24 julho 2014

Estreias da semana - 24 de Julho de 2014

Boa noite, caros leitores, e bem-vindos a mais um post das estreias da semana.

A partir de hoje, dia 24 de Julho, vamos ter sete novos filmes nas nossas salas de cinema, de vários géneros e nacionalidades, sobre os quais passarei brevemente a debitar.

O filme que destacamos, antes de qualquer outro, é "A Imigrante", a nova obra do James Gray, que o Aníbal já viu, e gostou muito. Para comprová-lo, eis um excerto da crítica que ele lhe escreveu: «Gray tirou ainda inspiração da história dos seus avós, oriundos da Rússia, também chegados a Ellis Island, que pouco diluíram a cultura da sua terra natal nos EUA, adaptando-se ao país, mas mantendo uma reverência com o passado, algo aproveitado pelo cineasta que ainda coloca uma fotografia dos seus avós, preservando nas imagens em movimento as figuras que se encontram imóveis numa foto marcada por uma história própria. Este é também um filme muito próprio de James Gray, onde tudo se desenrola a um ritmo aparentemente e pertinentemente passivo é certo, mas aos poucos vamos sendo conquistados para este épico grandioso de sentimentos, marcado pelo lado mais negro do sonho americano e algumas reviravoltas inesperadas, onde James Gray volta a deixar bem vincado o seu talento (aquele final está ao alcance de poucos realizadores). No interessante artigo "Era uma vez na América", sobre a retrospectiva a James Gray no Lisbon & Estoril Film Festival, Luís Miguel Oliveira salienta que "(...) Gray é um cineasta maravilhoso" e que é "(...) um dos mais fervorosamente cultivados cineastas americanos da sua geração". Se antes da visualização de "The Immigrant" estas afirmações já eram bastante certeiras, depois de vermos o mais recente trabalho de James Gray, estas ganham ainda mais sentido

"The Immigrant" foi realizado por James Gray, através do argumento do próprio e Ric Menello, recriando assim a dupla de "Two Lovers". O filme conta no elenco com Joaquin Phoenix, Jeremy Renner ("The Bourne Legacy"), Marion Cotillard ("Inception"), Dagmara Dominczyk ("The Count of Monte Cristo"), Angela Sarafyan ("A Good Old Fashioned Orgy"), Antoni Corone ("The Punisher"), DeeDee Luxe, entre outros.

A sinopse de "The Immigrant" é a seguinte: «1920. Em busca de um novo começo e do sonho americano, Ewa Cybulski e a sua irmã Magda navegam para Nova Iorque a partir da Polónia, a terra natal de ambas. Ao chegarem a Ellis Island, os médicos descobrem que Magda está doente, e as duas mulheres acabam por se ver separadas uma da outra. Ewa é lançada para as duras ruas de Manhattan enquanto a sua irmã é posta em quarentena. Sozinha, sem saber para onde ir e desesperada por se reunir com Magda, esta irá rapidamente ver-se na companhia de Bruno, um homem charmoso mas malévolo que a acolhe e força-a a enveredar pela prostituição. E num determinado dia, Ewa encontra o primo de Bruno, o ilusionista Orlando. Este irá atraí-la de rompante e tornar-se-á na sua única hipótese para escapar ao pesadelo que é, agora, a sua vida

Trailer





O nosso outro destaque tem a ver com os três filmes do lendário realizador japonês Yasujirō Ozu, todos eles lançados originalmente entre 1958 e 1960, e que agora chegam ao nosso país (ao Espaço Nimas em exclusivo) em versões restauradas. O Aníbal, admirador do cineasta, já elaborou uma crítica para cada um.

