29 outubro 2014

Estreias da semana - 30 de Outubro de 2014

Boa-tarde, caros leitores, e bem-vindos a mais um post das estreias da semana.

A partir de amanhã, dia 30 de Outubro, vamos ter nas salas de cinema portuguesas onze novos filmes, sendo que o Aníbal já viu cinco deles (!), tendo escrito uma crítica sobre cada um. Focar-nos-emos antes de mais nesses filmes, e depois ainda mencionarei algumas informações essenciais sobre as restantes obras que, por alguma razão, me chamaram a atenção.


Em relação aos filmes sobre os quais já temos opinião começo por destacar "Sara Prefere Correr", um drama canadiano que ganhou alguns prémios nos festivais de Buenos Aires, Vancouver e Baja, e que o Aníbal apreciou, como podem comprovar pela conclusão da crítica que ele lhe escreveu: «Ficamos perante uma personagem feminina forte, com Sophie Desmarais a convencer-nos como esta jovem para quem a corrida surge como algo de libertador ou pelo menos permite-lhe durante esse período evitar as possíveis dúvidas que lhe assolam a alma. O convívio com outros seres humanos não parece ser o seu forte, algo notório numa cena de cariz sexual marcada por enorme estranheza. Finalmente chegou à idade adulta mas depara-se com uma das mais difíceis perguntas. O que fazer agora? A corrida parece ser a saída mais viável, um desporto que esta domina e demonstra ter talento. Mais do que amar e ter a sua saúde controlada, "Sara prefere correr" e é essa paixão pela corrida que nos é transmitida ao longo deste drama onde os sentimentos não são expostos à velocidade destas atletas, mas sim com realismo e uma ponderação que facilmente tornam esta primeira longa-metragem realizada por Chloé Robichaud como um trabalho a ter em atenção

O filme foi realizado e escrito por Chloé Robichaud, e o seu elenco é composto por Sophie Desmarais, Jean-Sébastien Courchesne, Hélène Florent, Micheline Lanctôt, Geneviève Boivin-Roussy, entre outros.

Sinopse (Sapo): A atleta Sarah tem sua vida alterada com uma oferta para treinar no melhor clube de atletismo universitário. Ao lado de Antony, ela deixa a sua cidade natal mas precisa de encontrar meios para se sustentar sem a ajuda da mãe. Para conseguir um subsídio do Estado, a jovem decide casar-se com o amigo, mas rapidamente percebe que um casamento aos vinte anos não era exatamente aquilo que esperava…

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Chega-nos igualmente "Comer Dormir Morrer", um filme sueco que já passou pelo IndieLisboa de 2013, e que o Aníbal também admirou. Eis parte do texto que ele lhe escreveu: «O desempenho da actriz sobressai ainda mais graças ao excelente trabalho de fotografia, ao registo próximo do documentário, ao mesmo tempo que os close ups frequentes adensam a expressividade dos seus sentimentos, do seu rosto e da sua alma. Delicado, simples e incrivelmente humano, "Eat Sleep Die" aborda temáticas relacionadas com alguns problemas da sociedade contemporânea com uma enorme sensibilidade, surpreendendo e conseguindo comover-nos de uma forma que não esperávamos inicialmente. A certa altura do filme, Rasa observa alguns dos seus colegas a serem chamados para serem despedidos. A câmara de filmar foca-se no seu rosto, nos gestos das suas mãos. Nota-se um enorme nervosismo. À volta de Rasa, ouve-se apenas o som das máquinas, incessantes e frenéticas, quase que substituindo o bater do seu coração em plena palpitação. Um momento sublime que anuncia um despedimento, numa obra que promete não despedir Gabriele Pichler do público e da realização cinematográfica

A obra foi realizada e escrita por Gabriela Pichler. Jonathan Lampinen, Milan Dragišic, Nermina Lukac, Peter Fält e Ružica Pichler fazem parte do seu elenco.

Sinopse (Sapo): Alguma vez se perguntou quem embalou a salada fresca que está a utilizar no seu almoço?
Quem são estas pessoas despedidas das fábricas nas pequenas cidades rurais?
Quando uma vigorosa e jovem muçulmana Sueco/bósnia, a operária Raša, que tem uma atitude desprendida perante a vida, perde o seu trabalho, ela enfrenta o drama do desemprego.
Sem diploma de ensino médio, sem emprego – apesar das "suas botas estarem profundamente manchadas pela lama da pequena cidade onde cresceu" - Raša vai entrar em rota de colisão com a sociedade e com o caricato mundo da burocracia, que contradiz os seus próprios valores e expectativas.
Todas as personagens principais do filme são representadas por actores no seu primeiro papel.

