28 julho 2013

Resenha Crítica: "O Exterminador Implacável 2: O Dia do Julgamento"

 Sequela digna do seu antecessor, “O Exterminador Implacável 2: O Dia do Julgamento” surge como um filme de ficção-científica recheado de acção, violência, tiroteios, frases memoráveis, momentos de enorme tensão e um Arnold Schwarzenegger mais carismático do que nunca. É verdade, Arnie cumpriu a promessa de regressar efectuada em “O Exterminador Implacável”, embora desta vez interprete um cyborg enviado por John Connor para o salvar no passado, fruto da ameaça causada pelo T-1000 (Robert Patrick), um exterminador que é enviado pela Skynet para assassinar Connor (Edward Furlong), o líder da resistência em 2029, na juventude. Sem se limitar a repetir a fórmula do primeiro filme, “Terminator 2: Judgment Day” expande o universo da saga, apresenta-nos a cyborgs com características distintas e mais evoluídas, uma Sarah Connor marcada pelo destino e pela responsabilidade, um John Connor na sua infância, enquanto se afirma como uma das obras mais memoráveis da franquia, não tendo conseguido ter uma sequela à altura (a série “Terminator: The Sarah Connor Chronicles” merecia melhor sorte). 
 A vida não anda fácil para Sarah Connor em "O Exterminador Implacável 2: O Dia do Julgamento". Depois de ter de lutar pela sua vida contra o Exterminador e perder Kyle Reese em “The Terminator, Sarah encontra-se internada num hospício, enquanto John Connor tem a sua vida em perigo devido à presença do T-1000. John é um jovem rebelde, que vive junto de uma família adoptiva, afastado da mãe e a cometer pequenos delitos, que apenas acredita que a progenitora não está louca quando o Exterminador (Schwarzenegger, como T-800) regressa do futuro para o salvar da ameaça do T-1000. Enquanto Sarah procura fugir do hospício, John tenta resgatá-la a todo o custo ao lado do Exterminador, ao mesmo tempo que procuram escapar do T-1000. No entanto, o confronto é inevitável e promete trazer consigo muita tensão, violência, perseguições, tiroteios, num último terço fulgurante, enquanto o T-1000 revela um arsenal de novidades que permitem explorar os efeitos especiais de nível superior ao primeiro filme.
 Se o Exterminador de Arnie assume um aspecto mais humano em relação ao primeiro filme, procurando perceber as emoções dos seres humanos, ao mesmo tempo que forma uma ligação de afecto e amizade com John, já o Exterminador de Robert Patrick surge com um arsenal impressionante de recursos. Beneficiando do carisma que Patrick atribui ao personagem, o T-1000 consegue mudar de forma, atravessar objectos de ferro, moldar o seu corpo, regenerar-se, surgindo impassível na obtenção do seu objectivo: assassinar John Connor, um desiderato falhado pelo exterminador do primeiro filme. Tal como em “O Exterminador Implacável”, os protagonistas têm de lidar com a perseguição de um cyborg impiedoso, embora no segundo filme da saga, a fuga desenvolvida pelos personagens principais esteja ainda associada a questões mais dramáticas, em particular a relação problemática entre Sarah e John Connor. Esta relação surge inicialmente conturbada, em grande parte devido ao longo período de afastamento a que foram sujeitos, gerando algum ressentimento da parte de John, algo adensado graças aos bons desempenhos de Linda Hamilton e Edward Furlong, capazes de explorarem esta dinâmica, com a primeira a surgir soberba como esta mulher que é mãe, protectora, mentora e amiga do filho, que procura a todo o custo que este permaneça vivo.
  O relacionamento intrincado entre Sarah e John Connor aparece como um elemento fulcral da narrativa, com o argumento a explorar bem os elementos que os unem e os separem, ao mesmo tempo que os coloca perante a dura tarefa de se libertarem da ameaça do T-1000. Para essa tarefa, John e Sarah contam com a ajuda do mortífero T-800 interpretado por Arnie, numa missão de alto risco, cujos perigos surgem exponenciados pela capacidade de James Cameron em criar uma tensão enorme em volta dos personagens e dos acontecimentos que os rodeiam, conduzindo a que o espectador sinta que estes estão verdadeiramente em perigo ao longo desta obra de ficção-científica, onde quase tudo parece resultar. Não falta um argumento bem elaborado, um conjunto de boas interpretações, falas que ficam na memória, muita acção, tensão, reviravoltas, bons efeitos especiais, algum humor, enquanto somos apresentados a uma cidade de Los Angeles negra, onde o perigo parece espreitar a qualquer lugar. Com um orçamento avultado para a época, “O Exterminador Implacável 2: O Julgamento Final” expande o universo apresentado em "O Exterminador Implacável", faz evoluir os personagens e apresenta-nos a alguns momentos marcantes, estabelecendo aquela que é uma das obras mais memoráveis da franquia.


Título original: “Terminator 2: Judgment Day”.
Título em Portugal: “O Exterminador Implacável 2: O Dia do Julgamento”.
Título no Brasil: “O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final.
Realizador: James Cameron.
Argumento: James Cameron e William Wisher Jr.
Elenco: Arnold Schwarzenegger, Linda Hamilton, Edward Furlong, Robert Patrick.

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