03 outubro 2012

Resenha Crítica: "Taken - A Vingança" (Taken 2)

Bryan Mills não tem descanso. Depois de ter de salvar a filha de um conjunto de perigosos raptores em “Taken”, este prepara-se para lidar com o pai de um dos criminosos que assassinou no primeiro filme que promete vingar-se de Bryan e de toda a família do antigo agente da CIA em "Taken 2". Escusado será dizer que esta situação tumultuosa resulta em doses de grande pancadaria, violência, enquanto Liam Neeson distribui pancada a ponto de fazer Chuck Norris corar de vergonha, num filme frenético onde a emoção surge a uma velocidade estonteante. Não espere de “Taken 2” uma narrativa elaborada, nem diálogos requintados e subtis, mas sim muita acção e emoção num filme de acção a fazer relembrar tantos outros filmes dos anos 80, onde um homem sozinho conseguia livrar-se de um vasto conjunto de inimigos. Este “one man army” é Bryan Mills, um personagem que cativou de forma surpreendente o público e teve o condão de elevar Liam Neeson a uma estrela de acção com um carisma notável em “Taken”. Se viu o primeiro filme já estará mais ou menos familiarizado com este carismático personagem capaz de fazer de tudo para proteger Kim (Maggie Grace), a sua bela filha, mesmo que isso envolva viajar para França, encontrar a sua filha com pouquíssimas informações sobre o seu paradeiro e desmantelar um grupo de perigosos criminosos.

