Em
1947, Josef Stalin, então líder da União Soviética ordenou
a construção de uma linha de caminho de ferro a ligar Salekhard e Igarka (cerca de 1,297 km de distância), uma linha que
considerava de grande importância estratégica a nível comercial e de comunicação entre os territórios. A construção desta linha foi desenvolvida entre
1947 até 1953, tendo apenas sido travada devido à morte do ditador,
algo que comprova paradigmaticamente a pouca utilidade estratégica da mesma. “Mrtvá
trat”, o novo documentário escrito, realizado, editado por Šimon
Špidla procura expor as condições desumanas nas quais este caminho
de ferro foi construído, ou não tivesse sido desenvolvido graças
ao trabalho escravo de milhares de prisioneiros.
Entre mapas, fotografias de época, desenhos, algumas
imagens do local, “Mrtvá trat” apresenta de forma pouco dinâmica
e por vezes demasiado minimalista, alguns pormenores sobre esta
construção, uma obra que albergou cerca de oitenta mil pessoas,
quase todas oriundas dos gulag, um grupo escravo que vivia em
condições desumanas numa construção que ocupa um território
imenso e cedo foi transformada em ruínas. Entre viagens pela
imensidão do rio Yenisei e pelas imediações territoriais da
construção, entre mapas marcados a lápis de carvão ou a caneta de
filtro, “Mrtvá Trat” apresenta a uma série de situações
relacionadas com toda esta construção, que vão desde a construção
e os seus materiais, o território hostil onde a construção está
desenvolvida, centrando-se sobretudo no grupo de homens e mulheres
que trabalhavam de forma escrava nesta construção.
Na maior parte dos casos, esta mão de obra operária
escrava era oriunda dos Gulag, conjuntos de homens e mulheres que
foram acusados de diferentes crimes (os Gulag encontram-se divididos
consoante a especificidade do crime, algo relativamente bem exposto
pelo filme), sendo forçados a abandonar a família, a dignidade e a
humanidade para abraçar uma obra que era um capricho do seu líder.
A crueldade cometida sobre estes homens e mulheres que trabalhavam na
construção desta obra é uma das principais temáticas expostas ao
longo deste informativo documentário, uma dura realidade que é
adensada pelos discursos de alguns dos sobreviventes, enquanto estes
expõem de forma exímia o lado mais desumano do sistema soviético.
Este lado mais desumano é visível não só devido ao
tratamento dado aos presos, mas também pelas próprias condições
do território e até da precariedade dos materiais utilizados na
construção, que colocavam em perigo a vida destes homens e mulheres
que eram vistos como meros números para a construção de um
capricho do líder soviético, um líder conhecido pela sua acção
pouco condizente com os direitos humanos.
Não
espere grandes emoções ou sensações de “Mrtvá Trat”, mas sim
um documentário informativo, sobre uma obra megalómana fadada ao
fracasso, uma obra onde o lado mais desumano da política de Estaline
vem ao de cima, enquanto Šimon
Špidla procura de forma muito própria apresentar um conjunto de
episódios cujo interesse surge algo abafado pela estrutura pouco
interessante do documentário.
Classificação: 2 (em 5)
Ficha
técnica:
Título Original: “Mrtvá Trať”.
Título Original: “Mrtvá Trať”.
Título
em inglês: “Into Oblivion”
Realizador,
editor, produtor: Šimon Špidla
Crítica
em colaboração com a Take Cinema Magazine:
https://www.facebook.com/take.com.pt

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