31 dezembro 2011

Séries que nos Marcam: The O.C.

O espaço "Séries que nos marcam" continua de pedra e cal no Rick´s Cinema. Inaugurada no dia 11 de Novembro, já passaram por esta rubrica, séries como "Herman Enciclopédia", "Nico d´Obra", “Nós os Ricos”, "Médico de Família", "Crianças S.O.S", "He-Man e os Defensores do Universo" e “Sai de Baixo” Sete séries, marcadas pela qualidade, pelos grandes momentos que proporcionaram aos espectadores.

O oitavo post desta rubrica é dedicado a uma das minhas séries preferidas, a popular “The O.C.” (em Portugal “Na Terra dos Ricos”). A série estreou originalmente no dia 3 de Agosto de 2003 na estação televisiva norte-americana Fox, sendo uma das séries com maior audiência da temporada televisiva 2003/2004, atingindo um sucesso ao ponto de ser exibida em mais de quinze países. A ideia para a série surgiu quando "McG" e Stephanie Savage reuniram-se com Josh Schwartz e falaram sobre a vontade que tinham em desenvolver uma série sobre a cidade natal de McG, Newport Beach . O próprio Schwartz não era alheio ao território, tendo convivido com pessoas de Newport quando estudava na University of Southern California, indo apresentar um tom único e pessoal aos personagens que criou. Na série, constam alguns elementos que são transversais a várias séries de Schwartz (sobretudo “Chuck”), desde as referências à cultura popular, comédia de situação, personagens que criam grande empatia com o público, músicas que ficam no ouvido, entre muitas outras características.

O enredo da série desenrola-se em Newport Beach, situada em Orange County, California, e acompanha Ryan Atwood e a família Cohen, e Cooper. Ryan é um adolescente oriundo de Chino, um bairro violento e degradado, onde é apanhado a assaltar um carro juntamente com o irmão Trey. Num feliz acaso este depara-se com Sandy Cohen, um advogado que revê-se bastante em Ryan e pretende ajudar o rapaz a conseguir ter uma segunda oportunidade na vida. Os dois encontram-se pela primeira vez quando Sandy tem de defender o caso do elemento mais novo da familía Atwood e acaba por ter de levar o rapaz para casa, visto a mãe tê-lo abandonado e o pai estar preso. Quem não concorda nada com esta decisão de Sandy é a mulher, Kirsten que considera a decisão do marido uma loucura, mas há medida que vê este formar uma forte amizade com Seth (Adam Brody) e a forma educada e tocante como comporta-se, começa a aderir à ideia de Ryan ficar a viver em sua casa, indo tomar a iniciativa de ficar com a guarda legal deste. Mas quem Ryan vai mesmo conquistar é a bela e mimada Marissa, a filha mais velha de Jimmy Cooper e Julie Cooper. Esta é namorada de Luke, o típico adolescente arrogante, e a melhor amiga de Summer Roberts a paixão platónica de Seth Coen. É em torno destes personagens e das suas aventuras, das suas alegrias e tristezas que a série irá desenrolar-se. Desengane-se quem pensa que esta é apenas uma série com rapazes e raparigas com caras bonitas e corpos esculturais, “The O.C.” é uma série bastante humana que acompanha um grupo de adolescentes e os seus familiares ao longo das mais variadas peripécias, indo agradar a todo o tipo de público. Os mais românticos certamente irão delirar com o romance atribulado de Ryan e Marissa, uma dupla apaixonada cujo destino parece afasta-los sempre, saltando aos olhos do público a grande química entre Benjamin McKenzie e Mischa Barton. Se Ryan e Marissa vivem um romance atribulado, o mesmo não se pode dizer de Summer e Seth, estes formam um dos casais mais engraçados da série, ou não fossem ambos dois dos personagens mais populares de “The O.C.” Os fãs de acção certamente irão gostar da facilidade com que Ryan envolve-se em problemas desde o primeiro episódio. Desde a fantástica recepção efectuada por Luke com um soco e a mensagem “Welcome to the O.C. BITCH”, passando por problemas para defender Marissa, Sandy e todos os que lhe são próximos, o punho de Ryan solta-se sempre com grande facilidade com o rapaz a ter um grande dificuldade em conter os seus ímpetos. A série contava ainda com um conjunto de temáticas relacionadas com o elenco adulto, que ia desde os problemas no mercado financeiro até ao imobiliário, passando pela corrupção, problemas conjugais, entre outros. Se estes motivos não chegarem, apelo aos mais depravados para apreciarem bem as curvas do elenco feminino (e o contrário também se aplica ao público feminino).


