28 julho 2012

Crítica: "Anger Management" - S01E06 - "Charlie Dates Kate´s Patient"

A série “Anger Management” criou bastantes expectativas antes da sua estreia, mas tarda a conseguir impor-se como uma sitcom de sucesso. Antes de estrear, a série prometia um regresso em grande de Charlie Sheen, o FX parecia estar a apostar forte no material que tem em mãos e a prometer a encomenda de mais 90 episódios (se a série tivesse o esperado sucesso) e uma premissa que poderia resultar. No entanto, ao longo das semanas o público e a crítica continuam a responder de forma morna aos diferentes episódios da série, embora note-se alguma evolução entre ambos. Será que ao sexto episódio da temporada de estreia de “Anger Management”, a série conseguiu finalmente corresponder a todas as expectativas criadas? Embora apresente algumas das fraquezas dos episódios anteriores, nomeadamente, um argumento demasiado previsível e pouco elaborado, a verdade é que a série parece estar a tomar o seu rumo ao utilizar o personagem de Charlie Sheen como um mulherengo que não perde uma oportunidade para fazer uma conquista, embora mantenha sempre uma relação especial com Kate (Selma Blair).
Em “Charlie Dates Kate's Patient”, como o título indica, o Dr. Charlie Goodson vai ter um caso com uma paciente da Kate, nomeadamente Allie (Kristen Renton), uma empregada de um bar que encontra-se a finalizar a tese de doutoramento em econometria aplicada. O interesse de Charlie numa mulher mais culta, surge após Kate (Selma Blair) ter uma relação com Victor (Michael Swan), um indivíduo na casa dos seus cinquenta anos, culto, bem estabelecido socialmente, muito diferente de Charlie. O que o protagonista não sabia é que o seu novo caso amoroso tem um gosto fora do comum de fazer sexo em locais públicos ou passíveis de ser vista, algo que vai proporcionar algumas peripécias entre Charlie e Allie.
Enquanto lida com a sua fogosa nova namorada, Charlie tem ainda de procurar o seu grupo de apoio, sobretudo após ter sugerido que estes ligassem uns para os outros em situações de aperto, após Lacey (Noureen DeWulf) ter agredido uma mulher numa discoteca. Escusado será dizer que Patrick (Michael Arden), Nolan (Derek Richardson), Lacey e até Ed (Barry Courbin) a meterem-se em confusões.
“Charlie Dates Kate´s Patient” não consegue mais uma vez esconder a dificuldade da equipa criativa de “Anger Management” em conseguir desenvolver o grupo de terapia de Charlie Goodson. Ao sexto episódio, os personagens continuam demasiadamente unidimensionais, e continuam sem ser devidamente desenvolvidos, com os argumentistas a não conseguirem elaborar histórias próprias que cimentam em os personagens como parte integrante e importante da série. Se a história dos pacientes continua a não conquistar, o mesmo não se pode dizer das conquistas de Charlie Goodson. No episódio passado a convidada especial foi Denise Richards, a ex-mulher de Charlie Sheen, e em “Charlie Dates Kate´s Patient” a convidada foi Kristen Renton, conhecida por integrar o elenco de “Days of Our Lives”, e séries como “Sons of Anarchy”. Renton tem uma química notável com Charlie Sheen, com este último a mostrar uma faceta muito semelhante a Charlie Harper, o personagem que interpretou em “Two and a Half Men”. A dupla envolve-se em várias peripécias ao longo do episódio, na maioria das vezes devido ao gosto da personagem de Renton em fazer sexo em tudo o que é local público ou passível de ser vista. No entanto, a relação não funciona, e em grande parte é aqui que a série pode ter uma boa história, que passa pela relação entre Charlie e Kate, que claramente vai para além de médico/paciente e “amigos com benefícios”.
A relação entre Kate e Charlie é algo que ainda está bastante por explorar ao longo da série, mas é visível que pode ser um dos trunfos de “Anger Management”. Selma Blair volta a dar muito para o pouco tempo que tem no pequeno ecrã e mostra que merece ser melhor aproveitada na narrativa.
Quem praticamente esteve ausente do episódio foi Shawnee Smith como Jennifer, a ex-mulher de Charlie, e Daniela Bobadilla como Sam, a filha de Charlie e Jennifer. Embora estejam praticamente ausentes, Smith teve uma das tiradas mais engraçadas do episódio, ao mostrar que a sua personagem ainda não esqueceu as constantes traições do actual ex-marido.
No seu todo, “Charlie Dates Kate´s Patient” foi um episódio engraçado mas nada mais do que isso. Faltam personagens secundários interessantes, algo que distinguia “Two and a Half Men”, onde Charlie Sheen tinha a companhia de Jon Cryer como Alan, Angus T. Jones como Jack, Conchata Ferrell como Berta, Holland Taylor como Evelyn Harper, entre outros que ajudavam a série a ser mais do que Charlie Sheen e suportavam a série e elevavam-na a um nível muito interessante para uma sitcom. Embora não goste de comparações, a razão para o sucesso de “Two and a Half Men” e o facto de “Anger Management” não passar da mediania passa mesmo por este factor, a primeira tem personagens e histórias interessantes, o segundo é o “show” de Charlie Sheen. Chega para ser engraçado, mas sempre muito longe da excelência.

Classificação: 6.

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