26 março 2013

Resenha Crítica: "La Mala Ordina"

 Segundo capítulo da carismática trilogia del milieu, realizada por Fernando Di Leo, "La Mala Ordina" não poupa na violência, crime, reviravoltas e emoção ao apresentar a história de Luca Canali (Mario Adorf), um proxeneta de Milão que é acusado do roubo de um carregamento de heroína. Neste sentido, Dave (Henry Silva) e Frank (Woody Strode), dois assassinos profissionais, são enviados dos EUA para Milão para encontrar o proxeneta, algo que promete colocar a vida de Luca e da sua família em perigo. Quando a mulher e filha do fugitivo são assassinadas, Luca enceta uma intensa perseguição para vingar-se, passando de presa a caçador, tendo ainda de lidar com os verdadeiros protagonistas do roubo. 
 É de elogiar a produtividade e criatividade cinematográfica italiana na década de 70. Recheado de violência, misoginia, perseguições implacáveis, tensão, nudez, "La Mala Ordina" conta com vários elementos que tornaram populares o poliziottesco, ao mesmo tempo que reflecte alguns dos problemas da Itália dos anos 70. Não falta a presença da máfia, tráfico de droga, violência, enquanto somos apresentados a uma cidade de Milão composta por criminosos da pior espécie, onde até o protagonista é um proxeneta de má índole. Com roupas estilosas, o bigode típico de alguns protagonistas (ou antagonistas) dos poliziottescos, Mario Adorf surge cheio de carisma como Luca Canali, um personagem aparentemente passivo, que rapidamente muda de atitude quando a mulher e a filha são assassinadas, algo bem explorado pela narrativa, que coloca o personagem numa onde de violência da qual salta à memória a intensa perseguição que efectua de automóvel e em corrida ao assassino das suas "mais que tudo". 
 Tal como aconteceu em "Milano Calibro 9", Fernando Di Leo não nos apresenta uma história intrincada em "La Mala Ordina", bem pelo contrário, tudo é bastante simples e eficaz, embora nem sempre com grande sentido. Temos uma típica história de vingança, que acaba por sair da mediania graças à direcção segura de Fernando Di Leo e ao clima de incerteza que o cineasta incute na narrativa, algo que surge incrementado pela magnífica banda sonora de Armando Trovaglioli, as boas interpretações de elementos como Mario Adorf, Henry Silva e Woody Strode e um tom único que atribuem a este tipo de filmes um charme irresistível, onde não falta o product placement ao whisky J&B. Com uma dupla de mafiosos norte-americanos cheios de estilo que serviu de inspiração para Quentin Tarantino em "Pulp Fiction", uma banda sonora magnífica, um Mario Adorf carismático como sempre e uma realização segura de Fernando Di Leo, "La Mala Ordina" é um poliziottesco que facilmente fica na memória e desperta a vontade de vermos o que o cineasta tem para nos dar em "Il Boss", o terceiro e último capítulo da "trilogia del Milieu".


Classificação: 4 (em 5). 

Título: “La Mala Ordina”
Título em Inglês: “The Italian Connection”.
Realizador: Fernando Di Leo.
Argumento: Fernando Di Leo.
Elenco: Mario Adorf, Henry Silva, Woody Strode, Adolfo Celi, Luciana Paluzzi.

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