05 junho 2014

Resenha Crítica: "Diamonds Are Forever" (1971)

 "On Her Majesty's Secret Service" não teve o sucesso esperado a nível do público e da crítica, tendo sido o primeiro filme da saga a não ser protagonizado por Sean Connery, uma baixa que George Lazenby nunca conseguiu colmatar de forma paradigmática. Com Lazenby de saída, a United Artists disponibilizou-se a pagar 1,25 milhões de dólares (um valor record na época) para Sean Connery interpretar pela sexta vez o famoso agente secreto britânico, uma oferta que o actor escocês aceitou. Não foi apenas Sean Connery que foi chamado a regressar à saga. Guy Hamilton, o realizador de "Goldfinger", um dos filmes mais populares da saga, foi contratado para realizar a sétima obra da mesma, conseguindo novamente um êxito considerável a nível do público, embora "Diamonds Are Forever" esteja longe de atingir a excelência do terceiro filme da franquia. "Diamonds Are Forever" apresenta vários elementos típicos da saga (incluindo o tema sonoro cantado por uma vedeta, desta vez Shirley Bass, que se tinha destacado por Goldfinger), mas falta-lhe a tensão e até uma missão que possa ser devidamente levada a sério, parecendo tudo elaborado em piloto-automático para irmos reconhecendo várias situações populares da franquia. Temos o antagonista com planos megalómanos (Blofeld), a Bond Girl (Jill St. John como Tiffany Case), cenas de acção bem arquitectadas, as conquistas do protagonista, os engenhos de Q, as fugas mirabolantes, ao longo de um filme onde voltamos a ter o agente secreto por diferentes locais (Amesterdão, Las Vegas, etc). Nos momentos iniciais do filme encontramos o personagem a eliminar Ernst Stavro Blofeld (Charles Gray), uma regra que já sabemos que vai ser quebrada (o antagonista principal raramente é eliminado nos momentos iniciais), até ser destacado para travar uma rede de contrabandistas que se encontra a desviar diamantes oriundos da África do Sul. Os objectivos para estes assaltos não são totalmente claros para as autoridades, especulando-se que os contrabandistas pretendem desvalorizar os diamantes no mercado e/ou chantagear os negociantes destas pedras preciosas. Bond assume temporariamente a identidade de Peter Franks, um contrabandista, deslocando-se a Amesterdão, onde conhece Tiffany Case, uma mulher com uma agenda duvidosa que logo desperta a atenção do protagonista. Tiffany trabalha na rede de contrabando onde se encontra Franks, com o protagonista a eliminar o criminoso e a fingir que este é James Bond, transportando os diamantes para Los Angeles. Entre os contratempos de James Bond encontram-se ainda Mr. Wint (Bruce Glover) e Mr. Kidd (Putter Smith), uma dupla caricatural e cruel, que nunca chegamos a levar totalmente a sério, embora estes até apresentem um conjunto elevado de vítimas, enquanto participam no tráfico de diamantes e procuram eliminar vários elementos ligado ao caso, incluindo James Bond.

A procura pelo contrabandista que lidera a operação e a tentativa de descobrir os seus planos conduzem o protagonista até Las Vegas, contando por vezes com a ajuda de Tiffany, bem como de Felix Leiter (Norman Burton), um elemento da CIA que costuma colaborar regularmente com James Bond. Tiffany não sabe inicialmente a identidade de Bond, acabando gradualmente por colaborar com o protagonista, embora nos momentos iniciais conte com uma agenda muito própria. Durante a rocambolesca investigação, James Bond acaba por descobrir que um inimigo de longa data se encontra vivo, tendo assumido temporariamente a identidade de Willard Whyte, um milionário algo isolado de tudo e de todos, cuja face é praticamente desconhecida. Whyte foi livremente inspirado no milionário Howard Hughes, sendo que a sua reclusão permite temporariamente adensar o mistério em volta da sua figura, ao mesmo tempo que a sua empresa ligada ao ramo do armamento permite ao antagonista colocar em polvorosa as potências em conflito, enquanto James Bond procura a todo o custo deter as suas acções. A certa altura de "Diamonds Are Forever" podemos encontrar James Bond e companhia num circo, algo que resume um pouco naquilo em que se transforma a narrativa do filme, cuja coerência é muitas das vezes deixada de lado. Conta com cenas de acção vistosas, alguns momentos tensos (veja-se a cena do caixão onde o protagonista quase que é cremado e até o inquietante último terço), mas tudo parece ser utilizado para aproveitar ao máximo este regresso de Connery e explorar um lado mais leve da saga. Sean Connery é credível como James Bond, notando-se um enorme à vontade no papel, explorando com notório prazer as possibilidades que este personagem dá para expor o seu lado mais sarcástico e galanteador, mas também refinado e pronto a mostrar o seu gosto por bons vinhos. No entanto, o lado implacável de 007 surge demasiadamente subjugado à vertente mais leve do personagem, com "Diamonds Are Forever" a não poupar no humor e nos exageros, algo visível no próprio guarda-roupa do protagonista, mas também nas situações em que este é colocado. A acompanhar Sean Connery encontram-se elementos como Jill St. John, com esta a dar vida a uma Bond Girl pronta a envolver-se na investigação do espião, uma mulher que gradualmente se deixa convencer por este, embora mantenha algum mistério em volta da sua pessoa. Não é a Bond Girl mais carismática, mas cumpre, tal como Charles Gray que está longe de ser o antagonista mais implacável. Diga-se que o argumento de "Diamonds Are Forever" não ajuda os elementos do elenco, incluindo pelo caminho uma preguiçosa e previsível reviravolta em relação ao antagonista, embora até utilize com alguma eficácia vários dos elementos que tornaram esta saga tão popular. Não falta o célebre contexto da Guerra Fria, um espião implacável e sedutor que conta com várias adversidades para enfrentar, um antagonista megalómano, entre muitos outros elementos, ao longo de um filme relativamente agradável de acompanhar, de puro escapismo, pronto a proporcionar duas horas de entretenimento, não ambicionando mais nada do que isso, algo que consegue cumprir de forma bastante satisfatória.

Título original: "Diamonds Are Forever".
Título em Portugal: "007 - Os Diamantes São Eternos".
Realizador: Guy Hamilton.
Argumento: Richard Maibaum e Tom Mankiewicz.
Elenco: Sean Connery, Jill St. John, Charles Gray, Lana Wood, Bernard Lee

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