19 março 2013

Resenha Crítica: "Os Croods"

Viver na pré-história deve ter sido muito complicado, que o digam os Croods, uma peculiar família pré-histórica, que muito ao jeito dos célebres (e inigualáveis) Flinstones lidam com problemas próprios da nossa sociedade contemporânea. Protagonistas de "Os Croods", o novo filme de animação da Dreamworks, a casa de "Shrek", "Kung Fu Panda", et al, esta família procura sobreviver a todo o custo, sendo constantemente confrontada com os perigos da "mãe Natureza", que aos poucos dizimou quase todos os humanos das redondezas. Os Croods são liderados por Grug (Nicolas Cage),o patriarca, um indivíduo rude e de bom coração, que procura a todo o custo seguir as regras das pinturas das paredes e evitar correr riscos, de forma a manter os elementos da sua família em segurança. Esta família é ainda formada por Ugga (Catherine Keener), a esposa de Grug, Gran (Cloris Lechman), a rabugenta sogra do patriarca, e os três filhos do casal, Eep (Emma Stone), Thunk (Clark Duke) e Sandy (uma bebé que se revela um perigo constante). 
 Quando Eep decide desafiar as regras do pai e sair a meio da noite para ver o fogo, logo dá de caras com outro humano, Guy (Ryan Reynolds), um rapaz acompanhado pelo seu Cinto (uma preguiça, que serve de alívio cómico) capaz de dominar esta "tecnologia de ponta" que logo encanta e se encanta pela adolescente, apesar da brutalidade da mesma. Eep é um espírito livre, uma adolescente sonhadora com as ansiedades próprias da idade, que gosta de arriscar, estabelecendo com o seu pai uma relação de amor/ódio, que é fortalecida quando uma catástrofe natural destrói a gruta onde a família se refugia durante as noites. Numa jornada coberta de vários perigos, a família, com o auxílio de Guy, envolve-se numa jornada de sobrevivência, enquanto procuram um novo lar e divertem os espectadores.
  Mais direccionado para um público mais jovem do que em procurar agradar a todas tarjas etárias, "Os Croods" surge como um filme de animação recheado de humor, aventura, alguma emoção, que vale sempre mais pelo conceito da família pré-histórica em situações anacrónicas do que pela capacidade de conseguir explorar os seus personagens. Os personagens surgem estereotipados ao máximo, veja-se que não falta o pai protector, a filha rebelde que desafia a autoridade paterna, o interesse amoroso da protagonista, o alívio cómico (desta vez na figura de uma preguiça) mas incrivelmente conseguem sempre manter o nosso interesse e gerarem a nossa simpatia, enquanto se envolvem numa jornada de sobrevivência e fortalecimento de laços, ao mesmo tempo que procuram arriscar e tornarem-se donos dos seus próprios destinos. É verdade, não vai faltar a célebre tensão entre pai e filha, a (pouca) rivalidade entre o patriarca e o interesse amoroso de Eep, mas tudo sem ser demasiado explorado, muitas das vezes a parecer algo de propositado para exibir ao espectador todos os belos cenários e criaturas criadas pela equipa de animação. 
 Com um conjunto de cenários belíssimos, que beneficiam de uma inspirada utilização das cores, um conjunto de criaturas fantásticas (onde não falta o "gato da morte", uma espécie de tigre dentes de sabre) que prometem fazer as delícias do departamento de merchandising, "Os Croods" conta com um notável trabalho a nível de animação no qual é visível todo o cuidado e atenção ao pormenor (visível por exemplo nas vestes dos personagens, onde praticamente vemos "cada pelo" da mesma). Tem sido notável verificar os avanços conseguidos na tecnologia ao serviço do cinema, e “Os Croods” é um bom exemplo disso, oferecendo ao espectador uma experiência e tanto, enquanto acompanhamos uma família pré-histórica (mas com muitos elementos das famílias contemporâneas), que é particularmente simpática e divertida de seguir, contando com uma protagonista carismática, embora a narrativa seja algo pálida em relação a outros trabalhos de animação, que nos têm "habituado mal". 
 Realizado por Chris Sanders (o senhor que realizou o adorável "Lilo & Stitch) e Kirk De Micco (o senhor do pouco recomendável "Space Chimps"), através do argumento dos próprios, "Os Croods" deixa-nos sempre com um certo travo agridoce. Por um lado, não consegue aprofundar as temáticas, com o seu argumento a revelar-se pouco assertivo e demasiado virado para o público infantil (veja-se a overdose de criaturas fofinhas ou que viram fofinhas). Por outro, "The Croods" consegue divertir, entreter, dispor bem e revela-se visualmente muito interessante, deixando-nos sempre com a sensação de que passámos um agradável período de tempo, durante a sua hora e vinte de duração. Um filme de animação divertido, recheado de aventura e emoção, que promete fazer as delícias dos mais novos.  


Classificação: 3.5 (em 5)

Título original: “The Croods”
Título em Portugal: “Os Croods”.
Título no Brasil: “Os Croods”.
Realizador: Chris Sanders e Kirk De Micco.
Argumento: Chris Sanders e Kirk De Micco.
Elenco: Nicolas Cage, Emma Stone, Ryan Reynolds, Clark Duke, Catherine Keener, Chloris Leachman.

Sem comentários: