07 fevereiro 2013

Resenha Crítica: "The Last Stand"

Recheado de perseguições desenfreadas, muita adrenalina, tensão, emoção e humor, "The Last Stand" marca o regresso de Arnold Schwarzenegger ao cargo de protagonista de um filme, após ter sido Governador da Califórnia. Depois de terminarmos de ver "The Last Stand" podemos dizer que Arnie tem um regresso em grande estilo, embora o resultado das bilheteiras nos Estados Unidos da América não tenha sido o mais favorável. Após conquistar o público com "The Expendables 2", Arnie protagoniza um filme cheio de acção, que procura fazer rir o espectador e rir-se de si próprio, enquanto Jee-woon Kim mostra alguns dos salpicos do seu talento para a realização cinematográfica.
 Com um currículo sólido no seu país de origem, onde conta com obras como "A Tale of Two Sisters", "The Good, the Bad and the Weird" e "I Saw the Devil", Jee-woon Kim tem em "The Last Stand" a sua primeira obra nos Estados Unidos da América. O estilo próprio do cineasta dilui-se um pouco na máquina de Hollywood, mas nem por isso esbate-se por completo. Hábil a filmar as cenas de acção, capaz de cadenciar a tensão, Jee-woon Kim sabe que tem entre mãos um filme que está longe de ser uma obra-prima, aproveitando as forças e as fraquezas do argumento para desenvolver uma obra que raramente se leva a sério como que pedindo ao espectador apenas para se divertir com estes personagens. A verdade é que consegue. Aproveitando o carisma de Arnold Schwarzenegger, que com os seus mais de sessenta anos de idade mostra ter mais carisma que muitas estrelas de acção mais jovens, Jee-woon Kim apresenta de forma emotiva e divertida a história já muito batida do xerife solitário que tem sozinho de combater tudo e todos, qual "one man army" pronto a defender os seus valores. 
 Este homem que praticamente sozinho prepara a defesa da sua cidade é o Xerife Owens (Schwarzenegger). Este lidera uma equipa formada por Sarah Torrance (Jainie Alexander), Mike Figuerola (Luiz Guzmán) e Jerry Bailey (Zach Gilford). O quarteto tem de vigiar a pacata cidade de Sommerton Junction, no Arizona, onde nada parece acontecer, sobretudo quando quase todos os locais deslocam-se para ir ver o jogo da equipa de futebol local. Quando o perigoso traficante Gabriel Cortez (Eduardo Noriega) consegue escapar do FBI, tendo como refém a agente Ellen Richard (Génesis Rodríguez) e um veículo de alta cilindrada, em particular um Chevrolet Corvette C6 ZR1, modificado de forma a andar a mais de 300km por hora, logo Owens vê o seu quotidiano mudar. Cortez desloca-se em direcção a Sommerton Junction, tendo em vista a fugir em direcção ao México, enquanto procura ludibriar o agente do FBI John Bannister (Forest Whitaker). Sem grande ajuda externa, Owens procura reunir a sua equipa, contando ainda com a ajuda do tresloucado Lewis Dinkum (Johnny Knoxville como o alívio cómico do filme) e Frank Martinez (Rodrigo Santoro), um indivíduo que foi forçado a passar o fim de semana na prisão, que mantém uma relação com Sarah. 
 Entre perseguições levadas a cabo pelo FBI, lutas corpo a corpo, muitos disparos e momentos frenéticos, "The Last Stand" nunca deixa os seus créditos por mãos alheias, ao recuperar um pouco a aura dos filmes de acção dos anos 80, onde Arnold Schwarzenegger, Sylvester Stallone, Chuck Norris e companhia interpretavam personagens capazes de praticamente sozinhos conseguirem livrarem-se de todos os inimigos. "The Last Stand" acrescenta um toque humorístico, uma realização hábil de Jee-woon Kim e um argumento acima da média para um filme do género, resultando num frenético e bem humorado pedaço de entretenimento. A estes elementos junta-se ainda um bom trabalho de fotografia para um filme do género, capaz de exacerbar os cenários e a tensão (a fuga de Cortez em Las Vegas é o paradigma desse bom trabalho), num filme  capaz de aliar como poucos a violência com humor. A violência e a acção surgem em doses generosas, com Arnie a ter de mostrar o seu arsenal de habilidades enquanto debita frases de efeito, contando com um bom elenco secundário, onde não falta Johnny Knoxville simplesmente hilariante como o alívio cómico, Jaimie Alexander como a polícia atraente e eficaz na sua função Eduardo Noriega como o perigoso antagonista latino (o cliché e o estereótipo do criminoso mexicano "tinham" de estar lá).
  A certa altura do filme, o Xerife Owens diz que está velho. Diga-se a bem da verdade que Arnold Schwarzenegger já não caminha para novo e "The Last Stand" nunca o apresenta como um indivíduo jovial. Pelo contrário. Este é o outcast que preferiu sair do departamento de polícia de Los Angeles, para viver numa cidade calma, onde não tem de lidar com violência e mortes de colegas em serviço. Claro que se assim fosse não teríamos história e "The Last Stand" conduz-nos a um frenético espectáculo cinematográfico, no qual o protagonista é colocado à prova. Sempre preocupado em dinamizar a narrativa com um variado conjunto de planos e ângulos de câmara, Jee-won Kim tem uma estreia relativamente feliz em solo norte-americano, ao desenvolver um filme de acção que procura acima de tudo divertir o espectador, onde não falta uma história interessante, alguns clichés, bons personagens, cenas de acção habilmente elaboradas, tudo acompanhado por uma banda sonora adequada e claro está um Arnold Schwarzenegger cheio de carisma. Arnold Schwarzenegger está de volta. Os fãs de filmes de acção agradecem.


Classificação: 3 em 5
Título original: “The Last Stand”.
Realizador: Jee-woon Kim.
Argumento: Andrew Knauer, Jeffrey Nachmanoff, George Nolfi.
Elenco: Arnold Schwarzenegger, Jaimie Alexander, Johnny Knoxville, Génesis Rodriguez, Forest Whitaker, Luiz Guzmán, Eduardo Noriega, Zach Gilford.

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