Uma das características que mais fortaleceu o enredo de “The O.C.” foi o facto da série (pelo menos na primeira temporada) ter um conjunto de personagens secundários adultos, que suportam em grande a história principal. Sandy e Kirsten Cohen formam o “casal modelo” da série, mostrando uma intimidade e felicidade como poucos, apesar de também terem os seus problemas, que os vão afectar e muito ao longo da série. Estes são vizinhos de Jimmy (Tate Donovan) e Julie Cooper (Melinda Clarke). Jimmy é o ex-namorado de Kirsten, um contabilista de sucesso que rouba as fortunas dos seus clientes para sustentar os vicios de Julie e das filhas, entrando numa espiral negativa, que o levará ao divórcio e a ver as suas filhas numa situação financeira inesperadamente precária. O enredo base da primeira temporada centra-se na integração de Ryan na vida em Newport e na vida dos Cohen, ao mesmo tempo que desenvolve uma relação com Marissa. Ao mesmo tempo temos a subtrama de Seth com Anna, a rapariga que o irá ajudar enquanto é ignorado pelo amor platónico da sua vida, a bela Summer Roberts. A primeira temporada não poderia ficar completa sem Seth e Summer apaixonarem-se. No entanto, um conjunto de desentendimentos, mal-entendidos e infelizes acontecimentos fazem com que o quarteto se separe no final da temporada.
Na segunda temporada, os dois casais parecem seguir um rumo diferente, com Marissa a manter um caso com D.J. (Nicholas Gonzalez) e depois com Alex, Summer a manter uma relação com Zach (o Seth “Bizarro”). Ryan regressa a Newport e aos poucos começa a desenvolver sentimentos amorosos por Lindsay (Shannon Lucio) que descobre ser filha bastarda de Caleb, enquanto Ryan começa uma estranha amizade colorida com Alex (a bela Olivia Wilde). Entre muitos contratempos e desencontros a dinâmica entre o quarteto continua a reconstruir-se, indo culminar no célebre episódio do centro comercial, intitulado “The Mallpisode”, onde (citando Seth) "the fantastic four is becoming fantastic again." A felicidade destes não irá durar muito tempo, visto o regresso de Trey (Logan Marshall-Green), o irmão de Ryan vir trazer uma grande dose de drama ao enredo. Pelo meio, temos ainda a história da corrupção praticada pelo pai de “Kiki” Cohen que irá afectar a vida do sólido casal.

A terceira temporada é vista como uma das mais fracas pelos fãs das séries (onde eu me incluo) com a inclusão dos novos personagens como Johnny a não funcionarem na plenitude. A temporada fica marcada pela expulsão de Marissa da Harbor School e pela entrada desta numa escola pública. O romance entre esta e Ryan parece correr às mil maravilhas, mas aos poucos as novas amizades de Marissa (nomeadamente Johnny) e alguns acontecimentos na vida do casal levam a que aos poucos afastem-se. Quando finalmente começam a reatar a relação o pior acontece... e Marissa morre...
É assim que chegamos à quarta temporada com uma série desfalcada de Mischa Barton, e com todos os personagens a terem de lidar com a perda de Marissa (bem como o espectador). Aos poucos a série começa a cativar novamente o interesse do público, indo terminar num momento “feel good”, que deixa um amargo de boca no espectador. Ryan e Marissa deviam ter ficado juntos e não separados pelo destino, após um grande investimento emocional do espectador.

