01 julho 2013

Resenha Crítica: "Gru o Maldisposto 2" (Meu Malvado Favorito 2)

 Quando estreou em 2010, "Despicable Me" surpreendeu o público e até a crítica com uma história original, bem elaborada, que colocava um vilão como protagonista. O vilão em questão é Gru, um indivíduo supostamente maléfico que procurava cuidar de três irmãs órfãs, planeava roubar a Lua e comandar um exército de Minions. Em "Despicable Me 2" perdemos o efeito de novidade do primeiro filme e acompanhamos o desenvolvimento destes personagens, enquanto evoluem como família e vivem uma nova aventura, ao mesmo tempo que Gru tem de lidar com o seu papel como extremoso pai de filhas, um vilão convertido em herói, que inesperadamente tem de salvar o dia. Realizado por Pierre Coffin e Chris Renaud (a dupla do primeiro filme), "Gru o Maldisposto 2" apresenta-nos novamente ao anti-herói do título, desta vez um individuo que procura deixar para trás o seu passado como vilão e investir a tecnologia do seu laboratório numa gama de doces prontos a deliciarem as crianças. Gru vive ao lado das três filhas adoptivas, procurando dar-lhes todo o conforto, sempre com o apoio dos fiéis Minions e a ajuda inestimável do Doutor Nefario. 
 Essa aparente paz de Gru logo é colocada em causa quando Lucy, uma agente ao serviço da Liga Anti-Vilões, o rapta para comparecer junto do seu líder, para que Gru trabalhe sob disfarce no interior do Centro Comercial Paradise e ajude a encontrar um vilão perigoso que se encontra a utilizar para efeitos nefastos o Soro PX41, uma substância que é capaz de transformar o mais inocente dos seres num terrível monstro. O suspeito é um lojista que possuiu um restaurante de comida mexicana, que Gru desconfia ser El Macho, algo que o vai obrigar a disfarçar-se de dono de uma loja de doces, contando com o apoio de Lucy, uma agente pronta para o combate e demasiadamente entusiasmada na sua profissão que promete conquistar o coração de Gru. Com uma história simples mas incrivelmente apelativa, uma enorme dose de loucura e irreverência, bem como humor que vai desde o non sense, passando pelo mais elaborado e até o banal (não faltam piadas relacionadas com flatulência), "Gru o Maldisposto 2" coloca-nos com o efeito contrário ao seu título, ou seja, tremendamente bem dispostos perante um filme de animação que recupera alguma loucura e irreverência dos desenhos dos Looney Tunes e proporciona um espectáculo que promete agradar a miúdos e graúdos. 
 Existe quase sempre uma certa dose de loucura e irreverência a envolver a narrativa de "Despicable Me 2", quer seja nos Minions prontos a tomarem decisões hilariantes e a procederem aos actos mais tresloucados, passando pelo visual e comportamento de El Macho, até termos um tubarão a cair de um míssil em direcção a uma banca de sushi, entre outros. Se faltam grandes lições de moral, para além da óbvia conversão de Gru num anti-herói e da defesa dos valores familiares e do amor, também não falta loucura e emoção, enquanto o protagonista tem de salvar o Mundo do temível (e peludo) El Macho. Este surge como um antagonista de peso, com um aspecto caricato, utilizando vários dos estereótipos dos mexicanos e uma vestimenta de wrestling, prometendo fazer a vida negra a Gru, que já anda com a vida dificultada devido a ter de cuidar sozinho das filhas adoptivas (que pretendem encontrar uma namorada para o pai). Um dos pontos altos do filme é como a narrativa integra as trigémeas na história da perseguição de Gru a El Macho, bem como no romance entre o protagonista e Lucy, algo que lhe permite tirar partido das personagens, proporcionando momentos que vão entre o mais cómico e o doce, passando pelo dramático e encantador, com a jovem Agnes a conquistar mais uma vez um lugar de destaque. 
 No entanto, o brilho maior volta a ser dos Minions que roubam as atenções em todas as cenas em que estão presentes. Com a promessa de terem um filme a solo (nos créditos finais assistimos a um casting de Minions para entrarem no novo filme), os Minions surgem em todo o seu esplendor, graça e extrema parvoíce. Estes cantam (os momentos em que entoam as músicas "I Swear" e "YMCA" são de chorar a rir), dançam, comem bananas, transformam-se em monstros, aspiram, tomam conta das irmãs, ajudam Gru e o Dr. Nefario, assumindo um papel de enorme relevo, embora o filme tenha cuidado para resguardar o seu maior alívio cómico de forma a não oferecer uma "overdose" de Minions. Estas criaturas amarelas, provavelmente das melhores invenções dos filmes de animação dos últimos três anos, surgem como o paradigma do filme: divertido, agradável de acompanhar, meio louco e inofensivo. É um filme que não promete mudar a nossa vida, nem dar grandes lições morais ou discursos existenciais, procurando apenas divertir, algo que consegue de forma bastante consistente. "Gru o Maldisposto 2" pode não conter a animação com o traço mais elaborado, pode não contar com a história mais original do Mundo e até não recuperar a originalidade apresentada pelo primeiro filme, mas apresenta um charme difícil de resistir, uma loucura saudável que nos diverte e entusiasma, naquele que é até ao momento o mais divertido filme de animação de 2013.

Classificação: 4 (em 5). 

Titulo original: "Despicable Me 2".
Título em Portugal: "Gru o Maldisposto 2".
Título no Brasil: "Meu Malvado Favorito 2".
Realizador: Chris Renaud e Pierre Coffin.
Argumento: Ken Daurio e Cinco Paul. 
Elenco vocal:  Steve Carell, Kristen Wiig, Miranda Cosgrove, Russell Brand, Benjamin Bratt e Steve Coogan. 

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