30 janeiro 2013

Resenha Crítica: Parker

 "Parker" poderia ter como subtítulo "Vejam Jason Statham a tentar criar uma franquia com um personagem carismático como alguns dos seus colegas de The Expendables". É verdade, o subtítulo é longo, tal como "Parker" apresenta uma longa duração para o pobre argumento que apresenta, com Jason Statham a falhar ter o Rocky e o Rambo de Stallone, ou o Terminator e Conan de Arnie. Statham já teve alguns filmes de sucesso com sequelas, tais como "Crank" e "The Transporter", mas continua-lhe a faltar aquele "hit" que seja um sucesso marcante na sua carreira, algo que poderia ter conseguido com "Parker", a adaptação cinematográfica de "Flashfire", a décima nona obra literária da saga protagonizada pelo personagem do título. Curiosamente, este personagem criado por Donald E. Westlake teve direito a mais de vinte livros, algo que poderia resultar numa franquia cinematográfica para Statham, mas provavelmente nunca irá acontecer, devido ao facto do filme falhar por completo em cativar a nossa atenção, apesar do seu potencial. Diga-se que esta não é a primeira adaptação das obras de Westlake, com Lee Marvin a ter interpretado o personagem em "Point Blank" (1967) e Mel Gibson em "Payback" (1999), embora os filmes não tivessem o propósito de gerar uma saga.
 Realizado por Taylor Hackford, um cineasta que já conheceu melhores dias (veja-se que realizou "Oficial e Cavalheiro"), "Parker" é o típico filme de vingança, mas mal construído, perdendo-se num argumento obsceno, na falta de química entre Jason Statham e Jennifer Lopez e nas cenas de acção que surpreendem pela sua violência mas não pela sua elaboração, com o filme a surgir nivelado por baixo, mesmo para os padrões das obras de Statham. A história é bastante simples e fácil de contar, pelo que não se percebe como o argumento resolveu "escavacar" algo que não seria necessário inventar. No início somos apresentados a Parker, um assaltante com princípios que decidiu participar num assalto a uma feira ao lado de um grupo liderado por Melander (Michael Chicklis). Como não poderia deixar de ser, o assalto não corre como o esperado, os quatro elementos do grupo deixam Parker às portas da morte, que miraculosamente recupera em tempo record e logo começa a preparar a vingança. Pelo caminho procura manter a namorada (Emma Booth) segura, bem como o sogro (Nick Nolte), um mafioso que arranja alguns negócios a Parker e parte em direcção a Palm Springs, onde conhece Leslie Rogers (Jennifer Lopez), uma vendedora de imóveis metediça e extrovertida que logo se intromete no caso do protagonista. 
 Não espere encontrar grande química entre os personagens interpretados por Jennifer Lopez e Jason Statham, cuja relação é o paradigma daquela que temos para com o filme: fria. Tudo parece falhar. Os diálogos são maus (ter a Jennifer Lopez a debitar maus diálogos é constrangedor, sobretudo se tivermos em linha de conta que esta se esforça bastante), as cenas de acção destacam-se pela violência mas não pela elaboração, o argumento é sofrível estando recheado de plot holes (a certa altura do filme é impossível não verificarmos como os personagens roubam carros e arrombam casas com enorme facilidade, para além dos tempos de cura e deslocação dos personagens serem impressionantes), salvando-se provavelmente a dupla de protagonistas. Statham não é um prodígio na arte da representação mas tem um carisma natural para os filmes de acção, Jennifer Lopez não é uma Meryl Streep mas também não anda ao nível Megan Fox, o problema é que os dois juntos não funcionam. 
 Entre os nomeados aos Oscars encontra-se "Silver Linings Playbook", um filme que tem sido elogiado pela química entre Bradley Cooper e Jennifer Lawrence, sendo um exemplo de um filme que consegue ter um nível superior, em grande parte graças a esse elemento. No caso de "Parker" temos um exemplo de um caso no qual a química não funciona, desde logo pelo facto da narrativa nunca conseguir encaixar a personagem de Jennifer Lopez de forma natural na história, mas também pelo facto dos dois actores nunca conseguirem parecer ter alguma tensão amorosa. A falta de química entre a dupla de protagonistas é o menos. A narrativa é apresentada de forma atabalhoada, falhando em desenvolver uma história aparentemente simples, as cenas de acção não entusiasmam, o sentimento de descrença que pede ao espectador é enorme, mesmo para os filmes do género, os personagens secundários são completamente unidimensionais (deixem o Michael Chicklis ficar pelas séries; Emma Booth surge como uma "coisinha sem sal"), entre outros elementos que aqui poderiam ser apontados mas entram na parte do spoiler. Não deixa de ser curioso que Parker repita várias vezes que se pretende vingar pelos valores morais que defende e não pelo dinheiro. Se não fosse pelo facto de regerem-se pelo dinheiro ao invés dos seus valores morais, será que alguns dos envolvidos teria participado neste filme? Provavelmente não.


Classificação: 1,5 em 5
Título original:
Realizador: Taylor Hackford.
Argumento: John J. McLaughin.
Elenco: Jason Statham, Jennifer Lopez, Michael Chicklis, Emma Both, Clifton Collins Jr., Bobby Cannavale, Nick Nolte.

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