23 fevereiro 2013

Resenha Crítica: "Topper"

Baseado na obra literária homónima, "Topper" acompanha duas almas que ficaram presas no limbo entre a vida e a morte, que resolvem ajudar um indivíduo que é constantemente atormentado pela sua mulher, mas acabam por envolvê-lo nas mais variadas confusões. Estas almas penadas são George (Cary Grant) e Marion Kerby (Constance Bennett). O infeliz contemplado que vai ser ajudado por estes dois é o personagem do título, Cosmo Topper (Roland Young). George e Marion nunca parecem levar muito a sério a vida, tendo nas festas, no álcool e nos perigos um modo de vida, algo que corre mal quando o primeiro resolve acelerar o carro e provocar um acidente de viação que resulta na morte dos dois. O problema é que os seus espíritos permaneceram na Terra, devido ao facto destes não terem responsabilidade de praticar actos bons ou maus, algo que leva George e Marion a ajudarem Topper, o presidente do banco do qual estes dois são accionistas. Topper vive preso entre as responsabilidades do trabalho e a sua esposa dominadora, Clara (Billie Burke), uma mulher que controla todas as acções do marido, pelo menos até este conhecer George e Marion, mantendo uma relação muito especial com esta última.
 Realizado por Norman Z. McLeod, um cineasta que conta com um currículo relativamente interessante onde constam filmes como "Monkey Business" (1931), "Alice in Wonderland" (1933), "The Secret Life of Walter Mitty" (1947),  "Topper" foi um sucesso notável aquando do seu lançamento, tendo gerado duas sequelas (ambas sem a presença de Grant), um telefilme e servido de inspiração para uma série televisiva, um sucesso que é bastante fácil de perceber e mostra que por vezes não é preciso muito para efectuar uma comédia interessante que facilmente consegue prender a atenção do espectador. Com um trio de protagonistas carismático e cheio de talento, com Cary Grant a sobressair pelo seu ar descontraído, Constance Bennett pela sua sensualidade e grande à vontade e claro está Roland Young como o personagem do título, um indivíduo rígido de valores que cedo cede aos prazeres da vida apresentados por George e sobretudo Marion, "Topper" revela-se uma screwball comedy divertida, recheada de mal-entendidos, diálogos deliciosos, efeitos especiais de bom nível para a época, bom humor e algumas reviravoltas onde tudo parece funcionar. 
 Desde os protagonistas aos personagens secundários (em particular Alan Mowbray como Wilkins, o mordomo que tem de lidar com os constantes desaparecimentos das figuras espectrais e Eugente Palette como Casey, um detective que procura descobrir a mulher que acompanha Topper, mas apenas se envolve em confusões), passando pelos diálogos rápidos e bem construídos, pelas situações surpreendentes e momentos de humor, tudo acompanhado por uma banda sonora adequada, "Topper" revela-se uma comédia cheia de ritmo, onde duas figuras espectrais preparam-se para divertir o espectador e colocar o protagonista nas mais peculiares situações. Cary Grant pode não estar no seu melhor papel, mas enche o ecrã com o seu carisma e talento, apresentando uma dinâmica muito interessante com Constance Bennett, com ambos a terem consciência de que estão a protagonizar uma comédia e a parecer claro que se estão a divertir e pretendem acima de tudo entreter os espectadores. Os personagens dos dois actores aparecem e desaparecem quando mais lhes convém, colocam o protagonista em sarilhos, procuram mudar a sua personalidade, enquanto nos conseguem divertir com as suas acções. Enérgico, cheio de momentos divertidos e bons diálogos, "Topper" é uma comédia de mão cheia que sabe e consegue divertir o espectador.

Classificação: 4 (em 5).

Título original: “Topper”.
Realizador: Norman Z. McLeod.
Argumento: Jack Jevne, Eric Hatch e Eddie Moran.
Elenco: Cary Grant, Constance Bennett, Roland Young, Billie Burke, Eugene Palette.

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