20 setembro 2012

Resenha Crítica: "Resident Evil: Retaliação"

Se já viu os anteriores filmes da saga Resident Evil, muito provavelmente já sabe o que pode esperar de “Resident Evil: Retaliação”. Caso não esteja familiarizado com o contexto da franquia, Alice (Milla Jovovich) relata nas cenas iniciais alguns dos episódios mais marcantes dos últimos filmes, ou seja, resume a história das obras anteriores em menos de cinco minutos em pequenos painéis, que revelam bem o quão fácil é explicar a história destes filmes em poucas palavras.
Caso tenha visto as anteriores obras cinematográficas da franquia já sabe que pode contar com lutas bem coreografadas, uma narrativa frenética, acção em doses generosas, muitos zombies, mas também pouco desenvolvimento dos personagens e uma história pouco interessante que pouco consegue gerar o interesse do espectador.
A história é bastante simples. Alice continua a sua luta incessante contra a Corporação Umbrella, desta vez por lugares tão diferentes como Tóquio, Nova Iorque, Moscovo, entre outros, tendo inicialmente de escapar de uma edifício da Umbrella, onde encontra-se como refém.
Pelo caminho, Alice terá de confrontar Jill Valentine (agora ao serviço da Umbrella devido a uma lavagem cerebral), enfrentar monstros, zombies e inimigos da pior espécie, para além de contar com o regresso de Carlos Olivera (Oded Fehr), Luther West (Boris Kodjoe), Albert Wesker (Shawn Roberts), Rain Ocampo (Michelle Rodriguez) e James Shade (Colin Salmon). De salientar a presença pela primeira vez de Leon S. Kennedy (Johann Urb), protagonista de alguns jogos da franquia “Resident Evil”, numa espécie de quem é quem, enquanto o espectador é apresentado a um espectáculo cinematográfico recheado de acção e com uma história mais fina do que uma folha de papel.
Raras são as adaptações de jogos de computador que conseguem ter sucesso no grande ecrã, algo que Resident Evil tem conseguido contornar ao longo dos anos, tendo em “Resident Evil: Retribution” o quinto filme da saga a estrear nas salas de cinema (e promete não ficar por aqui). Embora as suas obras continuem a não gerar consenso na crítica, a verdade é que “Resident Evil” conseguiu criar uma base de fãs considerável que tem possibilitado o facto de todos os filmes terem sido relativamente rentáveis no grande ecrã e no mercado home video e consequentemente continuarem a ter várias continuações.
Se gostou dos anteriores filmes da saga, muito provavelmente vai gostar de “Resident Evil: Retaliação”. Caso contrário, o mais provável é não apreciar o quinto filme da saga que mais uma vez apresenta um argumento demasiado pobre que parece sempre ser utilizado como uma desculpa para lutas e mais lutas até Alice e os seus aliados do “dia” chegarem ao “boss” final.
Um dos grandes problemas de “Resident Evil: Retaliação” passa exactamente por prender-se em demasia à estrutura do videojogo, ao apresentar uma história pobre, constituída por personagens unidimensionais que apenas parecem servir para saco de pancada até chegarem ao desafio final. Como videojogo funciona bem, como filme nem por isso, visto que se fosse um jogo de computador, as partes exibidas no quinto filme da saga “Resident Evil” seriam certamente as morosas introduções que antecedem a diversão do jogador, ou seja, começar a jogar. O problema é que “Resident Evil: Retribution” não é um jogo mas sim um filme, tendo apenas para oferecer ao espectador uma história pueril, uma narrativa frenética (que tem na edição um ponto positivo) mas pouco interessante, onde os poucos motivos de interesse são as lutas bem coreografadas, uma Milla Jovovich em grande forma e em alguns momentos o 3D (que enriquece a narrativa, embora não seja essencial para a mesma).
Paul W.S. Anderson volta a repetir velhas fórmulas e a dar mais do mesmo ao espectador, algo que pode ser compreendido devido ao facto de ter resultado nos quatro filmes anteriores, no entanto, começam a causar algum desgaste. Para fintar isso, o cineasta promoveu os regressos de alguns personagens bem conhecidos, bem como a entrada de elementos como Leon S. Kennedy, um dos elementos mais populares dos jogos, e Ada Wong, numa tentativa de agradar aos fãs dos jogos e mostrar mais uma vez que não esquece o facto da saga cinematográfica de “Resident Evil” ter nascido nos jogos de computador.
Com um conjunto de lutas bem coreografadas, momentos frenéticos e violentos, “Resident Evil: Retaliação” não consegue esconder a fraqueza do seu argumento e dos personagens, apresentando ao espectador uma obra que tem muito pouco para oferecer, a não ser um espectáculo pirotécnico de explosões, tiros, confrontos com criaturas monstruosas. Por um lado podemos realçar a tentativa de respeitar o jogo de computador, sendo provavelmente o filme da saga que mais respeita as suas origens. Por outro lado, é impossível desmentir que estamos perante as partes do jogo que esperamos passar à frente para finalmente podermos começar a jogar. O problema é que no filme não podemos jogar e ficamos apenas perante uma obra pouco conseguida, que é o paradigma do desgaste que a saga tem vindo a conhecer ao longo dos anos. Como jogo “Resident Evil: Retaliação” poderia funcionar. Como filme o resultado é claramente negativo, sendo apenas mais um filme que pouco acrescenta a uma saga que provavelmente terá mais sequelas.

Classficação: 1 (em 5)

Título original: “Resident Evil: Retribution”.
Título em Portugal: “Resident Evil: Retaliação”.
Título no Brasil: “Resident Evil: Retribuição".
Realizador: Paul W.S. Anderson.
Argumentista: Paul W.S. Anderson.
Elenco: Milla Jovovich, Michelle Rodriguez, Sienna Guillory, Aryana Engineer, Johann Urb, Kevin Durand, Shawn Roberts, Oded Fehr, Colin Salmon, Boris Kodjoe, Li Bingbing.

Crítica em colaboração com: Take Cinema Magazine

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