19 setembro 2014

Doclisboa 2014 - "Maïdan" é o filme de abertura. "Socialism" o filme de encerramento

 Estamos na época dos festivais de cinema, ou seja, o paraíso de muitos cinéfilos e o pesadelo de muitas carteiras. A 12ª edição do Doclisboa – Festival Internacional de Cinema está quase a começar. De acordo com o comunicado lançado para a imprensa, a sessão de abertura do Doclisboa 2014 realiza-se no dia 16 de Outubro, Quinta-Feira, às 21h30, no Grande Auditório da Culturgest, com "Maïdan", um filme que retrata os protestos populares que tiveram início em Novembro de 2013 na praça central de Kiev contra o regime do presidente deposto Viktor Yanukovich. Sergei Loznitsa, nascido na Bielorrússia (n. 1964) e criado na Ucrânia, estreou Maïdan na edição deste ano do Festival de Cannes, onde recebeu o prémio FIPRESCI, atribuído pela Federação Internacional de Críticos de Cinema. À mesma hora da sessão de abertura, serão exibidos dois filmes no Pequeno Auditório da Culturgest (21h15): "Medium Earth", do colectivo artístico baseado em Londres The Otolith Group, fundado por Anjalika Sagar e Kodwo Eshun. O colectivo esteve nomeado em 2010 para o prémio Turner e em 2012 integrou a programação do Doclisboa com "The Radiant", um filme sobre o desastre de Fukushima. Segue-se a curta-metragem "Traces", de Wang Bing, realizador já conhecido do público do Doclisboa por ter vencido o Grande Prémio das edições de 2010 e 2012. Também no dia 16 de Outubro, no Cinema São Jorge, às 21h30, será exibido o filme "Ai Weiwei’s Appeal ¥15,220,910,50", do artista e crítico social e político chinês Ai Weiwei.

A edição de 2014 do Doclisboa encerra no dia 26 de Outubro, com "Socialism", do realizador, crítico e historiador de cinema finlandês Peter von Bagh. "Socialism" é um ensaio sobre o poder que o cinema tem de configurar a vida dos homens, construir ilusões ou até de mentir. Juntamente com os irmãos Mika e Akki Kaurismäki, Peter von Bagh foi co-fundador em 1986 do Midnight Sun Film Festival, na Finlândia. Outra das novidades reveladas no comunicado centra-se na homenagem a três realizadores: o brasileiro Eduardo Coutinho, o alemão Harun Farocki e o francês Alain Resnais, todos falecidos este ano. De Alain Resnais serão exibidos os documentários "Les statues meurent aussi" (com Chris Marker, 1953), "Toute la Mémoire du Monde" (1956) e "Nuit et Brouillard" (1955). De Harun Farocki, em diferentes secções, serão apresentados "Catch Phrases – Catch Images" (1985), "Respite" (2007) e "Sauerbruch Hutton Architekten" (2013). Em colaboração com a Nitrato Filmes, será exibido "Cabra, marcado para morrer" (1984), de Eduardo Coutinho. Este filme será acompanhado por uma sessão com dois filmes com ele relacionados, "Sobreviventes de Galileia" (2014) e "A família de Elizabeth Teixeira" (2014).

O mesmo comunicado divulgou ainda informação bastante interessante sobre a secção "Heartbeat". Nesta edição, a secção Heart Beat, dedicada a documentários que se constroem na relação com a música e as artes performativas, inaugura com o "Fado Camané", de Bruno de Almeida, no dia 17 de Outubro, no Cinema São Jorge. "Fado Camané" acompanha o processo de criação de um álbum de fado de Camané. Músicos, compositores, poetas, intérprete: juntos num tempo e num espaço de criação e de escuta, num rigoroso trabalho de procura de uma almejada perfeição. Pela primeira vez, o Doclisboa vai ter um filme a encerrar esta secção e na véspera do primeiro aniversário da morte de Lou Reed exibe "Berlin", de Julian Schnabel, no dia 26 de Outubro. "Berlin", de Julian Schnabel é um filme sobre o polémico álbum "Berlin" (1973), cuja encenação foi discutida durante mais de 30 anos e que em Dezembro de 2006 se tornou realidade. Usando a cidade dividida de Berlim como pano de fundo, a história de Caroline e seus amantes é contada nas palavras emocionantes e provocadoras de Lou Reed. O programa da 12ª edição do Doclisboa – Festival Internacional de Cinema será apresentado no dia 23 de Setembro, às 11h00, na Culturgest. A edição de 2014 do Doclisboa decorre entre os dias 16 e 26 de Outubro de 2014.

Sem comentários: