28 outubro 2012

Resenha Crítica: "Visões de Madredeus"

  Banda de especial importância no panorama musical nacional, os Madredeus têm em 'Visões de Madredeus' um documentário tão singular e distinto como a obra deste prestigiado grupo musical. Tendo como ponto de partida um concerto dos Madredeus em Tóquio, 'Visões de Madredeus' traça um breve fresco sobre a carreira da banda entre 1987 e 2006, um fresco onde não faltam momentos marcantes do grupo, quer nos bastidores, quer nos concertos, enquanto foram ganhando prestígio a nível Mundial, emocionando, conquistando, arrebatando. Inserido na digressão de divulgação do disco “Amor Infinito”, esse concerto em Tóquio a 7 de Dezembro de 2006 marcou o final de uma digressão recheada de momentos emotivos, uma digressão que se desenrolou por locais tão distintos como Lisboa, Bogotá, Madrid, Macau, Tóquio, Ljublijana, entre muitos outros, que mostram bem a força desta banda capaz de despertar emoções e sensações fortes no público.
  Quem também desperta sensações e emoções fortes é Edgar Pêra em “Visões de Madredeus”, um documentário que não se limita a seguir a banda quotidianamente, mas também procura expressar as sensações e os sentimentos que os Madredeus despertam diante dos diferentes públicos, enquanto o realizador segue atentamente a banda. Entre momentos dos concertos, situações dos bastidores, depoimentos do público, pedaços da história dos Madredeus, Edgar Pêra desenvolve uma narrativa sublime, na qual a fotografia algo estilizada sobressai e dinamiza as imagens em movimento. Azul, vermelho, amarelo, várias são as cores que sobressaem ao longo do documentário, cores que exacerbam de significado o momento representado, momentos tão distintos e singulares como as músicas tocadas pela banda, canções entoadas pela doce voz de Teresa Salgueiro, ao mesmo tempo que a câmara de filmar surge inquieta, pronta a captar o momento, nervosa, impaciente, qual espectador atento ao concerto da banda.
  Som, imagem, exacerbação do sentimento, cada pedaço da música dos Madredeus aparece filmado de forma singular, tão singular como a capacidade da banda de chegar a diferentes públicos, quer estes entendam a língua portuguesa ou não, algo paradigmaticamente representado quando o realizador procura captar depoimentos de diferentes espectadores em distintas cidades ao redor do Mundo, captar essa relação tão especial entre o público e o concerto, entre o espectador e a banda, ao mesmo tempo que mostra o lado menos mediático do grupo musical, em particular os bastidores das digressões longas, desgastantes e proveitosas.
  Embora a fotografia demasiado estilizada possa eventualmente causar alguma rejeição no espectador, a verdade é que aos poucos esta torna-se parte fulcral da narrativa, um meio para o cineasta despertar sensações, mostrar as diferentes camadas dos Madredeus, os sentimentos dos momentos, tudo povoado com belas canções do grupo, canções que tocaram milhares, sejam estes portugueses, japoneses, macaenses, espanhóis, colombianos, um toque que faz-se pela capacidade da música, enquanto “Visões dos Madredeus” apresenta diferentes visões sobre a banda, diferentes públicos que nutrem um carinho especial por este grupo português que tem elevado o nome de Portugal mais alto.
  A certa altura de “Visões de Madredeus”, um fã da banda salienta que a música dos Madredeus “dá amor a todo o Mundo”. O documentário realizado por Edgar Pêra não procura dar amor ao Mundo, mas sim pequenos pedaços dos Madredeus, momentos da banda em concertos, em digressões, a relação com os diferentes públicos, as suas belas e apaixonantes músicas, ao mesmo tempo que proporciona ao espectador um documentário tão singular como a banda que retrata.

Classificação: 4 (em 5)

Título: “Visões de Madredeus”.
Realizador: Edgar Pêra. 
Crítica em colaboração com a Take Cinema Magazine:  

3 comentários:

Sam disse...

Totalmente de acordo.

Uma visão singular que merece ser exibida e vista comercialmente.

Cumps cinéfilos.

Aníbal Santiago disse...

O filme merece e tem potencial para estrear em circuito comercial. A acontecer, certamente serei mais um espectador a assistir.

Obrigado pelo comentário,
Cumprimentos cinéfilos.

Inês Moreira Santos disse...

Concordo com o que destacas e partilho da tua opinião. Um documentário cheio de sensações únicas.
Óptimo texto.

Cumprimentos cinéfilos.