Um desses filmes é "A Flor do Equinócio", e o Aníbal teve a dizer o seguinte sobre o mesmo na crítica que lhe escreveu: «Yukiko é oriunda de Quioto, vestindo-se com o quimono e de forma mais tradicional, algo que contrasta com as vestes ocidentais de Setsuko. A relação entre estas duas é marcada por uma enorme cumplicidade, com Ineko Arima e Fujiko Yamamoto a convencerem como estas amigas que procuram defender-se mutuamente. Ambas não descuram o casamento, mas querem esperar e saber escolher o noivo, enquanto os pais revelam alguma pressa em ver o futuro das suas filhas resolvido. Os pais procuram ainda ter algum poder de decisão nas escolhas das filhas, algo que causa a ruptura de Mikami com a filha, bem como de Hirayama com o seu rebento, duas situações paradigmáticas do "clássico" choque entre gerações. Existe algum conservadorismo, é certo, mas também uma enorme vontade que estas não fiquem sozinhas quando estes partirem, existindo uma visão da figura feminina ainda longe da total independência, com Ozu a voltar a explorar temas ligados com as dissoluções das famílias. Yasujiro Ozu consegue como poucos cineastas abordar a complexidade das relações entre pais e filhos, algo que volta a demonstrar em "A Flor do Equinócio", a sua primeira obra a cores, delicada e harmoniosa como boa parte dos seus filmes e pronta a deixar marca

O argumento do filme foi escrito por Ozu e Kogo Noda e, no seu elenco, encontram-se Shin Saburi, Kinuyo Tanaka, Ineko Arima, Yoshiko Kuga, Chishu Ryu, entre outros.

Sinopse (Filmspot): Na recepção do casamento da filha de um velho amigo, Hirayama questiona-se porque razão Mikami, outro velho amigo, não compareceu.
Na verdade, Mikami estava preocupado com a filha Fumiko, que fugiu de casa com o namorado, e não quis ir à cerimónia. Mikami pede para Hirayama ir ver como Fumiko está. Este visita o bar onde ela trabalha como empregada.
Ao mesmo tempo que Hirayama se mostra compreensivo com Fumiko, fica furioso quando Taniguchi, o namorado da sua própria filha, pede permissão para casar com ela.



Outro dos filmes de Ozu é "Bom Dia", sobre o qual o Aníbal disse, entre outras coisas, o seguinte: «Em "Ohayo" voltamos a assistir a uma magnífica composição dos planos e dos cenários por parte de Yasujiro Ozu, sendo notório todo um enorme cuidado e atenção ao pormenor, ao enquadramento dos personagens, parecendo tudo natural, embora as imagens em movimento tenham sido esculpidas com enorme cuidado. Vale ainda a pena realçar os momentos em que Yasujiro Ozu coloca os personagens a olharem directamente para a câmara, ao centro, quebrando regras e apresentando um tom muito próprio, numa obra onde já apresenta um estilo aprumadíssimo do final de carreira mesclado com algum do humor que pautou algumas obras iniciais, tais como "Tokyo Chorus" onde a juntar a algumas temáticas mais sérias tínhamos alguns momentos de maior leveza (veja-se o momento que antecede o despedimento do protagonista). Com um tom muito próprio e delicado na abordagem dos relacionamentos, Yasujiro Ozu tem em "Bom Dia" uma das suas obras mais interessantes, marcada por alguns planos que ficam na memória, boas interpretações, algum humor e a certeza de que estamos perante um realizador magnífico

O filme foi escrito por Ozu e Kogo Noda. O seu elenco é composto por Yoshiko Kuga, Chishû Ryû, Kuniko Miyake, Haruko Sugimura, Kôji Shitara, Masahiko Shimazu, Kyôko Izumi, Keiji Sada, Toyo Takahashi, Sadako Sawamura, Eijirô Tôno, Teruko Nagaoka, Eiko Miyoshi, Haruo Tanaka, entre outros.

Sinopse (Filmspot): Dois rapazes juram não voltar a dizer qualquer palavra até que os pais comprem um aparelho de televisão.


