23 setembro 2012

Espaço às Curtas Nacionais: A trilogia de "O Lenhador Assassino"

Em tempos de dificuldade para o país e para a indústria cinematográfica é de salutar que existam pessoas como o Rúben Ferreira que ambicionam prosseguir uma carreira no cinema e continuem pouco a pouco a traçar um caminho de forma independente e consigam utilizar a internet como um meio de chegar ao público.

Para quem não conhece, Rúben Ferreira conta já com um conjunto variado de curtas-metragens, entre as quais, “O Lenhador Assassino”, “O Lenhador Assassino 2”, “O Lenhador Assassino 3”, “Nerds”, “O Bombom” e “Uma Noite Fodida”, um conjunto assinalável de curtas-metragens amadoras que revelam bem a criatividade do seu autor.

O Rick’s Cinema decidiu dedicar um breve artigo às três curtas da “saga” do “Lenhador Assassino”, um personagem perigoso, mortal e bizarro que persegue as suas vítimas com o seu letal machado ao longo das três curtas-metragens.

A primeira das curtas-metragens desta trilogia é “O Lenhador Assassino”, uma obra escrita, realizada, produzida e editada por Rúben Ferreira que coloca Hélder e Bruno, dois irmãos perante o perigoso Lenhador, uma figura bizarra que surge sempre acompanhado pela sua máscara e pelo seu mortal machado.

O enredo de “O Lenhador Assassino” acompanha Hélder e Bruno, dois irmãos que iam comprar batatas e acabam por deparar-se com esta estranha ameaça quando a bola de futebol que transportavam entra no interior da casa do Lenhador. A cópia que tivemos acesso é o remake da curta-metragem original, já com algumas alterações de fundo em relação ao “O Lenhador Assassino” original.


Perante o sucesso de “O Lenhador Assassino”, Rúben Ferreira desenvolveu “O Lenhador Assassino 2”, a sequela da curta de sucesso, continuando os eventos do primeiro filme. No prólogo, Bruno encontra-se em Santiago de Compostela, sempre com os terríveis eventos que vitimaram o seu irmão na mente. Pelo nosso país, um grupo de amigos discute sobre a veracidade dos eventos do primeiro filme. Entre dúvidas e incertezas sobre o Lenhador, este grupo de amigos descobre da pior maneira a existência desta hedionda figura, tendo de contar com a ajuda de Bruno para procurar eliminar de vez esta ameaça.

 

O terceiro volume da série desenrola-se um ano depois dos eventos de “O Lenhador Assassino 2” e revela-se como o capítulo mais feliz da série. Maior emoção, um trabalho melhor conseguido a nível de fotografia, uma edição eficaz, melhores efeitos (o machado já corta e fica sujo de sangue), embora contenha algumas lacunas a nível de sonoplastia. Um ano depois o misterioso assassino está de regresso e ataca sem dó nem piedade Jorge e Inês, um casal de namorados, que não tem o engenho de fugir desta terrível ameaça. Perante o regresso do Lenhador, Bruno, o personagem presente em toda a trilogia, necessita de reunir esforços para eliminar de vez esta ameaça, antes que seja tarde demais. Um dos pontos altos da curta é a introdução do Sr. Artur, um personagem que promete ser um desafio à altura do Lenhador.



Ao terminar de ver as curtas-metragens teremos sempre de ter em atenção que são três produções cinematográficas amadoras, desenvolvida sem apoios financeiros, que procuram acima de tudo entreter o espectador, algo em que são bem-sucedidas. Inspiradas nos “slasher films”, estas curtas destacam-se exactamente pela criatividade de Rúben Ferreira, ao criar um antagonista que utiliza o seu machado como arma mortífera que vitima vários dos personagens, enquanto tudo e todos encontram grandes dificuldades em livrarem-se deste de uma vez por todas.

Sem um argumento notável, nem um elenco que se destaque (sobretudo no segundo filme a inexpressividade de alguns elementos do elenco torna-se alienadora), estas curtas-metragens destacam-se acima de tudo pela criatividade de Rúben Ferreira que conseguiu mostrar uma evolução de curta para curta, tendo em “O Lenhador Assassino 3” a curta-metragem melhor conseguida (sobretudo a nível dos efeitos). Se na primeira ainda é possível vermos alguns esquecimentos como personagens a arrombarem a porta de uma casa para ir buscar uma bola que entrou por um local aberto, um machado a cortar uma vítima onde é notório que o machado não está a cortar absolutamente nada, ou um machado que corta um corpo e não apresenta vestígios de sangue, na segunda curta esses esquecimentos já são menos notórios, notando-se ainda alguns problemas a nível da fotografia e do enquadramento dos personagens (algo que é visível sobretudo quando temos a cena em que dois irmãos andam lado a lado e um aparece cortado), pequenos erros que não impedem a apreciação das curtas metragens.
Com um orçamento limitado que não permite grandes efeitos, as curtas surpreendem pela notória inspiração nos “slasher films”, um género pouco comum de ser desenvolvido no cinema nacional e pela ambição de Rúben Ferreira que acima de tudo consegue entreter o espectador nestes seus trabalhos que não podem ser avaliados como se estivéssemos a abordar obras cinematográficas profissionais, mas sim como três curtas-metragens de alguém que tem o sonho de ser realizador de cinema.

Entre virtudes e defeitos, é de elogiar a criatividade de Rúben Ferreira na trilogia de “O Lenhador Assassino”, três curtas-metragens desenvolvidas de forma amadora e com muita vontade que deixam alguma curiosidade para seguir a carreira do autor destas obras.

2 comentários:

Bruno Duarte disse...

Precisamos de mais gente como o Rúben!

Aníbal Santiago disse...

Precisamos de mais gente como o Rúben e como o Bruno Duarte (estou com grande expectativas em relação ao "Cavaleiro de Lisboa").

Fiquei agradavelmente surpreendido com a trilogia e vou certamente continuar a acompanhar os trabalhos do Rúben.

Cumprimentos.