Banda de especial importância
no panorama musical nacional, os Madredeus têm em 'Visões de
Madredeus' um documentário tão singular e distinto como a obra
deste prestigiado grupo musical. Tendo como ponto de partida um
concerto dos Madredeus em Tóquio, 'Visões de Madredeus' traça um
breve fresco sobre a carreira da banda entre 1987 e 2006, um fresco
onde não faltam momentos marcantes do grupo, quer nos bastidores,
quer nos concertos, enquanto foram ganhando prestígio a nível
Mundial, emocionando, conquistando, arrebatando. Inserido na
digressão de divulgação do disco “Amor Infinito”, esse
concerto em Tóquio a 7 de Dezembro de 2006
marcou o final de uma
digressão recheada de momentos emotivos, uma digressão que se
desenrolou por locais tão distintos como Lisboa, Bogotá, Madrid,
Macau, Tóquio, Ljublijana, entre muitos outros, que mostram bem a
força desta banda capaz de despertar emoções e sensações fortes
no público.
Quem também desperta sensações e emoções fortes é Edgar Pêra
em “Visões de Madredeus”, um documentário que não se limita a
seguir a banda quotidianamente, mas
também procura expressar
as sensações e os sentimentos que os Madredeus despertam diante dos
diferentes públicos, enquanto o realizador segue atentamente a banda. Entre momentos dos concertos, situações dos bastidores, depoimentos
do público, pedaços da história dos Madredeus, Edgar Pêra
desenvolve uma narrativa sublime, na qual a fotografia algo
estilizada sobressai e dinamiza as imagens em movimento. Azul,
vermelho, amarelo, várias são as cores que sobressaem ao longo do
documentário, cores que exacerbam de significado o momento
representado, momentos tão distintos e singulares como as músicas
tocadas pela banda, canções entoadas pela doce voz de Teresa
Salgueiro, ao mesmo tempo que a câmara de filmar surge inquieta,
pronta a captar o momento, nervosa, impaciente, qual espectador
atento ao concerto da banda.
Som, imagem, exacerbação do sentimento, cada pedaço da música dos
Madredeus aparece filmado de forma singular, tão singular como a
capacidade da banda de chegar a diferentes públicos, quer estes
entendam a língua portuguesa ou não, algo paradigmaticamente
representado quando o realizador procura captar depoimentos de
diferentes espectadores em distintas cidades ao redor do Mundo,
captar essa relação tão especial entre o público e o concerto,
entre o espectador e a banda, ao mesmo tempo que mostra o lado menos
mediático do grupo musical, em particular os bastidores das digressões longas,
desgastantes e proveitosas.
Embora a fotografia demasiado estilizada possa eventualmente causar
alguma rejeição no espectador, a verdade é que aos poucos esta
torna-se parte fulcral da narrativa, um meio para o cineasta
despertar sensações, mostrar as diferentes camadas dos Madredeus,
os sentimentos dos momentos, tudo povoado com belas canções do
grupo, canções que tocaram milhares, sejam estes portugueses,
japoneses, macaenses, espanhóis, colombianos, um toque que faz-se
pela capacidade da música, enquanto “Visões dos Madredeus”
apresenta diferentes visões sobre a banda, diferentes públicos que
nutrem um carinho especial por este grupo português que tem elevado
o nome de Portugal mais alto.
A certa altura de “Visões de Madredeus”, um fã da banda
salienta que a música dos Madredeus “dá amor a todo o Mundo”. O
documentário realizado por Edgar Pêra não procura dar amor ao
Mundo, mas sim pequenos pedaços dos Madredeus, momentos da banda em
concertos, em digressões, a relação com os diferentes públicos,
as suas belas e apaixonantes músicas, ao mesmo tempo que proporciona
ao espectador um documentário tão singular como a banda que
retrata.
Classificação: 4 (em 5)
Título:
“Visões de Madredeus”.
Realizador:
Edgar Pêra.
Crítica em colaboração com a Take Cinema Magazine:
Crítica em colaboração com a Take Cinema Magazine:

3 comentários:
Totalmente de acordo.
Uma visão singular que merece ser exibida e vista comercialmente.
Cumps cinéfilos.
O filme merece e tem potencial para estrear em circuito comercial. A acontecer, certamente serei mais um espectador a assistir.
Obrigado pelo comentário,
Cumprimentos cinéfilos.
Concordo com o que destacas e partilho da tua opinião. Um documentário cheio de sensações únicas.
Óptimo texto.
Cumprimentos cinéfilos.
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