticaram desde que o filme foi anunciado, podendo juntar-se a Total Recall na lista de remakes de obras de Paul Verhoeven que não foram bem sucedidos. A acção é menos gráfica devido à sua classificação etária, enquanto que o elenco está longe de ser péssimo, contando com Joel Kinnaman (um actor que protagonizou a trilogia Easy Money e a versão yankee da série The Killing), Samuel L. Jackson, Gary Oldman, Michael Keaton, Jackie Earle Haley, Michael K. Williams, entre outros. RoboCop estreou a 12 de Fevereiro de 2014 nos EUA. O filme conseguiu ter um resultado a nível de bilheteira bem mais positivo fora dos EUA do que no interior do seu país, tendo efectuado cerca de 68 milhões de dólares nos EUA e 184 milhões de dólares ao redor do Mundo, conseguindo um valor a rondar os 242,6 milhões de dólares, que superam e muito os 100 milhões de dólares do seu orçamento (aos quais devemos juntar o valor do marketing). Já a recepção da crítica não foi a mais positiva, tendo dividido opiniões de forma clara, algo visível quando visitamos sites agregadores de críticas como o Rotten Tomatoes (48% de críticas positivas e uma média de 5.6/10 em termos de classificação) ou o Metacritic (52/100). As estreias de obras produzidas pela MGM e estreadas em 2014 não se ficam por RoboCop, temos ainda 22 Jump Street (co-produzido com a Columbia Pictures, Relativity Media, Original Film and SJC Studios), Hercules (co-produzido com a Paramount Pictures), If I Stay (co-produzido com a Warner Bros.), The Hobbit: The Battle of the Five Armies (co-produção com Warner Bros., New Line Cinema e WingNut Films), Hot Tub Time Machine 2 (co-produzido com Paramount Pictures, United Artists e New Crime Productions).

 Comecemos por abordar 22 Jump Street, uma obra que estreou originalmente a 13 de Junho de 2014. 22 Jump Street volta a contar com a dupla de protagonistas do primeiro filme, Jenko (Tatum) e Schmidt (Hill), contando ainda com os realizadores de 21 Jump Street, Phil Lord e Chris Miller (que tiveram recentemente um êxito considerável com The Lego Movie). O enredo coloca Jenko e Schmidt a trabalharem infiltrados numa faculdade para resolverem um caso. Quando Jenko (Tatum) se mistura com a equipa de futebol americano e Schmidt (Hill) adere à cena artística-boémia local, a dupla de protagonistas passa a questionar a sua parceria. O primeiro filme foi baseado na série homónima que outrora contara com Johnny Depp como protagonista, com a sequela a repetir o êxito tendo efectuado 322 milhões de dólares em receitas ao redor do Mundo, valores que superam e muito os 50 milhões de dólares do seu orçamento. O filme chegou numa fase onde não só as carreiras de Channing Tatum e Jonah Hill se encontram num grande momento, mas também a dos seus realizadores, algo comprovado pelos excelentes resultados a nível de receitas. Quem não teve a vida facilitada foi Hercules, apesar do apelo de Dwayne Johnson junto do público. O filme foi realizado por Brett Ratner, um nome algo irregular, que já nos trouxe obras como as da trilogia Rush Hour, mas também já "cometeu" X-Men: The Last Stand e Tower Heist. Outro dos desafios do estúdio foi ter de lidar com a publicidade negativa gerada por The Legend of Hercules, com Renny Harlin a revelar-se um estripador de filmes. Dwayne Johnson tem muito mais apelo junto do público do que Kellan Lutz (um actor cujo carisma e expressividade aproximam-se dos de uma parede), a lenda de Hércules é relativamente popular, embora desde o filme de animação da Disney lançado em 1997 e da série protagonizada por Kevin Sorbo que não assistimos a uma adaptação que consiga cativar totalmente o público. Hercules é baseado na graphic novel Hercules: The Thracian Wars, contando ainda com um elenco secundário onde constam Ian McShane, John Hurt, Peter Mullan e até Irina Shayk, uma modelo russa bem conhecida dos portugueses por ser namorada de Cristiano Ronaldo e por alguns talentos que não envolvem a representação. Se a crítica não foi muito positiva para com Hercules, já o público internacional permitiu “salvar” as receitas de bilheteira do filme.

