Séries que nos Marcam: Hajime no Ippo

01 Fevereiro 2012 | |
O espaço "Série que nos marcam" continua de pedra e cal no Rick´s Cinema. Inaugurada no dia 11 de Novembro, já passaram por esta rubrica, séries como "Herman Enciclopédia", "Nico d´Obra", “Nós os Ricos”, "Médico de Família", "Crianças S.O.S", "He-Man e os Defensores do Universo", “Sai de Baixo”, "The O.C.", "Yes Minister" e o carismático “Major Alvega”. Dez séries, marcadas pela qualidade, pelos grandes momentos que proporcionaram aos espectadores. 

O décimo primeiro post desta rubrica é dedicado a uma das séries de anime que mais cativou esta dupla de bloggers nos tempos de Faculdade (a par de “Naruto”, “Bleach” e “Hungry Heart Wild Stryker”), a entusiasmante série “Hajime no Ippo”. Inspirada na série homónima de mangas de Jōji "George" Morikawa, a série de anime estreou originalmente no dia 3 de Outubro de 2000, na estação televisiva japonesa Nippon Television e conquistou o público ao longo das várias semanas em exibição, ao apresentar a entusiasmante jornada de Ippo Makunouchi, um jovem adolescente algo timido e desajeitado que decide enveredar numa carreira no mundo do boxe. Realizada por Satoshi Nishimura, a série de animação teve setenta e seis episódios, exibidos entre 3 de Outubro de 2000 até 27 de Março de 2002.

A série centra-se em Ippo Makunouchi, um adolescente tímido e bem intencionado que procura conciliar a vida escolar com o trabalho que efectua na loja da sua mãe, um espaço de aluguer de barcos para pescar que era gerido pelo pai de Ippo antes de falecer. Certo dia, quando vinha calmamente das aulas, Ippo é importunado por um grupo de bullies liderados por Umezawa que decidem fazer de Ippo um saco de pancada e descarregamento de frustrações. A situação não resulta em contornos piores porque Takamura, um boxeador profissional do Ginásio Kamogawa, decide interromper a situação e mostrar as suas habilidades na arte do confronto físico. Quando Ippo desmaia, o intimidante Takamura leva-o para o Ginásio Kamogawa, um espaço recheado de vários aspirantes a boxeadores, onde todos procuram atingir o sonho de um dia vencerem no mundo deste poético e violento desporto de combate. Escusado será dizer que Ippo sente-se tentado a experimentar dar uns murrozitos num saco de boxe e impressiona tudo e todos com a força bruta que a sua aparência tímida esconde. Aos poucos, Ippo cria um entusiasmo gritante pelo boxe, e começa a treinar arduamente ao lado daquele que será um dos seus grandes companheiros, o bem humorado e feroz Takamura.

A entrada no Ginásio Kamogawa não é vista com bons olhos pelo treinador Genji Kamogawa, que não aprecia a falta de espírito de luta de Ippo. Para provar que o rapaz não tem futuro neste desporto, Kamogawa decide coloca-lo frente a frente com aquele que será o grande rival de Makonouchi ao longo da série, o jovem prodígio de dezasseis anos de idade, Miyata. Ao bom estilo de “Rocky”, Ippo surpreende tudo e todos com a sua capacidade de levar pancada, apenas indo ao tapete quando Miyata utiliza a sua técnica preferida, o contra-ataque. Escusado será dizer que a partir deste momento, Ippo começa a ganhar o respeito de tudo e de todos, indo evoluir como lutador e ser humano ao longo dos episódios, ao mesmo tempo que forma uma forte amizade com Takamura, e outros dois lutadores do ginásio, Tatsuya Kimura e Masaru Aoki.

“Hajime no Ippo” deve muito provavelmente ser a melhor série de anime que vi, ou pelo menos, aquela que deixou-me completamente colado do início ao fim, enquanto vibrava com os combates de Ippo, Takamura, Kimura, Aoki e do pouco simpático Miyata. Mais do que nos surpreender a cada episódio, a série procurava criar uma ligação entre o espectador e os personagens, apresentando a evolução destes como seres humanos, lutadores de boxe e grandes amigos. No centro de todo este enredo está Makunouchi Ippo, um jovem adolescente que representa o jovem falhado que um dia tem uma oportunidade na vida e agarra-a de unhas e dentes, um individuo simpático, amigo do seu amigo e leal, mas com uma grande força interior e exterior que fazem-no transformar as suas fraquezas em forças e defrontar todo e qualquer adversário. Este forma uma grande amizade com Takamura, Kimura e Aoki, situação que irá gerar momentos de muito bom humor com alguns gags recorrentes, que advêm da boa relação destes três. Quem viu a série certamente não irá esquecer da forma como as narinas de Ippo se abrem de forma escandalosa quando vê a amada Kumi Mashiba (a irmã de um dos seus mais perigosos e assustadores rivais), as cantorias de Takamura no karaoke, acompanhadas pela sua personalidade pervertida, ou da forma estranha como Aoki apaixonava-se sempre pela rapariga “menos bonita”, e até das constantes piadas ao dito cujo de Ippo (como podem ver na imagem), entre muitas outras. Com estes personagens, o espectador ri, emociona-se, por vezes quase que chora, com cada combate destes a transformar-se no combate do espectador. É incrível como uma série aparentemente mediana, consegue ter um argumento tão ou mais forte do que muitas séries com actores reais. Aliás, um dos pontos fortes da série é mesmo o desenvolvimento dos personagens e os seus relacionamentos, sejam os personagens principais, sejam os rivais ocasionais de Ippo, ninguém surge de para-quedas nos episódios, todos os combatentes têm um devido contexto que serve para adensar o universo deste anime.