A terceira obra é "O Fim do Outono", a tal de 1960, sobre a qual também já temos crítica, cuja conclusão é a seguinte: «Temos ainda uma hábil e discreta iluminação e disposição dos objectos (não faltando product placement), mas também uma facilidade enorme de Ozu em pegar em temáticas de outras obras, incuti-las nos seus novos filmes e atribuir-lhes enorme frescura. Nesse sentido, dizer que um filme de Yasujiro Ozu é muito recomendável torna-se quase que redundante, visto que este realizou uma quantidade de obras cinematográficas magníficas, marcadas pelo seu cunho autoral, tendo aprimorado o seu estilo ao longo da sua carreira. Em "O Fim do Outono" volta ainda a não descurar o humor, presente em alguns dos filmes do seu início de carreira e incluído em doses certeiras noutros trabalhos que se seguiram. No entanto, no centro de tudo estão as relações familiares, das famílias que se constroem e separam, com "O Fim do Outono" a surgir marcado pela graciosidade, humanidade e perfeição típicas das obras de Yasujiro Ozu

e foi escrita, tal como as outras por Ozu e Kogo Noda. Setsuko Hara, Yôko Tsukasa, Mariko Okada, Keiji Sada, Miyuki Kuwano, Shinichirô Mikami, Shin Saburi, Chishû Ryû e Nobuo Nakamura fazem parte do seu elenco.

Sinopse (Filmspot): Após o falecimento de Miwa, os seus melhores amigos decidem preocupar-se com o futuro da sua viúva, Akiko, e da sua filha, Ayako. Todos acreditam que a melhor solução é casar a jovem, mas esta rejeita, um após o outro, todos os candidatos que lhe são oferecidos. Assim, decidem casar primeiro Akiko.

Trailer (relativo aos três filmes)





Outro filme que vai estrear é o norte-americano "Sex Tape - O Nosso Vídeo Proibido", uma comédia protagonizada por Cameron Diaz e Jason Segel.

O filme foi realizado por Jake Kasdan ("Bad Teacher"), através do argumento de Kate Angelo.

O filme conta no elenco com Rob Lowe ("The West Wing"), Rob Corddry ("Hot Tub Time Machine"), Cameron Diaz ("Gambit"), Jason Segel ("The Muppets"), entre outros.

Sinopse: Após 10 anos de casamento e com dois filhos, Jay (Jason Segel) e Annie (Cameron Diaz) tentam apimentar um pouco a relação numa noite em que as crianças estão fora de casa, fazendo um vídeo caseiro de uma noite de sexo. Só que a gravação foge-lhes das mãos e o casal tem de fazer tudo por tudo para a recuperar.

Trailer





Outra estreia norte-americana é a do filme de acção "Snowpiercer - Expresso do Amanhã", que tem como protagonista Chris Evans.

"Snowpiercer" é a primeira obra cinematográfica de Bong Joon-ho nos Estados Unidos da América. O argumento inicial é da autoria de Park Chan-Wook ("Sympathy For Mr. Vengeance"), tendo sido posteriormente revisto por Kelly Masterson ("Before The Devil Knows You're Dead").

O filme conta no elenco com Chris Evans ("Fantastic Four"), Tilda Swinton ("We Need to Talk About Kevin"), Jamie Bell ("Man on a Ledge"), Kang-Ho Song ("The Host"), John Hurt ("Tinker, Tailor, Soldier, Spy") e Octavia Spencer ("The Help"), Ewan Bremner ("Trainspotting").

O enredo de "Snowpiercer" é inspirado no livro de banda-desenhada francês "Le Transperceneige" e desenrola-se num mundo pós-apocalíptico, onde os seres humanos falharam em suster o aquecimento global. A catástrofe natural deixa o planeta coberto de neve e gelo, e mata toda a vida na Terra à excepção dos passageiros de um comboio chamado Snow Piercer. A história acompanha o grupo de passageiros do comboio, nomeadamente, a forma como procuram conviver entre si, encontrando-se divididos pelas diferentes cabines, que estão organizadas por classes.

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Estreia, por fim, a comédia francesa "Que Mal Fiz Eu a Deus", realizada por Philippe de Chauveron, e co-escrita pelo próprio e por Guy Laurent.

O elenco do filme é composto por nomes como Christian Clavier, Chantal Lauby, Ary Abittan, Medi Sadoun, Frédéric Chau, Noom Diawara, Frédérique Bel, Julia Piaton, Emilie Caen, Elodie Fontan, entre outros.

Sinopse (Filmspot): Um casal francês católico e conservador vê a vida andar para trás quando as suas quatro filhas casam com homens de diferentes origens e religiões.





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