30 dezembro 2011

Top 2011 - Os meus 10 Filmes preferidos de 2011 (Aníbal Santiago)

“Cinema is an old whore, like circus and variety, who knows how to give many kinds of pleasure. Besides, you can't teach old fleas new dogs.” - Federico Fellini

Ano após ano, continuamos a sentir o mesmo prazer de sempre ao visionar os mais recentes filmes que estreiam nas salas de cinema. Aos grandes filmes do passado acrescentam-se mais uns quantos exemplares à nossa lista de filmes preferidos ou então para a nossa execrável lista de filmes para “ver quando tenho insónias”. O ano de 2011 veio recheado de muitos e bons filmes, de obras cinematográficas que nos deram agradáveis surpresas (e por vezes tristes desilusões), e nos deixaram presos ao grande ecrã como se o tempo não existisse fora dessa mágico espaço que é a sala de cinema. Como é habitual nesta época do ano, decidimos efectuar uma lista do top 10, tendo em vista apresentar os dez filmes que gostámos mais de ver em 2011. Confesso que elaborar estas listas são sempre um problema para mim, visto ter a perfeita noção que não tive a oportunidade de ver todos os filmes que estrearam em Portugal em 2011 e assim poder fazer uma lista devidamente fundamentada, no entanto, é um bom exercício mental para mais tarde eu recordar-me das escolhas que fiz e pensar “porque é que eu escolhi filme x e não y?”.

Ao contrário dos anos anteriores, esta lista conta apenas com os filmes estreados em 2011, visto ser impossível obter todos os filmes que estrearam em 2011 nos Estados Unidos, e para evitar confusões como ocorreram na lista da elaboração do top10 deste ano, em que vou repetir um filme em relação à lista do ano passado (“Somewhere”) devido a este critério acordado entre mim e o Hugo.

1 – “True Grit”, de Joel e Ethan Coen. Confesso que sou um apaixonado pelos westerns, pelo que fiquei surpreendido com este excelente filme realizado pelos irmãos Cohen, que pertence a uma boa colheita que não fica nada a dever aos clássicos filmes do género. No filme somos transportados ao Velho Oeste Norte-Americano, ao mesmo tempo que somos guiados pela história de vingança e crescimento da personagem de Hailee Steinfield. Para além da excelente história, importa salientar as interpretações de Matt Damon e Jeff Bridges, com este último a brilhar bem alto.

2 – “Black Swan” de Darren Aronofsky. Um dos mais belos e estranhos filmes a estrear em 2011, com Natalie Portman a ter o papel da sua carreira como Nina, uma bailarina obcecada pela perfeição, que tem em Lily (Mila Kunis) a sua grande rival. Mas será Lilly real? Será que tudo o que vemos em “Black Swan” aconteceu mesmo a Nina? Um filme que nos deixa a pensar e nos deleita com uma excelente história, fotografia, guarda-roupa, interpretações. “Black Swan” está em segundo nesta lista mas claramente morde os calcanhares a “True Grit”.

3 – “The King´s Speech” de Tom Hooper. Uma história de superação inspirada na vida do Rei Jorge VI, cuja gaguez leva-o a contratar o excêntrico Lionel Logue, um fonoaudiólogo. Os dois homens tornam-se amigos enquanto trabalham juntos e, preparam o importante discurso na rádio que Jorge VI tem de fazer no inicio da Segunda Guerra Mundial. Tudo parece encaixar-se na perfeição em “The King´s Speech”. Desde os diálogos à fotografia, passando pela actuação dos actores até À banda-sonora. Foi o justo vencedor do Óscar de Melhor Filme na edição de 2011 dos Prémios da Academia.

4 – “The Fighter” de David O. Russell. Os filmes sobre boxe sempre tiveram um grande apelo junto do público, existe qualquer coisa de particularmente atractivo em ver dois indivíduos a degladiarem-se no meio de um ringue de boxe, qual arena de combate romana, em que estes dependem apenas de si próprios para vencer. Mais do que os combates, o enredo de “The Fighter” centra-se na vida e nos problemas pessoais de Micky Ward (Mark Wahlberg), um indivíduo que tem de fazer uma longa travessia até chegar ao sucesso.

5- “The Ides of March” - Mais do que um breve comentário: http://bogiecinema.blogspot.com/2011/11/resenha-critica-nos-idos-de-marco-2011.html

6 – “Midnight in Paris” de Woody Allen: http://bogiecinema.blogspot.com/2011/10/resenha-critica-midnight-in-paris-2011.html

7 –" The Conspirator", de Robert Redford. Uma agradável surpresa. Ia com poucas expectativas para este filme, mas fiquei surpreendido com este drama sobre Mary Surratt, a única mulher a ser acusada pelo assassinato de Abraham Lincoln. O meu gosto pela história e pelo cinema teve aqui um belo encontro, com Robert Redford a realizar um dos melhores filmes de época do ano, indo contar com as potentes actuações de um surpreendente James McAvoy e de uma talentosa Robin Wright.

8 – "Somewhere", de Sofia Coppola. Adorado por muitos, odiado por outros, o mais recente filme de Sofia Coppola a estrear nas nossas salas não conseguiu encontrar consenso junto do público e da crítica. Confesso que fiquei agradavelmente surpreendido com o filme, apresentando um retrato seco sobre a vida oca e sem sentido de muitas estrelas de Hollywood, através da figura de Johnny Marco, ao mesmo que tempo que assistimos ao crescente relacionamento entre estes e a filha.

9 – “Drive”, de Nicolas Winding Refn. Um dos filmes mais elogiados do ano, protagonizado pelo astro do momento: Ryan Gosling. Roger Ebert diz tudo sobre o filme em duas simples frase: "The entire film, in fact, seems much more real than the usual action-crime-chase concoctions we've grown tired of. Here is a movie with respect for writing, acting and craft."

10 – “Tropa de Elite 2 - O inimigo Agora é Outro”, de José Padilha. O capitão Nascimento está de volta e desta vez tem de lidar com um desafio à altura do seu novo cargo: a corrupção. Um filme violento e contundente, para ver, rever e pensar. Um bom pedaço do cinema brasileiro.

Menção honrosa:

O Estranho Caso de Angélica de Manoel de Oliveira. Há medida que tenho contactado com a obra de Oliveira tenho ficado cada vez mais apaixonado pelo seu trabalho, "O Estranho Caso de Angélica" não é o seu melhor filme, mas é certamente uma boa adição ao seu currículo. Podem ler o que penso sobre o filme, aqui: http://bogiecinema.blogspot.com/2011/12/resenha-critica-o-estranho-caso-de.html

Guilty pleasure do ano:
“Rise of the Planet of the Apes” - H.Barcelos diz praticamente tudo o que penso sobre o filme: http://bogiecinema.blogspot.com/2011/08/resenha-critica-planeta-dos-macacos.html

1 comentário:

Hugo Barcelos disse...

quando o "the conspirator" saiu podia tê-lo ido ver ao cinema e não fui porque não pensei que não seria nada de especial. Mattaku. Tenho que ver esse. E ainda tenho o "Somewhere" aqui (*cof* em dvd original *cof*)para ver há meses e ainda não o vi. tenho que remediar isso