27 março 2013

Resenha Crítica: "Il Boss"

 A violência toma conta da narrativa de "Il Boss" desde o início, com Nick Lanzetta (Henry Silva) a eliminar brutalmente um conjunto de gangsters da família rival do seu chefe (Richard Conte), que se encontravam numa sala de cinema dedicada a filmes pornográficos em Palermo. Lança granadas em punho, muitas mortes no interior do clã Attardi e claro está que a vingança contra Don Corrasco promete ser dura. Cocchi, um dos sobreviventes a este ataque, em conjunto com outros elementos ligados ao Clã das vítimas e novos recrutas que contrata, raptam a filha de Don Giuseppe, um elemento da "família" de Corrasco, a bela Rina (Antonia Santilli), uma jovem viciada em marijuana, álcool e sexo. Embora Don Corrasco incumba Lanzetta da operação de lidar directamente com Cocchi, Giuseppe procura negociar com os mafiosos pessoalmente, embora nada corra como o esperado com o filme a ser pródigo em reviravoltas surpreendentes, onde não faltam polícias e políticos corruptos, disputas de poder no interior das famílias da máfia, muitos crimes e violência.
 Baseado no livro "Il Mafioso", "Il Boss" completa a marcante trilogia del milieu de Fernando Di Leo. Ao contrário dos filmes anteriores, a narrativa não se desenrola em Milão, mas sim em Palermo, embora a violência, a banda sonora marcante de Bacalov, a misoginia, a nudez feminina e o product placement para publicitar a marca de whisky J&B estejam presentes em doses generosas, prometendo não desiludir os fãs dos poliziottescos e desta trilogia. Realizado de forma segura e engenhosa por Fernando Di Leo, "Il Boss" procura explorar as quezílias entre grupos mafiosos e as estruturas hierárquicas rígidas no interior dos mesmos, sempre de forma violenta e dura, ao mesmo tempo que apresenta algumas temáticas que derivam do momento político, económico e social da Itália dos anos 70. Não faltam políticos e agentes das autoridades corruptos, crimes violentos, máfia, instabilidade social, tráfico de droga, entre outros elementos inspirados na realidade italiana, cujo ambiente de incerteza surge transporto para este guilty pleasure desenvolvido por Fernando Di Leo.
 Corpos queimados na morgue, mortes violentas, traições no interior da máfia, polícias corruptos, "Il Boss" não tem problemas em chocar o espectador, enquanto Henry Silva mostra mais uma vez o seu carisma ao interpretar um gangster implacável, que se envolve numa perigosa teia de intrigas no interior de uma guerra entre duas famílias da máfia. Com claras inspirações de obras como "O Padrinho", "Il Boss" pode não ser uma obra-prima da sétima arte mas é um poliziottesco marcante, onde Fernando Di Leo cria um ambiente de incerteza único onde nada nem ninguém parece verdadeiramente inocente, nem mesmo a bela e sensual Rina. Acompanhado por uma banda sonora electrizante, um Henry Silva sempre carismático, nudez gratuita, muita pancadaria e uma atmosfera de incerteza, "Il Boss" fecha de forma competente uma trilogia cinematográfica que merece ser redescoberta.

Classificação: 3.5 (em 5). 
 
Título: “Il Boss”.
Realizador: Fernando Di Leo.
Argumento: Fernando Di Leo.
Elenco: Henry Silva, Richard Conte, Pier Paolo Capponi, Gianni Garko, Antonia Santilli.

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