28 setembro 2012

Doclisboa 2012 - Alguns dos destaques da conferência de imprensa

Conhecido como um dos festivais de cinema mais prestigiados do nosso país, o Doclisboa tem este ano a sua 10ª edição. Por volta das 11h da manhã de dia 27 de Setembro de 2012 decorreu a conferência de imprensa que visa apresentar a nova edição do certame, um evento marcado por muita informação interessante e a presença de elementos como Cinta Pelejà, Cíntia Gil, Susana de Sousa Dias, Ana Jordão (todas da direcção), o programador associado Augusto M. Seabra, José Manuel Costa (vice presidente da Cinemateca) e Margarida Ferraz (da Culturgest).

Curiosamente, o Doclisboa chega ao seu 10º aniversário como um festival de combate e resistência que procura apresentar uma programação de qualidade e ser um espaço de debate num ano onde a crise económica, social e política reflectiu-se no orçamento e na organização do certame. A proposta da décima edição do festival nasce de um duplo desafio “pensar o cinema como campo simultaneamente artístico e político e como força de inscrição no real”, um desafio que promete ser ultrapassado com distinção. Com uma programação efectuada como uma “proposta de reflexão atenta, consciente de que cada filme programado tem um sentido e uma força fundamentais”, onde a direcção procurou desenhar o festival como um encontro “dos filmes uns com os outros, do público com os filmes, de nós todos com o mundo e com as questões que nos importam”.

Num ano de crise do país onde a cultura tem sido fortemente prejudicada (e não só), o festival apresenta-se com uma programação ambiciosa, onde não falta a criação de três novas secções: “Verdes Anos”, “Cinema de Urgência” e “Passagens”. Estas novas secções juntam-se às conhecidas “Competição Internacional – Longas”, “Competição Internacional – Curtas”, “Competição Portuguesa – Longas”, “Competição Portuguesa – Curtas”, entre outras. De salientar ainda a Homenagem a Fernando Lopes, um cineasta que deixou marca na história do documentarismo nacional, o Tributo ao Festival de Curtas de Vila do Conde e a Retrospectiva Integral a Chantal Akerman (em colaboração com a Cinemateca Portuguesa).

Ao todo serão exibidos 186 filmes ao longo do festival, dos quais temos 68 obras cinematográficas portuguesas, reflectindo e muito a aposta no cinema nacional. Essa aposta reflecte-se desde logo na Sessão de Abertura que conta com 'A Última Vez que vi Macau' de João Pedro Rodrigues e João Guerra da Mata (um filme que encontra-se inserido na competição internacional de longas-metragens). Entre os filmes inseridos em competição nacional é de salientar a presença de obras como 'Cativeiro' de André Gil Mata, 'O Regresso' de Júlio Alves, 'O Sabor do Leite de Creme' de Rossana Torres e Hiroatsu Suzuki, entre outros.

É de salientar que esta iniciativa de apostar fortemente no cinema nacional ganha contornos bem interessantes na secção Verdes Anos, uma secção dedicada a filmes produzidos no contexto de escolas de vídeo, cinema, audiovisuais e comunicação, bem como em cursos de pós-graduação relacionados com o cinema e em particular o cinema documental. Esta iniciativa tem como grande objectiva dar a oportunidade, aos jovens realizadores ainda em contexto de formação, de mostrarem o seu trabalho a um público alargado facilitando, com isso, a sua entrada futura para o contexto profissional, bem como o seu enriquecimento enquanto realizadores.

A nível de obras internacionais é de elogiar e salientar a diversidade apresentada. Não faltam documentários do Burquina Faso, Síria, Tunísia, Espanha, França, México, Reino Unido, Bélgica, Polónia, República Checa, Israel, entre outras nacionalidades que permitirão com toda a certeza o público conhecer algumas amostras de novas realidades cinematográficas. Destas obras é de destacar na competição internacional (longas), 'Bakoroman' um filme do Burquina Faso que marca o primeiro trabalho cinematográfico de Simplice Ganou, 'Sofia's Last Ambulance”, a primeira obra cinematográfica do bulgaro Ilian Metev, entre outras.

O Doclisboa pretende ainda abrir espaços de debate, onde não faltam as “Mesas Redondas” com “RTP e o Serviço Público de Televisão”, “Laboratórios de Cinema Independentes”, “O Cinema e a Crise na Europa do Sul”, “Cinema colectivo, no contexto da Retrospectiva United We Stand, Divided We Fall. Entre os vários eventos do Doclisboa 2012 é de destacar a Masterclass Online Distribution: What to (not) Expect, bem como a Masterclass Andrei Ujica.

O cineasta Andrei Ujica conta ainda como júri da Competição Internacional (constituída por quatro prémios), onde constam ainda Nicole Brenez, Adrian Martin, João Tabarra e Anabela Moutinho. Por sua vez, o júri da Competição Portuguesa (cinco prémios) é constituído por Samira Makhmalbaf, Jean-Pierre Rehm e Celeste Araújo. O júri da secção competitiva “Investigações” (um prémio) é constituído por Rithy Panh, Gonzale de Pedro e Helena Torres. Por fim, o júri da categoria “Prémio Revelação” conta com Alisa Lebow, Michel Demopoulos, Pedro A.H. Paixão.

O encerramento do Doclisboa está marcado para o dia 28 de Outubro (embora a retrospectiva a Chantal Akerman prolongue-se durante mais algum tempo na Cinemateca Portuguesa), com a obra cinematográfica italiana "Cesare Deve Morire", realizada pelos irmãos Paolo e Vittorio Taviani.

A 10ª edição do Doclisboa vai decorrer entre os dias 18 e 28 de Outubro, em locais como a Culturgest, Cinema São Jorge, Cinema Londres, Cinemateca Portuguesa, Galeria Palácio Galveias, LuxFrágil, Carpe Diem Arte e Pesquisa.

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