20 fevereiro 2013

Resenha Crítica: "Gangster Squad" (Força Anti-Crime)

 Composto por um elenco recheado de caras bem conhecidas do grande público, um visual chamativo, violência estilizada, uma história algo banal, 'Força Anti-Crime' fica-se pelas promessas e cumpre pouco daquilo a que se propõe. Percebe-se a ideia de Ruben Fleischer ao querer desenvolver um filme muito ao estilo de obras como "The Untouchables", "L.A. Confidential", mas as suas pretensões esbarram no argumento de Will Beal que se limita a aproveitar os clichés, numa obra com muito estilo mas pouco coração. Não basta querer fazer, é preciso também saber colocar em prática. Foi isso que Ruben Fleischer efectuou em "Zombieland", algo que não se verifica em "Gangster Squad", um filme esforçado, que queremos gostar, mas deixa-nos sempre com a sensação de que a bota nem sempre joga com a perdigota. O que não deixa de ser um desperdício de talentos e de uma história com potencial, baseada numa série de artigos da autoria de Paul Lieberman, publicados no Los Angeles Times, sobre a história verídica de uma unidade secreta da polícia de Los Angeles, formada para derrubar o gangster Meyer Harris "Mickey" Cohen, um dos líderes da chamada "Máfia Judaica" nos anos 40.
 Sim. A história encontra claros paralelos com a narrativa de "Os Intocáveis" (caça aos gangsters) e "L.A. Confidential" (corrupção policial, elementos neo-noir), mas vamos evitar comparar o incomparável. Tendo como pano de fundo a cidade de Los Angeles, em 1949, "Gangster Squad" coloca-nos perante a ascensão de "Mickey" Cohen (Sean Penn), um ex-boxeur que ganha a vida graças ao tráfico de droga, proxenetismo, entre outras ilegalidades, controlando não só os seus criminosos, mas também políticos, polícias, imprensa. Perante a ascensão desta figura algo obscura e violenta da sociedade, o chefe da polícia, Bill Parker (Nick Nolte), chama John O'Mara (Josh Brolin, com uma boa interpretação), um veterano de Guerra com princípios vincados, para organizar um grupo secreto à margem da polícia (corrompida pelos homens de Cohen) e assim minar o poder do mafioso e afastar o crime de Los Angeles. É assim que O'Mara decide reunir um grupo de polícias aparentemente sem futuro, mas extremamente fiéis, que se preparam para enfrentar o mafioso, enquanto o seu primeiro filho encontra-se prestes a nascer, um elemento para dar algum drama à narrativa, mas que se perde como tantos outros no mau argumento.
 A equipa é formada pelo mulherengo Jerry Wooters (Ryan Gosling, um dos elementos em melhor nível no elenco), o detective Conwell Keeler (Giovanni Ribisi, como o "cérebro" do grupo), Coleman Harris (Anthony Mackie, o especialista na utilização de facas), Max Kennard (Robert Patrick, letal com a arma) e Navidad Ramirez (Michael Peña, como o elemento mais descartável do grupo). Sem desenvolver particularmente os personagens, nem as suas idiossincrasias, o filme raramente convence no plano levado a cabo pelo grupo, com Fleischer a apostar todas as suas fichas na violência, que surge em doses XXL e muitas das vezes gratuita, mas sem ter a argúcia de nos fazer acreditar na história. A falta de pertinência de alguma da violência excessiva é paradigmática da falta de envolvência do filme, que apresenta uma premissa apelativa, um conjunto de bons actores, um cuidado com os cenários e guarda-roupa, muito estilo mas pouco mais do que isso, sendo complicado preocuparmo-nos com um grupo de personagens violentos e unidimensionais que querem a todo o custo derrubar o crime, cujo plano raramente é desenvolvido.
 Essa fronteira entre os homens da lei que precisam de a quebrar para combater o mal raramente é aproveitada pelo argumento (como quase tudo ao longo do filme), com a temática a ser sugerida, a par das mudanças do território no período após a II Guerra Mundial, mas a ser pouco desenvolvida. O que é desenvolvido ao longo do filme é a violência praticada pelo "Gangster Squad" e por Mickey Cohen, um personagem que exige um enorme sentimento de descrença ao espectador, não só pela sua maquilhagem, mas também pelo tom caricatural que Sean Penn dá ao mesmo. Diga-se que Penn é o menos culpado, perante um argumento fraco, de Will Beal, que não só não consegue dar dimensão aos personagens, mas também construir uma intrigante missão secreta para derrubar o gangster, tudo parece muito fácil e pouco pensado, com alguns dos diálogos a gerarem inesperadamente risos quando deviam provocar tensão. 
 O romance entre os personagens de Emma Stone e Ryan Gosling é paradigmático do que falha no argumento do filme, ou seja, conteúdo, ou se preferirem uma alma. Bela, ruiva, sensual, uma Jessica Rabbit humana, Emma Stone surge como Grace Faraday, uma femme fatale que nunca o chega a ser, uma funcionária de Mickey Cohen (a professora de etiqueta) que se apaixona por Jerry Wooters, uma relação que apenas acreditamos por do outro lado estar um senhor chamado Ryan Gosling que tem um estilo tremendo (tal como Stone). Pouco desenvolvida, Faraday nunca tem aquele fatalismo que esperamos da mulher fatal, com Ruben Fleischer a querer constantemente balancear para os elementos noir e transmitir elementos do final dos anos 40 e início dos anos 50, mas a desaproveitá-los, ficando muito longe de filmes como "L.A. Confidential", que soube transmitir o sabor de uma época e construir uma história intrigante, recheada de personagens interessantes, ao contrário de "Força Anti-Crime". Com uma premissa interessante, um elenco talentoso e um visual apelativo, "Força Anti-Crime" está longe de ser um filme medíocre, mas passa por nós praticamente sem deixar rasto, tendo potencial para muito mais do que aquilo que realmente nos apresenta. 

Classificação: 3 (em 5).
Título original: “Gangster Squad”.
Título em Portugal: “Força Anti-Crime”.
Realizador: Ruben Fleischer.
Argumento: Will Beall.
Elenco: Ryan Gosling, Emma Stone, Sean Penn, Josh Brolin, Mireille Enos, Anthony Mackie, Giovanni Ribisi.

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