25 maio 2013

Resenha Crítica: "The Terminator" (O Exterminador Implacável)

 Clássico de ficção-científica que tornou James Cameron num realizador a ter em atenção, "The Terminator" apresenta-nos ao início da popular franquia que deu a Arnold Schwarzenegger um dos papéis mais carismáticos da sua carreira e aos espectadores uma obra deliciosamente violenta, recheada de momentos memoráveis, one-liners que ficam na memória e uma banda sonora entusiasmante. É verdade que alguns dos efeitos especiais estão algo datados nos dias de hoje, mas a história continua a prender facilmente a nossa atenção, enquanto acompanhamos a procura de Kyle Reese (Michael Biehn) em proteger Sarah Connor (Linda Hamilton) do Exterminador (Schwarzenegger, como Cyberdyne 101). Kyle veio do futuro, bem como o Exterminador, mais precisamente de 2029, um tempo marcado pela destruição proporcionado pela guerra entre humanos e as máquinas com inteligência artificial, depois destas últimas terem exterminado grande parte da raça humana. No futuro, um grupo de rebeldes resiste, liderado por John Connor. No presente, o Exterminador surge pronto a eliminar Sarah Connor (Linda Hamilton), uma empregada de balcão que, no futuro, vai dar à luz John Connor. Kyle surge do futuro, pronto a salvar Sarah e assim permitir que John Connor nasça. 
 A parte inicial da narrativa concentra-se na procura de Kyle e do Exterminador por Sarah, com este último a deixar uma enorme onda de destruição e mortes, procurando eliminar todas as Sarah Connors que estão na lista telefónica. A polícia procura pelo assassino, Kyle por Sarah, enquanto esporadicamente somos apresentados a um conjunto de flashbacks do futuro apocalíptico, onde as máquinas arrasam com o planeta. O encontro entre Sarah e Kyle surge quando este último a salva do Exterminador, embora a personagem interpretada por Linda Hamilton tenha alguma dificuldade em absorver toda a informação dada por Reese, algo que não impede de aos poucos ambos começarem a desenvolver uma relação que extravasa a presa e o seu protector, enquanto procuram a todo o custo evitar o personagem interpretado por Arnold Schwarzenegger. Arnie tem no Exterminador o personagem ideal para si: poucas expressões, poucas falas e um jeito imponente, enquanto anda de arma em punho a disparar contra tudo e todos até completar a sua missão, ou seja, assassinar Sarah Connor. 
 James Cameron redimiu-se de "Piranha Part Two: The Spawning" ao realizar um filme de ficção-científico emocionante, recheado de tensão e violência, uma história interessante, personagens bem construídos e acima de tudo uma capacidade única de Cameron em criar momentos de tensão, em inquietar o espectador e prendê-lo para o interior da narrativa. Não faltam perseguições frenéticas em carros a alta velocidade, tiroteios em discotecas, mortes, tiros e mais tiros, suspense, tudo adensado pela magnífica e electrizante banda sonora de Brad Fiedel. Muitas das vezes descuramos a importância da música nos filmes, mas no caso de "O Exterminador Implacável" esta é fulcral para a criação dos vários "momentums", enquanto somos apresentados a uma complexa teia narrativa que claramente deixa espaço para mais filmes, embora apenas tenha um sucessor à altura, "Terminator 2". Mérito para James Cameron, mas também para o seu elenco, sobretudo para Linda Hamilton, que interpreta uma personagem feminina bastante carismática: Sarah Connor. 
 Interpretada de forma magnífica por Linda Hamilton, Sarah Connor apresenta uma clara evolução ao longo da narrativa, passando da jovem empregada de restaurante para a mulher que tem um assassino vindo do futuro no seu encalço, até passar a tentar absorver toda a informação dada por Kyle Reese e assumir-se como a futura mentora do líder da resistência. Hamilton consegue expressar magnificamente (é uma das personagens mais marcantes da sua carreira) esta transformações de Sarah Connor, ao mesmo tempo que apresenta uma química bem interessante com Michael Biehn, uma dupla que aos poucos estabelece uma relação de confiança mútua, enquanto lidam com  um cyborgue que promete trazer consigo a morte e um Arnold Schwarzenegger cheio de carisma. Com poucos diálogos, mas marcantes, Arnold faz-nos agradecer pelas legendas com o seu inglês macarrónico, mas cedo nos faz tremer perante este personagem, cuja presença ameaçadora surge exponenciada pela história de fundo que engloba a sua presença. Esta é uma característica que tem valido grande parte do sucesso de Cameron ao longo da sua carreira, a sua capacidade de criar universos narrativos que englobem os seus personagens, tendo em "The Terminator" uma história entusiasmante, onde nos coloca perante uma cidade de Los Angeles marcada pela destruição. 
 James Cameron apresenta-nos a uma cidade claustrofóbica, onde a noite parece trazer todos os perigos, marcada pelo pouca iluminação, enquanto coloca o perigoso Exterminador à solta, transformando o local urbano numa fonte de perigo, onde a ameaça paira pelo ar, ou melhor, vem dos ares do futuro, algo que adensa o clima tenso deste filme marcante, que coloca dois seres humanos a lutarem pelas suas vidas contra uma máquina destruidora. A luta entre homens e máquinas nos filmes de ficção-científica não é uma temática inovadora, mas Cameron consegue criar uma teia narrativa envolvente, beneficiando do seu engenho, de um bom argumento e de um conjunto de efeitos especiais que, embora hoje sejam datados, na época constituíram alguns avanços. "The Terminator" marcou o início de uma nova franquia, um surgir para a ribalta de James Cameron, a confirmação de Arnold Schwarzenegger como uma estrela de acção, a criação de uma personagem feminina carismática, num filme de ficção científico com uma atmosfera negra e inquietante, que consegue prender a nossa atenção do primeiro ao último minuto.

Título original: "The Terminator".
Título em Portugal: "O Exterminador Implacável".
Título no Brasil: "O Exterminador do Futuro". 
Realizador: James Cameron. 
Argumento: James Cameron, Gale Anne Hurd e William Wisher Jr.
Elenco: Arnold Schwarzenegger, Linda Hamilton, Michael Biehn, Lance Henriksen, Paul Winfield, Bill Paxton.

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