29 setembro 2012

Crítica: Parks and Recreation - s05e01 - "Ms. Knope Goes to Washington"

«The point is: you’re better than Hot Rebecca. You’re kickass Leslie. Long distance relationships are never easy but you never, ever give up on stuff. That’s what makes you… an amalgam.»
- Andy Dwyer (Chris Pratt)

Criada por Greg Daniels e Michael Schur e inspirada num género popularizado por “The Office” – série na qual Daniels foi produtor -, “Parks and Recreation” tem sido uma das comédias mais regulares e mais bem escritas de entre o que tem sido transmitido nas televisões norte-americanas nos últimos anos. A série centra-se num grupo de funcionários públicos relativamente excêntricos, interpretado por um conjunto de actores talentosos, que constitui o departamento de Parques e Recreação da cidade ficcional de Pawnee, Indiana, e ao longo de quatro temporadas os seus argumentistas têm conseguido manter uma narrativa consistente, que tem tido a qualidade de desenvolver e, por vezes, de introduzir novas personagens à história, sem nunca perder a piada ou o interesse. A quinta temporada da série teve a sua estreia no dia 20 de Setembro e, como homens de negócios que somos, procuraremos acompanhá-la com regularidade e analisar cada um dos seus 22 episódios.
Decorrido a meias entre a grande Washington e a modesta Pawnee, o primeiro episódio assegurou, como seria de esperar, a continuidade dos eventos da temporada passada, ao mesmo tempo que mostrou aos espectadores as mudanças, muitas delas importantes, que estes poderão esperar neste novo capítulo, motivadas acima de tudo pela promoção profissional de algumas das personagens principais da série. Em Washington, somos apresentados à azafamada vida de Ben (Adam Scott), que, entre frequentar reuniões e conhecer indivíduos ligados à política, irá receber a visita de Leslie (Amy Poehler), a sua namorada. Apesar de fascinada pela história da cidade, esta irá sentir-se intimidada pela grandeza das personalidades com quem vai travar conhecimento. A seriedade destes acontecimentos terá como contraste as cenas protagonizadas pelo casal formado por April (Aubrey Plaza) e Andy (Chris Pratt), acompanhantes de Leslie, que vão passear as suas simpáticas e bem-dispostas excentricidades pela cidade de Washington, divertindo e fazendo rir com sucesso o espectador.
Entretanto, em Pawnee, a realidade também mudou. Com a promoção de Leslie a presidente da câmara, Ron Swanson (Nick Offerman) vê-se, finalmente, obrigado a exercer de facto as suas funções de chefe do departamento de Parques & Recreação. Pressionado por Chris (Rob Lowe), o seu superior, Ron vai promover uma actividade ao ar livre que irá acabar por despontar a sua ira, por não contar com o apoio que seria de esperar por parte de Tom (Aziz Ansari), Ann (Rashida Jones), Donna (Retta), Jerry (Jim O’Heir) e de um grupo de crianças esfomeadas. É ainda confirmado, para felicidade da audiência, o final do constrangedor namoro entre Tom e Ann.
De um modo geral, o episódio foi bem escrito, tendo os seus argumentistas e actores conseguido equilibrar com eficácia cenas engraçadas, ainda que apenas a espaços hilariantes, protagonizadas principalmente por Chris Pratt e Nick Offerman, com o desenvolvimento de algumas das personagens mais carismáticas da série. Este desenvolvimento, estruturado de forma sensata e gradual, à semelhança do que sucedeu na temporada passada, consegue impedir a narrativa de estagnar, mantendo o interesse do espectador no que irá acontecer às personagens com quem, ao longo dos anos, este se tem vindo a familiarizar.
Irremediavelmente, o progresso trouxe consigo algumas mudanças, abordadas no episódio em questão, que certamente constituíram desafios importantes para a equipa de argumentistas do programa. Em primeiro lugar, a acção irá desenrolar-se, não apenas em Pawnee, mas também em Washington, o que implica que Leslie e Ben terão que continuar o seu romance à distância. A própria Leslie irá exercer novas funções, ao ter trocado o departamento de Parques pela câmara municipal da cidade, o que implica, por um lado, que esta empreendedora cidadã terá problemas de diferente magnitude para resolver e, provavelmente, novos opositores a ultrapassar, e, por outro, que Ron Swanson será obrigado a liderar o departamento de Parques e Recreação.
E é também neste ponto que recai algum do interesse da nova temporada. Neste episódio, Ron, um indivíduo por norma intimidador, anti-social e com um bigode de impor respeito, chegou a irritar-se e, consequentemente, a demonstrar sentimentos, e, mais invulgar ainda, cedeu face alguns dos seus princípios sagrados, ao trabalhar em prol do departamento. Se esta humanização significa que esta mítica figura irá perder parte da sua magia, leva também a que esta evolua e ganhe um maior protagonismo.
A série mantém-se, assim, no rumo do sucesso. As cenas de comédia continuam a motivar risos constantes, alguns dos actores demonstram, continuamente, a razão da sua ascensão, não apenas na televisão, mas também no cinema, e a história continua a ser interessante e imprevisível. O primeiro episódio de “Parks and Recreation” foi, nas palavras de Andy Dwyer… uma amálgama.

Pontuação: 7.6

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