29 maio 2013

Resenha Crítica: "Mad Max"

 Obra relevante do final da década de 70, "Mad Max" marcou uma geração, lançou a carreira do realizador George Miller e apresenta momentos memoráveis de cinema. Não que a sua narrativa seja a mais elaborada, mas tudo é apresentado de forma extremamente apelativa, enquanto somos colocados perante uma história de vingança marcante, tendo como pano de fundo um futuro não muito distante que parece saído dos westerns. Não temos o xerife a cavalo, nem temos os saloons, mas temos os agentes da autoridade de mota, casaco preto de cabedal, grande estilo, enquanto combatem os criminosos num planeta Terra pouco agradável e marcado pelo crime e violência. Tendo como pano de fundo uma Austrália distópica, "Mad Max" apresenta-nos a um território quase anárquico, onde autoridades e criminosos digladiam-se como se estivessem em plena guerrilla, numa fase em que o planeta se encontra exaurido de recursos como o petróleo. Para combater os criminosos que roubam os cidadãos, vandalizam os seus bens, agridem-nos e violam as leis, foi criada a Main Force Patrol (MFP), uma unidade de polícia que procura travar o crime a todo o custo. No outro lado da moeda encontram-se os Zed Runners, um grupo de criminosos liderados por Toecutter (Hugh Keays-Byrne) e Bubba Zanetti (Geoff Parry). "Mad Max" não poupa tempo a apresentar-nos ao violento contexto que rodeia a narrativa do filme, sobretudo quando o criminoso Crawford "Nightrider" Montizano, um dos elementos dos Zed Runners, assassina um polícia e inicia uma fuga pelo asfalto até despistar-se perante a perseguição de Max Rockatansky (Mel Gibson), um dos mais brilhantes agentes da autoridade, que surge ao volante do seu turbinado Interceptor.

A morte de "Nightrider" leva a que os elementos do gangue surjam para o seu funeral, prometendo trazer muita confusão pelo caminho, acabando por perseguir um casal, do qual vão violar a mulher. Quem encontra o casal é Max e o seu colega, Goose, descobrindo também a presença de Johnny, um dos elementos do grupo de criminosos, cujo excesso de consumo de drogas impede-o de conseguir conduzir a mota e entrar em fuga. Johnny é preso, mas logo é solto em tribunal, trocando juras de vingança com Goose, um conflito que termina em desgraça quando o agente é assassinado de forma violenta, ao ter o seu corpo imolado. Perante este escalar de violência, Max decide abandonar as suas funções e dedicar-se à sua esposa (Joanne Samuel) e filho, procurando uma vida calma e longe da violência do seu quotidiano como agente da autoridade. No entanto, esta tarefa complica-se quando Max e a sua família são perseguidos pelos motoqueiros, algo que promete terminar em tragédia. Se a história de Max parece fadada à desgraça, já a história de "Mad Max" está destinada ao sucesso e à conquista da imortalidade cinéfila. Com um conjunto brilhante de cenas de acção, onde não faltam emotivas perseguições onde os carros e as motas beijam o asfalto e avançam de forma violenta, enquanto são conduzidos, quer pelas autoridades, quer pelos criminosos, "Mad Max" apresenta-nos a uma história simples mas marcante, onde a violência, criminalidade e vingança pairam pelos seus poros. Uma violência que surge representada através das figuras das autoridades e dos criminosos, numa sociedade onde a lei pouco parece valer, num futuro distópico, recheado de elementos do presente e do passado, onde recursos como o petróleo se encontram a escassear.

No meio deste universo perdido de valores temos Max Rockatansky, um personagem carismático da carreira de Mel Gibson, uma figura da lei marcada pela honra, que destoa no meio da imoralidade que o rodeia, algo que o promete conduzir à desgraça e ao intenso e memorável último terço da narrativa. O desempenho de Mel Gibson é praticamente irretocável, no entanto, o grande destaque é o universo narrativo criado por George Miller. Com um orçamento baixo, mesmo para a época, Miller apresenta-nos a uma Austrália marcada por um clima de malaise, onde o crime e perversão parecem dominar, parecendo muitas das vezes estarmos perante um recuo civilizacional, em que parece que regressámos ao velho oeste. Saiu o cavalo e entrou a mota, saíram as diligências e entraram os carros, enquanto somos apresentados a um mundo pós-apocalíptico marcado por algum niilismo e muita violência, onde os criminosos são sacanas do pior, excêntricos, quase caricaturais, que se preparam para causar o choque no espectador e no protagonista. O que não causa choque é a popularidade alcançada por "Mad Max" e a influência que esta obra teve junto do público e de outros cineastas, tendo gerado duas sequelas, uma legião de fãs e tornando-se um símbolo da cultura pop do seu tempo. A história de vingança do protagonista não é uma novidade, bem como muitas das temáticas apresentadas, mas George Miller e a sua equipa técnica conseguem criar um universo narrativo que facilmente capta a nossa atenção, arrastando-nos para o interior de uma obra icónica, que continua a marcar gerações. Violento, entusiasmante, dramático e inquietante, "Mad Max" começa com chave de ouro a icónica saga protagonizada por Mel Gibson.

Título: "Mad Max".
Realizador: George Miller.
Argumento: James McCausland e George Miller.
Elenco: Mel Gibson, Joanne Samuel, Steve Bisley, Hugh Keays-Byrne.

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