29 junho 2012

Crítica: "Anger Management" - S01E01 - "Charlie Goes Back to Therapy"

Charlie Sheen é um eterno irreverente que tem conhecido vários episódios polémicos ao longo da sua carreira profissional e vida pessoal. Entre problemas com álcool, drogas, traições, casos com prostitutas, entre muitos outros, Charlie Sheen viu a sua carreira conhecer um grande revés quando foi despedido do elenco de “Two and a Half Men”, onde interpretava Charlie Harper, uma espécie de alter-ego que era a alma da série. Para o seu lugar entrou Ashton Kutcher, enquanto Sheen recebeu uma choruda indemnização por parte da CBS, tendo posteriormente entrado numa fase de redenção que culminou num pedido de desculpas aos seus colegas da série, devido a alguns dos problemas causados.
Após um hiato de cerca de um ano, Charlie Sheen está de regresso ao pequeno ecrã com “Anger Management”, uma adaptação livre ao formato televisivo do filme “Anger Management”, que fora protagonizado originalmente por Adam Sandler e Jack Nicholson. A série foi desenvolvida por Bruce Helford (“George Lopez”) e conta com Charlie Sheen ("Two and a Half Men") como Charlie Goodson, um ex-jogador de basebol com grandes dificuldades em controlar-se, que reinventa sua carreira profissional como terapeuta de pessoas com o mesmo problema em controlar a raiva. Logo no início do primeiro episódio, não poderia deixar de haver uma pequena piada sobre a sua antiga série, quando Charlie exemplifica em Bobo, um boneco insuflável anti-stress, como se deve combater o stress, enquanto comenta “You can't fire me, I quit. Think you can replace me with some other guy? Go ahead, it won't be the same. You may think I'm losing, but I'm not. I'm...”, escusado será dizer que todos os que acompanharam os famosos episódios que conduziram à saída de Sheen de “Two and a Half Men” compreenderão melhor do que ninguém esta piada, com o actor a utilizar o personagem para dizer ao que vem com “Anger Management”, ou seja, para voltar a ser bem sucedido e provar que não está por baixo na carreira.
A acompanhar Charlie, temos uma parafernália de personagens que consulta o seu consultório, entre os quais, Patrick (Michael Arden) um indivíduo homosexual que lida com a rejeição da família, Ed (Barry Corbin), um ex-combatente homofóbico, Lacey (Noureen DeWoulf), uma mulher voluptuosa que deita raiva por todos os seus poros, que é obrigada a procurar terapia de grupo, após ter baleado o seu marido nas partes baixas. Para além deste grupo, Charlie trabalha gratuitamente a ajudar um grupo de presos que necessita de terapia, numa sub-trama pouco desenvolvida e algo desnecessária. Diga-se, que em ambos os casos, as várias situações e exageros (muitas das vezes a cair no estereótipo) dos clientes vão permitir que Charlie utilize o seu habitual sarcasmo e distribua as suas piadas, que na maioria dos casos resultam.
Enquanto procura tratar dos problemas dos seus clientes, Charlie tem ainda de cuidar de Sam (Daniela Bobadilla), a sua filha adolescente, que sofre de distúrbio obsessivo-compulsivo e vive entre a casa do terapeuta e da ex-mulher deste, Jennifer (Shawnee Smith), uma mulher sarcástica cuja relação com Charlie deixa muito a desejar. Quem aquece os tempos livres de Charlie é Kate (Selma Blair), uma terapeuta com quem mantém uma “amizade com benefícios”, onde tudo resume-se a sexo e nada a sentimentos emocionais, ao mesmo tempo que trata de Charlie. O universo de Charlie fica completo com as idas ao bar onde fala regularmente com Brett (Brett Butler), a empregada do bar que este frequenta.
O primeiro episódio de “Anger Management” tem o título “Charlie Goes Back to Therapy”, e não poderia ser mais adequado. Charlie Sheen regressa ao grande ecrã como um personagem que procura reinventar-se como um terapeuta e assim evitar que os seus pacientes cometam os mesmos erros que este cometeu no passado devido aos problemas com a raiva. Esta situação permite à série apresentar um vasto conjunto de personagens problemáticos, cujas piadas resultam do seu estado e da sua personalidade exagerada, algo que nem sempre resulta durante todo o episódio, com muitas das situações a caírem nos estereótipos fáceis. No entanto, todo o destaque do episódio vai para Charlie Sheen, com este a mostrar o seu lado irreverente e paternal, proporcionando alguns momentos de humor ao ser... Charlie Sheen, demonstrando que a série poderá vir a ser a melhor terapia para reencontrar-se com o público e com os momentos áureos da sua carreira. Longe de deslumbrar, Sheen volta a mostrar o porquê de ter sido um dos actores mais bem pagos da televisão devido ao seu papel em “Two and a Half Men”, ao exibir um estilo irreverente e sarcástico que facilmente conquista o espectador, embora a qualidade dos diálogos que lhe são atribuídos, nem sempre seja a desejável.
Ao longo de “Charlie Goes Back to Therapy” temos ainda uma tentativa de mostrar o lado mais paternal de Charlie (algo que nem sempre resulta), com este último a mostrar-se bastante preocupado com a filha, uma adolescente problemática que tem mais incertezas do que certezas sobre a vida e que sofre de transtorno obsessivo-compulsivo (algo que vai resultar em várias piadas sobre a situação). A questão familiar é um dos aspectos que a série tem de melhorar ao longo dos episódios, visto que a temática da possível ida de Sam para a faculdade e as dúvidas que a rapariga levanta devido a Sean (Brian Austin Green), o novo namorado da mãe, ter sugerido que é possível ter um emprego melhor sem frequentar a faculdade do que a estudar e tirar um curso superior, soam a artificial e parecem ter sido colocadas apenas para demonstrar o lado mais humano de Sheen.
 Um dos motivos que mais chamou à atenção do público para “Anger Management” foi o facto de Charlie Sheen estar de regresso à televisão, numa sitcom feita à sua medida. Sheen não desilude e volta a interpretar um personagem ao seu estilo, mesclando irreverência, sarcasmo e algum humanismo, embora os diálogos que lhe são atribuídos nem sempre deslumbrem. Ao longo do episódio, o espectador é apresentado aos vários personagens e cenários que rodeiam o dia a dia de Charlie, enquanto fica com alguma expectativa sobre como poderá resultar a interacção dos diferentes personagens nos próximos episódios. O primeiro episódio de uma série, seja esta de comédia, drama, aventura, animação, é essencial para cativar ou afastar o espectador, no caso de “Anger Management”, o episódio “Charlie Goes Back to Therapy” não deslumbra, mas também não compromete, proporcionando algumas gargalhadas ao espectador, embora apresente alguns momentos bastante irregulares. "Anger Management" prova no seu primeiro episódio que tem potencial para ser uma sitcom divertida e bem conseguida, resta saber se este será utilizada.

Cliassificação: 6.7 (em 10).

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