24 novembro 2011

Séries que nos Marcam: Médico de Família

O espaço "Séries que nos marcam" veio para ficar no Rick´s Cinema. Inaugurada no dia 11 de Novembro, já passaram por esta rubrica, séries como "Herman Enciclopédia", "Nico d´Obra" e “Nós os Ricos”. Três grandes séries, marcadas por bom humor, grandes momentos de televisão, que ficarão eternamente na memória daqueles que puderam ver os seus episódios.

O quarto post desta rubrica é dedicada a outra série marcante que passou pela televisão portuguesa, a inigualável “Médico de Família”. A série estreou originalmente em 1998, na SIC, e cedo conquistou os corações das famílias portuguesas, que seguiram atentamente as peripécias da família Melo. O enredo centrava-se em torno de Diogo Melo, um médico de um centro de saúde, viúvo e pai de três filhos, Pedro (Francisco Garcia), Mariana (Sara Norte) e Catarina (Karina Queiroz), que vivia com o pai Zé (Henrique Mendes), com a governanta Lucinda (Maria João Abreu) e com o sobrinho João (Rodrigo Saraiva). Para além destes, Diogo contava ainda com as visitas constantes da cunhada Teresa (Rita Blanco) e do melhor amigo Júlio (Ricardo Carriço). Estes eram o núcleo da família Melo e o motor da série.
A história contava com um elenco secundário bastante rico, para o qual contava com o facto da trama desenrolar-se durante grande parte do tempo no centro de saúde em que o Dr. Diogo trabalhava. Aqui, também vamos ter um conjunto de personagens marcantes, como Vítor, o director do centro, interpretado com mestria por Victor de Sousa, Xana Campos como Luísa, Leonor Alcácer como a carismática Mónica, bem como José Boavida, Manuela Marle e posteriormente Ana Padrão.
A série contava ainda com um conjunto de actores convidados, que fazia parte de alguns arcos narrativos mais alargados, entre os quais, Paulo Pires como namorado da Tia Teresa e Ana Padrão como namorada de Diogo Melo. Para quem já se esqueceu, Diogo e Teresa nutrem mais do que uma grande amizade, com a paixão de Diogo pela irmã da falecida mulher a ser um dos grandes pontos de interesse da narrativa. Teresa a par de Júlio é o grandes pilar do personagem de Fernando Luís, sendo mais do que a cunhada, uma segunda mãe para os filhos de Diogo, e a confidente deste último.
Júlio é o amigo bonacheirão, que vive de bem com a vida, cujos problemas parecem passar quase sempre ao lado. Este é um engatatão, que aos poucos vai mostrando uma faceta mais humana à medida que a série vai avançando.

Os episódios apresentavam uma estrutura bastante semelhante, que passava por uma história na casa da família Melo e por outra no centro de saúde, tendo na maioria dos casos o personagem de Fernando Luís como figura central. A série depende muito deste actor e do seu desempenho, algo que só é possível graças ao ENORME talento que apresenta ao longo dos 118 episódios. A série foi um sucesso de audiências, sendo um dos primeiros programas nacionais de grande êxito da SIC, estação que estava no seu auge, após ter começado a transmissão no dia 6 de Outubro de 1992. Para se ter bem a noção do êxito do programa, foi o primeiro a conseguir superar a hegemonia que Herman José apresentava nas audiências da RTP, algo inédito e que hoje podemos não ter bem a noção do impacto que teve.

O elenco da série era recheado de actores talentosos contando com Fernando Luís, Rita Blanco, São José Lapa, os saudoso Henrique Mendes e Filipe Ferrer, Maria João Abreu, Rui Paulo, José Raposo, e na época os jovens Rodrigo Saraiva, Sara Norte e Francisco Garcia, entre outros, que a par de um conjunto de personagens convidados talentosos levaram a série a ter episódios verdadeiramente memoráveis. “Médico de Família” é uma adaptação da série homónima espanhola, exibida no canal Telecinco. A maior parte dos 118 episódios foram realizados por Manuel Queiroga, através dos guiões de Cláudia Ramos. A produção ficou a cargo da Endemol, que mais tardou veio a ficar célebre pela produção do reality-show "Big Brother".

As razões para a série conquistar os espectadores são mais do que muitas, e poderão ser explicadas desde a empatia que “Médico de Família” provocou no público, logo no primeiro episódio. O primeiro episódio começou logo por conquistar os portugueses quando o personagem de Francisco Garcia apresenta no prólogo os vários personagens da série, e quando chega à descrição da sua mãe, diz o seguinte: “esta é a minha tia teresa, a irmã da minha mãe. Era sempre a minha mãe que nos filmava, por isso, quase nunca aparece, mas desta vez, estava eu a filmar. Era bonita não era? Chamava-se Helena e morreu num desastre de carro à um ano e meio. E todos nós sentimos muito a falta dela... principalmente o meu pai”. Segue-se o genérico inicial e o público fica completamente amarrado à história destes personagens. A série conquistou-me sobretudo por apresentar de forma bastante terna e humana a relação da família Melo, que como todas as famílias brincam, choram, riem, zangam-se, mas no final do dia são os primeiros a unir-se. Para além disso era recheado de momentos de bom humor, que muito faziam rir o espectadores, ao mesmo tempo que os momentos mais sérios procuravam consciencializar os mesmos sobre os problemas que enfrentamos no dia a dia, numa família que muito poderia ser como a nossa.

Como já tive a oportunidade de salientar, “Médico de Família” era recheado de momentos de bom humor, e para isso, muito contribuiu a presença da governanta Lucinda, interpretada por Maria João Abreu. Esta era conhecida pelo seu feitio irascível e o seu sotaque nortenho, conquistando o público com jargões com expressões como “oh troilaré oh troilará, vieste para mim, vieste para lá”. Lucinda namorava com Carlos (Rui Paulo) que tratava a sua amada pela curiosa expressão de patanisca. Para além desta, outros dos momentos mais leves eram protagonizados por Júlio, personagem que Ricardo Carriço cunhou com um estilo muito próprio.

 Apesar dos momentos de comédia serem mais do que muitos, a série conquistava pelos momentos tocantes que passavam pelo facto do Dr. Diogo Melo ser um viúvo, que procurava criar os seus filhos sem uma presença materna, ao mesmo tempo que procurava esconder destes a falta que esta lhe fazia no seu dia a dia. Aos poucos, o fulcro da história passa a centrar-se na relação entre este e Teresa, que após vários contratempos irá concretizar-se e fazer as delícias do público.

“Médico de Familia” é uma série que surpreende pela qualidade dos seus diálogos e do seu argumento. Os episódios centram-se sobretudo na família Melo e no universo de personagens que rodeia os seus membros, com a relação entre estes a surpreender pela grande humanidade que os personagens apresentam. A família Melo podia ser a família de qualquer um, e ao mesmo tempo torna-se a família de todos nós. Tive a oportunidade de rever alguns episódios para escrever o post e fiquei surpreendido como a série continua a encantar-me como poucas. Apesar de ter sido uma das séries de maior popularidade do final da década de 90, a mesma nunca teve uma edição em DVD, sendo possível apenas ver os seus episódios no youtube. Posso dizer que era homem para comprar os dvds originais.

Fiquem aqui com o primeiro episódio: (clicar em mais informações)

















1 comentário:

keishajl disse...

já lá vai um tempo que o post foi metido, mas ainda assim não deixa de merecer um comentário.
era uma excelente serie e é realmente uma pena que não tenha saido os episodios em dvd, pois certamente haveria muita gente que os compraria.

já agora, excelente post relacionado ao médico de familia! Parabens!!