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Teremos também o thriller britânico/francês/norte-americano "As Duas Faces de Janeiro", protagonizado por Viggo Mortensen, Oscar Isaac e Kirsten Dunst, que o Aníbal viu e achou alguma piada, como se pode comprovar pela sua crítica: «O título do filme remete para o Deus Romano Janus, algo explicado na página do IMDB do filme "The month of January is named after Janus, the Roman god of transitions,beginnings, gates, doors, doorways, passages and endings, and as suchis usually portrayed with two faces, one looking to the future and the other to the past", ou seja uma metáfora que serve na perfeição na narrativa, ou não ficássemos também perante um início de uma relação complicada, portas que se fecham e outras que se abrem, mas também duas faces distintas (Rydal e Chester) que não são assim tão diferentes. O facto de ter como pano de fundo o início da década de 60 conduz a que o figurino tenha algum cuidado a respeitar a época, apresentando uma elegância que é partilhada em alguns momentos pela sua cinematografia, mas também pela adequada banda sonora de Alberto Iglesias. "The Two Faces of January" não é o melhor thriller que já se viu por aí e provavelmente não vai mudar a vida de ninguém, mas nem por isso deixa de nos colocar perante alguns momentos inquietantes e um duelo de vontades magnífico entre os personagens interpretados por Viggo Mortensen e Oscar Isaac, dois actores talentosos que exibem aqui alguns dos seus recursos, ao mesmo tempo que Hossein Amini pode dizer que conseguiu estrear-se com sucesso na realização de longas metragens.»

O filme é realizado por Hossein Amini (argumentista de "Drive"), através do argumento do próprio. "The Two Faces of January"conta no elenco com Kirsten Dunst ("On the Road"), Oscar Isaac ("Inside Llewyn Davis"), Viggo Mortensen ("On the Road"), entre outros.

O argumento de "The Two Faces of January" é inspirado no livro homónimo da autoria de Patricia Highsmith, publicado em 1964. O enredo desenrola-se em Atenas, Creta e Paris, e acompanha Chester MacFarland, um falsificador, que acidentalmente assassina um polícia grego que encontrava-se a investigá-lo. Chester vai contar com a ajuda da namorada, Colette, e de um estranho chamado Rydal Keener para encobrir o assassinato e tentar sair do país. O crescente envolvimento de Rydal com Colette, conduz a um aumentar da paranóia e ciúmes de Chester, traduzindo-se numa batalha de vontades entre estes dois homens.

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Estreia ainda, obviamente, o blockbuster "Tartarugas Ninja: Heróis Mutantes", uma obra produzida pelo infame Michael Bay. O nosso crítico já a observou, não ficou maravilhado, e escreveu-lhe um texto que termina da seguinte forma: «Com uma banda sonora pronta a adornar os episódios do enredo como se tivessem um relevo que não têm, algumas cenas de acção bem coreografadas e diversos momentos de humor que resultam, "Teenage Mutant Ninja Turtles" mostra paradigmaticamente que bons efeitos especiais (sobretudo a nível da tecnologia de captura de movimentos) não chegam por si só para fazer um bom filme. Falta uma capacidade de sentirmos que as Tartarugas estão em perigo, falta um argumento capaz de dar maior desenvolvimento aos antagonistas, falta maior competência, com Jonathan Liebesman a provar que pior do que Michael Bay só mesmo a imitação deste último. "Teenage Mutant Ninja Turtles" está longe de ser o desastre anunciado, mas também está longe de surpreender, com o adjectivo de suportável a ser o que melhor consigo aplicar a este filme.»

O filme foi realizado por Jonathan Liebesman ("Battle: Los Angeles") e o argumento originalmente escrito por Art Marcum e Matt Holloway (dupla de "Iron Man") e rescrito por Andrew Nemec e Josh Appelbaum ("Mission: Impossible - Ghost Protocol").

A obra conta no elenco com Will Arnett, Pete Ploszek, Jeremy Howard, Noel Fisher, Danny Woodburn, Alan Ritchson, Megan Fox, William Fichtner, Whoopi Goldberg, entre outros.

Sinopse: A cidade precisa de heróis. A escuridão instalou-se em Nova Iorque desde que Shredder colocou o seu punho de ferro em todo o lado, da polícia aos políticos. O futuro é cruel até quatro improváveis irmãos se erguerem dos esgotos e descobrirem o seu destino como Tartarugas Ninja. Estes heróis mutantes vão ter de trabalhar com a destemida repórter April O’Neil (Megan Fox) e com o seu rabugento cameraman, Vern Fenwick (Will Arnett), para salvar a cidade e desvendar o plano diabólico de Shredder.