Ao todo foram quatro temporadas e noventa e dois episódios onde podemos rir, chorar, passar o tempo e criar uma identificação muito grande entre todos estes personagens. Entre os personagens que mais se destacam ao longo da série temos Ryan (Benjamin McKenzie) um jovem adolescente duro e sisudo, cuja força nos punhos iguala a paixão que sente por Marissa, Seth Cohen o jovem nerd que adora comics e tem muito provavelmente as melhores tiradas da série. Seth apresenta uma paixão e devoção sem igual por Summer Roberts, a miuda rica e mimada, que aos poucos evolui numa das personagens mais interessantes da série. Para completar o quarteto, encontra-se ainda Marissa, interpretada pela bela Mischa Barton, que tem o papel de maior dificuldade na série, visto a sua personagem passar por tudo na série (desde o escândalo com o pai, o divórcio dos pais, os casos da mãe, problemas com álcool e drogas, o caso lésbico com Alex, etc).

Para além do enredo cativante, a série contava ainda com uma banda sonora fenomenal. A música sempre foi uma componente muito forte das séries de Josh Schwartz e “The O.C.”. Várias foram as bandas e as canções carismáticas que passaram pelo programa. O genérico inicial começa logo por conquistar o público, ao cenário ensolarado da Califórnia temos como pano de fundo a canção “California” dos Phantom Planet, que convida o público a entrar no cenário do filme. Confesso que a série preencheu e bem o meu velhinho mp3 durante os tempos de faculdade, com músicas como “Into Dust” de Mazzy Star, a cover “Wonderwall” de Ryan Adams, “Dice” de Finley Quaye, entre muitas, muitas outras, que serviram para expor os sentimentos dos personagens e exacerbar os movimentos por estes vividos. Veja-se o caso de Hallellujah, que não só marca o início da paixão entre Ryan e Marissa, mas também o final da relação quando a rapariga morre nos braços do desesperado rapaz.

Apesar de todo o sucesso da primeira temporada (uma das melhores que já tive oportunidade de ver), a série foi descendo de qualidade e de audiências, pelo que na quarta temporada, o célebre machado do cancelamento abateu-se sobre a série. Durante este período, a série conheceu uma grande popularidade, com verdadeiras legiões de fãs a torcerem pelos seus pares preferidos, nomeadamente Summer e Seth e Ryan e Marissa (confesso que gostava bastante desta última dupla).

É curioso verificar como vários dos elementos do elenco principal da série não voltaram a triunfar fora do ambiente de Newporter. Benjamin McKenzie protagoniza a série “Southland” e Rachel Bilson “Hart of Dixie”, mas Mischa Barton e Adam Brody não mais voltaram a ter papéis tão carismáticos. Uma surpresa foi a convidada Olivia Wilde, que hoje em dia é uma actriz com a cotação em alta e de Paul Wesley (hoje protagonista de “The Vampire Diaries”).

“The O.C.” é uma das minhas séries preferidas. Confesso que integro-me naquele grupo de pessoas que seguia atentamente a série pelo romance apaixonado e turbulento de Ryan e Marissa, pela saudável loucura do namoro de Seth e Summer, pelas tiradas mordazes e imprevisíveis de Seth, pela honestidade e estilo desprendido de Sandy Cohen, pela imprevisibilidade de Julie Cooper, pelas músicas de encher o ouvido, pela beleza do elenco feminino, ou seja por toda uma conjuntura de factores que tornam “The O.C.” uma série digna da rubrica “Série que nos Marcam” e digna de ter marcado uma fase da minha vida.

Fiquem aqui com alguns dos melhores momentos musicais de "The O.C": (clicar em mais informações):





Forever Young - Ryan e Marissa: http://www.youtube.com/watch?v=u3i1g_wwZO4&feature=related

Wonderwall - Seth e Summer - Ryan e Marissa:



Ryan e Marissa - Into Dust:



Marissa recorda os primeiros momentos com Ryan na casa modelo de Kirsten Cohen - Paint the Silence:



Um dos momentos mais emotivos da série:



The OC-Ryan/Marissa-Hallelujah:

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