29 outubro 2012

Resenha Crítica: “Milos Forman: Co tě nezabije…”

 Realizador de filmes como “One Flew Over the Cuckoo's Nest” (1975), “Amadeus” (1984), “The People vs. Larry Flynt” (1996), Milos Forman tem uma carreira recheada de obras marcantes, tendo proporcionado momentos únicos aos espectadores que tiveram o privilégio de visionar as suas obras. Com uma história de vida riquíssima, um conjunto de trabalhos notável e uma capacidade invulgar de contar histórias, Milos Forman tem em “Milos Forman: Co tě nezabije…” um documentário revelador da riqueza do seu ser, do seu conhecimento de cinema, da sua história de vida.
  Filmado ao longo de cinco anos, o documentário realizado por Milos Smídmajer apresenta uma estrutura conservadora, alicerçada em depoimentos de Milos Forman, seguindo o seu quotidiano, enquanto o cineasta conta histórias sobre momentos relevantes da sua vida, mesclados com trechos de filmes realizados por si, um documentário essencial para os fãs do realizador, mas que se perde em demasia no acessório e na extrema reverência de Smidmajer pelo seu objecto de estudo. Se as obras de Forman são por demais conhecidas, as histórias sobre a sua vida privada ganham maior projecção e relevo neste documentário realizado por Milos Smidmajer. Desde as histórias da infância penosa ao perder os pais, após estes terem sido enviados para um campo de concentração Nazi, a expulsão do seu território natal, a amizade com François Truffaut e Claude Berri (que valeram a Forman a salvação da obra “Firemen´s Ball”, após o Politburo ter proibido a mesma), a sua carreira em ascensão, episódios da vida privada, tudo mesclado com pedaços de filmes como “One Flew Over the Cuckoo's Nest”, “Valmont”, “Amadeus”, entre outros.
  Estes trechos dos filmes de Forman, pequenas essências da sua obra imortal, são utilizados como um modo de ilustrar as várias histórias contadas pelo realizador sobre as suas obras cinematográficas, histórias que vão desde o intrincado processo para realizar “One Flew Over the Cuckoo's Nest”, o paralelismo da enfermeira Ratched com o regime repressivo Soviético, a escolha do desconhecido F. Murray Abraham para interpretar Salieri (em “Amadeus”), entre muitos outros episódios, que eram acompanhados por depoimentos de actores como Abrahams, Louise Fletcher (uma escolha de última hora para interpretar a enfermeira Fletcher), Michael Douglas (o produtor de “One Flew Over the Cuckoo's Nest”), breves entrevistas, que não fazem esquecer a ausência de comentários de Jack Nicholson e algum do desinteresse que a estrutura narrativa começa gradualmente a causar.
  Entre estes momentos sobre as aventuras profissionais de Forman e a sua tentativa de escapar à força castradora de alguns produtores, “Milos Forman: Co tě nezabije…” procura ainda captar a esfera privada do cineasta, a sua relação algo afastada dos filhos que teve durante o seu segundo casamento, a importância que os momentos experienciados tiveram na sua forma de encarar a vida, a arte, tudo o que o rodeia, sendo notório o seu trauma contra o Regime Comunista, uma esfera privada que afecta a profissional e que certamente terá contribuído para o estilo muito próprio que o caracteriza.
  Não deixa de ser curioso que um realizador com uma história de vida tão rica e estimulante como Milos Forman tenha direito a um documentário que raramente consegue fazer justiça à sua pessoa, limitando-se praticamente a seguir uma estrutura de acompanhamento do cineasta, deixá-lo a falar sobre as suas histórias, qual conversa de café entre amigos, algo que gera algum interesse mas aos poucos torna-se enfadonho, exacerbando ao máximo o conservadorismo e falta de arrojo do documentário, que se perde pelo excesso de pequenas histórias, de querer ser uma lição rápida e instantânea sobre Milos Forman, chegando por vezes a banalizar a vida deste conceituado realizador.
  A certa altura de “Amadeus”, Salieri comenta o seguinte sobre Mozart: “He was my idol. Mozart, I can't think of a time when I didn't know his name”. Milos Forman pode não ser conhecido por tudo e por todos, nem ter atingido o estatuto de Mozart, mas tem um legado a nível cinematográfico que promete perdurar na memória e conquistar novos públicos, tendo em “Milos Forman: Co tě nezabije…” um documentário que procura dar a conhecer pedaços da vida do cineasta aos espectadores, embora raramente consiga atingir o nível dos filmes que realizou.

Classificação: 3 (em 5)

Ficha técnica:
Título Original: “Milos Forman: Co tě nezabije…”.
Título em Inglês: “Milos Forman: what doesn’t kill you…”
Realizador: Milos Smídmajer.
Argumento: Milos Smídmajer.
Género: Documentário.

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