27 janeiro 2014

Resenha Crítica: "My Sassy Hubby"

 "My Sassy Hubby" continua os eventos da comédia romântica "My Wife is 18", sendo novamente protagonizado por Ekin Cheng e Charlene Choi, e realizado por James Yuen, conseguindo a proeza de superar o primeiro filme e até levantar algumas questões relevantes sobre o casamento, embora se perca muitas das vezes na sua incapacidade de mesclar os momentos de humor com as cenas de pendor dramático. A narrativa apresenta-nos a Yoyo (Charlene Choi) e Cheung (Ekin Cheng), os protagonistas de "My Wife is 18", dez anos depois dos eventos do primeiro filme, com as fotografias dos créditos iniciais a exporem alguns momentos vividos pelo casal durante esse período de tempo. Embora mantenha o seu carácter sonhador e algo infantil, surgindo sempre pronta a exibir com grande espalhafato os seus sentimentos, Yoyo aparece mais madura em relação ao primeiro filme, procurando expor ao marido o desejo de viajar, ter um filho, para além de tentar apimentar a relação, tendo uma loja de roupa onde mostra uma lábia imensa para vender (as referências aos actores Aaron Kwok, Daniel Wu e Louis Koo, algumas vedetas de Hong Kong, para tentar vender as peças de vestuário proporcionam um momento bem humorado, embora possa passar ao lado de quem não conheça os mesmos), embora o negócio dê prejuízo. Cheung dá aulas de psicologia (onde o amor e as relações entre homens e mulheres são as temáticas predominantes), é relativamente adorado pelas suas alunas, dedica-se à profissão, veste-se de forma algo berrante devido aos conselhos da esposa, comendo refeições feitas fora de casa desde que casou (existe aqui algum machismo no conceito de ter ser a mulher a cozinhar em casa), está prestes a completar quarenta anos e apresenta uma crise a nível comportamental típica da idade. Tal como no primeiro filme, nem sempre é visível o que une estes dois personagens, sendo que a chegada de uma carta a revelar que o padre que oficializou a cerimónia não estava devidamente legalizado conduz a que a nulidade do casamento adense as dúvidas em relação aos alicerces deste matrimónio. A piorar a situação está a chegada de Francis (Jonas Xu), mais conhecido por "Potato", um amigo de infância de Yoyo, com a dupla a ter jurado casar no futuro. "Potato" agora é filho de um magnata, procurando a todo o custo fugir a um casamento arranjado e mostrar o seu interesse pela protagonista. Já Cheng começa a formar uma relação de amizade com Tung Yi (Xinyi Zhang), uma mulher que trabalha no restaurante onde o protagonista se delicia com os pratos, é aluna deste nas aulas de psicologia e ainda é modelo, ou seja, é praticamente perfeita para o perfil pretendido pelo protagonista. 

Cheng e Yoyo decidem separar-se, com o filme a explorar o quotidiano destes com outras caras metades (um pouco como fez no primeiro filme com Kelvin e Yoyo e com Cheung e Miss Lee), algo que conduz a protagonista a perceber que ainda gosta do personagem interpretado por Ekin Cheng e este último a apresentar mais dúvidas do que esta em relação ao casamento, criando-se uma teia de relacionamentos cujo desfecho é previsível, embora o enredo até seja capaz de captar a nossa atenção. Se "My Wife is 18" começou desde logo por casar a dupla de protagonistas e só depois é que construiu o relacionamento entre ambos, fugindo um pouco à estrutura dos filmes do género, já "My Sassy Hubby" procura explorar as implicações que as expectativas, objectivos e desilusões podem provocar num casamento ao longo de um conjunto alargado de anos, através de Cheung e Yoyo, levantando um conjunto de questões interessantes que por vezes acabam por ser abafadas pelos excessivos momentos cómicos a cortarem as cenas de maior intensidade dramática protagonizadas pelo casal. Em "My Wife is 18" tínhamos o casal unido por conveniência tendo em vista a satisfazer os familiares, em "My Sassy Hubby" existe maior intimidade entre os cônjuges, mas voltamos por vezes a não perceber paradigmaticamente o que os conduz a estarem unidos, chegando ao ponto de Ekin Cheng ter uma química maior com Xinyi Zhang do que com Charlene Choi, com esta mais uma vez a ser competente a dar vida à personagem que interpreta, embora a infantilidade da mesma por vezes pareça algo forçada, existindo ainda uma enorme incompetência do argumento na exploração da sua vida profissional. Em alguns momentos este comportamento da protagonista resulta, é certo (veja-se as cenas onde esta troca os avisos na loja de roupa a justificar a sua ausência), notando-se toda uma procura em explorar o lado sonhador da personagem e mostrar que esta manteve muito do carácter peculiar que tinha no primeiro filme e a levou a conquistar e deixar-se atrair por Cheung, com os dois a terem expectativas em relação um ao outro que nem sempre se concretizaram ao longo dos dez anos de união. 

 Yoyo é dez anos mais nova do que Cheung, ainda parece não saber bem o que quer da vida, mas percebemos que gosta do esposo. Cheung lecciona aulas de psicologia, tem uma tese que versa o amor e as mulheres mas continua a revelar uma enorme incapacidade a relacionar-se devidamente com a esposa, tendo ainda uma crise associada à idade, mas também aos objectivos que traçou para o casamento, que não parecem coadunar-se com o comportamento da esposa. A espaços duvidamos daquilo que os une, mas gradualmente percebemos que existe mais a uni-los do que uma paixão louca, com ambos a terem construído algo mais sólido ao longo destes dez anos de relacionamento, algo que a espaços se torna agradável de descobrir (proporcionando momentos hilariantes quando somos premiados com as estranhas comemorações de aniversário que Yoyo efectua a Cheung). James Yuen consegue tirar interpretações seguras da dupla de protagonistas, mas também de alguns elementos secundários, sendo capaz de nos apresentar a um conjunto de personagens secundários mais interessantes e desenvolvidos do que no primeiro filme (veja-se a presença de Tung Yi; "Potato"; Nana, a prima da protagonista, interpretada por Joyce Cheung; Mr. Lee, um indivíduo sempre sério cujos diálogos geralmente surgem em alguns dos momentos de humor mais eficazes do filme), para além de levantar algumas questões relevantes ligadas ao casamento (sobretudo devido à figura de Cheung), tendo ainda a capacidade de no último terço nos mostrar que até existe muito a ligar a dupla de protagonistas. As razões para "My Sassy Hubby" ter sido desenvolvido parecem sempre estar mais nos desejos da equipa envolvida em aproveitar o êxito relativo do primeiro filme, do que por uma necessidade premente de desenvolver estes personagens, mas James Yuen revela-se relativamente eficaz a capturar alguns elementos que popularizaram "My Wife is 18", desenvolvendo uma comédia romântica, que não entusiasma, não tem planos magníficos, o seu argumento é bastante irregular, mas também não faz perder totalmente o nosso tempo com a sua história simples, que a espaços é agradável, embora esteja longe de deixar marca.

Título em inglês: "My Sassy Hubby".
Realizador: James Yuen.
Argumento: James Yuen, Mang-Cheung Ng, Yiu Fai Lo.  
Elenco: Ekin Cheng, Charlene Choi, Xinyi Zhang, Jones Xu.

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