 Esses acontecimentos do primeiro filme tiveram graves repercursões nos seus intervenientes, mas também na família de raptores, algo visível nas cenas iniciais do filme que remetem para o impiedoso grupo albanês liderado por Murad Krasniqi (Rade Sherbedgia), o pai de um dos criminosos assassinados que procura vingar o filho e todos aqueles que foram mortos pelo perigoso agente. Enquanto Krasniqi procura por vingança, Bryan parece aproximar-se cada vez mais de Lenore (Famke Jamsen) e da sua filha, procurando compensar o tempo em que esteve ao serviço da CIA, desconhecendo que se avistam tempos difíceis para ambos. Esta vingança do líder do clã albanês acontece quando Bryan encontra-se em Istambul com a sua ex-mulher e a filha e depara-se com a realidade das duas mulheres que ama correrem perigo de vida devido aos antagonistas pretenderem vingar-se de si. Raptado em conjunto com Lenore, Bryan tem de tentar libertar-se a todo o custo para poder salvar a sua vida, a da ex-mulher, manter a filha em segurança e livrar-se de umas dezenas de albaneses que estão no seu encalço.
 Uma das perguntas mais colocadas aquando da notícia do desenvolvimento de “Taken 2” era se valeria mesmo a pena desenvolver uma sequela de Taken e como seria possível manter uma estrutura narrativa interessante. Ao terminar de ver “Taken – A Vingança” essa pergunta não fica paradigmaticamente respondida, mas a verdade é que o filme revela-se uma obra entusiasmante para os fãs de filmes de acção ao apresentar um ritmo frenético, onde não faltam lutas corpo a corpo, perseguições de carro, explosões, um carismático Liam Neeson, uma muito sensual Maggie Grace e a célebre defesa dos valores familiares. Repetindo em parte a fórmula do primeiro filme (que alcançou mais de 200 milhões de dólares em receitas ao redor do Mundo), “Taken 2” revela-se como um filme de acção competente, que coloca Liam Neeson como um herói de acção que promete fazer inveja a heróis como Rambo e ao lendário Chuck Norris, ao conseguir sozinho livrar-se de tudo e todos que “mexam no seu osso”. É verdade, essa analogia do cão com o osso é utilizada ao longo do filme por Mike e pela mulher e reflecte bem o conjunto de diálogos pouco elaborados do filme que concentra toda a sua força no carisma do protagonista (é raro um filme de acção contar com um protagonista do calibre de Neeson) e da acção frenética, onde as ruas e os cenários labirínticos de Istambul são aproveitados para criar uma sensação de grande perigo onde um grupo de albaneses procura fazer a vida negra ao personagem de Neeson.
Tal como no primeiro filme, as cenas de acção e o ritmo frenético de “Taken – A Vingança” são os pontos fortes da obra, embora já não causem o mesmo efeito surpresa de “Taken”, um dos sleeper hits de 2008. Sem Pierre Morel no cargo de realizador mas com Oliver Megaton, outro dos protegidos de Luc Besson, “Taken - A Vingança” procura seguir a fórmula do primeiro filme e dar aos fãs do primeiro filme aquilo que estes pretendem, ou seja, colocar o personagem de Liam Neeson a distruibuir pancada em doses generosas, algo que este consegue fazer com grande competência.
Liam Neeson tem em “Taken 2” mais um exemplo do seu carisma como estrela de filmes de acção, tendo aqui um desempenho muito positivo, ao conceder um carisma notável ao seu protagonista, mesmo quando os diálogos não ajudem (as cenas de humor por vezes são penosas). Neeson é o grande destaque do filme. O actor corre, luta, dá ordens, mostra-se um estratego e parece capaz de fazer o impossível, qual “one man army” que sozinho consegue derrubar dezenas de furiosos albaneses, enquanto procura proteger a sua vida, a ex-mulher e a sua filha. Curiosamente, uma das diferenças de “Taken 2” é que Maggie Grace deixa de ter um papel meramente decorativo para passar a ter alguma relevância na narrativa, enquanto Megaton aproveita algumas qualidades corporais da actriz para exibi-las em doses generosas para o público masculino (desde já o meu obrigado ao cineasta). Quem não consegue ter o mínimo carisma é Rade Serbedzija como o pai de um dos criminosos do primeiro filme, não devido à falta de talento do actor, mas sim devido ao fraco argumento que pouco ou nada consegue desenvolver os antagonistas que são figuras completamente unidimensionais que parecem apenas existirem para aumentar a body count do personagem de Liam Neeson.
 Essa falta de desenvolvimento dos antagonistas (e dos protagonistas) é sintomático das várias debilidades do argumento pouco elaborado do filme, onde temos situações como Kim a chumbar no exame de condução mas a efectuar fugas vertiginosas de carro em Istambul, Liam Neeson a ser comparado a um cão que procura proteger o seu osso, a personagem de Maggie Grace a lançar granadas pelos edifícios sem que ninguém chame a polícia, entre muitos outros momentos que exigem ao espectador um grande sentimento de descrença para apreciar a obra que pouco ou nada inova em relação ao primeiro filme. Não espere grandes subtilezas de “Taken – A Vingança”. Os vilões são maus como as cobras, os personagens não apresentam grande desenvolvimento em relação ao primeiro filme, os antagonistas parecem apenas surgir para levarem pancada e a história não prima pela originalidade. Apesar de todos estes problemas, Olivier Megaton consegue atribuir um ritmo frenético e emocionante à narrativa, alicerçando-se no carisma de Liam Neeson e em algumas cenas de acção bem conseguidas para proporcionar aos fãs de filmes de acção um espectáculo de puro entretenimento. Um filme de acção frenético e explosivo que recupera a aura dos filmes de acção dos anos 80 e entretém o espectador do primeiro ao último minuto.

Classificação: 3 (em 5)

Ficha técnica:
Título Original: “Taken 2”.
Título em Portugal: "Taken - A Vingança".
Título no Brasil: Crítica a "Busca Implacável 2"
Realizador: Olivier Megaton
Guião: Luc Besson e Robert Mark Kamen
Elenco: Liam Neeson, Luke Grimes, Rade Serbedzija, Famke Janssen, Maggie Grace, Frank Alvarez, Leland Orser.

Crítica elaborada em parceria com a Take Cinema Magazine: https://www.facebook.com/take.com.pt

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