12 junho 2014

Resenha Crítica: "Front Page Woman" (1935)

  A guerra dos sexos está ao rubro em "Front Page Woman", um filme realizado por Michael Curtiz onde Bette Davis interpreta Ellen Garfield, uma jornalista que se procura impor num meio composto maioritariamente por homens. Ellen trabalha para o Daily Star, um jornal concorrente do Daily Express, o local onde trabalha Curt Devlin (George Brenton), o namorado desta. Curt é um indivíduo machista que não acredita na possibilidade das mulheres serem jornalistas competentes, pretendendo que Ellen deixe o seu oficio quando se casarem, algo que esta recusa. Nesse sentido, efectuam uma aposta onde Ellen procura mostrar que é tão competente como qualquer homem, enquanto Curt procura que esta case e ceda aos seus intentos se conseguir desvendar primeiro o caso do desaparecimento de Marvin Stone. Ellen logo descobre que este foi assassinado, sabendo que se encontravam no local uma mulher e um indivíduo cuja identidade procura descobrir, enquanto Curt tenta antecipar-se e boicotar o trabalho da amada. A investigação desenvolvida de parte a parte é bastante leve, embora conte com algumas reviravoltas e perigos, com Michael Curtiz a apimentar esta "guerra dos sexos". Não faltam investigações jornalísticas intrincadas, mentiras, traições, muito humor, com Bette Davis e George Brenton a sobressaírem como este casal cujos ideais parecem amplamente dicotómicos. Bette Davis como esta mulher decidida a provar o seu valor como jornalista, pronta a desafiar as convenções, sempre sem perder o seu lado feminino, algo visível nas suas vestes, mas também nos seus comportamentos. Quase nada a parece conseguir travar, embora cometa alguns erros pelo caminho e a espaços demonstre alguma falta de experiência, enquanto lida com a oposição de Curt, com ambos a procurarem conseguir obter primeiro os furos jornalísticos e sabotarem a investigação um do outro, algo que por vezes leva-os a quebrarem as regras jornalísticas. Veja-se quando Curt procura obter informações em relação ao veredicto do júri em tribunal, com o personagem a mostrar o seu lado obstinado, contando quase sempre com a presença do fotógrafo do jornal, um amigo pessoal. Curt acredita que nada desta investigação vai afectar a sua relação amorosa com Ellen, exibindo o seu lado machista, com George Brenton a nunca tornar o mesmo desagradável, apesar de por vezes os seus actos nem sempre serem compreensíveis. É um machismo apresentado num tom algo farsesco, pronto a adequar-se aos elementos de comédia que acompanham o filme, com Michael Curtiz a mesclar elementos que por vezes parecem saídos de uma screwball comedy, bem como dos filmes centrados em investigações criminais e dramas de tribunal. Curtiz capta ainda o frenético ambiente nas redacções deste período, ainda longe da internet e das redes sociais, com os jornais a terem tiragens de última hora e a disputarem os melhores furos jornalísticos, uma situação demonstrada no "duelo" protagonizado por Ellen e Curt. Tendo como base o livro "Women Are Bum Newspapermen", este filme realizado por Michael Curtiz é relativamente inteligente a explorar este conflito de interesses entre um casal de jornalistas, desenvolvendo as personalidades obstinadas de cada um dos elementos, dando espaço para Bette Davis e George Brenton sobressaírem, ao mesmo tempo que nos deixa perante as deliciosas peripécias do trabalho jornalístico.

Título original: "Front Page Woman". 
Realizador: Michael Curtiz. 
Argumento: Laird Doyle, Lillie Hayward, Roy Chanslor.
Elenco: Bette Davis, Ellen Garfield, George Brent, Roscoe Karns, Wini Shaw, Walter Walker.

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