30 junho 2012

Crítica: "Anger Management" - S01E02 - "Charlie and the Slumpbuster"

Quase um ano depois de ter aparecido pela última vez em “Two And a Half Men”, Charlie Sheen regressou às televisões norte-americanas no passado dia 28 de Junho com “Anger Management”, uma sitcom exibida no FX, que promete voltar a reconciliar Charlie com os seus fãs. O primeiro episódio, intitulado “Charlie Goes Back to Therapy”, foi algo irregular, tendo servido sobretudo para apresentar o protagonista, Charlie Goodson (Charlie Sheen), um terapeuta que procura ajudar os seus doentes a ultrapassarem os seus problemas com a raiva. Charlie padeceu durante muito tempo do mesmo problema de controlar a raiva, algo que afectou a sua carreira como jogador de baseball e levou-o a apostar na carreira de terapeuta. O primeiro episódio serviu sobretudo para apresentar os diferentes personagens e os cenários onde decorrem o enredo, notando-se uma clara tentativa de mostrar muito, ainda que em pouco tempo, algo que não resultou da melhor maneira.
No segundo episódio de “Anger Management”, intitulado "Charlie and the Slumpbuster", existe algo que fica claro. Quem gostou de ver Charlie Sheen como Charlie Harper em “Two and a Half Men”, muito provavelmente vai gostar ver o actor como Charlie Goodson em “Anger Management”. Quem não gostou, muito provavelmente não vai apreciar a nova série protagonizada por Sheen. Charlie Sheen volta com o seu estilo meio irreverente e sarcástico, como um indivíduo mulherengo, que escolhe as mulheres pelo seu aspecto físico e não pelas suas qualidades intelectuais, que procura redimir-se dos pecados do seu passado, mas estes acabam inevitavelmente por regressar. Desta vez, o pecado do passado que regressa para atormentar a vida de Charlie é Mel, uma paciente que procura na terapia de grupo um apoio para evitar os ataques de raiva que sente, após ter sido enganada por um jogador de baseball, que “por acaso” era Charlie Goodson, que a utilizou como slumpbuster (uma superstição entre os jogadores de basebol, na qual os jogadores acham que dá sorte fazer sexo com a rapariga menos atraente que encontrarem). Esta personagem traz uma nova dinâmica ao grupo que efectua terapia, que integra Nolan (Derek Richardson), Patrick (Michael Arden), Lacey (Noureen DeWulf) e Ed (Barry Corbin).
Nesta nova fase da sua vida, Charlie Goodson procura redimir-se dos erros do seu passado, e decide sair com a sua pouco atractiva stalker, algo que irá trazer-lhe vários e divertidos mal entendidos com a sua ex-mulher (Shawnee Smith), a filha e os seus pacientes, e alguns momentos divertidos com Mel. Diga-se que ter uma stalker a perseguir o personagem que interpreta é algo que não é inédito para Charlie Sheen, sendo visível algumas semelhanças desta situação com Mel, com a rábula entre Charlie Harper (Charlie Sheen) e Rose (Melanie Linskey) em “Two and a Half Men”.
Com uma dinâmica a nível de elenco mais interessante do que o primeiro episódio, “Anger Management” melhora o tempo das piadas em “Charlie and the Slumpbuster”, com os vários elementos do elenco a apresentarem uma melhor interacção entre si. O grande motor desta série é Charlie Sheen, tudo passa em volta do protagonista interpretado pelo actor, num papel que foi feito à sua medida. Charlie Goodson é um mulherengo, um indivíduo sarcástico que procura redimir-se dos erros do passado, um pouco como Charlie Sheen procura fazer ao tentar reinventar a sua carreira, após uma fase menos positiva que levou ao seu despedimento de “Two and a Half Men”. A acompanhar Sheen encontra-se uma parafernália de personagens, que vão desde os elementos que frequentam a terapia de grupo liderada por Charlie Goodson, a sua ex-mulher, a filha, a empregada do bar com quem este troca confidências. No segundo episódio, a série teve a sua primeira convidada especial, nomeadamente, Kerri Kenney, que integra-se bem no elenco e tem alguns momentos cómicos ao lado de Charlie Sheen, onde não falta uma cena com esparguete à “Dama e o Vagabundo”.
Ao focar-se num conjunto menor de personagens do que o primeiro episódio (desta vez não houve a terapia com o grupo de presos), “Charlie and the Slumpbuster” prova ser mais eficaz, conseguindo desenvolver um pouco mais os personagens e uma maior dinâmica entre o elenco, embora ainda falte muito para a série melhorar. Entre os aspectos que melhoraram encontra-se a relação de Charlie com a filha (Daniela Bobadilla), e com a ex-mulher (Shawnee Smith), bem como a interacção com os diferentes elementos da terapia de grupo, no qual sobressai Ed, interpretado por Barry Corbin, e a psicótica Lacey. Embora apresente alguma irreverência, proveniente de várias piadas de cariz sexual e algo machistas, quase sempre vindas do personagem de Charlie Sheen, a série rapidamente procura cair numa espécie de zona de conforto e incluir algumas lições de moral, que não incrementam o enredo da forma esperada e contribuem para que esta continue na mediania.
No segundo episódio, “Anger Management” volta a não deslumbrar, embora apresente claras melhorias, mostrando mais uma vez que tem potencial para muito mais. Falta sobretudo a série sair da sua zona de conforto, ganhar mais irreverência, e apostar no desenvolvimento dos personagens, de forma a desenvolver o seu potencial e transformar “Anger Management” numa sitcom a não perder. Por enquanto, a única certeza é que a série tem muito a melhorar nos próximos episódios.

Classificação: 6.9

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