Realizador de filmes como “One
Flew Over the Cuckoo's Nest” (1975), “Amadeus” (1984), “The
People vs. Larry Flynt” (1996), Milos Forman tem uma carreira
recheada de obras marcantes, tendo proporcionado momentos únicos aos
espectadores que tiveram o privilégio de visionar as suas obras. Com
uma história de vida riquíssima, um conjunto de trabalhos notável
e uma capacidade invulgar de contar histórias, Milos Forman tem em
“Milos Forman: Co tě nezabije…” um documentário revelador da
riqueza do seu ser, do seu conhecimento de cinema, da sua história
de vida.
Filmado ao longo de cinco anos, o documentário realizado por Milos
Smídmajer apresenta uma estrutura conservadora, alicerçada em
depoimentos de Milos Forman, seguindo o seu quotidiano, enquanto o
cineasta conta histórias sobre momentos relevantes da sua vida,
mesclados com trechos de filmes realizados por si, um documentário
essencial para os fãs do realizador, mas que
se perde em demasia no
acessório e na extrema reverência de Smidmajer pelo seu objecto de
estudo. Se as obras de Forman são por demais conhecidas, as
histórias sobre a sua vida privada ganham maior projecção e relevo
neste documentário realizado por Milos Smidmajer. Desde as histórias
da infância penosa ao perder os pais, após estes terem sido
enviados para um campo de concentração Nazi, a expulsão do seu
território natal, a amizade com François Truffaut e Claude Berri
(que valeram a Forman a salvação da obra “Firemen´s Ball”,
após o Politburo ter proibido a mesma), a sua carreira em ascensão,
episódios da vida privada, tudo mesclado com pedaços de filmes como
“One Flew Over the Cuckoo's Nest”, “Valmont”, “Amadeus”,
entre outros.
Estes trechos dos filmes de Forman, pequenas essências da sua obra
imortal, são utilizados como um modo de ilustrar as várias
histórias contadas pelo realizador sobre as suas obras
cinematográficas, histórias que vão desde o intrincado processo
para realizar “One Flew Over the Cuckoo's Nest”, o paralelismo da
enfermeira Ratched com o regime repressivo Soviético, a escolha do
desconhecido F. Murray Abraham para interpretar Salieri (em
“Amadeus”), entre muitos outros episódios, que eram acompanhados
por depoimentos de actores como Abrahams, Louise Fletcher (uma
escolha de última hora para interpretar a enfermeira Fletcher),
Michael Douglas (o produtor de “One Flew Over the Cuckoo's Nest”),
breves entrevistas, que não fazem esquecer a ausência de
comentários de Jack Nicholson e algum do desinteresse que a
estrutura narrativa começa gradualmente a causar.
Entre estes momentos sobre as aventuras profissionais de Forman e a
sua tentativa de escapar à força castradora de alguns produtores,
“Milos Forman: Co tě nezabije…” procura ainda captar a esfera
privada do cineasta, a sua relação algo afastada dos filhos que
teve durante o seu segundo casamento, a importância que os momentos
experienciados tiveram na sua forma de encarar a vida, a arte, tudo o
que o rodeia, sendo notório o seu trauma contra o Regime Comunista,
uma esfera privada que afecta a profissional e que certamente terá
contribuído para o estilo muito próprio que o caracteriza.
Não deixa de ser curioso que um realizador com uma história de vida
tão rica e estimulante como Milos Forman tenha direito a um
documentário que raramente consegue fazer justiça à sua pessoa,
limitando-se praticamente a seguir uma estrutura de acompanhamento do
cineasta, deixá-lo a falar sobre as suas histórias, qual conversa
de café entre amigos, algo que gera algum interesse mas aos poucos
torna-se enfadonho, exacerbando ao máximo o conservadorismo e falta
de arrojo do
documentário, que se perde pelo excesso de pequenas histórias, de
querer ser uma lição rápida e instantânea sobre Milos Forman,
chegando por vezes a banalizar a vida deste conceituado realizador.
A certa altura de “Amadeus”, Salieri comenta o seguinte sobre
Mozart: “He was my idol. Mozart,
I can't think of a time when I didn't know his name”. Milos
Forman pode não ser conhecido por tudo e por todos, nem ter atingido
o estatuto de Mozart, mas tem um legado a nível cinematográfico que
promete perdurar na memória e conquistar novos públicos, tendo em
“Milos Forman: Co tě nezabije…” um documentário que procura
dar a conhecer pedaços da vida do cineasta aos espectadores, embora
raramente consiga atingir o nível dos filmes que realizou.
Classificação: 3 (em 5)
Ficha
técnica:
Título Original: “Milos Forman: Co tě nezabije…”.
Título em Inglês: “Milos Forman: what doesn’t kill you…”
Título Original: “Milos Forman: Co tě nezabije…”.
Título em Inglês: “Milos Forman: what doesn’t kill you…”
Realizador:
Milos Smídmajer.
Argumento:
Milos Smídmajer.
Género:
Documentário.

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