23 março 2013

Resenha Crítica: "G.I. Joe: Retaliação"

 Na década de 90 foi exibida uma série de animação bem inteligente e divertida chamada "Pinky and the Brain", protagonizada por dois ratos com características dicotómicas. Brain tinha a ambição de conquistar o planeta, Pinky era simpático mas algo lerdo. Em cada episódio era possível encontrarmos Pinky a questionar "Gee, Brain, what do you want to do tonight?" e Brain a responder "The same thing we do every night, Pinky - try to take over the world". Claro está que no final a coisa corre sempre mal. Em "G.I.Joe: Retaliation" a história não é diferente, uma vez que a equipa dos Joes volta a lidar com a ameaça de Cobra, um grupo terrorista que de forma amiúde procura conquistar o Mundo. Sem Stephen Sommers no cargo de realizador, mas com Jon Chu (conhecido pelo documentário "Justin Bieber: Never Say Never"), a sequela de "G.I.Joe: The Rise of Cobra" acompanha uma diminuta equipa dos Joes, após terem sido traídos pelo Governo Norte-Americano.
 Comandados por Duke (Channing Tatum), a equipa formada por elementos como Roadblock (Dwayne Johnson), Flint (D.J. Cotrona) e Jaye (Adriane Palicki) logo é traída quando efectuava uma missão no Paquistão. O ataque resulta na morte de um elemento importante e na posterior vingança liderada por Roadblock, Flint e Jaye, enquanto procuram limpar o nome junto da sociedade, tendo o inesperado apoio de Joe (Bruce Willis), um elemento da equipa aparentemente reformado, que surge numa versão genérica de John McClane (o personagem de Willis em "Die Hard"). Ao mesmo tempo, o grupo Cobra continua a dominar os destinos do país, com Zartan, um elemento do grupo terrorista, a assumir a figura do Presidente dos Estados Unidos da América, apresentando uma conduta bélica que promete agradar ao eleitorado e servir os planos dos antagonistas.
 Sequela sem chama de um filme que tinha muito pouco para dizer, "G.I.Joe: Retaliação" exibe a retaliação de um estúdio perante os espectadores que foram às salas de cinema ver o primeiro filme e puni-los com uma sequela risível, que se perde nas suas longuíssimas cenas de acção, num argumento banal efectuado para interligar as cenas de acção e uma história de vingança pálida que raramente convence. Supostamente os personagens interpretados por Dwayne Johnson, Adriane Palicki e D.J. Cotrona e os restantes Joes estão não só numa jornada para limpar os seus nomes, mas também para vingar a morte de um companheiro e salvar os Estados Unidos da América. A história de vingança raramente é convincente e facilmente é esquecida, a procura para salvar os EUA e limpar o nome dos Joes está longe de ser entusiasmante, o 3D está ali só para sacar dinheiro do público, os flashbacks nem sempre são pertinentes, algo a que ainda se junta uma banda sonora cheia de ritmo mas que se sobrepõe de forma irritante à narrativa.
 Jon Chu, provavelmente a pensar que ainda estava no seu documentário sobre Justin Bieber, acha que ao povoar a narrativa com uma banda sonora cheia de estilo consegue expressar algo que o argumento, a narrativa e a falta de talento de alguns dos seus actores não conseguem. Isso é visível nas intermináveis cenas de acção, que podem estar relativamente bem coreografas, mas surgem em quantidades excessivas que pouco ou nada acrescentam (Michael Bay está a fazer escola). A juntar a tudo isto temos uma Adriane Palicki que tem um corpo belíssimo que lhe vale trabalho mas não lhe dá talento, D.J. Cotrona é um canastrão de primeira, salvando-se Dwayne Johnson e Bruce Willis, com o seu humor e à vontade. Quando são estes dois senhores a sobressaírem num elenco de um filme penso que fica muita coisa dita e já nem vamos falar sobre onde andam grande parte dos actores e actrizes do filme anterior.
 Apesar de toda esta cacofonia de mau gosto que invade a narrativa, não deixa de ser interessante verificar uma certa crítica bem humorada aos Estados Unidos da América e à forma como o seu povo escolhe os presidentes. Veja-se que o Presidente falso sobe de popularidade quando assume uma atitude mais belicista, à George W. Bush, ao contrário do seu antecessor, que tinha uma atitude mais contida. Talvez por isso, Jon Chu resolveu apostar em cenas de acção cheias de ritmo, longuíssimas e que não vão dar a lado nenhum, mas prometem chegar ao seu "eleitorado", proporcionando um filme de acção com muita pancadaria e música, mas que raramente convence.

Classificação: 1 (em 5).

Título original: "G.I. Joe: Retaliation".
Título em Portugal: "G.I. Joe: Retaliação"
Título no Brasil: "G.I. Joe 2: Retaliação"
Realizador: Jon M. Chu.
Argumento: Rhet Reese e Paul Wernick.
Elenco: Dwayne Johnson, Bruce Willis, D.J. Cotrona, Jonathan Pryce, Adrian Palicki, Ray Stevenson, Walton Goggins, Channing Tatum.

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