22 maio 2013

Resenha Crítica: "Velocidade Furiosa 6" (Velozes e Furiosos 6)

 Se não gostou dos anteriores filmes da saga "Velocidade Furiosa", lamentamos informar mas é muito provável que não seja com "Velocidade Furiosa 6" que vai começar a morrer de amores pela mesma. Se gostou dos filmes anteriores, então o mais provável é que já saiba o que o espera: corridas de carros electrizantes, cenas de acção magnificamente coreografadas, frases de efeito, momentos implausíveis, muito humor, tensão, algum drama, a exploração até ao tutano do ideal de família de Dom Toretto, cerveja Corona para comemorar, naquele que é, até ao momento, um dos blockbusters mais agradáveis de 2013. Desde logo porque não nos engana em relação aos seus propósitos e não se leva totalmente a sério, conseguindo ainda sobressair com algumas sequências de acção bem elaboradas, ao mesmo tempo que nos envolve numa história relativamente básica onde a "família Toretto" tem de abandonar o conforto adquirido no assalto bem sucedido do quinto filme e efectuar uma missão para resgatar Letty (Michelle Rodriguez).
  É verdade, todos julgávamos que Letty tinha falecido no quarto filme, mas a eterna paixão de Dominic Toretto (Vin Diesel) está viva, sem memória do passado, e do lado dos antagonistas. A descoberta do paradeiro de Letty é feita graças ao agente Hobbs (é verdade Dwayne Johnson também está de volta), que incumbe o grupo liderado por Dom de viajar para Londres e travar Owen Shaw (Luke Evans), um criminoso que se encontra constantemente a fugir às autoridades, que tenciona construir um dispositivo explosivo para desligar durante 24 horas as defesas do país. Se forem bem sucedidos nesta missão, Hobbs compromete-se a conseguir os documentos que permitem a liberdade aos elementos do grupo, caso contrário, é provável que terminem a missão sem vida. Escusado será dizer que os personagens ainda esboçam alguma indecisão, mas logo Dominic reúne Brian (Paul Walker), Han (Sung Kang), Roman (Tyrese Gibson), Tej (Ludacris), Gisele (Gal Gadot), ou seja, a pandilha que se foi reunindo ao longo dos últimos filmes, aos quais se juntam Hobbs (sim, o agente é o novo integrante da "família") e Riley (Gina Carano), uma agente que colabora com o personagem de Johnson. 
 Embora tenham mais responsabilidades, estes personagens continuam a manter as características que sempre lhes conhecemos. Brian continua ponderado e apaixonado por Mia (Jordana Brewster), tendo um filho com esta, Dom desfruta do conforto da sua vida junto a uma paisagem paradisíaca ao lado de Elena (Elsa Pataky), Roman e Tej continuam a servir como o alívio cómico de serviço, Kang encontra-se envolvido em problemas. A equipa reúne-se perante a chamada de Dom e prepara-se para invadir Londres, onde terá de enfrentar a equipa de Shaw, onde consta Letty. Como não poderia deixar de ser, os grupos de Dom e Shaw enfrentam-se, mas logo o grupo do segundo leva a melhor, com Letty a revelar-se uma aliada de peso, enquanto Dom, Brian, Hobbs e companhia procuram capturar Shaw, recuperar a memória de Letty, tudo acompanhado por muitas corridas de carros, humor, tensão, algum drama, explosões e muita diversão.
 Existem duas grandes maneiras para podermos analisar "Velocidade Furiosa 6". A primeira passa por fazermos a nossa melhor expressão de ultrajados e começar a gritar: clichés, diálogos pouco elaborados, irrealista, acção desmedida, actores canastrões, actrizes decotadas, como se não soubéssemos ao que vínhamos (estamos a falar de uma saga estabelecida que pode mudar alguns elementos, mas nunca a sua essência). A outra passa por assumirmos que "Velocidade Furiosa 6" não é um filme de Jean-Luc Godard, mas sim uma obra que não se pretende levar a sério e pretende pura e simplesmente divertir o espectador que apenas pretende evadir-se dos problemas quotidianos durante duas horas. Sim, pode parecer ultrajante que uma obra cinematográfica possa surgir com estes propósito, sobretudo se o filme for do Século XXI, ou ainda tiver passado menos de 40 anos desde a sua estreia, mas "Velocidade Furiosa 6" procura acima de tudo chegar ao seu público alvo, diverti-lo, entusiasmá-lo com as suas histórias irreais, humor, banda sonora cheia de estilo, uma fotografia capaz de adensar as cenas de acção e perseguições de carros, e fazê-lo passar duas horas bem divertidas. Será pouco? É melhor não seguirmos por aí. "Velocidade Furiosa 6" mostra como uma saga pode evoluir e continuar a refrescar-se de filme para filme, mostrando a sagas como "Die Hard" que é possível existir algumas rupturas e evoluções da saga, sem que se perca a essência dos personagens. 
