25 janeiro 2013

Resenha Crítica: "Hansel e Gretel: Caçadores de Bruxas"

  As lendas e os contos de fadas clássicos já não são o que eram. A Branca de Neve utiliza armadura e está pronta a desancar tudo e todos, enquanto brinca com o lenhador e fornica com o realizador, o Capuchinho Vermelho não tem medo do lobo mau, os vampiros não morrem com o Sol e dormem em cabanas com lobisomens, os zombies surgem a dar florzinhas em cartazes de filmes. Revisionismos à parte, "Hansel e Gretel: Caçadores de Bruxas" é o mais recente filme a "actualizar" ao século XXI um conto clássico, que é como quem diz, arrasar com o mesmo e colocá-lo com um visual todo bonito, a parecer aquelas maçãs luzidias do supermercado que no seu interior estão podres e prontas a serem deitadas fora. Realizado pelo norueguês Tommy Wirkola, "Hansel & Gretel: Witch Hunters", ou como no Brasil é intitulado "João e Maria: Caçadores de Bruxas", esta nova adaptação do clássico conto popular recolhido pelos irmãos Grimm sobressai devido ao facto de se levar sempre demasiado a sério, quando apresenta um argumento pobre (para não dizer ridículo), efeitos especiais duvidosos, um ogre chamado Edward (que esperamos ser uma referência subliminar a Twilight), personagens unidimensionais e um conjunto de antagonistas que está apenas ali para servir de "carne para canhão".
 A ideia e o conceito do filme até é relativamente interessante, o problema é como tudo é desenvolvido. Hansel e Gretel são dois caçadores de bruxas com um passado conturbado, conhecidos pela sua capacidade exímia para caçar bruxas, algo que resulta em algumas cenas de acção relativamente interessantes, com o sangue a aparecer em quantidades surpreendentes para um filme que procura chegar ao grande público, apesar dos efeitos especiais não serem os melhores e do 3D ser praticamente nulo. No entanto, o filme não dá muito mais do que alguns momentos de pancadaria, perdendo-se por completo na sua falta de rumo, não faltando repetições de piadas, um romance desenvolvido às três pancadas e alguns maus diálogos, para além de uma dupla de protagonistas unidimensional. Hansel é um tipo com uma habilidade enorme para a pancada e matar bruxas, que sofre da "doença do açúcar" (o coitado é diabético devido àquele episódio na casa de Gengibre) e debita piadas que quase sempre soam a falso devido à inabilidade de Jeremy Renner em conseguir parecer sardónico. Gretel... tem o decote... e ... sabe atirar flechas, num claro desaproveitamento de Jeremy Renner e Gemma Arterton que já mostraram ter talento para bem mais do que mostraram no filme. Estes dois são contratados pelo presidente da câmara de Augsburg para combaterem a epidemia de bruxas que se encontram a raptar as crianças da cidade, de forma a sacrificá-las no culto da "Lua de Sangue", no qual Muriel (Famke Janssen) procura que as bruxas consigam finalmente resistir ao fogo e ficar invencíveis. Claro que Hansel e Gretel vão procurar impedir essa situação, enquanto procuram descobrir porque foram abandonados pelos pais e o protagonista tem um romance inesperado com a personagem de Pihla Viitala.
 Em 2009, Tommy Wirkola salientou ao Shock Till You Dropp que "Hansel & Gretel: Witch Hunters", "it's an action-adventure horror movie (...)". Verdade seja dita. De terror tem muito pouco para além do conceito (surgem mais risos do que sustos), a acção tem momentos interessantes mas esbatem-se nos seus efeitos especiais pouco conseguidos e pior do que tudo a história nunca é devidamente desenvolvida. Se tivesse assumido a sua faceta de filme de série b e não se tivesse levado a sério, "Hansel & Gretel: Witch Hunters" poderia ter sido uma boa dose de entretenimento onde colocamos o cérebro de lado e divertimo-nos com a sua inocuidade, algo que nunca acontece ao longo da obra. Hansel pode sofrer da "doença do açúcar", mas "Hansel e Gretel: Caçadores de Bruxas" sofre de uma doença ainda mais grave: a falta de criatividade. 

Classificação: 1 em 5.
Título original: “Hansel & Gretel: Witch Hunters”.
Título em Portugal: “Hansel e Gretel: Caçadores de Bruxas”.
Título no Brasil: “João e Maria: Caçadores de Bruxas”.
Realizador: Tommy Wirkola.
Argumento: Tommy Wirkola e Dante Harper.
Elenco: Jeremy Renner, Gemma Arterton, Famke Janssen, Peter Stormare, Zoe Bell, Pihla Viitala.

Crítica a “João e Maria: Caçadores de Bruxas”; Crítica a Hansel e Gretel: Caçadores de Bruxas.

2 comentários:

Diego C. da Silva disse...

Nossa, Hensel e Gretel é um ótimo filme de ação, não terror, e seus efeitos especiais são ótimos, tendo um dos melhores 3Ds já vistos e sendo o filme numero 1 de bilheteria no Brasil neste último fim de semana, seguido do filme De Pernas Pro Ar 2.
Informe-se, sua critica esta muito ruim...

Aníbal Santiago disse...

Com tanta qualidade é um filme que promete ser candidato a vários Oscars, Globos de Ouro e vários troféus.

Se tem um dos melhores 3D já vistos é porque não viu muitos filmes ou não sabe o que são esses efeitos. Diga lá onde os efeitos se destacam? Onde dão profundidade à imagem?

Quanto à bilheteira no Brasil, quanto a mim vale ZERO. Bilheteira não é sinónimo de qualidade.

No que diz respeito a não me informar e o filme não ser de terror, o comentário efectuado veio exactamente no seguimento das declarações do próprio realizador, que surgem citadas na crítica.

Cumprimentos