21 setembro 2013

Resenha Crítica: "2 Tiros" (2 Guns)

 Marcado por acção em doses generosas, tiroteios, antagonistas unidimensionais, algum humor e uma dupla de protagonistas com uma dinâmica credível, "2 Guns" é eficaz no cumprimento dos seus objectivos, revelando-se um filme de acção despretensioso, que procura apenas proporcionar alguns momentos de escapismo. O filme realizado por Baltasar Kormákur remete para a fórmula da dupla formada por personagens com personalidades antagónicas, muito ao estilo de "48 Hours" e "Arma Mortífera", tendo em Mark Wahlberg e Denzel Washington uma dupla competente, que consegue dar alguma credibilidade a um argumento algo frouxo que se limita a dar pouco mais do que o básico. Washington interpreta Robert Trench, um agente da DEA com uma personalidade algo séria, alguns dentes de ouro e um grande talento para disparar, que se encontra infiltrado a trabalhar com Michael Stigman (Mark Wahlberg), um elemento da Marinha que também está a cumprir ordens sob disfarce. O personagem interpretado por Wahlberg é bem humorado e falador, sendo um indivíduo que não perde uma oportunidade para piscar o olho às mulheres giras que entram em contacto consigo. Stigman não sabe a identidade de Trench e este último não sabe a identidade do colega, tendo cada um uma agenda muito própria. Os dois têm de comprovar os crimes do traficante mexicano Papi Greco (Edward James Olmos), após terem falhado numa transacção de heroína que incriminaria o personagem interpretado por Olmos, indo assaltar um banco onde este tem dinheiro depositado para posteriormente comprovarem que o criminoso efectua lavagem de dinheiro. Como não poderia deixar de ser, o assalto não corre como o esperado, com os dois a terem de lidar com uma série de reviravoltas e perigos, incluindo traficantes, agentes da CIA e elementos da Marinha corruptos, enquanto descobrem a verdadeira identidade um do outro.

 Tendo como base a graphic novel homónima, "2 Guns" revela-se um filme de acção competente, que contrasta alguns problemas do seu argumento com uma dupla de protagonistas carismática, conseguindo com a sua forma despretensiosa fazer com que perdoemos alguns dos seus momentos implausíveis e nos deixemos conduzir para o interior do seu agradável enredo. Não existe aqui nada de novo em relação aos filmes do género, com Baltasar Kormákur a desenvolver uma obra previsível e marcada por lugares-comuns, onde não falta a dupla improvável que encontra um conjunto de reviravoltas, mas que raramente sentimos estar em perigo, com a narrativa a ser permeada de cenas de acção que se destacam mais pelo aparato do que pela elaboração, tendo na dupla de protagonistas a sua maior força. Wahlberg volta a interpretar um personagem muito ao seu jeito, um indivíduo falador, com uma enorme perícia na arte do disparo, que parece muitas das vezes agir antes de pensar. Este forma uma dupla improvável com o personagem interpretado por Denzel Washington, com este último a sobressair como um agente do DEA sempre acompanhado por vestimentas informais, que tem em Deb (Paula Patton) um interesse amoroso, embora as mulheres pouco destaque consigam ter nesta obra marcada pela testosterona. Não são apenas as mulheres que não estão em destaque, também os antagonistas são do mais unidimensional possível, com Edward James Olmos a sobressair como um traficante mexicano estereotipado e meio caricatural, cujo desenvolvimento ao longo da narrativa é praticamente nulo. Sem um argumento elaborado, muita acção, bom humor e uma história despretensiosa, "2 Guns" sobressai devido à sua dupla de protagonistas, com Wahlberg e Washington a proporcionam alguns momentos bastante agradáveis ao espectador.

Classificação: 3 (em 5)

Título original: "2 Guns". 
Título em Portugal: "2 Tiros". 
Realizador: Baltasar Kormákur. 
Argumento: Blake Masters.
Elenco: Denzel Washington, Mark Wahlberg, Paula Patton, James Marsden, Bill Paxton, Edward James Olmos.

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