 Para quem acompanhou a saga, é visível uma certa evolução dos personagens (nem todos estiveram presentes ao longo dos seis filmes da saga), que aos poucos se transformaram em "velhos" compinchas, permitindo algumas piadas que ganham algum significado se tivermos conhecimento dos anteriores filmes da saga. Não que ter visto os anteriores filmes da saga seja essencial, mas torna-se mais claro a procura em explorar novamente os valores de lealdade e família de Dominic Toretto (que acabam por contagiar boa parte dos personagens que se aproximam, tais como, Brian e Hobbs), a relação entre Tej e Roman, a cerveja Corona para momentos de felicidade (vejam-se que esta cerveja só é utilizada num momento específico do último terço) e até as cenas iniciais que apresentam alguns trechos dos filmes anteriores que prometem fazer as delícias nostálgicas dos fãs da saga. Essa nostalgia surge desde logo explorada por uma das temáticas principais do filme, a procura de recuperar Letty e trazê-la de volta para "a família", uma temática que surpreendentemente consegue ser eficazmente resolvida, embora nem sempre de forma plausível, com o argumento a apresentar várias lacunas. Tal como nos filmes anteriores da saga, "Velocidade Furiosa 6" conta com um argumento pouco elaborado, preenchendo apenas os requisitos mínimos e jogando pelo seguro ao dar aos fãs aquilo que estes esperam. Algumas falas chegam a fazer rir involuntariamente, algumas cenas de acção são exageradas, mas tudo é apresentado de forma tão leve e entusiasmante, recheado dos ingredientes que tanto sucesso deram à saga, que cedo somos levados para o interior desta história onde as estradas de Londres são invadidas por Toretto e a sua família. 
 O sucesso deste filme e da saga, sobretudo a partir do quarto filme, dependem não só da acção entusiasmante, das corridas de carros, das meninas engraçadas que povoam a narrativa, mas acima de tudo da amizade entre os elementos do enredo, um grupo quase familiar que cria uma enorme empatia com os espectadores. E é em conjunto que estes personagens e actores sobressaem, sobretudo se tivermos em linha de conta que estamos perante um elenco constituído por actores medianos, onde os nomes que mais se destacam são Vin Diesel (pelo seu carisma) e Dwayne Johnson (pelos seus músculos), para além de Tyrese Gibson (pelo humor). Claro que a acção é uma componente muito importante do filme e desta vez temos direito a mais momentos electrizantes e irreais, onde não falta a presença de um tanque de guerra, viagens por Londres, EUA, Espanha, cenários como Tóquio e Rússia, muitas corridas de carros, combates entusiasmantes entre Gina Carano e Michelle Rodriguez, Vin Diesel e Luke Evans e por aí fora, ou seja, um filme frenético e deliciosamente violento.
 Estamos longe da premissa do primeiro filme. Dominique Toretto e Brian tornaram-se amigos inseparáveis e familiares, o grupo de criminosos deixou de estar a desenvolver um roubo mas a evitar que criminosos do pior tomem conta de Londres, passaram a utilizar maquinaria de elevado orçamento e até a acção passou a subir de nível. Mérito para o realizador Justin Lin, que assumiu o cargo de realizador no terceiro filme da saga e tem contribuído para o renascer da mesma, conseguindo desenvolver filmes de acção que dão quase tudo aquilo que esperamos: acção bem coreografada, humor, intriga (neste caso internacional), drama, tensão, corridas de carros a alta velocidade, frases carismáticas, o sentido de família de Dom e claro está: cerveja Corona. Claro que o filme conta com os seus problemas, veja-se o caso de Jordana Brewster e Elsa Pataky serem completamente desperdiçadas, com esta última a protagonizar alguns momentos a roçar o cómico devido à forma fácil como Dom perde o interesse na sua pessoa quando descobre que Letty está viva, o argumento conta com algumas incoerências e redundâncias e por aí fora. Esperar mais do que isto do filme é esquecer os propósitos para os quais este foi elaborado, ou seja, divertir, é esquecer a essência desta saga, é esquecer que por vezes não devemos levar tudo a sério e aprendermos a divertimo-nos, é esquecer que por vezes precisamos de momentos de puro escapismo e irrealidade enquanto nos evadimos dos problemas quotidianos. Tendo em conta a entusiasmante cena após o final do filme, venha daí a sétima obra da saga "Velocidade Furiosa", e que surja tão entusiasmante e com a mesma capacidade de se regenerar como o seu sexto filme. Guily pleasure.

Classificação: 3 (em 5). 
Título original: "Fast & Furious 6"
Título em Portugal: "Velocidade Furiosa 6"
Título no Brasil: "Velozes e Furiosos 6"
Realizador: Justin Lin.
Argumento: Chris Morgan.
Elenco: Vin Diesel, Dwayne Johnson, Paul Walker, Luke Evans, Gina Carano, Michelle Rodriguez, Jordana Brewster, Tyrese Gibson, Ludacris, Sung Kang, Elsa Pataky.

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