19 junho 2013

Resenha Crítica: "Monstros: A Universidade" (Universidade Monstros)

 Recheado de momentos de humor, vários e diversificados monstros para fazerem as delícias dos mais novos, muita cor e momentos de humor, "Monstros: A Universidade" surge como uma prequela que não deslumbra, mas nem por isso deixa de nos proporcionar um espectáculo cinematográfico agradável e divertido, que consegue expandir a história de Mike e Sullivan, e servir de complemento para "Monsters, Inc". Se é certo que antes de vermos o filme poderíamos questionar a necessidade de uma prequela para "Monsters, Inc", depois de termos visionado o mesmo logo percebemos que a Pixar consegue conjugar bem a lógica comercial e comodista desta medida de espremer uma obra popular do seu portefólio, com uma procura em desenvolver os personagens e o universo que os rodeia. O estúdio volta a deixar de lado o seu cariz mais criativo e até audaz ao qual nos habituou antes de "Brave", ao desenvolver um filme de animação que não é um portento a nível de criatividade, mas surge preenchido por um bom trabalho a nível de animação, uma história relativamente interessante que permite desenvolver Mike e Sulley antes destes serem a dupla imbatível de "Monsters, Inc", uma sátira à vida universitária nos EUA e muito humor, mostrando que talvez estejamos mal habituados em relação à Pixar. Esperamos sempre um nível excepcional, e quando nos dá algo “apenas bom" ficamos de pé atrás.
  Realizado por Dan Scanley, um estreante na realização de longas-metragens de animação, "Monstros: A Universidade" apresenta-nos a Mike e Sullivan quando estes ingressam na Universidade Monstro. Mike é um jovem ponderado, que sonha integrar a Universidade Monstro e tornar-se um "assustador" da "Monstros SA" desde que efectuou uma visita de estudo ao local durante a sua infância. Se Mike prepara-se metodicamente para enfrentar este desafio, procurando compensar com o estudo a sua falta de jeito para a arte dos sustos, já Sulley surge com o tipo descontraído, que espera vencer na vida sem grande esforço, utilizando para isso a fama da sua família. Mike e Sulley são os dois opostos e até acabam por envolver-se em quezílias, algo que resulta numa ordem de expulsão do curso de "assustadores" por parte da temível directora Hardscrabble (o Severus Snape lá do sítio). Inconformado com esta situação, Mike decide participar nos "Scare Games" ao lado da fraternidade Oozma Kappa, composta pelos losers da Universidade, um grupo ao qual se junta Sulley como elemento improvável que aos poucos começa a estabelecer uma forte ligação de amizade com o seu companheiro verde, enquanto procuram ser reintegrados no curso e provar que a expulsão foi um erro. Parte da força de "Monsters University" recai exactamente no carisma destes dois personagens, dois monstros tão diferentes, mas que aos poucos se complementam tão bem, enquanto a narrativa procura criar pequenas pontes de ligação a "Monstros e Companhia" resultando num filme de animação agradável, onde raramente damos o nosso tempo por perdido. 
 Com um bom trabalho a nível de animação onde se verifica toda uma atenção ao pormenor que contrasta com o seu 3D descuidado (completamente nulo ao serviço da narrativa), "Monstros: A Universidade" leva-nos ao interior de uma universidade muito peculiar, composto por uma miríade de seres monstruosos, com personalidades muito próprias e extremamente apelativos (os pais que se preparem com a bonecada para os mais novos). No interior deste espaço do campus universitário, encontramos um grupo diversificado de fraternidades, onde não falta os estereótipos da fraternidade composta pelos tipos populares (Roar Omega Roar), a fraternidade dos desajustados (Oozma Kappa), entre outras, destacando-se sobretudo a segunda onde encontramos um conjunto de personagens interessantes, entre os quais, a dupla de protagonistas, numa fase bem mais jovem do que em "Monsters, Inc". Os responsáveis da Pixar resolveram aventurar-se pela juventude desta dupla - naquela que é a primeira prequela do estúdio - colocando-os inicialmente como rivais e bastante distintos, gerando algumas situações de bom humor, que vão desde o período das aulas onde treinavam as suas habilidades e as provas perigosas que vão enfrentar, com o filme a explorar não só as novas dimensões dos personagens, mas também a mostrar ter retirado alguma inspiração na saga "Harry Potter" (o ambiente da escola e o relacionamento entre os alunos, e alunos com os professores) e "The Hunger Games" (as provas).
 O ambiente da universidade surge adensado pelo detalhe com que todo o campus é apresentado, que passa não só pela criação de um mundo paralelo habitado por monstros onde não faltam salas de aulas, mas também a biblioteca, espaços verdes, fraternidades e pelo meio o filme ainda lança algumas mensagens de moral como a necessidade que temos em encontrar o nosso lugar no Mundo, a necessidade de ser persistente para atingirmos os nossos objectivos, que nem sempre estamos destinados a ter a profissão que gostamos nem a cumprir os nossos sonhos (subvertendo um pouco a lógica dos filmes de animação da Disney), entre outras, que contrastam com o tom relativamente infantil do filme. As mensagens podem ser bem intencionadas, mas não escondem uma tentativa demasiado óbvia de "Monstros - A Universidade" procurar chegar mais a crianças do que a adultos, de apresentar uma miríade de criaturas para vender bonecos, ficando quase sempre a perder para o filme original. Mas, acima de tudo falta-lhe a emoção de "Monstros e Companhia", falta o sentimento de urgência que tínhamos de ver Mike e Sulley a salvar a encantadora Boo, falta-lhe o sabor a novo dado pelo primeiro filme onde todo este mundo habitado de monstros era algo de novo e acima de tudo saber jogar com o facto de sabermos que Mike e Sullivan vão mesmo ser dois monstros assustadores e grandes amigos.
 Se não viu "Monstros e Companhia", vale a pena realçar que não ficará totalmente de fora da história de Sulley e Mike em "Monstros - A Universidade", com o argumento a apresentar de forma rápida como funciona a "fábrica de sustos", onde os monstros procuram assustar as crianças para guardarem o som dos gritos, que servem como reservas de energia para a cidade, numa metáfora para a necessidade de se apostar em energias alternativas e renováveis, embora contenha alguns momentos de humor que apenas quem viu o primeiro filme vai perceber. Veja-se o caso em que Mike salienta que espera ter como colega de quarto o seu futuro melhor amigo e surge Randall, um dos antagonistas da sequela, algo que promete despertar o riso naqueles que viram a primeira obra. Este é um dos muitos momentos de humor de uma obra marcada exactamente pela sua capacidade de despertar risos do espectador, em grande parte devido às personalidades peculiares de Sulley e Mike, bem como dos personagens que os acompanham, proporcionando situações caricatas que vão desde o primeiro a roubar uma mascote irrequieta de um grupo rival, passando pelo segundo a mostrar uma certa inabilidade para a arte dos sustos, entre outros momentos, aos quais podemos juntar uma sátira à vida universitária. "Monstros: A Universidade" surge como uma agradável prequela para "Monstros e Companhia", conseguindo expandir o universo da franquia, explorar a dupla de protagonistas, tudo acompanhado por momentos de bom humor, um bom trabalho a nível de animação, embora nunca consiga atingir o nível de excelência do primeiro filme. 

Classificação: 3.5 (em 5).
Título original: "Monsters University". 
Título em Portugal: "Monstros: A Universidade".
Título no Brasil: "Universidade Monstros". 
Realizador: Dan Scanlon. 
Argumento:  Robert L. Baird, Daniel Gerson, Dan Scanlon.
Elenco vocal original: John Goodman, Billy Crystal, Steve Buscemi,

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