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Os filmes sobre os quais temos opinião terminam com o brasileiro "Lixo", que o Aníbal achou fraquinho, apesar de ter reparado nalguns bons pormenores. Eis como se concluiu a sua crítica: «A cinematografia de Adriano Goldman é capaz de dar uma perspectiva da dimensão desta lixeira, com os planos bem abertos a permitirem uma exposição das vastas gentes que procuram bens nestes locais, para além de sobressair na criação da atmosfera sombria no cemitério que logo é ridicularizada com uma reviravolta sem pés nem cabeça. Diga-se que os momentos pouco plausíveis são o prato forte do filme, não faltando coincidências várias ao longo desta adaptação da obra literária homónima. Na sua conta do Twitter, Fernando Meirelles, um dos produtores de "Trash", salienta que "Crítica de cinema as vezes é pior do que pesquisa eleitoral. Nada parece bater com nada." Transportando "Trash" para a política, também é caso para dizer que esta obra promete mais do que cumpre, terminando o seu mandato com nota negativa.»

O filme foi escrito por Stephen Daldry, através de um argumento de Richard Curtis.

Rooney Mara, Martin Sheen, Wagner Moura, Selton Mello, Gabriel Weinstein, Eduardo Luis, Rickson Tevez, entre outros, compõem o seu elenco.

Sinopse (Sapo): Quando dois rapazes das favelas do Rio de Janeiro, encontram uma carteira no meio dos detritos diários da lixeira local onde trabalham, não podiam imaginar que as suas vidas iriam mudar para sempre. No momento em que a polícia aparece, oferecendo uma grande recompensa pela carteira, Rafael e Gardo, percebem a importância do achado. Juntamente com outro amigo, Rato, este trio inicia uma extraordinária viagem de fuga à polícia e ao encontro dos segredos que a carteira esconde.

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Vamos ter também um filme potencialmente interessante, em concreto o documentário holandês e ucraniano "A Praça", que consistiu no filme de abertura do DocLisboa deste ano.

O filme foi realizado por Sergey Loznitsa, que já tem uma vasta experiência além de presenças frequentes em festivais internacionais de cinema, tendo arrecadado prémios em Cannes (por "V tumane"), Cracóvia, Talinn, entre outros.

Sinopse (Sapo): «A Praça» relata a insurreição popular ucraniana no Inverno 2013-2014.
Foi nessa praça, em Novembro de 2013, que os cidadãos de todas as idades e de todas as confissões se reuniram para protestar contra o regime do presidente Yanukovich.
Foi obrigado a demitir-se no final de Março de 2014.
De Novembro a Março, Sergei Loznitsa filmou Maidan.



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Quero ainda destacar "Filho de Deus", uma adaptação realizada por James Franco a uma obra literária escrita por Cormac McCarthy, protagonizada pelo próprio, e que não teve o maior sucesso junto da crítica norte-americana.

Para além de realizar e protagonizar o filme , foi o próprio Franco a escrever o argumento de "Child of God", em conjunto com Vince Jolivette, com quem já tinha colaborado em "Sal".

No elenco da obra James Franco vai ser acompanhado por alguns dos seus habituais contribuidores como Jim Parrack e Tim Blake Nelson, para além de Scott Haze, Jeremy Ambler, Fallon Goodson, Vince Jolivette (o argumentista do filme), entre outros.

A história de "Child of God" é uma adaptação da obra homónima de Cormac McCarthy. O livro foi traduzido para português com o título Filho de Deus, e a sua sinopse é a seguinte (Wook): «Filho de Deus é a história de Lester Ballard, um solitário homem rural que foi afastado das suas terras. Psicologicamente desequilibrado, mas dotado de uma imaginação fértil, cruel e pervertida, deambula pelos montanhosos domínios do Tennessee

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Realço por fim a estreia de "Pulp: Um filme sobre a vida, a morte e supermercados", um documentário centrado num concerto da famosa banda britânica na sua terra natal.

O documentário foi realizado por Florian Habicht.

Sinopse (Sapo): Sheffield, 1988, "The Day That Never Happened". Depois de um concerto de despedida desastroso na sua terra natal, os Pulp mudam-se para Londres em busca de sucesso. Encontram o seu caminho da fama mundial nos anos 90, com hinos como Common People, Disco 2000 e Babies. Em 2012 voltam a Sheffield para darem o último concerto na Grã-Bretanha. Com uma actuação única nas suas carreiras para este filme, a banda partilha as suas ideias sobre a fama, o amor, a mortalidade e... a manutenção de um carro.




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Para além das obras aqui mencionadas estreia ainda o drama romântico norte-americano "Dei-te o Melhor de Mim"; a comédia portuguesa "Mau Mau Maria", com António Raminhos, Eduardo Madeira e José Pedro Gomes; e a obra de ascendência angolana "O Grande Kilapy".

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