 Internamente “Hercules” conseguiu 72,4 milhões de dólares, valores que não chegam aos 100 milhões de dólares do seu orçamento (mais os valores dispendidos no marketing). No entanto, se juntarmos os 72,4 milhões de dólares mais os 151 milhões de dólares que o filme conseguiu internacionalmente, já permitem que a MGM respire um pouco de alívio, algo que também aconteceu com Robocop. O filme estreou a 25 de Julho de 2014 nos EUA. Quem também estreou este Verão foi If I Stay, um filme protagonizado por Chloe "Hit-Girl" Moretz, realizado por R.J. Cuttler. O filme estava para sair do papel desde 2009. Catherine Hardwicke foi inicialmente ligada ao cargo de realizadora, tendo posteriormente abandonado o cargo e entrado em cena Heitor Dhalia. Dakota Fanning foi durante algum tempo associada ao cargo de protagonista, mas Chloe Moretz ficou com o mesmo. O enredo de If I Stay centra-se na obra literária homónima da autoria de Gayle Forman, tendo como pano de fundo a história de Mia, uma música que vai ter de enfrentar o maior desafio da sua vida quando tem de lutar contra a morte, após ter sofrido um grave acidente de viação. Em estado de coma, Mia depara-se com uma experiência fora do seu corpo, conseguindo observar a sua família e os seus amigos, ao mesmo tempo que vê as suas memórias passarem à frente dos seus olhos. Esta terá de decidir se deve acordar e viver uma vida com mais dificuldades do que antecipava ou morrer. Apesar de não ter entusiasmado a crítica, If I Stay conseguiu obter 72,5 milhões de dólares ao redor do Mundo, valores que superam e muito os 11 milhões de dólares do seu orçamento. Já sobre The Hobbit: The Battle of the Five Armies é possível prever um sucesso considerável, tal como aconteceu com os capítulos anteriores, com os fãs fiéis a certamente não desarmarem no último filme da saga. Nem sempre bem recebidos pela crítica, The Hobbit: An Unexpected Journey e The Hobbit: The Desolation of Smaug conseguiram despertar a atenção do público, pese alguma incapacidade de Peter Jackson em atingir os consensos da trilogia de The Lord of the Rings.

 Em 2015 teremos também aquela que parece ser uma das imagens de marca do estúdio, a aposta em filmes de franquias estabelecidas e remakes. É nesse sentido que vamos ter o remake de Poltergeist (co-produzido com a 20th Century Fox, Fox 2000 Pictures, Ghost House Pictures e Vertigo Entertainment), realizado por Gil Kenan e produzido por Sam Raimi, tendo no elenco Sam Rockwell, Jared Harris, Rosemarie DeWitt, entre outros. O filme deve contar com um orçamento modesto e provavelmente vai conseguir captar a atenção dos amantes do género e, tal como em "Carrie", chegar a um público pouco interessado nos filmes originais. Para além de Poltergeist, temos a estreia de Hot Tub Time Machine 2. Realizado por Steve Pink, o mesmo cineasta do filme original, Hot Tub Time Machine 2 conta com boa parte do elenco do primeiro filme, não faltando a presença de Craig Robinson, Rob Corddry, Chevy Chase, Gillian Jacobs e Clark Duke. Adam Scott é ausência, tendo entrado para o seu lugar John Cusack. Hot Tub Time Machine foi um sucesso moderado do estúdio, tendo alcançado cerca de 61 milhões de dólares em receitas de bilheteira, quase o dobro do seu orçamento. Temos ainda em desenvolvimento o muito aguardado novo filme da saga James Bond, nomeadamente o vigésimo quarto (co-produção com Columbia Pictures, Danjaq LLC e Eon Productions). Ainda não sabemos o título, o tema musical, mas o regresso de Sam Mendes como realizador e de John Logan como argumentista trazem alguma segurança, esperando-se que o filme volte a tocar em vários elementos icónicos da saga, depois de Skyfall nos ter deixado com água na boca com os regressos de Moneypenny, Q e até a entrada em cena de Ralph Fiennes como M. Para 2016, o estúdio tem prevista a nova adaptação cinematográfica de Ben-Hur, que será realizada por Timur Bekmambetov. Temos assim um estúdio a procurar reerguer-se, após não ter conseguido moldar-se às transformações que ocorreram no meio cinematográfico e no Mundo ao longo dos seus noventa anos de existência. Muitos dias passaram desde a sua criação, mas é inegável o papel de relevo que a Metro-Goldwyn-Mayer tem para a história do cinema, mesclando entre os anos 20 e 50 um romantismo a uma atitude comercial, apaixonando-nos com nomes como Greta Garbo, John Gilbert, Clark Gable, Joan Crawford, Katharine Hepburn, Spencer Tracy, entre muitos outros que encantaram em várias obras onde o leão rugia antes do início do filme. Em 2014, o Leão da MGM continua a rugir, não tão alto como outrora, mas pronto a marcar o seu território numa selva que já chegou a dominar.

1 comentário:

Raul Camilo Coelho disse...

excelente essa matéria você está de parabéns