Numa série que tem o boxe como temática de fundo, é óbvio que os combates e os treinos não são descurados, e apresentam momentos de grande emoção e tensão, sobretudo quando o confronto é entre Ippo e Miyata, dois grandes rivais, apesar do primeiro manter sempre uma postura amigável (por vezes a caminhar para o homossexual, algo que é muito ironizado ao longo dos episódios por Takamura). Ippo e Miyata não podiam ser mais diferentes. O primeiro nunca imaginou ser um boxeador, luta por amor ao boxe e por querer provar ser alguém na vida, o segundo luta para provar o seu valor ao pai e conseguir vencer os troféus que o progenitor falhou em vencer. O que Ippo tem de carismático, bem humorado e imprevisível, Miyata tem de reservado, estudioso, algo que irá transformar os seus combates em momentos explosivos, entre a imprevisibilidade de Ippo e a mecânica de Miyata com o público a ter direito a momentos emotivos, que beneficiam muito do facto da equipa de animação conseguir desenvolver os movimentos na perfeição.

Para além dos momentos de tensão inerentes a toda a atmosfera o mundo do boxe, as emocionantes cenas de treino, os combates, e os momentos bem humorados, a série era também bastante educativa em termos desportivos, procurando elucidar os espectadores sobre vários dos termos e técnicas utilizados no boxe, tais como a “dempsey roll”, “gazelle punch”, entre outros.

Quem acompanhava a série, certamente lembra-se dos temas musicais que abriam e fechavam os episódios, que eram capazes de entusiasmar os pedregulhos da calçada e até criar uma expressão na face de Keanu Reeves. Entre os temas musicais, o da minha preferência certamente vai para o tema “Inner Light”, dos Shocking Lemon, que abria os episódios da segunda temporada da série, aquele que me acompanhava no meu mp3 e era utilizado naqueles momentos de lazer non sense, que nos deixam com um sorriso, mesmo que estejamos num momento menos bom.

Posteriormente, a série teve direito a uma sequela, intitulada “Hajime no Ippo: New Challenger”, que teve apenas vinte e seis episódios, para tristeza destes bloggers. Para além da sequela, “Hajime no Ippo”, teve direito a uma ova, intitulada“Hajime no Ippo - Mashiba vs. Kimura” e o filme “Hajime no Ippo - Champion Road”.

Fiquem agora com o primeiro episódio de "Hajime no Ippo" (clicar em mais informações)








3 comentários:

H. Barcelos disse...

"Quem acompanhava a série, certamente lembra-se dos temas musicais que abriam e fechavam os episódios, que eram capazes de entusiasmar os pedregulhos da calçada e até criar uma expressão na face de Keanu Reeves" ahahah

grande post. quando andava a tirar a licenciatura via séries de anime atrás de séries de anime (o que resultava, demasiadas vezes, em dormir 5 ou 6 horas por dia) e, mesmo entre as mais conceituadas e mais populares, esta é, sem dúvida, a minha preferida atrás do grandioso Samurai X (que já partia em clara vantagem à pala do Batatoon).

Estava tudo tão bem escrito, desde as lutas brutais e dramáticas até às personagens (hilariantes ou profundas conforme a ocasião) e ao seu relacionamento, que chegava a ver 5 ou 6 episódios seguidos (por vezes mais) sabe-se lá quantas vezes, e não era, nem sou, apreciador de boxe por aí além.

a ver se daqui a umas semanas faço um post destes sobre o samurai x

Aníbal Santiago disse...

Claramente visionar os episódios disto tinha mais piada do que aquelas aulas "maravilhosas" de História Moderna do Camões Gouveia ou do JJ Dias lolol.

Fico à espera do post do Samurai X. Fica também prometido um ao "Hungry Heart Wild Stryker" (ando a especializar-me em posts que apenas nós lemos looool).

H. Barcelos disse...

lololol que funcionem como recomendações ao menos. essa é outra daquelas das quais ninguém dava nada à partida